Miranda despertou e foi à procura de seu marido mas ele já havia ido ao trabalho então a professora preparou o seu café, tomou banho e também seguiu caminho para o trabalho.

*********

NARRAÇÃO DE MIRANDA

Já eram 7:00 horas da manhã e eu estava sentada em minha cadeira procurado as provas dos meus alunos corrigidas. Quando eu as achei, comecei a arrumá-las por ordem alfabética. A primeira era a Anna, filha do diretor, a nota máxima era 10 e ele havia tirado 8,5. Depois vinha a prova de Bárbara, Bernardo, Carlos Eduardo, Caroline e Dolores. Sim, a minha pequena e indefesa Dolores. O meu fantasma que me assombrava nas horas mais impróprias e invadia meus sonhos. Ao pegar em sua prova, levantei os olhos à sua procura mas ela ainda não havia chegado. Ao pensar nela, não pude me esquecer da noite passada e meus pensamentos me traíram e comecei a fantasiar um momento íntimo com ela. Fechei meus olhos e por um instante pude sentir sua presença, imaginei seu sorriso encantador, seus olhos hipnotizantes, seu corpo que abalava minha mente e seus cabelos cor de púrpura que me encantava. Umideci os lábios ao imaginar seus lábios junto ao meu.
Ainda estava com a mente em outra dimensão quando me surpreendi com o barulho da porta sendo escancarada.
Quando abri meus olhos levei um susto pois não era nada mais e nada menos que a minha Lola. Ela me fitou e sorriu e eu fiquei sem saber o que fazer. Pensei que ela iria seguir caminho para sentar em uma carteira mas ao invés de fazer isso, ela veio caminhando ao meu encontro.
Ela usava uma saia xadrez das cores vermelho e preto. Também usava uma bota preta de salto quadrado de altura até aos joelhos e na parte de cima, usava uma blusa branca estilo colegial com um decote em V que ressaltava seu colo e chamava atenção aos seus seios. Ela jogou o cabelo para trás enquanto caminhava em minha direção.
— Bom dia, professora!
Demorei alguns segundos para respondê-la.
— Bom dia, Lola.
Ela sorriu e então me perguntou baixinho enquanto se baixava um pouco sobre a minha mesa.
— As aulas extras em sua casa ainda estão de pé?
Eu engoli em seco pois estava prestando atenção no que não devia, estava olhando para seus seios que pela posição que Lola havia tomado, revelava-os e aquilo me deixou alucinada mas consegui me recompôr e manter a seriedade.
— Sim, vamos dar continuidade às aulas.
– Que bom!
Ficamos nos olhando por um segundo até que fomos despertadas pela voz de Anna ao fundo:
— Profesora, a senhora vai entregar as provas hoje?
— Sim, querida. Estou as organizando para entregar.
— Posso entregar para os alunos?
franzi o cenho pois não compreendia o pedido de Anna mas concordei pois enquanto ela distribuisse as provas eu poderia passar matéria no quadro.
— Pode sim, quando eu acabar de organizar te chamarei aqui para pegar as folhas.
— Ok! — disse Anna soltando um risinho malicioso.

**********

Quando acabei de organizar as provas, chamei Anna à minha mesa e ela pegou a pilha de papel e foi de mesa em mesa distribuindo para seus respectivos alunos.
Anna entregou a prova para Erick e ele havia tirava 9,5.
– Nossa, você tirou a melhor nota da turma. Tirou mais que eu, Erick. Parabéns! — disse Anna.
Erick sorriu e pegou sua prova.
— Estudei muito para isso, Anna.
Anna fez um bico e revirou os olhos.
A loira continuou a distribuir as provas mas deixou a de Lola por último.
— Cadê a minha prova? — questionou Dolores.
— Está aqui, queridinha.
Anna esticou a mão e entregou a prova da menina com um sorriso debochado nos lábios e disse:
— Não me surpreendo com o seu péssimo desemoenho. 2,5! Até o gorducho burro dessa turma tirou mais que você! — declarou a filha do diretir enquabto tampava com uma das mãos a boca e soltava risadinhas por maldade.
Lola levantou da mesa e disse em alto e bom som:
— A nota que eu tirei só interessa à mim e à professora, que a propósito vai me ajudar a tirar notas melhores.
— Vai ajudar? Como assim? — perguntou Erick que sentava ao lado de Lola.
— Isso mesmo, eu tenho aulas particulares com ela. — disse Lola cruzando os braços e sorrindo.
Anna arregalou os olhos e abriu a boca.
— Aulas particulares? Meu pai, por acaso, está sabendo disso?
— Olha aqui, querida, nem você e nem seu pai tem nada a ver com o que acontece fora dessa escola. Vai cuidar da sua vida que você ganha mais. Vai hidratar esse cabelo que está um bagaço! — Lola atingiu o ponto fraco da loira fútil.
Anna pegou uma mecha de cabelo e analisou o aspecto físico dele.
— Meu cabelo está ressecado, amiga? — perguntou para a amiga do lado enquanto fazia beicinho.
Quando Lola achou que tinha se livrado das inquisições da loira se surpreendeu com Erick perguntando:
— Que história é essa de aula particular com a professora Miranda?
— Eu iria te contar mas não tive tempo.
— Ah, sim, então a sua tia que iria te visitar por acaso se chama Miranda? — debochou Erick.
— Olha aqui, Erick, se for pra encher meu saco e se unir com essa loira de farmácia me avisa, que eu já te excluo da minha vida de uma vez porquê...
– Quem você chamou de loira de farmácia? — Anna se intrometeu ao ouvir seu nome e colocou a mão nas cadeiras.
Neste momento eu tive que intervir pois não queria mais confusão.
— Olha, pessoal. Sentem-se e se acalmem! Que confusão é essa aqui?
— Olha, professora. Eu acho que isso tudo te interessa e você vai ter que se entender com o meu...
Neste momento todos se calaram pois a presença do diretor abrindo a porta os surpreendeu.
— Que barullho é esse? Eu estava passando aqui por perto e ouvi esse escândalo e resolvi ver oque era.
Todos se entreolharam e permaneceram calados.
– Então, vão me explicar esta confusão ou não? — perguntou o pai de Anna enquanto alisava o bigode espeso em seu rosto redondo.