A Constante da Bad

18 Capítulo 18 - Presas de obsidiana, o boneco e a Gargalhada.


Notas iniciais
Esse capítulo é um pouco mais forte que o outro, então, cuidado.

A noite que eu passei com Vinny hoje foi a melhor noite de toda a minha vida. Nós simplesmente dormimos não dormir no sentido de fazer sexo, mas sim de estar juntos, de dormirmos agarrados.

E, por mais que eu esteja tão confiante, deposite tanta confiança e esperança nesse amor pelo Vinny, eu também tenho meus demônios, meus medos, eu fico imaginando se ele me trocaria, se terminaria comigo porque não gosta da forma que eu tiro meleca do nariz. Fico imaginando se ele realmente gosta de mim ou se faz isso apenas por dó, porque a nossa cabeça acaba criando essas coisas. Eu tenho muito medo de perder o Vinny, por isso, sempre tento ser o melhor que eu posso o melhor que consigo ser.

Nós passamos a noite toda agarrados, hora eu estava aconchegado e hora estava aconchegando, e independente de qual fosse minha posição, eu me sentia feliz em ter o Vinny em meus braços, sempre me passando seu calor, sua energia, seu amor. Ele me faz bem, me deixa feliz e pra cima.

Porque, eu tenho alguns probleminhas em casa: meu pai é recluso e totalmente estressado, minha mãe é extrovertida e totalmente estressada, minha irmã mais velha é um cu e estressada e minha irmã do meio é legal, e às vezes fica estressada... O único problema é que isso é um efeito dominó, se inicia no meu pai, que cai pra minha mãe, cai pra minha irmã, que cai para a minha outra irmã que cai pra mim. Eu sou a fonte final do descontamento de stress, e eu não tenho pra onde mandar esse stress, e acabo ficando mais estressado por não ter alguém em que mandar meu stress. Acabo usando a punheta pra isso, a punheta tira todo o meu stress.

Em certo momento em que estava deitado com o Vinny eu acordei, movi-me até ficar de barriga para cima, virei parcialmente à cabeça para ver a hora: 03:00AM. Fiquei assustado por acordar tão pontualmente às três da manhã, e então resolvi ir beber uma água no andar de baixo.

Para o meu desespero, não consegui me mover.

Eu mexia meus braços, mas eles não respondiam, tentava dobrar as pernas, mas fora um sacrifício em vão. Só os dedos das mãos, mas nem eles se davam ao trabalho de se mover. Só conseguia mexer meus olhos. E acreditem, os olhos era a coisa que eu menos queria conseguir mexer, queria que conseguisse mexer o corpo todo, mas fosse cego, assim sendo, não teria isso gravado em mim até hoje...

E a pior coisa disso, não é ver coisas bizarras, ou até mesmo não conseguir se mexer, a pior coisa de todas é não conseguir sequer dar um grito. Por mais que isso seja totalmente infantil, por assim dizer, ou até mesmo primitivo, o grito ajuda a tirar certa parte da carga, e se eu gritasse, o Vinny poderia acordar e me trazer de volta do inferno.

Eu olhei para as minhas pernas e lá tinha um ser completamente bizarro: ele era totalmente escuro e peludo, possuía oito pernas que saiam de suas costas, mas não pernas humanas, pernas como de uma aranha, seu rosto era humano, mas de dentro de sua boca totalmente rasgada de orelha a orelha saía um par de presas que aparentavam ser feitas de obsidiana de tão escura e do brilho único que possuía. E então, quando voltei meus olhos a posição inicial, pude ver uma coisa que durante muito tempo depois disso, voltava a me assombrar em sonhos, um ser feito do que parecia ser tecido, um tecido bege, como um saco de batatas, por exemplo, na cavidade de olhos, ele possuía uma costura em X, sua boca era larga. Ele literalmente parecia um boneco.

Quando eu menos esperava, ele se moveu com muita rapidez para a cabeceira da cama, inclinou levemente a cabeça para a direita, sorriu e começou a vomitar um liquido bem espesso e negro em meu rosto, eu conseguia sentir cada parte do líquido que caia em mim. Ele era grosso, com uns pedacinhos de algo estranho... Mas era de algo que antes já estivera vivo.

Olhei novamente para perto dos meus pés e a coisa com as presas já tinha subido bastante, ela já estava na minha cintura, e eu pude ver uma afeição de felicidade no rosto da criatura, ela estava contente em estar ali. E como se do meu lado, do lado do Vinny, pude ouvir uma gargalhada que durou cerca de vinte segundos, uma gargalhada tão profunda, tão cômica e sarcástica que por mais que eu quisesse morrer, eu sentia vontade de rir por causa dessa maldita gargalhada.

O ser com presas de obsidiana e olhos de ônix estava bem próximo do meu rosto, porém, com suas presas em meu pescoço. Ele apertava-o. Iniciou com pouca força, e foi aumentando cada vez mais, e cada vez que aumentava, o boneco vomitava mais em meu rosto e a gargalhada ficava cada vez mais e mais intensa, ele ficava cada vez mais feliz. E então comecei a sentir a obsidiana cortando meu pescoço, as duas pontas das presas penetrando meu pescoço com tanta facilidade como uma tesoura afiada corta um papel vegetal. A coisa não sentia pena ou até mesmo compaixão ela simplesmente fazia, sem remorso.

E quando finalmente as presas da coisa estavam totalmente penetradas no meu pescoço e meu rosto completamente sujo com aquela coisa preta que o ser vomitou em mim, minhas pálpebras se fecham e sinto como se tivesse um orgasmo por ter terminado. Nos milésimos em que fechei os olhos e os abri, pude ouvir em minha orelha com todas as palavras: “Logo mais nós brincaremos de novo, Ganesha”.

Logicamente, quando meus olhos estavam abertos novamente e percebi que possuía o controle total do meu corpo, eu comecei a gritar, me debater e chorar. Eu só queria gritar e chorar. De relance, olhei para o relógio e vi a hora: 03:04AM. Só se passaram quatro minutos? Para mim foram horas, horas de tortura e angústia, mas quatro minutos apenas se passaram... Mas será que isso foi real? Essas criaturas estiveram realmente presentes? E se estiveram, qual é a lógica delas existirem? Elas não podem existir, não existem, são apenas frutos da minha imaginação.

Ou é isso que eu gosto de imaginar.

Notas finais
Peço o favor que entre em contato comigo para que eu saiba se devo continuar a história ou não . Facebook: Vinícius André Junqueira Email: viihzin@hotmail.com, eu ficaria muito grato. De verdade.