A Cor Púrpura De Teus Cabelos
12 Interrompida
O dia amanheceu e Lola foi acordada de supetão pelo seu rígido pai.
– Acorda!– Oque houve, pai? Hoje é sábado, não preciso acordar cedo! — disse ainda sonolenta.– Não quero saber se é sábado ou não. Como você está de castigo, tenho algumas tarefas para você realizar.– Ai, não acredito! — disse resmungando e ainda deitada.– Pois acredite! E a primeira tarefa será jogar o lixo fora e varrer a casa.– Que saco, pai! — Lola virou de lado para voltar a dormir. Lúcio saiu do quarto e a menina pensou que talvez ele tivesse desistido de mandá-la realizar tais tarefas. Pois então percebeu que estava completamente engana, seu pai apareceu novamente no quarto mas dessa vez com algo na mão, um objeto grande da cor turquesa. Lola esfregou as mãos nos olhos para desembaçar sua visão, então percebeu do que se tratava: um balde azul cheio de água. Não deu tempo da menina questionar ou tentar escapar do banho de água fria. Lúcio jogou o balde e derramou todo o líquido em cima de sua filha deixando-a completamente molhada, sem fôlego e brava.– Aaargh! — gritou a menina.– Isso é para você aprender a me obedecer na hora em que eu mandar. Estou saindo e quando voltar quero ver todas as tarefas cumpridas e quero encontrá-la vestida com algo apropriado para jantarmos fora. E isto não é um convite, é uma ordem. Até mais tarde. Lúcio se retirou do quarto, deixando sua filha sozinha nele, ainda deitada e ensopada pelo balde de água fria. Depois de meia hora de gritaria, histerismo e choro, Lola se recompôs e levantou da cama que também estava ensopada.– Ele pensa que eu tenho quantos aninhos de idade para jogar água em mim desse jeito? Não suporto o jeito com que ele me trata. Que raiva! — Lola voltou a se enfurecer e pegou um vasinho de flores, que ficava em cima da escrivaninha do quarto, e o jogou na parede espatifando-o em mil pedacinhos. Seu momento de fúria foi cortado pelo som de seu celular tocando. Lola olhou no visor e viu que era Erick e atendeu.– Lola?– Oi. Péssima hora para conversamos.– Porquê? Eu queria esclarecer oque houve ontem à noite... Quero continuar sendo amigo se é assim que você deseja.– Olha, podemos continuar sendo amigos mas não posso parar para conversar com você agora. Meu pai enlouqueceu e me mandou arrumar a porra da casa toda.– Mas oque isso tem de mais? Bom, é de se estranhar ele te mandar fazer algum serviço doméstico...– Sim, mas ser acordada por um balde de água fria quando se tem 17 anos não é não. E outra, acabei de quebrar um vaso aqui e meu quarto se encontra em estado de pleno caos. Preciso desligar, senão não termino de arrumar tudo antes dele chegar.– Tudo bem. Queria poder te ajudar mas creio que nessas condições não seria uma boa ideia. Depois nos falamos, beijos!– Tchau! Lola desligou o celular e levou-o para perto do queixo e ficou perdida em seus pensamentos, lembrando do beijo de ontem. Passou a mão pelos cabelos, guardou o celular e começou a realizar a lista de tarefas que seu pai tinha lhe dado.**** Depois de se passarem quatro horas, o relógio anunciava que a chegada de Lúcio estaria próxima, então Lola tomou banho e colocou um vestido azul escuro, na boca aplicou seu batom favorito: o vermelho sangue. Lola estava na sala assistindo um programa aleatório na televisão enquanto esperava seu pai e pensou que talvez o jantar de hoje à noite seria uma maneira de tentar conversar com seu pai e mostrar que ele estava sendo rígido demais e para convencê-lo disto, Lola se comportaria de uma maneira correta e tentaria não entrar em conflito com seu pai. Então ouviu as chaves destravando a porta e era Lúcio chegando em casa.– Boa noite.– Boa noite. Então pai, fiz tudo o que me mandou fazer. Onde iremos jantar? Naquele restaurante francês que eu tanto queria ir?– Primeiro irei conferir se fez tudo correto... Lola revirou os olhos e foi atrás do pai, seguindo seus passos enquanto ele conferia se ela realmente cumpriu com todos os seus afazeres.– Bom, pelo visto você arrumou tudo direitinho como eu havia mandado. Parabéns! Agora vamos logo jantar pois estou com fome e você também deve estar.– Eba! Então, você não me respondeu ainda... Vamos ao meu restaurante preferido ou não? — perguntou sorrindo.– Não, mas creio que que iremos em um que você vai gostar mais ainda. É um restaurante italiano, que no cardápio tem tudo que você ama: raviolli, lasanha, pizza, macarronada e sorvete de sobremesa.– Puxa pai, acertou na escolha!– E você acertou na escola do vestido. Azul decididamente, é a sua cor. Além de púrpura é claro. Você fica linda com essas cores, meu anjo. — Lúcio deu um beijo na testa da filha e este gesto amoleceu o coração de dela,.***** Lúcio estacionou seu carro branco no estacionamento do restaurante. Chegando na entrada do '' Passione'' , os dois entraram e na entrada já pediram para serem encaminhados para a mesa na qual Lúcio tinha marcado lugar com antecedência. Pai e filha se acomodaram em seus lugares e contemplaram a beleza do restaurante. – Que lugar lindo, pai! – Que bom que gostou filha — passou a mão por cima da mesa e foi de encontro com a mão de Lola mas quando ele iria abrir a boca para falar, foi cortado pela garota.– Pai, eu sei... O que o senhor está tentando fazer é me educar e me colocar na linha antes que seja tarde de mais, mas tenha em mente que eu jamais vou deixá-lo de te amar, podemos brigar e nos desentender mas sempre irei te amar.
E com essas palavras o pai chegou a se engasgasse por um breve momento.– Oh, minha filha! Que bom que você entende que estou tentando te educar. Posso as vezes errar na minha escolha mas...– Como o balde de água fria...– Ah, o balde. Bom, não pedirei desculpas sobre isso mas você estava merecendo pois não queria levantar por nada. Tirei a ideia de um filme.– De um filme? Só você mesmo, pai! — disse rindo a menina. Os dois tiveram uma crise de risos e aquele momento foi algo que Lola sempre tinha almejado: curtir momentos como aquele como não faziam há tempos, sem se preocupar com o futuro, apenas viver o presente. O ambiente foi preenchido com as gargalhadas de ambos e fazendo com que se sentissem à sós e a se esquecerem dos problemas que sofriam. Porém, este momento mágico dos dois foi interrompido pela presença de uma mulher. Uma mulher, por sinal muito bonita, loira, alta, magra e com os cabelos ondulados e tão brilhantes como os daquelas mulheres de comercial de shampoo. Estava vestindo um belo vestido vermelho, justo revelando o seu belo corpo. Na boca usava um batom vinho e usava jóias que pareciam ser de ouro. Carregava uma bolsa de marca que Lola reconheceu na hora: Coco Chanel. Definitivamente era uma mulher,além de bela, deveria ter na conta bancária muitos números zeros nas casas decimais, na numeração da conta em dinheiro.– Olá! Boa noite. Me atrasei um pouco, me desculpem, estava escolhendo o que vestir — deu uma risada exibindo seus dentes brancos, brilhantes e bem cuidados. Lola ficou boquiaberto sem entender quem era aquela mulher, chegou a achar por segundos que talvez fosse alguma pessoa pedindo informação, mas depois do que tinha dito, Lola finalmente entendeu: era a namorada de seu pai.
Notas finais
Quando Lola finalmente estava se dando bem com o seu pai, foi interrompida pela chegada da nova namorada de Lúcio. E aí pessoal, vocês acham que Lola se dará bem com esta mulher? Ou a presença desta loira teria arruinado o jantar dos dois? COMENTEM! ♥ Quero saber a opinião de vocês. Beijos!
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