O dia amanheceu e o despertador fez seu trabalho rotineiro de acordar Lola. O sol já irradiava plenamente em sua janela, anunciando o começo de um novo dia mas Lola não estava tão disposta para o início das aulas.

— Ai , que inferno! Mal dormi e esse treco já tocou. Credo! Só mais 5 minutinhos... — ela virou de lado e voltou a dormir-.

Na noite passada a jovem foi a uma festa e bebeu como de costume. Chegou às 4 da manhã e não se lembrava de quase nada do que tinha acontecido. Como de costume, chegou em casa e caiu na cama para dormir com a mesma roupa que foi à festa: jaqueta de couro, saia xadrez, meia arrastão, coturnos pretos e blusa branca. Nos olhos ela usava um delineado marcado com bastante preto e na boca batom vermelho. Seus cabelos eram únicos. Longos, lisos e de uma cor bem singular: púrpura. Sua pele ele branca como a neve e era magra. Por onde Lola passava todos à olhavam. Uns admiravam e outros estranhavam seu jeito de ser, mas uma coisa era certa: ela nunca passava despercebida.

— Bom, já que não tem jeito, vou me levantar. — pensou Lola-.

Tomou um banho rápido, penteou seus cabelos e colocou um vestido preto, meias 3/4 da cor preta , botas pretas e sua jaqueta de couro com franjas. No café da manhã passou pela cozinha e pegou uma porção de muffins de maçã que seu pai tinha feito mais cedo.

— Atrasada logo no primeiro dia de aula, Lola? Você não tem jeito mesmo hein, menina! Você pensa que eu não vi que chegou de madrugada de outra festa? Estou cansado disso! As coisas vão mudar por aqui! Está me ouvindo? — reclamou seu pai Lúcio como sempre fazia.

— Já ouvi pai mas agora tenho que ir. Tchau! — beijou seu pai no rosto e saiu apressada pela porta à fora.-

Lúcio tinha 40 anos e era viúvo de Mayra, mãe de Lola, que morreu em um acidente de carro com a filha tinha apenas 9 anos de idade. Desde o dia do acidente o pai que era advogado, tentava criar sua filha da melhor forma mas como era muito atarefado sempre deixava as vontades da filha acima de seus comandos. E assim ela foi crescendo cheio de mimos e sem pulso firme do pai.

No caminho para escola ela encontrou seu amigo de infância que se chamava Erick.

— Bom dia, Lola! — abraçaram-se .

— Não vejo nada de bom mas enfim...

— Quanta animação, menina! Pensa pelo lado positivo: esse ano vai ser o último nessa escola de merda. Nunca mais iremos ver as mesmas caras e obedecer regras idiotas. Vamos aproveitar esse ano como nunca antes. Oque acha?

— Do jeito que você fala até parece que estaremos livres depois do ensino médio! — riu da ideia do amigo-. Eu não sei se você ainda mora no planeta Terra e mora no mesmo país e cidade que eu mas ainda tem muito pela frente. Tem faculdade por exemplo e com certeza o babaca do meu pai vai me obrigar a fazer uma. Não aguento isso!!! — reclamou a garota-.

— Isso é verdade mas daqui há um ano faremos 18 e seremos donos de nós mesmos. — bateu de leve no braço da amiga tentando animá-la.

— Querido, eu não sei se você sabe mas eu já sou dona de mim mesma. — debochou a amiga.

— Até parece! Só você mesmo Lola!

Os dois foram se divertindo à caminho da escola. Pararam em uma lanchonete e compraram capuccino bem forte para estarem preparados e bem despertados para o começo de um dia atarefado e cheio de peças que o destino fez questão de pregar em suas vidas. Principalmente, na vida de Dolores, mais conhecida como Lola.