A Cor Púrpura De Teus Cabelos
5 Decepção
Passaram-se três dias e então, chegou o dia da visita a galeria do amigo da professora Miranda.
Todos os alunos estavam animados e contando os dias para a chegada deste dia. Não se falava em outra coisa. Lola estava radiante e animada como nunca antes. Já tinha planejado com que roupa iria, qual acessório, maquiagem, cabelo e até qual perfume usaria. Lola tinha combinado de que quando chegasse da escola, esperaria até às oito horas da noite o se pai chegar do trabalho para levá-la, pois ela não sabia como chegar no local e seu amigo Erick não iria pois, segundo ele, não ''curtia'' muito eventos sobre artes. A adolescente tinha tomado banho com uma hora e meia de antecedência. Vestia um vestido branco, botas cano alto pretas e de couro falso, jaqueta preta e de couro e uma bolsa de franja para carregar seu celular, dinheiro, carteira e batom. Fez uma maquiagem nos olhos com tons da cor marrom, bem leve e na lateral do rosto fez o contorno marcante e na boca caprichou usando um batom vinho. Usou um perfume com uma fragrância floral de baunilha, o seu preferido. Depois que se arrumou, ficou sentada no sofá esperando a chegada de seu pai. A turma tinha combinado de se encontrar em frente a galeria às oito e meia. O relógio marcou oito em ponto e nada de Lúcio chegar. Oito e quinze e Lola já estava descascando o esmalte preto das unhas com a boca. Oito e vinte e a menina já não aguentava mais esperar. Seus pés batiam de acordo com os ponteiros do relógio. Oito e vinte e cinco e então resolveu ligar para o celular de seu pai mas ele não atendia. Chegou a ligar umas vinte vezes mas nada dele atender. E então o relógio marcava exatamente oito e meia. Lola deitou no sofá e já não tinha mais esperanças de ir. Pensou em ligar para alguém da turma e pedir para que fosse buscará mas seria muito tarde e a visita tinha hora marcada. Quando ela já estava pronta para se levantar, tirar toda roupa e maquiagem, ela ouve um barulho da chave na porta. Era seu pai chegando em casa.– Pai, oque houve? Tentei te ligar milhares de vezes mas você não atendia.– Acho que meu celular desligou. Desculpa filha, não consigui te avisar que eu não chegaria a tempo de te levar para o seu passeio.– Onde você estava? — questionou a menina.– O filho da minha namorada passou mal e eu fui com ela levá-lo ao médico. Crise asmática. Fiquei com ela no hospital pois estava aos prantos.– Eu não acredito nisso! Você me trocou! — gritou Dolores.– Não diga asneiras, Dolores! — brigou o pai.– Asneiras? Eu tinha te avisado com antecedência sobre esse passeio. Você prometeu que iria me levar! Não confio mais em você! — berrou aos prantos a menina.– Minha filha, a criança estava quase morrendo!– Não quero saber! Ele nem é seu filho! Lola saiu correndo da sala e foi para o seu quarto e bateu a porta como de costume. Seu pai pensou que ficaria trancada lá como sempre mas se surpreendeu quando sua filha apareceu novamente na sala mas agora usando um cropped preto e uma saia preta com cruzes brancas estampadas.– Onde você pensa que vai?– Não te interessa!– Volta aqui! — gritou pela porta à fora. Mas já era tarde demais pois Lola já estava dentro do táxi e bem distante de sua casa.– Quando essa menina voltar, ela vai se ver comigo! — pensou em voz alta.
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