Notas iniciais
Boa leitura!

O ataque ao acampamento da feiticeira Branca havia sido bem sucedido. Eles havia recuperado o filho de Adão, que fora acusado de traição.

Mas não podem existir traidores no Reino de Aslan, certo?

Errado!

Mais uma vez Aslan se mostraria misericordioso e benigno, mesmo para aqueles que, aos olhos dos outros, não mereciam tal tratamento.

O Sol se punha no horizonte, e Edmundo considerava em sua mente o quão mais claro e resplandecente ele parecia.

Aslan pedira para que os deixassem à sós para que pudessem conversar, e as pernas do garoto tremiam na presença Dele.

- Edmundo?

- Sim, Aslan – ele abaixou sua cabeça

- Tem algo para me dizer, filho?

- Me perdoe, eu... Eu errei e acreditei nas palavras da feiticeira. Fui um tolo.

O silêncio se instaurou no meio dos dois, e Edmundo virou o seu olhar para o horizonte, constrangido com tamanha ternura e amor com a qual Aslan lhe olhava.

- Por que você me salvou? – perguntou Edmundo, voltando o seu olhar para o Leão

- Edmundo, preciso que entenda uma coisa... Olhe para o céu – e ele assim o fez – você consegue tocá-lo?

- Não... É muito alto. Ninguém nunca vai conseguir medir essa altura.

- Assim é o meu amor, filho – Edmundo abaixou a cabeça novamente

- O que acontece daqui pra frente? – ele sussurrou tímido

- Agora? Filho, vamos dar uma volta... – Ele indicou o caminho e o garoto O seguia.

No meio do caminho e do cicio suave do balançar das folhagens das árvores, Aslan arrancou uma pequena flor amarela que nascia entre a relva úmida.

- Vê essa flor? – perguntou calmamente, olhando diretamente nos olhos do menino

- Sim... O que tem ela?

- O que aconteceria se eu tirasse as pétalas dela? – Ele indagou, retirando uma das pétalas, que voou e repousou sobre a relva

- Então ela ficaria sem pétalas – ele respondeu, sem entender do que se tratava

- E se eu te dissesse que cada pétala arrancada fosse um erro que a flor cometeu?

- Então eu sou a flor? – Aslan assentiu com a cabeça – Devo estar sem nenhuma pétala... Foram tantos erros.

- Preste a atenção – Ele alertou.

Com um sopro na pequena flor que, até então, estava morta e sem pétalas alguma, algo começara a mudar...

As cores de vivas, que ela antes possuíra, voltavam a desenhar os traços tão únicos daquela pequena planta, e logo, pétalas começaram a surgir, como se nunca houvessem sido arrancadas.

Edmundo se espantou com aquilo, e seus olhos atentos não desgrudavam da flor.

O Leão virou-se e, com aquele mesmo sopro de vida que ele depositara sobre a margarida amarela, assoprou sobre o garoto.

Que sensação esquisita era aquela... Mas ao mesmo tempo, tão gostosa.

Quando ele entrara naquela conversa ele esperava de tudo: broncas, gritos, raiva, acusações. Porém o que recebeu foi aquilo que ele nunca esperou: Amor, perdão, compreensão e afeto.

- Como você consegue amar tanto assim?

- Olhe... Você não acha bonita? – Ele apontou para a margarida que fora restaurada e ele a posicionou de volta na grama e ela voltara a se fixar na raiz da qual fora tirada.

- É... Ela é linda

- E é desta forma que eu te enxergo agora, Edmundo. O que passou... Passou! Já não convém mais.

Novamente, Edmundo abaixara a cabeça, envergonhado e constrangido com aquele amor.

O amor que o limpou e deu esperanças para um novo começo.

Sem a menor sombra de dúvida, Edmundo nunca mais se esqueceria daquela conversa, daquele momento entre ele e Aslan, sobre a relva e sob o Sol que os aquecia.

Notas finais
Essa foi minha primeira fic das Crônicas de Nárnia.
Obrigada por ler :)
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!