O sinal do primeiro tempo de aula tocou. Todos os alunos se a arrumavam em suas carteiras enquanto abriam suas mochilas e colocavam os materiais em cima da mesa. Os poucos alunos que chegaram em cima da hora, entraram na sala apressados pela voz de Miranda.

– Entrem logo, atrasadinhos!

A voz de Miranda fez o corpo de Lola estremecer.

Miranda apareceu na porta da sala, andou até à mesa e se sentou. Na mão, trazia um envelope lacrado, grosso e da cor preta.

– Bom dia, alunos.

– Bom dia! — alguns alunos responderam.

– Guardem os materiais de volta na mochila.

Os alunos se entreolharam e começaram a conversar entre si sem terem entendido oque tinham acabado de ouvir. Para cessar o falatório, a professora bateu com a mão na mesa fazendo com que todos se calassem E prestassem atenção nela.

– Isso mesmo oque ouviram. Pedi para que guardassem o material pois darei um teste surpresa hoje.

– Como assim? — questionou uma menina de origem japonesa.

– Isso não é justo! -reclamou Anna.

A professora ignorou os comentários e começou a abrir o envelope. Foi em direção a cada mesa para entregar as folhas para cada aluno. Quando ela chegou na mesa de Anna, resolveu dizer à menina:

– Justo ou não, o teste vai ser aplicado e se a senhorita reclamar de novo, vou confiscar sua prova e lhe darei nota zero!

Anna cruzou os braços e bufou de raiva.

Como a mesa de Lola ficava no fundo da sala, a professora a entregou por último.

Chegando, finalmente, na mesa da menina, Lola resolveu encarar a professora e a fitou diretamente nos olhos. Naqueles olhos verdes hipnotizantes.

Miranda percebeu a secada de Lola e então desviou o olhar. Levou o dedo indicador à boca e o umideceu para pegar uma folha e entregar para à aluna. Neste exato momento, Lola resolveu provocar Miranda e ao invés de pegar a folha pela ponta, resolveu pegar na parte em que Miranda estava segurando com uma mão.

Miranda sentiu os dedos de Lola em cima dos dela e arregalou os olhos de surpresa. Lola percebeu e sorriu maliciosamente. Quando Miranda iria abrir a boca para falar algo, Lola foi mais rápida e disse:

– Não vai me desejar boa sorte? — perguntou enquanto mordia com a boca a ponta de uma caneta.

Para a surpresa da menina, Miranda não disse nada, apenas recuou e tirou a mão da folha. Olhou diretamente para os olhos castanhos de Lola e balançou a cabeça em reprovação,virou as costas e foi embora.

A professora voltou para o seu lugar e Lola ficou sentada na carteira com uma pontada de raiva por ter sido desprezada. Tentou encarar a professora mas, a mesma desviava o olhar e fazia questão de não olhar para a menina.

Passou-se uma hora e meia, então Miranda anunciou para os alunos ,que já acabaram a prova, que poderiam sair de sala e o restante deveria continuar sentado até acabar o teste.

Restaram cinco alunos e um deles era Dolores.

Passou-se mais meia hora e então o sinal tocou, avisandl à todos que era o fim do primeiro tempo. Os quatro alunos restante entregaram o teste para Miranda. Lola permaneceu sentada e esperou todos os demais alunos se retirarem para então, levantar da carteira e entregar a folha para a professora.

Miranda estava arrumando os testes dos alunos quando foi surpreendida pela presença de Lola.

– Terminou? — perguntou sem olhar para Lola.

–Sim. Aqui está. — Lola ergueu a folha e a esperou para pegá-la.

Miranda juntou o teste de Lola com os demais e percebeu que a menina continuava em pé a observando, então resolveu dispensá-la.

– Já pode se retirar, Dolores.

– Então é assim?

Miranda ficou em silêncio enquanto tentava evitar ao máximo o olhar de Lola. A professora levou um susto quando foi surpreendida pela mão na menina a impedindo de continuar a mexer nas folhas que estavam em cima da mesa.

– Lola, não complique as coisas...

– Então você vai fingir que não aconteceu nada entre nós? — a menina cruzou os braços.

Miranda largou o monte de folhas sobre a mesa e resolveu encarar os belos olhos castanhos da jovem.

– Não podemos continuar com isso. Você sabe que não é certo.

– Porque você faz questão de dizer isso? Porque não seria certo? — Lola deu a volta na mesa e ficou de frente para Miranda. A professora voltou seu corpo para frente da menina.

– Está brincando comigo, não é? — Miranda levou a cabeça para trás e soltou uma risada seca, perplexa com oque tinha acabado de ouvir.

– Não! Eu quero saber porque você está me evitando!

– Por quê oque fizemos não é certo, eu sou casada, sou sua professora, você é menor de idade e nem você e nem eu sabemos ao certo oque estávamos fazendo.

– Então... — Lola se aproximou de Miranda — Você está dizendo que não sente nada quando eu...

Lola não terminou a frase, chegou mais perto de Miranda. A professora enrijeceu o corpo. Lola levou as mãos ao rosto de Miranda enquanto fazia carícias em sua face. Miranda ficou atônita, sem ação e com o toque de Lola, deixou-se levar e fechou os olhos.

Lola levou os seus doces lábios de encontro com os de Miranda. Ao invés de se afastar do beijo, Miranda abriu a boca de leve e deixou que a língua da jovem explorasse sua boca. Lola pegou Miranda pela cintura e a puxou para mais perto de seu corpo. Enquanto se beijavam, Lola conduziu Miranda para que se sentasse na mesa enquanto a jovem permanecia em pé.

Miranda levou os lábios ao pescoço jovem e esguio da garota, enquanto sentia os longos cabelos da menina entre seus dedos. Lola gemeu de prazer e pegou uma das mãos da professora e levou até à sua coxa. Miranda olhou para as belas pernas da menina e percebeu que aquilo mexia com ela e uma sede de desejo a consumiu. Miranda deixou sua mão explorar a coxa de Dolores, foi alisando a coxa da menina enquanto dava leves apertões que deixavam marcas vermelhas na pele branca e delicada da jovem. Miranda passava a mão por debaixo da saia xadrez e apertou o gluteo da menina enquanto a mesma soltava gemidos de prazer. Ambas arfavam sem fôlego quando, de repente, uma visão invadiu a mente de Miranda. A visão dos belos olhos azuis de seu marido Henrique. Neste instante, Miranda se desvencilhou dos afagos de Lola e a afastou. Lola arregalou os olhos sem entender oque tinha acontecido.

– Não! Não posso cometer o mesmo erro de novo. — declarava em desespero a professora, enquanto mexia em seus cabelos loiros.

Miranda pegou suas coisas em cima da mesa, pendurou a bolsa cor de creme em um dos braços e no outro segurou o envelope grosso com os testes dos alunos.

Lola ficou parada, enquanto a via arrumar suas coisas e ir embora e não sabia oque dizer ou oque pensar. Só tinha certeza de uma única coisa: que tinha gostado de beijar novamente Miranda e seu corpo ansiava por mais. Aquilo era viciante como uma droga, cada vez que beijava Miranda mais ela queria beijar e sentir seu corpo junto ao dela.

Lola despertou de seu devaneio quando ouviu a maçaneta da porta sendo girada pela professora. A menina correu de encontro com Miranda e a impediu de abrir a porta travando a maçaneta com a mão.

– Você não pode fingir que não sente nada pois sei que me deseja tanto quanto eu a desejo.

Os olhos de Lola brilharam de desejo e seu coração se acelerou.

– Não posso fingir, mas posso lutar contra isso. — disparou Miranda, enquanto respirava sem fôlego.

– Você não vai resistir por muito tempo. — provocou a menina enquanto mordia o lábio inferior.

– Vou me esforçar ao máximo. E lhe peço para que se afaste de mim e oque houve entre nós foi apenas um deslize. Esqueça aquilo de uma vez por todas!

– E isso? — Lola apontou para a mesa — Você também vai tentar esquecer? — provocou a menina.

Miranda abriu a boca para dizer algo que repreendesse a menina, mas pensou melhor e preferiu permanecer calada. Antes de abrir a porta e ir embora,ela deu uma última olhada em Lola e balançou a cabeça em reprovação. Deixando assim a jovem garota sozinha na sala, conturbada com seus pensamentos.

– Porque ela faz isso comigo? Porque eu não consigo me conter? — questionou-se em voz alta, enquanto olhava para a porta entreaberta, sem entender porque tudo tinha que ser tão difícil e complicado na vida dela.