Os dias se passaram e lá estava Lola entregando pessoalmente seus convites aos alunos do colégio para seu aniversário. Entregou de bom grado à Sofia (sua amiga ruiva), Felipe (o nerd da turma), Roberta (uma das mais populares do colégio) e para outras pessoas que haviam estudado sempre ao lado dela. A parte mais difícil para ela foi entregar os convites para Erick e Anna e para seu azar, encontrou os dois juntos no corredor do colégio bebendo suco da cantina e tomou coragem e foi em direção à eles.

Ambos estavam rindo de algo que Anna havia contado, quando perceberam a presença da menina do cabelo colorido, pararam de falar e voltaram toda a atenção à ela, deixando-a mais apreensiva ainda. Era difícil de assistir seu ex melhor amigo junto com sua arqui inimiga, mas respirou fundo, tomou coragem e dirigiu a palavra à eles.

— Oi, Erick e Anna.

— Olha só quem está aqui... — debochou Anna.

Lola cruzou os braços.

— Lola... Tudo bem? — perguntou Erick.

— Bom, eu vim lhes convidar para o meu aniversário de 18 anos — ela estendeu a mão com dois convites com envelopes roxos.

Anna arqueou a sobrancelha surpresa com o convite.

— Espera... Deixa eu ver se estou entendendo bem. Você está me convidando para o seu aniversário? — perguntou incrédula.

— Isso mesmo. A água oxigenada que você usa no seu cabelo até que não danificou totalmente o seu cérebro.

Erick prendeu uma risada e Anna o acotovelou em uma de suas costelas.

— Olha, não pense que eu realmente quis convidar vocês, foi ideia do meu pai.

O rosto de Erick logo se entristeceu pois percebeu que Lola não estava o convidando por livre e espontânea vontade.

— Então você não quer que eu vá? — questionou Anna.

— Sinceramente? Não — Lola foi franca.

Anna arregalou os olhos pela franqueza de Lola e abriu a boca por um instante mas logo desistiu de dizer algo.

— Olha aqui, queridinha. Eu não preciso disso...

Erick a interrompeu e pediu para que ficasse à sós com Lola. Anna os deixou contra a sua vontade mas cedeu a insistência de Erick em ficar sozinho com a garota.

— Erick, se é para me agradecer é melhor deixar pra lá pois não foi minha ideia te convidar...

— Eu sei, Lola.

Eles ficaram em silêncio por uns segundos e Erick pegou nas mãos de Lola e a pegou de surpresa com o gesto.

— Eu queria pedir desculpas pelo que fiz com você.

— Erick, não é hora para...

O garoto a interrompeu colocando o dedo indicador nos lábios pintados de Lola enquanto com a outra mão, segurava a mão macia, pequena e frágil de Lola.

— Somos amigos desde a infância. Sempre nos apoiamos nos momentos mais difíceis, nos mais alegres também estávamos um do lado do outro. Eu vi você chorar a perda de sua mãe, pintar seu cabelo, mudar seu estilo de se vestir e de se comportar. Eu vi você crescer. Eu sempre te amei e te desejei mais do que uma amiga. Fui um babaca quando avancei o sinal na festa de Sofia. Não me reconheci. Lembra no início do ano quando estávamos animados com o último ano do ensino médio? Você se recorda quando estava ansiosa para completar 18 anos dizendo que seria dona do próprio nariz? — Erick acariciou a mão de Lola.

A menina sorriu e olhou para o chão mas continuou calada.

— Esse ano está sendo muito confuso para todos nós. Vestibular, cobrança dos pais, escolha de faculdade e qual carreira seguir, novos amores, novas descobertas...

Lola engoliu em seco ao lembrar de Miranda e achou que ele estava se referindo à ela.

— Sei que fui um tremendo idiota com você e te peço desculpas do fundo do meu coração, Lola. Eu não queria ficar brigado com uma das pessoas que mais amo no mundo. Você me desculpa?

Ele surpreendeu Lola, a menina pensou em não desculpar ou até deixá-lo falando sozinho mas o que ele fez em seguida a fez aceitar suas desculpas depressa. Erick se ajoelhou diante dos alunos que estavam em volta curtindo o intervalo.

— Me desculpa? — Erick colocou as palmas das mãos juntas em forma de pece fazendo com que Lola ficasse vermelha de vergonha feito um pimentão.

— Não precisa tanto. Eu desculpo, eu desculpo... Levanta logo daí, você está me matando de vergonha! — Lola puxou-o pelo braço enquanto olhava pelos lados para ver quem estava assistindo toda a cena.

— Me desculpa mesmo? Fico muito feliz, Lola. Ficar sem falar com você estava me matando!

O garoto abraçou a menina forte e o olhar de Anna para eles foi penetrante. A loira assistia a tudo enquanto balançava a cabeça.

— Eu só não entendi uma coisa...

— O quê?

— Porque você estava andando com Anna a todo esse tempo sendo que você também detestava ela...

— Bom, é que ficamos amigos depois que eu briguei com você e...

Erick foi salvo pelo gongo pois o sinal havia tocado e a aglomeração de alunos afoitos para irem em direção a suas salas interferiu a desculpa dele para a menina.

— Vou indo para sala...

Lola o deixou sozinho e foi em direção a sala de aula.

Erick ainda estava no corredor quando percebeu a presença de Anna.

— Então quer dizer que voltou a falar com a amiguinha? Ajoelhar foi demais, você não acha? Aquilo foi ridículo! — vociferou a loira.

— Você não entendeu? Aquilo fazia parte do plano...

Erick esboçou um sorriso maquiavélico no rosto e Anna soltou uma gargalhada lenta e seca como uma típica vilã de novela.

— Quando colocarmos o nosso plano em prática, ela vai ter se arrependido em não ter ficado comigo — declarou o menino.

******

A pressa de Lola para entrar na sala de aula tinha não somente uma explicação como também nome e sobrenome.

A menina aproveitou que a sala estava vazia, fechou a porta lentamente e foi por trás da cadeira onde Miranda estava sentada.

Com as mãos em formato de concha, ela fechou os olhos da professora que levou um susto.

— Ai, meu Deus. O que é ....

— Adivinha quem é?

Miranda tocou nas mãos que estavam tampando sua visão. Sentindo-as conseguiu logo descobrir de quem pertenciam.

— Lola! — Miranda sorriu.

Lola tirou as mãos e a professora virou-se para ela ainda sentada na mesa.

— Venho lhe convidar para a maior festa do ano de uma pessoa muito especial...

Lola tirou da mochila mais um convite roxo com um laço branco em volta e colocou-o sob a mão de Miranda.

Miranda abriu apressada e sorriu ao perceber do que se tratava.

— Então... a senhora poderia comparecer à este grande evento? — brincou Lola.

— É claro que eu irei!

Miranda levantou da cadeira e abraçou a aluna. Todas as vezes que seus corpos se encontravam, ambas sentiam um desejo de se tocarem e se beijarem. Já haviam tido momentos quentes entre elas em diversas situações e locais mas nunca haviam chegado no ápice de uma consumação sexual. Era algo que elas ainda não haviam provado.

Miranda foi a primeira a se desvencilhar do abraço apertado, para a sorte delas, pois a maçaneta da porta havia sido girada e quatro alunos entraram na sala. Lola foi logo para seu lugar e Miranda bebeu um gole d'água de sua garrafinha térmica que estava sob a mesa.

Então ela deu início a mais uma aula escrevendo na lousa branca com uma caneta azul própria para o quadro.

Ela sorria alegremente enquanto escrevia a matéria e Lola também estava radiante enquanto copiava em seu caderno a lição.

*********

— Esse vestido é perfeito! — elogiou Michele.

— Tem certeza? Acho que está me deixando gorda...

Já era o terceiro vestido que Dolores experimentava. Todos os outros que havia colocado, Michele achou que estavam perfeitos para o corpo dela, mas menina não concordava e sempre ficava insatisfeita com a escolha.

— Odiei esse. Vou colocar este aqui! — Lola pegou um dos vestidos que havia escolhido.

— Esse vestido? A cor é muito...

— Essa cor é perfeita, Michele!

Lola não tinha timidez quando o assunto era expor seu corpo. A madrasta e ela estavam na mesma cabine. Michele estava sentada em uma poltrona e Lola em pé diante do espelho analisando cada troca de vestido que colocava. No quarto escolhido para experimentar, havia finalmente achado o corte, modelo, cor e caindo perfeito para seu corpo. Escolheu este por mais que Michele não aprovasse a escolha da cor.

Na caixa para pegar a peça de roupa, Lola havia tirado o cartão do pai da bolsa mas se surpreendeu quando Michele recusou e disse que ela mesma iria pagar o vestido para ela. Lola ficou muito feliz e surpresa, afinal as duas não haviam se dado muito bem quando se conheceram. Meses atrás, se perguntassem para a menina quem pagaria o vestido para seu aniversário, ela diria todos os nomes de quem conhece menos o de Michele.

— É sério que você quer pagar o vestido?

— É claro que sim. Aceite como presente de aniversário!

Lola pulou de alegria e a moça da loja entregou-lhe a sacola com a roupa dentro para ela.

— Vamos em busca do sapato perfeito para a minha Cinderela! — brincou Michele.

Lola riu e seguiu a namorada e futura esposa de seu pai pelo shopping.

Na loja de sapatos, após escolher uns cinco pares diferentes, Lola finalmente achou um que lhe cabia perfeitamente bem.

— Eu amei este! Vou levá-lo.

Michele insistiu mais uma vez em pagar a compra e Lola aceitou depois de tanto relutar. A mulher de Lúcio era uma publicitária bem sucedida e ganhava muito bem. Se formou com 23 anos de idade e logo em seguida foi trabalhar no exterior para melhorar seu inglês. Após aprimorá-lo, foi em busca de seu primeiro emprego fixo (pois os anteriores eram apenas estágios) e como sua família era bem reconhecida perante à sociedade, foi fácil para ela arrumar uma vaga em uma empresa bem qualificada e reconhecida. Michele conheceu seu amado Lúcio em um acontecimento inesperado dentro da empresa. Como o pai de Lola era advogado, eles contrataram um para resolverem um imprevisto que tiveram para pantear uma das criações publicitárias da grande empresa em que Michele trabalhava. Deram a função para escolher o advogado perfeito à Michele e logo de cara a loira se interessou por Lúcio. A diferença de idade entre eles era de uns doze anos. Lola ficou curiosa com isto e perguntou para ela o que ela pensava sobre.

— Você sofreu algum preconceito de seus familiares pela diferença de idade entre você e meu pai?

A perguntou pegou Michele de supetão.

— Lola, sabe que agora você me perguntando isto, lembrei que minha mãe torceu o nariz quando descobriu a diferença de idade entre mim e seu pai. De início, quando comecei a namorá-lo, não havia lhe contado este fato mas percebi que ela achou estranho quando o viu pela primeira vez.

— Você sabe que de início eu não fui com a sua cara. Te achei metida e ainda mais depois de ter me dito que me colocaria em um internato na Suíça se fosse preciso. Naquele momento eu fiquei com muita raiva de você.

— Eu sei e me envergonho disto. Não me coloquei em seu lugar. Sei que deveria ser difícil ver seu pai com uma nova mulher depois de tantos anos. E eu realmente amo seu pai e no momento não queria que ninguém impedisse isso. Fui rude e tosca com você e te peço perdão mais uma vez.

Michele sorriu para Lola.

— Nossa, hoje é o dia do perdão? — Lola disse alto mas mais para si mesma.

— Como é? — a mulher franziu o cenho.

Lola riu.

— Não é nada. É que... Bom, eu aceito seu perdão só se você também me perdoar pela massa e pelo molho de tomate que joguei em você.

As duas riram.

— Então estamos ambas perdoadas mas só se você me prometer que não haverá mais guerra de comida em nenhum evento familiar.

— Eu prometo! — Lola fez um gesto igual as escoteiras.

— É sério, você sabe o quão difícil é de tirar aquele molho do cabelo? O cheiro é terrível.

Ambas riram novamente.

— Falando em comida, estou faminta!

— Também estou. Vamos comer então.

Então as duas seguiram para a praça de alimentação do shopping.

********

Elas escolheram uma mesa na praça de alimentação e Lola sugeriu que comessem fast food.

— Eu acho que irei pedir uma porção de salada. Sabe como é né, depois dos 20 anos é essencial cuidar do corpo — comentou Michele.

— Mas você está ótima! Anda, vai! Me acompanhe em comer besteira. Só hoje! Meu corpo anseia por uma porção gordurosa de batatas fritas, um hambúrguer com bastante molho e um copão de Coca-Cola para acompanhar. O que acha?

— Nossa, só de ouvir o menu me embrulha o estômago. Lembra-se de que estou grávida de seu irmãozinho, não posso com refrigerante e não quero alimentá-lo com gordura.

— É verdade. Mas quando ele crescer, tenho certeza que adorará devorar um lanches desses comigo — brincou a menina.

Michele riu e balançou a cabeça.

Após fazerem seus pedidos elas se sentaram. Na mesa, estavam duas opções de comida bastante distintas: de um lado uma porção de salada com tomate cereja, alface americana, pepino, pão integral com azeite e agrião. Por cima estava salpicado linhaça, chia e um pouco de sal marinho. Um suco natural de acerola acompanhava a refeição de Michele. Do outro lado, Lola se deliciava com um hambúrguer com duas carnes, queijo, alface, molho especial e uma porção de batatas fritas ao lado e no centro um copo bem cheio de coca-cola.

Enquanto comiam as duas conversavam.

— Então você e meu pai se conhecem há dois anos?

— Exatamente, mas assumimos até para nós mesmos, que nos amávamos neste ano. Foi difícil para mim e para ele.

— Pela diferença de idade?

— Isto também mas outros fatores.

— Como quais?

— Bom, o fato de que ele é o meu primeiro namorado verdadeiro.

— Jura? Não creio! — Lola bebeu um pouco de sua bebida.

— Sim, acredita? É claro que me relacionei com alguns caras antes, mas eram muito infantis. Nunca queriam algo sério comigo, sabe? Foi então que encontrei seu pai, um homem mais velho, experiente, responsável e além de tudo bonito — disse Michele encantada.

Lola franziu o cenho quando ouviu a palavra ''bonito'', ainda era difícil saber que alguém enxergava seu pai desta maneira.

— Então nunca namorou ninguém além do meu pai?

— Não... mas e você — Lola ficou apreensiva — Me conte... Está gostando de alguém?

Lola pensou antes de responder. Ela mentiria, dizendo não mas resolveu dizer a verdade. Bom, não totalmente a verdade mas uma parte mínima dela.

— Bom, na verdade estou gostando de alguém sim.

Michele se animou e se arrumou na cadeira. Bebericou seu suco de acerola e fez um sinal com a cabeça para que ela continuasse o relato.

— Eu nunca senti o que sinto por alguém antes.

— E posso saber pelo menos o nome do sortudo?

Lola engoliu em seco. Não poderia jamais revelar que estava gostando de sua professora de português que além do mais era mais velha. Para dar tempo de responder e pensar, a menina mordiscou uma batata frita e a molhou com ketchup enquanto levava à boca.

— Não precisa dizer. Me deixe adivinhar... Este alguém especial seria o Erick?

Lola quase se engasgou com a comida.

— Erick? Não... jamais.

— Sério? Mas seu pai me disse que eram próximos e me contou até que pegou vocês juntos em um... deixa pra lá.

— Ah, já sei o que ele lhe contou. É uma história longa e confusa mas não aconteceu nada disso que vocês pensaram.

— Bom, acredito em você, mas se não é Erick, quem seria?

— Não é um menino em especial...

Lola sentia suas mãos suarem. Não queria contar toda a verdade mas Michele havia passado confiança para ela. Talvez por impulso ou por ela passar credibilidade e confiança, a menina reuniu coragem e confessou para ela que estava gostando de uma mulher.

— Espera... não é um menino, então é uma me...

Lola a cortou, confirmando a sua linha de pensamento.

— Isto mesmo, é uma menina.

A princípio, Michele se surpreendeu. Não sabia o que dizer. Se recostou na cadeira e deixou sua comida de lado. Respirou fundo, olhou para sua barriga de alguns meses de gravidez e a alisou. Então, virou-se para Lola e pegou em uma de suas mãos que estavam frias.

— É por isso que não queria falar sobre isso...

— Lola, não há problemas nisso. O amor não tem sexo, cor, crença, condições financeiras ou barreiras. Não há pecado em amar, e sim em não amar.

Lola tremia na cadeira e sentia o carinho que Michele fazia em sua mão que a confortava.

— Não conte ao meu pai, pois ele vai ficar bravo em saber disso...

— Não contarei. Quando estiver preparada você mesma irá contar.

Lola pensou consigo mesma que talvez nunca estivesse preparada para ter uma conversa dessas com seu pai.

— Sabe, quando eu era mais jovem, dizia que não aceitava um monte de coisas. Dizia que se tivesse um filho jamais toleraria uma porção de coisas. Mas desde que percebi e confirmei que estava grávida, as coisas começaram a mudar. Meu jeito de enxergar o mundo também mudou. Minha forma de ser e de pensar também. Quero um mundo justo e pacífico para meu filho e eu o aceitarei do jeito que vier. Há mães que abortam seus filhos se forem diagnosticados com alguma doença, mas eu jamais faria isto mesmo sabendo previamente que meu filho não viria à este mundo são. Que tipo de amor é este em que imponho limite ao amor e aceitação de meu próprio filho? Há mães que não aceitam seus filhos pelas suas orientações sexuais ou até mesmo escolha de parceiros e no caso de escolha profissional, há pais e mães que não aceitam as próprias escolhas dos filhos. Eu me pergunto novamente que tipo de amor é este? Eu me questiono se serei uma boa mãe para meu filho, tento aprender diariamente o oficio de ser mãe, sei que somente quando ele nascer aprenderei a cuidar dele, mas já o amo dentro de meu ventre. Espero ser a mãe que ele merece ter e espero apoiá-lo nas escolhas de sua vida, nas boas escolhas é claro pois o guiarei para ter uma vida próspera, ética e responsável. Espero aceitá-lo como é pois isto é que é amar incondicionalmente.

— Pode ter certeza que você será uma excelente mãe. Tão boa quanto a minha foi, brevemente, para mim.

Uma lágrima caiu dos olhos de Lola e Michele a amparou com seu polegar quando se aproximou da menina.

— Espero, querida. Saiba que estou aqui para lhe apoiar sempre e o que me contou ficará só entre nós, está bem?

— Muito obrigada, Michele. Pelo vestido, sapato, companhia e por principalmente em me ouvir. Muito obrigada, mesmo.

— Eu que agradeço pois saiba que você é uma das pessoas que tem me feito ser uma pessoa melhor.

Lola levantou de sua cadeira e abraçou Michele fortemente. Aquela tarde entre madrasta e enteada, havia sido muito mais que isto. As duas compartilharam segredos e se tornaram grandes amigas.

Aquele ano estava realmente surpreendendo Dolores, de todas as formas possíveis.