Após chegar do trabalho, Miranda chegou em casa exausta devido ao engarrafamento na rua. Sentou-se no sofá, tirou os sapatos e levantou os pés para descansar. Enquanto fechava os olhos e relaxava um pouco, Henrique a surpreendeu saindo do quarto e indo em direção à ela.
— Chegou cedo?
— Amor, temos que conversar...
Henrique sentou-se do lado dela e passou a mão pela perna lisa e esguia da professora. Miranda se arrepiou e se ajeitou no sofá.
— O que você quer falar comigo?
— Sobre a noite passada, é claro.
— Ah, sim...
— O que houve? Porquê fugiu de mim e nem dormiu comigo? Quando eu acordei percebi que você não havia dormido ao meu lado.
— Na verdade, eu é que deveria te perguntar o quê houve. Por quê você se comportou daquele jeito?
— Na hora do sexo? É disto que você está falando?
— É claro. Você nunca agiu daquele jeito.
— Eu só quis inovar, tentar coisas novas. Estávamos na mesmice há anos, sei lá, eu só...
— Sem nem ao menos perguntar se eu realmente queria não é mesmo? — Miranda cruzou os braços.
— Eu não vi nada demais naquilo, pensei você estava gostando...
— Pensei, achei... Todos os verbos em primeira pessoa do singular. Claramente isto deixa seu egocentrismo exposto. Você só pensa em si mesmo, não é? — Miranda esboçou um sorriso debochado.
— Não é isso meu amor, eu...
— Não tente se explicar. Você como a maioria dos homens só pensam em si mesmos na hora do sexo mas eu não esperava isso de você, sinceramente.
— "Como a maioria dos homens?" O que eu virei agora? Um parâmetro entre todos os homens do mundo? Eu pensei que você não pensava assim...
Miranda não disse nada, então Henrique levou às mãos aos ombros dela e olhou em seus olhos verdes esmeralda.
— Se esqueceu de que sou seu marido e não o resto dos homens neste mundo? Sou eu, Henrique. O homem que sempre te amou, antes mesmo de sermos marido e mulher. Sempre te apoiei e te protegi. Se errei agora, só peço que me desculpe. Você me desculpa?
Miranda respirou fundo e ao mirar os olhos azuis do marido que lembrava um oceano cheio de mistérios, esboçou um sorriso e recordou do passado, quando Henrique e ela eram bem jovens e decidiram se casar.
— É claro que te perdôo.
Henrique sorriu e se aproximou dela dando-lhe um beijo na boca.
Quando pararam de se beijar, Miranda completou:
— Mas o mais importante que a desculpa, é você me mostrar que considera minhas opiniões até mesmo na cama.
Henrique pegou as mãos da mulher e as beijou.
— É claro que sim, amor. Você não precisa fazer o que não quer.
Ambos sorriram e Miranda foi para o banheiro tomar uma ducha enquanto Henrique se encaminhou para a cozinha para preparar um lanche.

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Erick havia oferecido uma carona em sua moto para Lola e a menina resolveu aceitar.
No caminho, eles não conversaram sobre o ocorrido na escola.
Quando chegaram na casa de Lola, eles desceram da moto e antes de Lola agradecer e entrar em casa, Erick pegou em sua mão e a questionou sobre o ocorrido.
— Você não iria me contar, não é mesmo?
— Conta sobre o quê?
— Lola, não se faça de desentendida...
– Ainda sobre isso? Sobre as aulas?
— Sim. Por quê você escondeu isso de mim? Pensei que éramos amigos de verdade.
— Sem drama, por favor! Eu já te disse, escondi pois a professora prefiriu assim para não dar problema.
— Mas você sabia que poderia ter contado para mim que eu jamais contaria para ninguém.
– Sim, sei disso mais era melhor daquele jeito.
— Mas uma coisa que me doeu mais ainda...
Lúcio revirou os olhos e colocou a mão na cintura.
— O que te doeu tanto? Posso saber?
— Deve, aliás. O fato de ter mentido para mim sobre a visita da sua tia que nem deve existir.
Lola soltou uma gargalhada alta e Erick ficou sério feito uma carranca.
— Não sei porque está rindo.
– Eu realmente não sei mentir pra você, não é mesmo? — Lola se recostou no braço do amigo.
— Não ria. Isso é sério.
— Eu inventei isso para te despistar, apenas. Mas pelo visto você é muito esperto e não caiu nessa...
– Na verdade, eu sabia que era mentira pois te conheço muito bem.
Ao ouvir aquilo Lola sorriu e sentiu o amigo segurar em suas mãos.
— Lola, antes de tudo saiba que só quero o seu bem.
— Eu sei e te prometo que nunca mais vou esconder algo de você.
Erick sorriu e a abraçou. Depois de se soltarem o amigo disse:
— Você pode confiar em mim pois eu te...
Neste momento o carro do pai de Lola havia chego buzinando e os interrompeu.
Lúcio estacionou o carro e os jovens prestaram atenção nele.
— Olá, crianças! -cumprimentou o pai de Lola.
— Oi, pai!
— Olá, senhor!
— Como foi a aula hoje?
— Foi boa!
— Bom, vou entrando. Te espero lá dentro Lola.
— Ok, pai.
Lúcio entrou e os deixou lá fora.
— O que você iria me dizer antes do meu pai nos interromper?
— Não era nada demais, vou indo e é melhor você entrar logo.
— Ah, se você não quer falar, fazer o quê né? Tchau! Até amanhã!
Lola deu um beijo na bochecha de Erick e ele ficou parado a observando indo embora e antes de Lola entrar, ela virou-se e acenou para ele e mandou um beijo e o "assoprou" para ele e fechou a porta.
Erick ficou alguns minutos parados e sorrindo feito um tolo com o gesto da amiga.
Por fim, subiu na moto e colocou o capacete e deu partida na moto deixando para trás seu grande amor platônico.