– Querido, quem é na porta? — a voz de Miranda ecoou .

– Ela já chegou!

Lola continuava estática olhando Henrique na porta.

– Pode entrar!

Quando Henrique a convidou pela segunda vez para que ela entrasse no apartamento, Miranda surgiu por trás do marido exibindo um grande sorriso nos lábios.

– Olá,Lola! Que bom que chegou. Entre.

Miranda percebeu que sua aluna estava estagnada e um pouco confusa, então resolveu conduzi-lá para dentro do apartamento.

NARRAÇÃO DE LOLA

Quando senti as mãos quentes e macias de Miranda, acordei do meu devaneio e recobrei os meus sentidos. Fiquei sem ação ao ficar de cara com o marido dela. A primeira coisa que me abalou foi o par de olhos azuis magníficos e depois por seu belo sorriso mas, quando ele chamou sua mulher carinhosamente, meu coração se enrijeceu e qualquer vestígio de prazer ao vê-lo se desipou de meu ser.

Como ele ousa chamar a mulher que amo de "amor"? Sei que eles são casados mas só de imaginar os dois trocando carícias me deixa com raiva, mas eu não poderia deixar isso transparecer.

Por mais que eu não queira reconhecer, tenho que confessar que o marido de minha professora é atraente mas o que havia entre mim e Miranda não seria esquecido pois eu não deixaria deixar que o fogo do desejo se apagar, pelo contrário, colocarei mais lenha para ascender e deixar queimar ardentemente até chegar à um ponto que tudo à nossa volta se ofusque deixando o meu caminho e o de Miranda livres para nos amarmos finalmente.

****

–Bom, eu ainda não os apresentei. Este é o meu marido Henrique — Miranda levou as mãos ao ombro do marido e sorriu- E esta é a minha aluna. Dolores, mais conhecida por Lola.

Henrique arqueeou as sobrancelhas e algo se iluminou em seu rosto como se tivesse feito uma descoberta.

– Prazer! — disse Lola sorrindo forçadamente.

– Então esta é a famosa Lola? — brincou Henrique.

– Famosa? O que a senhora fala sobre mim para o seu marido? — provocou Lola .

– Nada demais! Apenas que é a primeira aluna que dou aula que tem cabelos tão diferentes. — Miranda sorriu sem graça enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha.

– Então têm falado mal do meu cabelo sem eu saber? — brincou Lola.

–Claro que não! — respondeu Miranda.

–Seu cabelo é muito bonito, Lola. — elogiou Henrique.- Gostaria de poder ficar mais um pouco e conversar mais com você mas não posso, tenho que visitar uma empresa daqui a pouco .

Henrique se aproximou de Lola e estendeu a mão para cumprimentá-lá. Antes de esticar a mão, Lola lançou um olhar para Miranda e esboçou um sorriso como se tivesse tentando lembrar a professora o que as duas guardavam em segredo.

Por fim, Lola o cumprimentou e ambos balançaram suas mãos no ar.

– Prazer em conhecê-lá, menina dos cabelos roxo. — brincou Henrique.

– Igualmente. — Lola retribuiu sorrindo.

Antes de se despedir para ir trabalhar, Henrique voltou-se para sua esposa e deu um selinho em seus lábios.

Lola desviou o olhar e disfarçou seu incômodo olhando para o chão.

Miranda se despediu do marido e o aconpanhou até à porta e encostou-a.

– Bom, vamos começar a aula? — convidou a professora

– Vamos. — sorriu Lola.

Miranda havia preparado a mesa da sala de estar com materiais, canetas, cadernos, livros e dicionário de português.

–Sente-se. — pediu Miranda ao perceber que Lola ainda estava em pé a observabdo se acomodar na mesa.

Lola se sentou e colocou o caderno e estojo que estavam dentro da movhila, acima da mesa.

– Você gostaria de começar por gramática ou literatura?

– Não sei, a senhora pode escolher.

– Lola, eu já lhe disse que não precisa me chamar de senhora, ainda mais fora da escola.

– Eu sei mas é melhor assim..

– Assim como?

– Assim.. — Lola fez um gesto com as mãos — Para manter uma certa distância.

– Por quê isso agora? — se surpreendeu Miranda.

– Está falando sério?

– Seja clara, por favor...

– Eu previso realmente explicar? — Lola olhou para Miranda cheia de malícia no olhar.

– Olha, eu quero respeito e não frieza de você. Já lhe expliquei que devemos esquecer tudo aquilo.

– Para você pode ser fácil mas para mim não é. Não consigo fingir que tudo aquilo nunca existiu.

– Então é melhor você se esforçar para esquecer, caso contrário é melhor nem começarmos as nossas aulas aqui em casa.

– Foi o meu pai que insistiu, não é mesmo?

– Isto não vem ao casi, eu...

Neste momento o celular de Miranda tovou interrompendo a conversa das duas.

Miranda levantou da cadeira e pediu licença para a aluna e atendeu o celular que estava sob a mesa de porta retratos.

– "Sim, ela chegou.(...)Está se comportando bem, não se preocupe. Claro, claro. (...) Pode deixar. Quer falar com ela? (...) Tudo bem. Tchau!"

Quando Miranda desligou o telefone e retornou à mesa, Lola perguntou:

– Era o meu pai?

– Sim. Ligou perguntando se você estava se comportando bem e se havia chegado.

–Por quê mentiu? Porque não disse que eu estava lhe invomodando?

– Você não está incomodando. Olha, basta! — a professora cruzou os braços- Você quer estudar ou me tirar do sério? Eu estou aqui para ajudar o seu pai e aceitei a proposta em dar aula para você, eu nunca mais dei aula particular depois de ter me formado em letras.

– Então só está fazendo isto pelo meu pai? — Lola pergubtou tristemente.

– Não foi só por ele mas por você também.

Então você gosta de mim? -os olhos da menina brilharam.

– É claro que sim, mas não do jeito que imagina.

Lola olhou para o próprio colo e levou as mãos ao botão do macacão que vestia, brincando com os dedos com eles.

Miranda percebeu a tristeza da aluna e se aproximou dela colocando uma das mãos em seu ombro.

– Eu gosto de você como amiga e ouvi o apelo de seu pai, pois só queri ajudar você. Eu quero o seu bem.

–Gosta de mim apenas como amiga? — perguntou Lola sem olhar nos olhos dela.

– Muito mais como amiga, até mesmo como filha. A filga que nunca tive.

– Filha? — a menina riu em tom de deboche.

–Sim. Por quê zombas de mim?

– Por quê mãe e filha não fazem isto...

Lola se aproximou do rosto de Miranda mas a professora foi mais rápida e se afastou da garota.

– Não se atreva!

– É que é difícil resistir...

Miranda soltou um longo suspiro, fechou os olhos e levou as mãos às têmporasmassageando-as para não perder a paciência.

– Menina, eu...

Lola interrompeu a professora dizendo:

Eu já sei. Você não me deseja como eu te desejo. Eu não quero lhe perturbar mas não consigo resistir.

Miranda arregalou os olhos e abriu a boca espantada.

– Pra você o que tivemos foi apenas diversão e nada mais. Um erro. Entendo o seu lado mas não posso fibgir que não sinto nada. Não sou feita de aço! Sou humana e feita de carne e osso. Não possi fingir que não tenho sentimentos Mas posso te respeitar e manter a distância como você dedeja.

– Eu não. .. — tentou dizer Miranda.

–NNão precisa se esforçar e fingir que gosta de mim. E eu não posso fingir que não sinto nada por você quando na verdade, você é a única coisa quenocupa a minha mente por vinte quatro horas por dia. Eu não consigo parar de pensar em você e nunca senti algo assim por alguém antes. Se isto não é amor eu não sei o que é.

Ditas tais palavras, a jovem disparou em direção à porta e antes de ir embora lançou um último olhar para Miranda.

– Se você quer que eu suma da sua vida, farei isto. Adeus!

E antes de Miranda tentar impedi-la, a jovem já havia abandonado o corredor do prédio e tomado o elevador.

Miranda ficou com o corpo encostado no batebte da porta sem saber o que fazer ou pensar.

Se por um lado era melhor as duas realmente se distanciarem, por outro lado havia algo dentro dela que clamava para que ajudasse a pobre menina que não tinha mãe e nem amigos. Lola já tinha o coração machucado pelas desilusões da vida e Miranda se sentiu culpada por ter contribuído com isto.

Antes de tomar qualquer decisão, ela resolveu tomar um banho de banheira para esparecer a mente e encostou a porta do apartamento e foi em direção ao banheiro.

Notas finais
twitter: @colorpurplegirl