A Cor Da Chuva
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Dimitri: http://farm9.staticflickr.com/8073/8345194434_faacd3d44d.jpg
Diego: http://farm9.staticflickr.com/8504/8345194242_2649868cd7.jpg
Nós chegamos a um local da boate que eu não conhecia. Era afastado da grande confusão da música e pista de dança. Era escuro e repleto de sofás, almofadas pelo chão, caminhos tortuosos e... Sons de gemidos. Havia pessoas transando ali, para quem quisesse ver. Fiquei chocado com aquilo e rapidamente entendi que espécie de compensação interessava ao Bernardo.
– Não, para. Eu não ‘to me sentindo bem. – Falei, minha língua pesando mais que o normal. Bernardo riu.
– Considerando o que eu coloquei na tua bebida, bonitinho, eu me surpreenderia se você não estivesse se sentindo assim. – Sussurrou no meu ouvido. – Não se preocupa, você vai gostar. Essa droga também deixa a pessoa louca para uma boa trepada.
Ele falou isso e meu corpo esquentou. Me senti febril e, em contrapartida com a minha mente, excitado. O simples toque dele na minha cintura lançava descargas elétricas pelo meu corpo. Bernardo me colocou numa espécie de sofá circular rodeado por uma cortina semitransparente. Olhei para o lado e vi outros daquele sofá, ocupados por duas ou mais pessoas. As cenas pareciam difusas e os gemidos eram como gritos no meu ouvido.
Minha respiração começou a ficar difícil quando o Bernardo subiu minha camisa e começou a tocar meu tórax e abdômen com as mãos espalmadas.
– Você realmente é uma delícia. Aquele teu comercial de tênis já me dava vontade de bater uma, mas ao vivo não tem nem como comparar... – Ele falou antes de descer a boca para capturar um dos meus mamilos.
Eu gemi agoniado pelo efeito da droga, que deixava minha pele muito mais sensível a qualquer toque. Mas eu não queria aquilo, era humilhante e odiava me sentir indefeso daquela forma. Se não fosse pela droga, eu já teria dado um jeito no bastardo, mas eu mal conseguia me mover ou raciocinar direito.
– Para com isso... Me solta... – Tentei me mexer quando ele me tocou entre as pernas, mas um gemido escapou da minha boca. – Filho da puta... Para!
– Ah, Diego, não consegue ver que o teu corpo quer isso? Olha como você está duro... – Ele sussurrou, apertando mais meu membro. Ofeguei, arqueando minimamente o quadril e apertando os olhos.
A angústia tomava meu corpo e eu começava a ficar com medo. Bernardo arrancou minhas calças e minha cueca e desceu a boca diretamente para meu pênis, começando a me chupar. Eu comecei a gemer como os outros naquele lugar. Era degradante, eu estava ali contra a minha vontade, com um desconhecido qualquer que provavelmente iria me foder de qualquer maneira.
Eu nunca... Havia sido passivo. Um pânico tomou conta de mim, mas a droga parecia ter-se intensificado no meu sistema, porque nem falar mais eu conseguia direito.
Mas de algum modo, reunindo todas as minhas forças, consegui alcançar meu celular na calça jogada bem ao lado da minha cabeça e, enquanto ele se concentrava em me chupar, liguei pro meu irmão. O celular acabou caindo da minha mão e eu me xinguei por ser tão fraco e incapaz.
– Me solta, Bernardo! Eu vou te matar se você continuar com isso... – Minha ameaça soou ridícula aos meus próprios ouvidos.
Senti dois dedos pronunciarem-se entre meus glúteos e gemi de dor, apertando os olhos. De novo meu rosto se molhou de lágrimas. Era terrível demais para que eu conseguisse suportar com dignidade. Queria que algo acontecesse e impedisse aquilo, que alguém aparecesse e me salvasse.
– Pare com isso! Eu não vim na Elevação para isso! – Exclamei agoniado o mais alto que pude, porém minha voz não passou de um sussurro débil. – Meu Deus... Dimi, socorro...
O Bernardo riu do meu apelo e, assim que se deu por satisfeito em me ‘preparar’ por alguns minutos, enquanto também me chupava, abaixou as próprias calças e me cobriu com o corpo dele. Eu acabei gozando e acabei soluçando por isso, sentindo-me desprezível por ter um orgasmo com aquele cara. Ele riu de mim, e a sensação se impotência elevou-se à décima potência.
– Depois tu conta pro teu irmão como eu te fodi gostoso e como você adorou. Aquele bastardo egocêntrico merece esse soco no orgulho dele também... – Bernardo murmurou contra meu ouvido, mordendo meu lóbulo enquanto segurava as minhas coxas e as erguia. Senti a ponta do falo ereto dele forçando contra meu corpo, querendo vencer a resistência que eu inutilmente tentava impor.
– Por favor... Não!
Ele riu e ficou por vários minutos me torturando com ameaças de penetração. Se insinuava um pouco, depois retrocedia, enquanto eu o xingava baixo, ofegava ou gemia. Ele parecia estar se divertindo enormemente com aquilo. Mas então o momento chegou. Apertei os olhos e experimentei enfim a dor da penetração, a sensação degradante de ser estuprado, o nojo abissal que comecei a sentir de mim mesmo. Segurei um soluço e parei de tentar resistir, na tentativa de fazer doer menos. Tudo que eu queria naquele momento era sumir.
O pior de tudo era continuar excitado.
– LARGA O MEU IRMÃO, SEU FILHO DA PUTA!
Voltei a abrir os olhos ao ter meu corpo subitamente livre do peso do Bernardo. Escutei o som de osso quebrando após um impacto forte e pessoas se sobressaltando pela confusão. Eu não conseguia mover meu corpo, o que era desesperador. Girei a cabeça e consegui ver o Dimitri e o Bernardo brigando.
Aconteceu rápido, ou talvez fosse efeito da droga. Outras pessoas se meteram e acabaram por separá-los. Alguém gritou para o Dimi que ele acabaria matando o outro e, no fim, o segurança carregou o Bernardo para longe.
– Eu vou acabar com a tua vida, seu merda, desgraçado! – Meu irmão berrou, ainda segurado pelas costas por um cara um pouco maior que ele, e por outro que o segurava pela frente.
– Dimi... – Tentei chamar e, incrivelmente, ele escutou. Desvencilhou-se bruscamente dos dois caras que o seguravam e correu até mim. Imediatamente colocou o casaco dele sobre meu corpo e me puxou para um abraço.
Eu fiquei mole nos braços dele, tentando segurar o choro. Não queria chorar na frente de todo mundo.
– Aquele filho da puta... O que ele fez contigo? Ele te drogou? – Perguntou, abraçando-me forte. – Se eu tivesse demorado só mais um pouco...
– Dimi... Me tira daqui, por favor... – Foi tudo que eu consegui dizer. Ele assentiu, sem dizer mais nada. De algum modo ele conseguiu colocar minhas calças num tempo recorde e me carregou no colo para fora da boate, por uma saída lateral que levava a um estacionamento privado.
Me colocou deitado no banco de motorista e seguiu rapidamente para o apartamento dele. Só percebi onde estava quando já nos encontrávamos na sala dele.
– Eu quero um banho, pelo amor de Deus... – Murmurei.
– Tudo bem. – Ele disse e me levou até o banheiro. Como eu mal conseguia ficar em pé, Dimitri começou a tirar minha roupa, as poucas que restavam, enquanto me segurava pela cintura. Eu consegui me segurar a ele, minhas mãos em seus ombros. Meu corpo continuava febril, expectante de algo que eu não sabia muito bem definir.
Parecia arder, e somente os toques cuidadosos do Dimi aliviavam minha angústia. Ele ligou a água quente, entrando comigo junto no boxe mesmo com roupa e me colocou embaixo do chuveiro. Eu gemi fraco com a sensação da água escorrendo por meu corpo, nunca um banho me parecera tão erótico.
– Dimi... – Sussurrei apertando minhas mãos no ombro dele. – Está quente demais.
– Está no mínimo, Diego. – Ele disse, com uma expressão sofrível. – Não quero que você acabe gripado...
– Eu não... Não estou me sentindo bem. Parece que tem lava e não sangue me percorrendo por dentro. – Falei angustiado, sentindo que suava mesmo embaixo da água.
Minha respiração ficou verdadeiramente alterada quando o Dimi começou a passar uma esponja macia pelo meu corpo, limpando-o.
– Dimi... ahh, para. É melhor você parar, por favor. – Implorei ao perceber que meu pênis estava rígido enquanto ele esfregava minhas costas, com a outra mão ainda firme na minha cintura. Gemi baixo, com a sensação opressiva de precisar ser tocado e explodir em prazer, e apoiei minha testa no peito dele. Minha cabeça girava ensandecida. – Dimi...
Eu precisava... Precisava de algum alívio para meu tormento, e só de sentir as mãos do Dimitri em meu corpo eu esqueci qualquer laço de sangue. Tudo que existia era uma necessidade primitiva de senti-lo mais contra mim. A perturbadora percepção de desejar meu próprio irmão. Erguendo rosto, eu o puxei para mais embaixo do chuveiro e fiquei na ponta dos pés, tentando alcançar por instinto seus lábios.
– Não, Diego... – Ele afastou um pouco o rosto. – Não... Não podemos. Você está drogado e-
– Dimi, eu quero. – Sussurrei, subindo minha mão para seu pescoço e me segurando a ele. – Me beija... – Eu capturei seus lábios e finalmente senti o gosto deles. Era algo indefinível, com gosto de pecado, luxúria e chocolate. Não... não havia chocolate, mas eu poderia dizer que era tão bom quanto doce se derretendo na saliva. Dimitri hesitou ainda em um primeiro momento, mas então agarrou meus cabelos com força, a ponta de me machucar, e afundou a boca na minha, mal me deixando retribuir ao que sua língua fazia em minha boca.
Eu gemi extasiado, já ardendo de tesão apenas com aquilo, e teria escorregado e caído se ele não houvesse me segurado pelos glúteos, apertando a outra mão em um deles como se quisesse amassar a carne do local. Arfei sem ar, e foi quando ele desviou os lábios para meu pescoço.
– Eu vou fazer você se sentir melhor, Diego. – Ele sussurrou próximo ao meu ouvido, naquele mesmo tom... sensual. Não, era ainda mais rouco e grave. Estremeci puxando o ar com mais força, começando a tremer. – Vou fazer você esquecer o que aquele desgraçado fez contigo.
Um gemido assustado deixou meus lábios quando ele tocou minha ereção. O prazer me deixou tonto e comecei a murmurar o nome dele enquanto sentia sua mão percorrer sem pressa meu membro rígido.
–Dimi... – Ofeguei. – Isso é... Isso é...
– Eu sei. – Ele disse, ligeiramente angustiado, mas não parou. – Eu sei que sou um doente por desejar meu próprio irmão... Também sei que você sente repulsa disso.
– Dimi...! – Falei perplexo, erguendo o olhar para ele. Não consegui acreditar no que havia acabado de escutar. Meu irmão... me desejava. E achava que eu tinha nojo dele. – Eu não...
– Talvez eu seja tão desgraçado quanto o Bernardo. Porque eu não posso perder essa chance. – Murmurou, avançando dois passos e me prensando na parede do boxe, ainda percorrendo com a mão todo meu baixo ventre. – Não posso perder essa chance de ter você... Te tocar dessa maneira. Não depois... Depois desse beijo. Eu quero isso há tanto tempo que acho que já perdi de vez a razão.
Eu continuava a encará-lo sem acreditar. Seus olhos negros estavam úmidos, cheios de tormento. Os cabelos escuros grudavam ao redor do rosto, molhados tanto quanto os meus. Eu entreabri meus lábios e, no momento seguinte, beijávamos. Voltei a gemer fraco, perdendo a pouca força que tinha nas pernas. Dimi me amparou e me ergueu no chão, pegando-me no colo. Meu corpo ardeu com suas mãos grandes espalmadas em meus glúteos, enquanto me carregava para fora do banheiro e sua língua intrometia-se em minha boca sem nem me deixar respirar; eu ainda não conseguia retribuir à maneira feroz com que me beijava.
Ele me levou até o quarto escurecido dele e me deitou na cama. Senti que molhava completamente os lençóis e, mesmo na semi-escuridão, pude vê-lo livrando-se da roupa molhada, com seus olhos cravados no meu corpo estirado sobre o colchão. Meu pênis latejou e soltei um gemido agoniado, conseguindo me mover o suficiente para virar de lado e esconder minha ereção e meu rosto no travesseiro.
– Diego... – Ouvi-o sussurrar na minha orelha depois de subir na cama. Seu corpo nu e úmido estava de encontro ao meu, o peitoral largo contra as minhas costas, e sua mão percorria minha cintura e depois minha coxa, apertando a carne.
Quando percebi, eu estava chorando contra o travesseiro, respirando rápido enquanto sentia os lábios quentes dele em meu pescoço e ombros. Ele parecia estar chorando também, mas talvez fossem apenas os pingos que caíam dos cabelos dele.
– Não chora, Diego. – Ele pediu, num tom melancólico que apenas me deixou mais triste. – Amanhã você não vai lembrar de nada, eu prometo...
– Eu não quero sentir essas coisas por você, Dimitri. – Solucei, tentando me arrastar para longe dele, mas fui abraçado por trás. Eu o havia feito me beijar e agora fugia. Me sentia errado e confuso, e ainda um canalha. Mas eu não conseguia respirar e pensar com calma, não drogado daquela maneira. – Eu não quero... É errado...
– O que você sente? – Ele perguntou. Ele só me abraçava, e eu sentia seu olhar cravado em mim, esperando uma resposta. – Me diz, me diz o que te faz mal.
Eu não queria dizer que o que me fazia mal era justamente desejá-lo, amá-lo como não deveria, quem sabe, e perceber só depois de tanto tempo. Agarrei seu pulso e guiei a mão dele para que me tocasse, fugindo das palavras, substituindo-as por atitudes impensadas.
Entreabri os lábios num gemido mudo ao sentir a mão dele em meu membro teso. Dimitri pareceu surpreso por um momento, mas então seus lábios alcançaram meu pescoço molhado, lambendo a água na pele.
– Eu... Eu não posso... Dimi... Ah! – Revirei os olhos, não aguentando aquela sensação de fogo, o prazer imenso nunca antes experimentado que a mão e a boca dele me causavam.
Eu podia sentir o pênis duro dele roçando nas minhas nádegas, seus dentes raspando em meu ombro e pescoço, sua mão me masturbando querendo que meu prazer se liquefizesse. Era demais, como ser jogado numa fogueira gigantesca e ter a carne alimentando o fogo pouco a pouco.
– Eu não quero te amar desse jeito... – Completei, atordoado, antes de gritar pela maneira com que ele intensificou o aperto ao redor do meu pênis.
– Que jeito, Diego? – Ele insistiu e colou mais o corpo contra o meu, parecendo querer nos fundir. E eu queria me fundir a ele. Eu queria acabar com aquela agonia. Mas, deus, era meu irmão. Era o Dimitri, e não devíamos.
– Diz que me ama. – Pedi de repente, querendo de novo fugir da pergunta e já quase chegando ao orgasmo. Se ele me amava, seria tão errado? Minha mente gritou tanto um sim quanto um não ao mesmo tempo, fazendo-me piscar sem conseguir enxergar direito à minha frente, enquanto cenas de nós dois juntos voltavam à minha mente, milhares delas, desde que éramos pequenos até as mais recentes.
Até nossas brigas revolveram como águas agitadas em meus olhos, ainda que essas fossem mais raras. Pareci me tornar consciente de todas as vezes que ele havia me feito um carinho mais terno e próximo antes de se afastar de súbito, disfarçando o ato ao iniciar uma nova conversar.
Me contorci com um grito arrastado ao ejacular na mão dele.
– Eu te amo, Diego... Te amo muito mais do que deveria. – Dimitri sussurrou, arrancando-me um arrepio intenso. Ele me ama, repeti incansavelmente, ama, ama, ama, justificando e já quase caindo no sono pelo segundo orgasmo da noite. Mas ele virou meu corpo mole pelo orgasmo, girando também o próprio corpo e ficando sobre mim. Antes que minha libido se extinguisse com o cansaço, senti a minha boca ser tomada da mesma maneira cheia de ânsia, necessitada, de antes, e o desejo e fogo voltaram a tomar conta de mim, como uma febre intermitente que cede e volta frente ao mais suave dos ventos úmidos. Mas agora era uma furacão de calor que me atingia sem tréguas, e eu me senti mais pequeno do que nunca preso sob o corpo viril do meu irmão.
Dimi ergueu minhas pernas, expondo-me para ele. Uma delas foi parar no ombro dele e arqueei o quadril, afundando a cabeça no travesseiro e quebrando o beijo ao sentir dois dedos lambuzados de algo frio e escorregadio me penetrando. Gemi segurando os cabelos dele, voltando a ficar duro, mesmo que isso já chegasse a ser dolorido em um espaço de tempo tão curto, mas a droga ainda parecia ter força em meu sistema. Meu peito subiu e desceu numa frequência rápida, como se eu houvesse nadado por quilômetros em brumas negras, e meu corpo começou a suar pela antecipação do que viria.
– Dói? – Dimitri perguntou, sério, movendo os dedos dentro de mim e me arrancando gemidos sofridos. – Você... Com aquele tal de Viktor...
– É a minha primeira vez, desse jeito... – Murmurei com dificuldade, com as bochechas quentes. – Dimi... – Era tão estranho, aquela nova intimidade, mas um estranho tão quente e bom, a ponto de eu me obrigar a ficar atento a cada detalhe do que ele fazia e não me perder em sonhos distantes, banhados em fios de prata e perdido nos minutos do tempo.
Ele colocou um terceiro dedo e eu desejei que ele tivesse cabelos compridos para que eu pudesse agarrá-los, mas me contentei em afundar os dedos em seu braço musculoso. Eu estava tão entorpecido, olhando para o rosto dele, que mal conseguia me importar com o desconforto da invasão – a dor não era meu foco. Dimitri era. Eu o queria dentro de mim – não queria esperar nem mais um segundo – e meu corpo pareceu arder ainda mais com o pensamento insano e doentiamente erótico.
– Dimi. Eu quero... Quero você. Vem logo... – Falei baixo, tentando puxá-lo, de novo guiado por impulsos profundamente escondidos que nem mesmo eu conhecia e que chegavam a me assustar pela forma que me faziam falar e agir, completamente entregue e beirando um delírio apaixonado.
Dimitri tirou os dedos e então a cabeça de seu membro ereto se pronunciou contra mim, penetrando-me lentamente. Nossos olhares estavam conectados e vê-lo gemer enquanto me possuía aumentou minha perturbação e excitação. Girei os olhos, arqueando o quadril e passando as pernas por sua cintura, ajudando a entrar.
– Ah, Deus... Você é grosso... E não para nunca de entrar. – Ofeguei, agoniado pela dor, como se eu estivesse sendo rasgado. E ao mesmo tempo era bom e enlouquecedor, e por mim ele poderia me preencher inteiro. Mas é meu irmão.
É meu irmão.
Fechei os olhos, mandando embora aquelas vozes sussurradas que pareciam se desprender das cortinas ondulando pelo vento que invadia o quarto através da janela aberta, e enchiam cada milímetro do ar, rodopiando pelo teto, dançando frente aos meus olhos em murmúrios sádicos, mesmo que eu apertasse minhas pálpebras até o limite. Ouvi Dimitri sussurrar também, mas suas palavras soaram distantes demais para que eu tentasse entendê-las, misturando-se ao vento. Eu não queria ouvir mais nada. Aquele misto de culpa e prazer tomava meu corpo, e por um instante me sentia como as crianças quando fazem algo que não deveriam e sabem disso. Mas que é bom demais para evitar.
Porém não havia nada de infantil no que fazíamos ali.
Dimitri deu a primeira estocada. Meus olhos abriram abruptamente junto com o gemido alto que deixou minha garganta, e eu pensei em como me remoeria de culpa pela manhã. Em como o que fazíamos mudaria nossas vidas. Em como tudo iria mudar. Em como a Lydia ficaria decepcionada... Culpa, culpa, culpa.
Culpado.
– Prometa que eu vou esquecer isso quando eu acordar. –Pedi num sussurro, nossos corpos novamente parados e as respirações em suspenso enquanto ele esperava que eu me acostumasse a todo aquele volume túrgido dentro de mim. As lágrimas começaram de novo pelas minhas bochechas e não importava se as minhas palavras o machucavam. – Prometa, Dimi...
– Eu prometo. – Disse e então se moveu, numa segunda estocada. Eu exclamei baixo, surpreso com o prazer súbito e forte que me tomou ainda maior do que antes. E ele continuou, chocando nossos quadris até que eu gritasse verdadeiramente alto a cada estocada. Ouvia os gemidos dele contra meu ouvido, para então ter sua boca contra a minha, consumindo-me naquele beijo voraz. Nós nos afastávamos apenas para poder olhar um no olho do outro, mas eu desviava o olhar e ele me beijava e lambia no pescoço, recolhendo o suor que se desprendia da minha pele.
Quando eu estava quase gozando novamente, invertemos as posições e eu fiquei sentado sobre seu falo, sentindo-o plenamente dentro de mim e, com ajuda das mãos fortes em minha cintura, subi e desci sobre ele, abraçando-o pelo pescoço; nossas testas apoiadas como muitas vezes já estiveram, mas agora nossos gemidos e respirações ofegantes se misturavam no espaço entre nossas bocas. Minha cabeça girava, em um carrossel acelerado num parque abandonado, para depois cair em uma corrida de cavalos até eu voltar à realidade e perceber que, quem eu cavalgava, era o meu irmão. Meu pênis roçava ereto na barriga dele e eu praticamente chorava pelas estocadas violentas contra minha próstata, e arranhava suas costas e mordia os lábios dele, e depois passava as unhas pela raiz de seus cabelos negros.
Dimitri manejava meu corpo com uma facilidade e velocidade impressionantes e, se antes eu havia entendido por que meu irmão era gay, agora eu entendia por que tantos caras se jogavam aos pés dele e o perseguiam feito loucos para ter uma noite na cama dele. Meu corpo provavelmente não aguentaria tanto se eu pudesse provar de todo aquele oceano de sensações, onde eu podia experimentar e beber de cada gota que o constituía.
– Dimi... – Gemi enquanto ele lambia e mordiscava meu mamilo, suas mãos encaixadas na minha cintura, num ângulo que deixava seus dedos afundados nos meus glúteos, massageando-os. Ele parecia estar lambendo todo meu tórax, alternando de um mamilo para o outro para deixá-los sensíveis ao extremo; subia e descia pelo meu pescoço, ombros e voltava a morder meu mamilo até que eu gemesse perto de seu ouvido. Me sentia como se dissolvesse pelo fogo que crescia e se espalhava de baixo para cima, e queimava em meu membro e interior, lançando espasmos por meus músculos, nocivos à minha sanidade.
Gritei mais alto que todas as outras vezes quando gozei, soltando um jato no abdômen definido do Dimitri. Antes que minha cabeça pendesse contra o ombro dele, Dimi segurou meus cabelos com força e me puxou para outro beijo, procurando minha língua com sofreguidão enquanto impulsionava o quadril contra meu corpo. Ele gritou meu nome quando gozou, preenchendo-me com seu sêmen. Só então percebi que não havíamos usado camisinha, mas nem sequer me importei. Eu havia transado com meu irmão, o que importava uma estúpida camisinha, Diabos!?
Ele deixou o corpo caído sobre os travesseiros e me abraçou, puxando-me um pouco para que ele saísse de dentro de mim, mas me mantendo deitado contra seu peitoral com minhas pernas abertas, cada joelho ao lado de sua cintura. O cheiro de sexo enchia minhas narinas, nauseante e luxurioso, e eu ouvia o som das nossas respirações e as batidas descompassadas no peito dele. Nossas peles suadas compartilhavam do mesmo calor sufocante, misturando entre nós a essência do que havíamos feito.
E eu estava chorando de novo.
– Diego...
– Desculpa. – Murmurei. – Eu só estou... Confuso demais. Eu não sei o que pensar, tudo que está acontecendo me assusta.
– Não pense. – Dimi me abraçou, sua voz angustiada como a minha. – Só descansa...
Suspirei, com os olhos pesados.
– Foi como tu queria? – Perguntei, num sussurro tão baixo que mal eu me escutei. Me sentia extremamente fraco, e pouco a pouco puxado para um mundo de sombras conforme minhas pálpebras tremulavam, pesadas. – Era assim que imaginava?
– Eu já imaginei de tantas maneiras, Diego... Mas nenhuma supera o que eu senti agora. Eu queria poder te ter assim todos os dias. Queria que você mudasse para cá e nós pudéssemos ficar juntos. – Ele falou, triste.
Eu ri fracamente.
– A mãe surtaria... As pessoas ficariam chocadas. Não tem como isso dar certo. Se as pessoas já têm preconceito com dois homens, imagine... – Mordi o lábio sem conseguir completar a frase, querendo que as lágrimas parassem de rolar, intrusas, por minhas bochechas.
Eu estava feliz, e triste. Não fazia nenhum maldito sentido.
Minhas palavras pareceram machucá-lo, mas eu não conseguia deixar de me afundar numa lagoa negra de culpa pelo que havia acabado de acontecer. Eu o amava, amava tanto, mas ainda assim... Eu me perguntava se queria mesmo esquecer essa noite, porque seria mais fácil fugir, fingir que era tudo mentira. Ou se queria guardar esse momento a sete chaves dentro de mim, como quem guarda algo pessoal e precioso, um segredo errado. Tentadoramente errado.
E então notei que o vento forte e sussurrado de antes era um prelúdio de chuva, a qual agora enchia o ar com novos burburinhos, deixando cair os lençóis pesados de água que estavam molhando as cortinas da janela aberta.
E tudo que recém havia acontecido me pareceu, na verdade, como a cor da chuva. Transparente, para todos que quisessem e tivessem a coragem de enxergar através dela. Mas para aqueles no meio da tempestade, as cores se embaralhavam, a chuva cegava e transformava o mundo e todos os seus pecados em uma massa disforme e confusa. E talvez fosse melhor assim, talvez fosse melhor ver a cor da chuva, em vez de enxergar através dela, pois isso impediria que se enxergasse o estrago da tempestade, os danos que ela trazia, os cortes fundos que fazia na terra.
– Eu te amo... – Murmurei embargado para Dimitri, ou talvez tenha apenas me imaginado falando essas três palavras tão íntimas de nós dois, antes de acabar adormecendo com o som que tanto me acalentava, quanto mortificava.
Notas finais
Juro que tentei colocar toda a culpa e confusão do Diego nas cenas, espero que tenha ficado bom! E obrigada a todos que vem comentando! ;*
Beijos, amores!
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