A Cor Da Chuva
24 Epílogo
Epílogo
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...
“A primeira vez que você viu esse filme, você chorou.” Dimitri sussurrou no meu ouvido com um ligeiro ar pilhérico.
Eu o acotovelei sem muita força, direto nas costelas. Estávamos sentados na cama assistindo TV depois de um banho demorado, Dimitri apoiado nos travesseiros da cabeceira, e eu acomodado entre suas pernas, usando-o de encosto, enquanto jantávamos alguns aperitivos disponibilizados pelo serviço de quarto do hotel. Ainda chovia, e o som era tão agradável quanto todo o clima confortável e abrigado do quarto.
“Não me faça parecer uma garotinha chorona.” Reclamei, já que me lembrava só de garotas contarem de terem chorado assistindo filmes românticos com finais tristes, como aquele. “Eu tinha só uns dez anos.” Me defendi e peguei o controle, trocando de canal por não me sentir no clima de tristeza, já que eu transbordava justamente o contrário.
Encontrei um canal de pornografia e sorri malicioso.
“Que tal esse?”
“Nós já fizemos três vezes hoje. E você ainda quer mais?” Dimitri mordeu minha orelha por trás, me causando um arrepio gostoso.
“Até parece que você não quer.” Suspirei, não me sentindo assim tão esgotado e sabendo que depois de algum descanso nossa noite continuaria animada, até porque Dimitri não negou. Eu me sentia um coelho, mas nós tínhamos um ano e meio para colocar em dia. Voltei a mudar de canal e encontrei um seriado de comédia que eu gostava e deixei ali, me acomodando melhor contra o corpo quente do Dimitri e levando mais um dos aperitivos à boca.
Mastiguei lentamente antes de perguntar:
“Você não vai me contar por que se afastou tanto nesse tempo?” Perguntei, minha curiosidade de volta após saciarmos parte de nossa saudades. Dimitri acariciou meus braços, silencioso por um instante, provavelmente buscando a melhor forma de começar.
“Inicialmente foi por causa do Alexandre. Ele se sentiu extremamente culpado quando contei que meu teste havia dado positivo. Isso fez com que ele não pedisse para transar nem nada do tipo, mas o quadro dele passou para uma depressão profunda e, de quebra, os pais dele descobriram tudo da pior forma. O pai dele... O espancou até que ele parasse no hospital. Ele mal me chantageava mais, apesar de sempre implorar para que eu continuasse próximo dele por mais tempo. Eu não consegui simplesmente ir embora e deixá-lo naquele estado deplorável, mas se eu não me afastasse um pouco de ti, não me importaria e acabaria largando tudo para te reencontrar. Isso poderia despertar a raiva do Alex e novas chantagens. Ele ainda estava instável.” Dimitri suspirou, mas eu senti que aquilo não acabava por aí e, de fato, Dimitri continuou. “Esse não foi o principal motivo, no entanto. Aconteceu algo complicado na Elevação, e eu tive de fechá-la já há alguns meses.” Dimitri disse, num tom mais pesado, e eu virei o rosto para olhá-lo enquanto falava. “Você deve se lembrar do Bernardo...”
“Só o nome me deixa enjoado.” Comentei com uma careta, estremecendo com a lembrança ruim e embaçada.
Dimitri acariciou meus cabelos e ficou ainda mais sério.
“Ele foi encontrado morto na Elevação.” Revelou.
Meus olhos se arregalaram pelo choque. Ouvir que alguém com quem você teve contato, mesmo que um contato desagradável, estava morto, era sempre perturbador. Eu havia perdido um pai e uma irmã, mas nunca conseguiria ver ou ouvir a morte de alguém como algum corriqueiro.
“De alguma forma a polícia descobriu sobre a briga que eu e ele tivemos, e o fato de ele ser encontrado justamente na Elevação aumentou as suspeitas para cima de mim. Tive de aguentar alguns interrogatórios e investigações. O Bernardo era filho de uma família influente, então a morte dele não passou batida. Eu não queria preocupar tu e a mãe, nem chamar atenção para vocês. Seria ruim se fossem atrás de ti para te fazer perguntas, então menti para polícia que não tinha mais contato contigo e nem sabia para onde você havia se mudado. Isso durou alguns meses...”
“Dimitri!” Exclamei, indignado. “Mas que merda, por que você sempre quer passar por tudo sozinho!?! Devia ter dito alguma coisa. Meu deus... Não dá pra acreditar...” Murmurei balançando a cabeça e segurando o braço do Dimitri com força. O idiota havia se arriscado a mentir para a polícia para me proteger. Eu queria dar outro soco nele, mas fazer algo do tipo era bem a cara do Dimitri. “E o que a polícia descobriu?”
“Ele foi assassinado por um dos traficantes com quem andava metido. A família dele abafou o caso quando os podres dele começaram a vir à superfície. Alguns outros garotos quiseram acusá-lo de estupro e agressão, inclusive. Eu não fazia ideia de que ele era tão podre. Chega a ser estranho pensar que fomos colegas na faculdade e que tínhamos uma roda de amigos em comum, mesmo que eu nunca houvesse ido muito com a cara dele. Sinceramente, não senti pena nenhuma, ele colheu o que plantou.” Dimitri disse, e no fundo de seus olhos pude ver a raiva que ele ainda sentia pelo que o Bernardo havia tentado fazer comigo.
Fiquei admirado por conseguir enxergar isso naqueles olhos negros, misteriosos como uma lagoa à meia noite – ainda era novo para mim conseguir compreender o Dimitri tão bem, e a sensação era muito boa.
“Que bom que você não foi acusado de nada injustamente...” Murmurei, preocupado, mesmo que ele estivesse ali junto comigo, num hotel três estrelas em Londres distante de todos aqueles problemas. “Eu queria ter estado contigo nesses momentos difíceis. Por que insiste em me deixar de fora quando as coisas apertam? Se vamos ficar juntos-“
“Nós vamos ficar juntos, Diego, não existe ‘se’ nessa frase.” Dimitri me interrompeu e me puxou pelo queixo, beijando-me rápido e forte. “Desculpe. Eu prometo te incluir em tudo a partir de agora. Não vou esconder mais nada.”
“Acho bom.” Falei, franzido a testa e o beijando de novo. “Eu quero poder te ajudar como você sempre me ajudou.”
“Eu sei...” Dimitri sussurrou e apoiou o queixo em meu ombro. “Quando tudo se resolveu, comecei a organizar as coisas para me mudar. O Alexandre ficou por vários meses numa clínica de recuperação e assim que ele saiu, já mais estável, e começou a trabalhar, eu perguntei a ele o que ele ainda queria de mim. Nesse momento ele se desculpou e pediu que esquecêssemos tudo aquilo, que estava pronto para seguir em frente e se arrependia de ter me pressionado e segurado ao lado dele. Eu não achei que o veria tão aliviado quando contei que meu teste havia sido um falso-positivo, mas ele chegou a chorar por vários minutos de alívio. Vendo isso eu percebi que ele nunca foi uma pessoa ruim, apenas precisava de ajuda, como aquele seu amigo também precisava...”
“Isso não me faz gostar mais dele...” Resmunguei a contragosto, mas entendendo um pouco melhor o lado da criatura. Meu Deus, ele havia sido espancado pelo próprio pai no pior momento da vida dele! Não era de estranhar que ele buscasse algum apoio e companhia mesmo que à força. Também era alguém solitário. “Vai ficar tudo bem com ele?”
“Acho que vai. Ele também está tendo a chance dele para recomeçar.”
“E eu e você iremos nos mudar pro mesmo prédio, com um apartamento do lado do outro que, no fundo, é o mesmo apartamento ligado por uma porta?” Perguntei, lembrando-me desse detalhe. Eu sentiria falta dos pirralhos; de certo modo, havia me acostumado com a casa cheia e com as bagunças de três crianças pequenas.
“Essa é a ideia.” Dimitri assentiu e encostou-se aos travesseiros, levando-me junto. Comecei a sentir um pouco de frio, então puxei o lençol sobre nós, afastando a bandeja com o que restara dos aperitivos. Deitei sobre ele, me virando mais e apoiando os braços sobre seu peito, criando um encosto para meu queixo. Olhei para Dimitri e recordei quando era pequeno e costumava olhá-lo como se fosse um herói. Isso na verdade nunca havia mudado.
“Você vai gostar de conhecer os pivetes. Ainda mais que você tem jeito com crianças.” Falei, já que Dimitri sempre soubera lidar comigo. Ele riu e negou com a cabeça, sua mão fazendo um carinho agradável em minhas costas.
“Não, Diego. Eu tenho jeito com você.” Ele explicou. “Mas será bom conhecer essa nova parte da família.”
“Não minta. A pirralhada te adora.” Discordei. Dimitri sempre havia sido bom com crianças, tinha uma paciência de ferro pras manhas dela. “O Leandro também vai gostar de te ver. Outro dia eu e ele ficamos até tarde relembrando as vezes que nos encontrávamos quando menores. Ele sempre fala bem de ti.”
“O Leandro, é? Andou ficando muito amigo dele? A Lydia me contou que vocês passam bastante tempo juntos...” Dimitri perguntou, tentando disfarçar o ciúmes que agora me parecia evidente. Imagens das vezes em que apresentei a ele as namoradas que tive me vieram à mente, e me pergunto como eu nunca percebi aquele ciúmes velado dele. Ele sabia disfarçar, mas um olhar mais atento perceberia o óbvio. Como pude ser tão cego por tanto tempo?
Acabei rindo da expressão de quem tenta fingir ‘que não quer nada’ de meu irmão.
“Pelo amor de Deus, o Leandro é hétero, Dimi.” O informei, antes que ele começasse a criar teorias sobre o que eu e Leandro fazíamos até altas horas da noite além de conversar.
“O quê? Eu não falei nada...” Dimitri se fez de desentendido. E sorriu culpado quando eu o encarei com os olhos semicerrados.
“Sei...” Murmurei, não comprando aquele sorriso, mas internamente satisfeito pelo ciúme, mesmo que infundado, dele. “Mais alguma coisa que você esteja escondendo?”
Dimitri ficou pensativo por alguns segundos.
“Já contei de como senti a tua falta?” Ele perguntou sugestivo, me abraçando pela cintura e me puxando mais para cima. Nossos lábios roçaram, fazendo minhas pálpebras quase fecharem, tremulando. Passei a mão pelo rosto dele, sentindo a aspereza da barba rala e começando a, não sei como, ficar excitado novamente. Mas nós já estávamos há quase uma hora vendo TV e conversando, então tivemos um tempo para descansar.
“Não contou...” Ronronei, fingindo-me de esquecido, e me esfreguei nele com um gemido baixo. “Conte-me mais sobre isso.”
“Diego.” Dimitri falou num tom de aviso e inverteu rapidamente as posições, ficando sobre mim, segurando com firmeza minha coxa. Minha tesão subiu às alturas e tateei com a mão a ereção de Dimitri, querendo senti-lo teso e quente por minha causa outra vez. Ele gemeu contra meu pescoço quando comecei a tocá-lo, masturbando nossas ereções juntas. “Isso que dá ficar com garoto novo. Eles têm um fôlego daqueles...” Murmurou brincalhão no meu ouvido, gerando-me uma risada alta e gostosa.
“Vamos lá, vovô, me mostra até onde você aguenta.” Debochei, o que fez Dimitri me olhar estarrecido, para depois fechar a cara numa expressão séria, como a de um predador antes de atacar a presa. Me arrepiei inteiro, com o frio intenso na barriga de quando se pula de uma grande altura.
“Vou te mostrar quem é o vovô.” Dimitri ameaçou num tom terrivelmente sexy, e eu acabei ofegando antes mesmo que ele me beijasse voraz, num ritmo que eu mal consegui acompanhar.
XxX
A abertura dos jogos Olímpicos foi um grande espetáculo. Eu apenas me separei do Dimitri quando tive que ‘desfilar’ junto com os outros competidores de judô pelo estágio, representando o Brasil. Meu coração bombeava de empolgação por eu estar começando a realizar aquele sonho, e realizando-o com Dimitri ao meu lado. Eu daria meu melhor, seria o melhor, tudo por ele.
Era o que se passava pela minha cabeça enquanto eu esperava o início da minha primeira luta.
“Nervoso?” Dimitri perguntou, passando a mão pelos meus cabelos no vestiário vazio naquele momento.
“Você sempre me pergunta isso, mas sabe que eu não fico nervoso antes das lutas.” Falei. Deveria ser por que eu já havia competido tantas vezes, e portanto já havia aprendido há muito tempo a como controlar minhas emoções durante as competições. Era essencial para um atleta profissional manter o nervosismo, ansiedade e insegurança em algum lugar bem no fundo da mente. Meu maior problema era a ansiedade, ficava louco para ir logo pro tatame e derrubar o adversário.
“Eu sei, mas dessa vez é uma competição ainda maior.” Dimitri comentou, sentando ao meu lado. “Se fosse eu, estaria suando frio e roendo as unhas.”
“’Tá certo...” Falei, não acreditando. Tinha quase certeza de que ele seria um poço de calma e concentração caso competisse. “Mas eu não-“
“Diego!!!” Alguém me interrompeu com uma voz estridente de animação. Olhei para a entrada do vestiário e me assustei ao ver novamente aqueles cabelos laranja-chamativos e os brilhantes olhos sardentos. “Te encontrei!” Viktor exclamou entrando no vestiário, seguido de ninguém menos que o Afonso. Meu queixo havia caído com mais essa surpresa, e eu me levantei no automático e fui até ele, encontrando-o no meio do caminho para um abraço apertado.
“Viktor! Caramba, não acredito! O que você...?!” Comecei a perguntar, sentindo através do abraço que ele não mudara nada. Estava com a mesma altura e o mesmo porte físico, no entanto parecia mais alegre e vivaz, como se toda, ou boa parte, da aura negativa que carregava houvesse desaparecido. Ele sorriu abertamente quando nos afastamos.
“Você achou que eu iria perder de assistir você na Olimpíada de perto? A Alemanha é aqui do lado. Esse negócio de União Europeia e liberdade de trânsito é uma maravilha. Eu e o Afonso já visitamos vários lugares e deixamos Londres justamente pra agora. Ah, estou tão orgulhoso de você, vai ganhar essa competição sem nem suar!” Viktor falou tudo rapidamente, com uma energia maior que a comum.
Eu acabei rindo. Era ótimo ver que o Afonso e a Alemanha estavam fazendo tão bem a ele.
“É tão bom te ver.” Coloquei a mão no rosto dele, mas ouvi Dimitri pigarrear atrás de mim. Tirei a mão antes que ele resolvesse me arrastar para fora do vestiário. “Há tanto pra conversar...”
“Vamos fazer isso depois que você ganhar as lutas do dia. Eu e o Afonso já reservamos lugares num restaurante todo chique daqui. Dá pra acreditar que além de tudo me ajeitei com um cara rico?” Viktor sussurrou para mim, usando a mão para abafar o que dizia. Eu ri ainda mais.
“Você parece ótimo, sabia?” Falei e não aguentei, abraçando-o mais uma vez. “Obrigado por vir.”
“Que isso! É o que fazem os amigos. Ou melhor, os amigos com um namorado endinheirado.” Sussurrou de novo.
Cumprimentei Afonso também, que estava bem mais calmo que Viktor. Aliás, Afonso me passava a impressão de ser alguém tranquilo e estoico, sempre com um olhar compreensivo nos orbes esverdeados. Nós conversamos um pouco antes de eu ser chamado. Viktor continuava treinando judô, mas bem menos que antes, pois estava bem focado na faculdade e inclusive já dava algumas aulas como professor substituto, visto que logo seria um professor de matemática formado. Quase caí para trás quando eles revelaram terem-se casado, principalmente para que Viktor pegasse a cidadania alemã e não precisasse voltar para o Brasil.
“Eu não te contei, mas o marido do avô dele é o reitor da universidade de lá, por isso consegui a vaga tão fácil. Você precisava conhecê-los, o avô dele e o maridão são demais! Dá vontade de apertar aqueles vovôs, sabe? Nunca pensei que gente velha pudesse ser tão legal.” Viktor me contou elétrico com outro sussurro já quando nos encaminhávamos para fora do vestiário. Dava pra entender por que o Viktor tinha um pé atrás com gente mais velha, considerando a avó que ele tivera.
“Você não imagina o quanto é bom te ver tão feliz. Estou ainda mais pilhado agora para ganhar essa competição. Vamos comemorar todos juntos depois!” Garanti, dando alguns pulinhos para me aquecer. Eu ainda teria uns dez minutos para me preparar enquanto todos se acomodavam nas arquibancadas. Mas antes disso, Viktor me abraçou novamente, quase se dependurando em meu pescoço. Estava mais baixinho que eu lembrava, já que eu havia crescido um pouco mais e ele não.
“Boa sorte!” Ele disse.
“Boa sorte, Diego.” Afonso também desejou. “Mas lembre-se. Nem sempre ganhar é-“ Começou a falar, já adquirindo um ar meio filosofante, mas parou ao receber um tapa no braço do namorado.
“Ai, não começa, Afonso.” Viktor torceu o nariz. “Diego, só vai lá e ganha essa porra, ok? Se você perder, arranco tuas bolas. Não tem essa que o importante é competir numa Olimpíada.” Piscou maroto e arrastou um Afonso aturdido com ele, deixando-me sozinho com Dimitri por um momento. Eu não consegui suprimir o sorriso, eles até que formavam um casal engraçado.
“Imaginei que vê-los fosse te animar.” Dimitri comentou.
“Foi ideia sua?” Perguntei, olhando-o surpreso, mas fazia sentido. Dimitri e Afonso tinham uma amizade sólida e também deveriam estar com saudades um do outro. Era a oportunidade perfeita para todos.
“Foi mais uma ideia conjunta.” Dimitri deu de ombros. “Morando tão longe, teremos poucas chances de nos ver, então...”
“Foi uma ótima ideia. Queria ter pensado nisso, mas eu nem sabia que você estaria aqui até ontem de tarde.” Balancei a cabeça. “Você não tem ideia do quanto estou feliz. Não importa se eu ganhar ou não, mesmo que eu perca minhas bolas se eu perder...” Nós dois rimos. “Eu não tenho nada do que reclamar, fico impressionado em como nossa vida deu voltas e mais voltas. Nunca nos imaginaria numa situação assim, ainda mais depois de tudo que aconteceu. Não achei que me sentiria dessa forma de novo.”
“A vida realmente nos surpreende. Eu que o diga, também nunca acreditei que te teria assim pra mim.” Dimitri se aproximou e nossas testas se encontraram, fazendo-me fechar os olhos e suspirar, tranquilizado com aquele toque que compartilhávamos desde que éramos duas crianças e buscávamos mutuamente por compreensão e apoio. “O que importa é que você dê o seu melhor. Vou estar aqui torcendo.”
“Sempre.” Eu assegurei por ele.
“Sempre.” Dimitri concordou.
Nós sorrimos ao mesmo tempo e, então, Dimitri seguiu o caminho para as arquibancadas. Eu me aqueci até ser novamente chamado, subindo em direção ao tatame com a expressão tranquila, mas determinada enquanto os sons da plateia – berros, vaias, gritos, assobios – me enchiam os ouvidos, trazendo minha energia para superfície, acumulando-a em meus músculos. Eu tinha algumas lutas pela frente e uma medalha para ganhar prometida à minha irmãzinha.
Já no tatame, de frente para o adversário esperando o início da luta, olhei para o lado e vi meu irmão piscar para mim da arquibancada, incentivando-me junto com os outros.
Acima de tudo, eu tinha Dimitri. Di-mi-tri. E por ele eu poderia enfrentar todos os desafios.
Juntos.
Fê, isso nunca mais irá mudar.
Notas finais
(ps.: ideia do Viktor aparecer para torcer pelo Diego foi da Guima, obrigada, adorei a ideia!)
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Nossa, estou tão feliz que consegui terminar um projeto. Eu não imaginei que essa história cresceria tanto, nem imaginei que seria tão bem recebida, que emocionaria tanta gente, que ganharia tantas reviews, recomendações e elogios, e também fiquei imensamente feliz de ver que algumas pessoas até mudaram a visão que tinham sobre incesto ao ler essa história. Eu agradeço MUITO por tudo isso. Acho que escrever não teria tanta graça e significado se não fosse por esse lado, esse contato que tenho com vocês. Vocês fazem meus dias mais felizes e aplacam meu tédio. ♥
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Não vou colocar nomes porque, né, sei que irei esquecer de alguém, mas saibam que todos foram especiais. Houve alguns que sumiram ao longo da história, e eu espero de coração que algum dia talvez voltem para lê-la até o fim. *.* Enfim, espero que não tenha decepcionado ninguém, que a leitura tenha valido à pena até aqui e que eu possa ver mais de vocês em outras das minhas fics!
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Beijos do Dimitri, Diego, Viktor e Afonso para vocês!
Com amor,
Mililika.
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