Como o sinal tinha tocado, os alunos e professores foram para seus respectivos andares e salas de aula. Quando Lola estava subindo os primeiros degraus da escada, Erick a pegou pelo braço e cumprimentou.

– Porquê está andando tão rápido? Está fugindo de alguém? — disse em tom de brincadeira.

A garota levou um susto e então percebeu que fora seu amigo que a tocou.

– Ah, é você! Que susto! Não estou fugindo de ninguém, não. De onde você tirou isso? — ergueu as sobrancelhas bem feitas e arqueadas.

– Nada, só estava brincando com você. Você está estranha, o que houve? — questionou ele.

– O de sempre. A nojenta da Anna me tira do sério. Qualquer dia ainda perco a cabeça por causa daquela garota!

– O que houve? Me conta...

– Depois te conto. — Lola passou a mão pelos cabelos, como sempre fazia quando estava nervosa.

– Me conta logo. Você sabe que sou curioso!

– Já disse! Depois... E anda logo, antes que cheguemos atrasados para aula de química. — a menina pegou os braços do amigo e o puxou para subir as escadas.

Na sala de aula, no meio da explicação do professor sobre a formação de ligações químicas complexas, no qual Lola estava totalmente perdida. Erick jogou um papel em branco na mesa da amiga, que ficava bem perto da sua mesa.

Lola ficou surpresa com a presença do papel, olhou para os lados e seu olhar se encontrou com o de Erick. Ele por sua vez, piscou para a menina, balbuciando a palavra: ''abra''. E deu uma piscadela para a garota. Quando Lola abriu o papel, estava escrito a seguinte frase:

''Vamos ver filme e comer besteiras na minha casa hoje à noite? Como nos velhos tempos... ''

Lola escreveu no papel como resposta:

''Ok, mas antes tenho que pedir permissão para o meu pai''.

Erick leu, devolveu a folha com outra frase:

'' Combinado mas desde quando você pede permissão para ele para fazer algo? Onde está a Lola que eu conheço e o que você fez com ela? HAHAHA ''.

Lola leu e riu do que estava escrito. Riu alto demais e o professor chamou sua atenção, interrompendo a troca de mensagens entre os amigos.

– Então senhorita Dolores, se está tão animada deve ser porque está entendendo a matéria. Então responda a primeira questão da página 37 — disse o professor.

Lola revirou os olhos e disse que não sabia a resposta. Então o professor de química lhe deu uma advertência e informou-a que ficaria um pouco mais tarde pois gostaria de ter uma conversa com ela.

O sinal bateu anunciando o fim da última aula do dia, Lola pensou que escaparia do professor pois estava na aula de história naquele momento. Os alunos guardaram seus materiais e saíram da sala, menos a Lola pois o professor apareceu na sala no exato momento impedindo-a de ir embora.

– Pensou que iria escapar, mocinha? — zombou o professor.

Lola respirou fundo e jogou sua mochila, preta cheia de tachinhas com caveiras, no chão e sentou na cadeira e encarou o professor. E ele por sua vez começou o seu discurso e Lola fingia que não estava prestando atenção, então sentiu algo vibrar perto do seu pé e percebeu que era seu celular tocando, anunciando a chegada de uma nova mensagem. Ela ignorou a presença do professor e leu a mensagem. Era Erick e dizia o seguinte:

''Estou te esperando às 19:00 da noite. XoXo.''

Lola sorriu e quando ia responder de volta o amigo, ouviu um berro e era seu professor, dessa vez estava realmente zangado.

– Não aguento mais! São essas atitudes que eu não suporto em você. Essa total falta de educação e respeito para com todos. Dessa vez não quero mais tentar dialogar com você, agora quero falar com os seus pais. — disse aos berros o senhor.

Ele tirou um papel de uma pasta e entregou para a aluna rebelde.

– Você só entrará em minha sala com a presença do seu responsável e mande-o assinar este papel de advertência. Todas as segundas-feiras você terá aulas extras e atividades extracurriculares comigo. Ou eu te concerto ou não me chamo Otávio Meireles de Nóbrega!

Lola ficou paralisada e boquiaberta. E agora? Ela já tinha fugido de casa à noite passada e seu pai estava furioso, com essa notícia agora o seu pai realmente perderia a paciência com o comportamento da jovem.