A festa de aniversário de 18 anos de Sofia iria ter início daqui há meia hora e eu estava dando os últimos retoques no meu visual. Como o tema da festa era tropical, pedi dinheiro para o meu pai e fui em uma loja no shopping para comprar um biquíni, pois confesso que eu não era muito fã de praia, então não estava acostumada a usar roupa de banho e precisava de uma nova. Aproveitando a ocasião, comprei um biquíni bem tropical, na parte de baixo era estilo vintage e havia estampas florais e folhas de palmeiras e o modelo era de cintura alta como o modelo dos anos 50. Na parte de cima, comprei uma peça na cor preta com detalhes em recorte vazado, sua armação era de arame e havia um bojo para melhor sustentação. Por cima do biquíni, joguei uma saída de praia da cor branca, toda detalhada com recortes em formas geométricas no estilo étnico. No pé, calcei uma rasteirinha que eu tinha ganhado em um dos meus aniversários passados que eu quase nunca usava, aproveitei a ocasião para usá-la, tinha detalhes com pérolas falsas e conchas rosadas e era da cor branca. Fiz uma maquiagem leve, mas antes passei filtro solar em todo o meu corpo e rosto e escolhi um gloss labial rosa malva para os lábios, passei máscara de cílios à prova d’água e usei um pouco de blush nas bochechas. Não usei base nem delineador pois como eu iria entrar na água, provavelmente, iria derreter tudo. Para finalizar, borrifei nos meus pulsos, atrás da orelha e no pescoço um pouco do meu perfume preferido de essência de baunilha.
Me olhei no espelho e sentia que faltava algo, então resolvi fazer babyliss no meu cabelo, apesar de saber que ele iria se desfazer caso entrasse na piscina. Caprichei nos cachos nas pontas e o despenteei com meus dedos para dar um ar de cachos naturais. Levei uma bolsa lateral pequena e coloquei dentro o pequeno embrulho que era o presente de Sofia. A casa de Sofia ficava há poucas quadras de distância da minha, então poderia ir à pé. Fiquei pronta, me despedi de meu pai com um beijo no rosto e ouvi a frase típica:
— Tenha juízo! – ele me beijou na testa – E se divirta!
— Pai, ou eu tenho juízo ou me divirto. Os dois juntos não dá! – disse sorrindo.
Meu pai, para minha surpresa, ao invés de me dar uma bronca pelo o que eu havia dito, apenas soltou uma gargalhada e se despediu de mim.

*****

A casa de Sofia era grande e espaçosa. Tinha dois andares, uma varanda ampla no segundo andar, uma garagem, uma piscina enorme e um jardim bem cuidado, repleto de flores coloridas de várias espécies. Em volta da casa, havia um grande portão de ferro e na entrada, um homem com um uniforme de trabalho, segurando uma prancheta com uma lista de nomes dos convidados. Havia três meninas na entrada esperando o tal homem confirmar o nome delas na lista. Assim que foram checadas, as meninas entraram indo em direção ao jardim da casa. Lola era a próxima da filha, então se aproximou e disse seu Noé para o homem e ele logo confirmou que ela estava na lista e a menina seguiu caminho para dentro. O belo jardim estava decorado com flamingos de plásticos na grama, um coqueiro de mentira também enfeitava o local. Perto da piscina havia mesas repletas de comidas doces e salgadas. Havia sorvete,fonte de chocolate com frutas ao lado prontas para serem mergulhadas e devoradas, salgadinhos diversos, rolinhos primavera, gelatinas, mini tortas de limão mousse de maracujá e muitos outros aperitivos. No outro extremo, havia dois bar mans preparando drinks tropicais em uma bancada. Os drinks alcoólicos eram coloridos e enfeitados com guarda-chuvinhas, flores e canudos charmosos. Na piscina, boias coloridas e bolas de plástico enfeitavam e faziam contraste com a água limpa. Letreiros de neon com lâmpadas de led estavam penduradas na parede, mas estavam desligadas pois a festa começava pelo fim da tarde e no começo da noite eles ligariam as luzes para dar um charme a mais ao local. A música ‘’Cool For The Summer’’ da Demi Lovato, preenchia a atmosfera do lugar contribuindo para um clima de verão, apesar de estarem em plena primavera no mês de Setembro. Os olhos de Lola viajavam prestando atenção em todos os detalhes até que uma voz a chamou a atenção.
— Aloha! Seja bem-vinda à festa tropical de Sofia!
Lola sorriu e ao ver que na mão da moça que a recepcionava, havia colares cheios de flores no maior estilo havaiano. Lola abaixou a cabeça e segurou o cabelo para receber o colar de flores no pescoço e agradeceu.
— Adorei seu cabelo! – elogiou a moça desconhecida.
— Obrigada! – agradeceu Lola.
Apesar de estar acostumada com as pessoas prestando atenção à coloração de seu cabelo, Lola adorava quando alguém a elogiava. Lola avistou Sofia, com seus cabelos ruivos soltos com uma coroa de flores enfeitando sua cabeça. Seu corpo estava coberto por um vestido azul turquesa e assim que ela avistou Lola, ela despediu-se de dois colegas ao lado e seguiu em direção à amiga.
— Lola! Que bom que você veio!
Sofia a abraçou com força.
— Vim só por que insistiu muito.
— Olha, que para alguém que não queria vim, você está bem arrumada.
— Ah, para com isso! – Lola sorriu- Se é para ir à uma festa, então é melhor me arrumar direito não é mesmo?
— Claro! Estou brincando... mas falando sério, você está deslumbrante! – elogiou a amiga, pegando-a pelo braço e girando-a no eixo. Lola riu e voltou ao seu lugar de origem.
— Você que está maravilhosa! Amei sua coroa de flores. – elogiou Lola, também a girou no eixo exibindo o visual da amiga.
As duas riram bastante e Sofia tirou uma flor vermelha de sua coroa de flores de verdade e colocou atrás da orelha dela para enfeitar seu cabelo. O gesto surpreendeu Lola e ela agradeceu sorrindo.
— Ficou linda!
— Obrigada, Sofi!
A aniversariante puxou a amiga pelo braço e a levou para o mini bar onde dois homens preparavam os drinks.
— Vamos beber! Vem comigo. – convidou a ruiva.
Chegando no balcão, Sofia pediu dois drinks. Depois de um minuto e meio, um dos caras entregou as bebidas para as meninas.
— Um ''Sex on the Beach'' e um ''Bloody Mary'', no capricho! — ele disse enquanto entregava para as meninas.
Sofia pegou a bebida vermelha chamada ''Bloody Mary'' para si e entregou o ''Sex on the beach'' para a amiga.
— Saúde! — ela ergueu o copo para brindarem.
— Saúde! — Lola ergueu seu drink no ar.
— À nós e ao nosso futuro! — brandou ela.
— À nós! — Lola sorriu e deu um gole na bebida que desceu gelada pela garganta — Que delícia!
— Gostou? — Sofia bebericou sua bebida — Eu mesma selecionei o menu das bebidas.
— Adorei. Nunca tinha provado esta bebida. Mas, me fala... — deu outro gole refrescante — Como conseguiu burlar para que pudessem darem bebibas alcoólicas para menores de idade?
Antes de responder, Sofia lançou um olhar malicioso para a amiga. Olhou para os lados e se aproximou de Lola e disse sussurrando:
— Tenho minhas táticas e meus contatos — piscou um dos olhos e deu um sorriso.
— E os seus pais? Estão aqui? Aprovaram a festa?
Sofia arregalou os olhos e quase engasgou com o líquido que bebia.
— Claro que não, está louca? Na verdade, eu pedi para eles deixarem que eu desse uma festa e eles viajaram para a casa de campo de minha avó, então só vão chegar segunda à noite.
— Então eles não sabem das bebidas e afins?
— Eles não sabem das bebidas e nem da quantidade de pessoas que convidei. Falei para eles que eu daria uma festinha particular para no máximo vinte amigos. Para não se preocuparem. Mas como estou comemorando meus 18 anos de idade, resolvi acrescentar umas coisinhas de última hora e não contar para eles. Não fará mal algum...
— Sua danadinha! — Lola bateu no braço da amiga e as duas gargalharam alto.

********

— Sofia!
Uma voz gritou de longe e Lola logo percebeu de quem era.
— Oi, Erick! — Sofia gritou e fez um gesto, chamando o menino para se aproximar.
— Ai, não... — lamentou Lola baixinho.
— O quê? — perguntou Sofia.
— Nada não. Estava pensando alto comigo mesma. — disfarçou a menina.
Erick se aproximou das meninas e deu um beijo na bochecha de Sofia. Erick segurava uma caixa na mão embrulhada por um papel de presente na cor azul com um laçarote prata em volta.
— Parabéns, Sofia!
— Obrigada!
Sofia abriu o presente e adorou ao ver que era um box de sua série preferida.
— Um box de ''Friends''? Como sabia que eu gostava? — admirou-se a menina.
— Lembrei de uma vez que conversamos sobre séries e você me disse que gostava.
— Eu amei, Erick! Muito obrigada!
Os dois se abraçaram e Erick ficou feliz em ter agradado a amiga. Lola se lembrou que também havia comprado um presente para Sofia e então tirou de sua bolsa uma pequena caixa dourada de uma loja famosa de jóias do shopping da cidade.
— Uma lembrancinha para você! Espero que goste. — entregou para ela.
A aniversariante abriu a caixinha e seus olhos brilharam ao ver que se tratava de um colar de ouro com um pingente de borboleta com pedrinhas de brilhante nas asas.
— Que lindo! Eu amei! As duas também se abraçaram e Lola ficou feliz por ter agradado a menina.
— Vocês se importam em ficarem sozinhos por um momento? Vou guardar em meu quarto estes presentes.
— Pode ir. Sem problemas.
Lola não disse nada, apenas assentiu com a cabeça. A ruiva os deixou à sós e Lola evitou manter contato visual com Erick. Ficaram em silêncio por alguns segundos até que o menino resolveu quebrar o silêncio que estava entre eles como um iceberg.
— Então, está gostando da festa?
— Estava... até perceber que você veio. — disparou rudemente a menina.
O comportamento dela o pegou de surpresa e ele percebeu que ela ainda guardava ressentimento.
— Qual foi, Lola? Vai me tratar assim para sempre?
Lola arqueou uma das sobrancelhas e respirou fundo antes de dar uma resposta para ele. Mas antes que pudesse dizer algo, a chegada de uma pessoa indesejada lhe roubou a fala.
— Olha só quem veio para a festa...
Era Anna, a inimiga oficial de Lola. Ela estava vestida como uma sereia; os cabelos loiros soltos e com cachos indefinidos, na cabeça ordenava uma headband com pérolas em toda a sua superfície e umas conchas pequenas ao lado da cabeça. Ela usava uma parte de cima do biquíni que lembrava duas conchas do mar e na cintura havia uma saia de cintura alta na cor azul turquesa com uma estampa que imitava escamas de peixe. Lola não queria admitir para si mesma mas a garota estava deslumbrante.
— Oi, Anna. — Erick cumprimentou.
Anna fez um gesto com as mãos para o garoto o cumprimentando.
— Querida, alguém te avisou que o traje era havaiano e não festa à fantasia? — Lola implicou com a loira.
— Hahá, muito engraçado. Sei que não só você como todo mundo nessa festa está morrendo de inveja do meu visual.
— Me poupe, garota. — Lola revirou os olhos.
— Vamos para a piscina? — convidou Erick.
— Está brincando, né? — Lola ficou incrédula com tamanha ''cara de pau'' do menino, pois eles ainda estavam brigados.
— Não, porquê?
— É melhor você não ir mesmo, afinal, esse seu cabelo de cor de marca texto vai manchar a piscina toda. E vai desbotar para piorar tudo. — debochou a garota.
— Cala a boca, sua ridícula.
— Meninas, não briguem!
— Quem disse que eu iria me rebaixar ao nível dessa menina aí? — disse Anna.
— Anna, não provoque! — interveio o garoto.
— Erick, fica com essa sua amiguinha aí, que eu tenho mais o que fazer.
— Se manda mesmo. Deve ir atrás de alguma menina por aí, pois essa daí gosta é de...
Lola voltou-se bruscamente para perto de onde Anna estava e a encarou.
— Gosto do que? — seus olhos faíscaram de raiva
. — Gosta de mu...
Antes que Anna completasse a frase, Erick agarrou sua amiga pelo braço e a levou para longe.
— Me solta! Essa garota vai falar na minha cara o que pensa de mim!
— Para Lola, ela não vale a pena...
Anna gargalhou ao longe enquanto enrolava com os dedos alguns fios de seu cabelo loiro. Erick a levou para longe da multidão para conversarem.
— Eu odeio essa garota! Como ela ousa dizer isso depois do que houve? — brandou Lola mais para si mesma do que para Erick.
— Depois do que? O que houve? — perguntou curioso.
— Nada não...
— Lola, me diz... Você sabe que pode... — Erick foi cortado.
— Confiar em você? — Lola soltou uma risada seca- Depois da nossa briga, você ainda acha que posso confiar em você?
— Acho sim, pois mesmo sabendo que você ficou com a professora Miranda, mesmo assim não a dedurei.
— Fala baixo! — Lola olhou para os lados — Ninguém precisa saber disso!
— E não saberão... Não de minha parte.
Ficaram em silêncio por uns minutos.
— O quê você quer de mim, afinal? — perguntou Erick.
— Fazer as passes com você, é claro. Não aguento viver sem você do meu lado.
— Erick, já falamos sobre isso...
— Eu sei que no fundo você também deve gostar de mim. Me deixe te fazer feliz. Nunca tentamos ser mais que amigos, mais sei que se tentássemos seríamos um belo casal.
Lola soltou uma gargalhada em deboche.
— Por favor! — balançou a cabeça.
— Eu sei que você.... — Erick levou uma das mãos ao pescoço de Lola, a aproximando de seu corpo. Lola ficou sem reação e deixou ser conduzida por ele. Os lábios de Erick encontraram o de Lola eles se beijaram. Lola fechou os olhos. Erick se afastou por um momento da moça. — Resistir à isso.
Eles estavam na lateral da casa, perto do muro no jardim. Erick virou o corpo dela e a encostou na parede. Beijou seu pescoço e ouviu Lola soltou um gemido baixo. Os lábios deles se encontraram novamente e Lola sentiu a língua quente invadir a sua boca. As mãos de Erick subiram pela coxa dela. Lola tentou se desvencilhar do beijo mas ele era mais forte que ela. A mão de Erick subiu por baixo da saída de praia que ela usava e foi de encontro com a parte interna da coxa. Quando Lola sentiu os dedos ásperos dele tocarem sua virilha, não pensou duas vezes e deu um tapa na face do ex amigo.
— Nunca mais encoste em mim! — ela gritou.
Erick, surpreso, levou uma das mãos onde Lola havia batido e a viu ir embora à passos largos e rápidos. Ele correu atrás dela puxou-a pelo braço.
— Volte aqui! Eu não fiz por mal. Me perdoa!
— Me larga, seu monstro!
Como ele não a largava, Lola o jogou na piscina de roupa e tudo e todos à volta ficaram boquiabertos e alguns começaram a rir do menino. Algumas faces expressavam incompreensão. Anna, que estava perto da piscina balançou a cabeça em desacordo para Erick. E Lola, antes de ir embora de vez da festa resolveu dizer algo em alto e bom som para que todos pudessem ouvir:
— Antes de tentarem agarrar uma menina a força, preparem-se para levar um tapa na cara. Nunca mais olhe na minha cara, ouviu bem, Erick?
Os colegas de classe que conhecia os amigos de longe, ficaram surpresos com a situação pois os dois eram amigos de longa data. Sofia, veio correndo de longe para ver o que tinha acontecido mas era tarde demais pois sua amiga já tinha ido embora.
Após Erick sair da piscina, Anna se aproximou dele e disse:
— O que foi isso, Erick? Não conseguiu domar uma menininha? Tem esses músculos à toa?
— Não é isso, Anna...
— Então é o quê? — cruzou os braços.
— Querendo ou não eu ainda tenho um afeto por ela... Por tudo que passamos juntos e tal.
— Então você vai amarelar? Vai desistir de se vingar dela?
— Claro que não...
— Então, da próxima vez irei planejar algo que será infalível. Mas precisarei da ajuda de uma pessoa bem próxima de você...
— De quem?
Anna apontou para Sofia que se encontrava ao longe, rindo e fumando um cigarro com alguns colegas.
— E dessa vez, usaremos um ''armamento'' mais pesado...
— Eu só espero que não nos arrependeremos disso depois.
— E não vamos... Pode confiar em mim. Afinal, não estamos nos vingando, apenas fazendo justiça.