A Conselheira
2 Afrodite
Notas iniciais
P.O.V Do Beck
Recebi a resposta da Afrodite no dia seguinte, ela retornou ao meu e-mail e logo combinamos de marcar nossa primeira sessão de terapia, ela queria me analisar e conversar comigo pessoalmente. O que me deixou animado, ansioso e cheio de expectativas. Eu estava curioso sobre ela... Que tipo de mulher ganha a vida ajudando homens a desencalhar?
A conselheira amorosa marcou de encontrar comigo numa cafeteria, era um estabelecimento bem retrô, discreto e pouco conhecido, na verdade, eu nem sabia que o local existia.
Hora e data marcadas, a tal Afrodite me passou sua descrição básica, cor de cabelo e olhos, a roupa que usaria e claro, o local exato onde queria sentar comigo na cafeteria escolhida por ela.
Os dias passaram voando, o encontro, quer dizer, o encontro que não era exatamente um encontro... Enfim, chegou o dia combinado.
Me aprontei, coloquei uma roupa bacana e casual, dei uma caprichadinha, fiz a barba e deixei meu cabelo solto com as mechas onduladas nas pontas.
Saí do meu apê e rumei para o Club Retro, o nome da cafeteria parecia nome de cinema.
Cheguei no estabelecimento pontualmente, achei irada toda decoração estilosa e criativa.
Varri o local com os olhos, avistei a mesa indicada lá nos fundos, custava ela ter me mandado uma foto?
Vi algumas morenas de olhos claros.
Mas apenas uma chamava atenção, dava para ver o seu batom vermelho chamativo de longe.
Só podia ser a Afrodite.
Reuni coragem e fui até ela.
– B-boa t-tarde, você é a A-Afrodite? — Acabei gaguejando.
Droga. Droga. Droga.
– Em carne e osso! — Levantou para me cumprimentar.
Reparei nas unhas grandes com esmalte preto.
Era alta, curvilínea, estava bem vestida, tinha olhos lindos, um tom de azul quase raro e claro, a mulher tinha um belo par de peitos.
Usava um vestido bonito com um decote nada discreto.
— Albert Oliver, não é mesmo? — Voltou a sentar.
Nunca me senti tão deslocado.
— Sim... Sou o...
— O encalhado. — Sorriu, sarcástica.
— É, isso mesmo... — Confirmei sentindo meu rosto arder de vergonha.
Ela me analisou friamente, tinha o olhar intimidador, avaliativo.
— Me fale de você, Oliver. Já quer fazer seu pedido? — Ela já estava tomando café com muffins.
— É assim que funciona sua terapia de ajuda aos seus clientes? — Estranhei.
Aquilo parecia um encontro de verdade.
— Não marcamos um encontro? Já estou te avaliando desde o momento que atravessou a porta! — Foi direta ao ponto.
— Oh, entendi... Vai anotar meus pontos negativos e positivos, compreendo. É um teste. — Presumi.
— À propósito, me chamo Jade West. — Se apresentou.
– Afrodite é mais legal... — Deixei escapar.
— Todos falam isso. — Revirou os olhos. — Vamos lá, só aja naturalmente. — Pediu.
E foi exatamente o que eu fiz.
[...]
— E daí ela terminou comigo me deixando arrasado, também levou o meu cachorro, eu passei dias chorando ouvindo Ed Sheeran. — Contei sobre uma moça que passou um mês me iludindo.
Do nada, a conselheira levantou e pediu a conta.
— Já está indo embora? — Fiquei confuso.
O que eu tinha feito de errado?
— É o que todas fazem, não é mesmo? — Indagou me encarando.
— Sim... — Nenhum encontro dava certo.
— O teste avaliativo acabou por hora. — Voltou a sentar.
— Me saí tão mal assim? — Perguntei acanhado.
— Vou ser logo franca com você... — Seus olhos azuis-cinzentos pareciam duas bolinhas de gude. — Além de chato, autopiedoso, tagarela e sem um pingo de senso para flertar, você só falou de si mesmo sem parar e foram apenas lamentações horrorosas, até pensei que você fosse chorar... Fala sério, mulher nenhuma gosta de sair com homens como você. — Nossa, ela detonou comigo.
— Homens como eu? Assim você me ofende, senhora. — Não gostei do seu tom.
— Não me chame de senhora e nem de senhorita, eu tenho nome. — Rebateu.
Além de atrevida, ainda era grossa.
— Você vai ou não me ajudar? — Indaguei já ficando impaciente.
— Tem como me adiantar 50 dólares aí? — Mas o quê?
— Só tenho 20 pratas. — Menti.
— Além de pé-no-saco, ainda é mão-de-vaca, depois lamenta por estar encalhado. — Me alfinetou.
— Então, me diga os meus pontos positivos nisso tudo. Eu não devo ser tão ruim assim... — Ainda estava inconformado.
— Ainda não terminei de citar os pontos negativos, meu querido. — Ainda tinha mais?
— Manda ver, estou ouvindo. — Fiquei atento.
— Você tem cheiro de Naftalina com ervas de banho e cravinhos da Índia. Nem o meu avô cheira assim. Como quer exalar cheiro de Macho Alfa? Mulheres gostam de homens que são cheirosos. Já ouviu falar em colônias masculinas? — Ela estava me chamando de fedorento?
— Nunca falaram mal do meu...
— Ainda não terminei. Você também é brega. Existe homens cafonas e homens estilosos. Você parece um tiozão usando calça cargo que gosta de camisas Polo, e o que é esse suéter horroroso, meu filho? — Apontou para a minha roupa.
— Estava na promoção. — Justifiquei.
— Pelo menos você tem um cabelo bem cuidado... — Era um ponto positivo.
— Obrigado, uso produtos da linha Avalon para homens, faço hidratação com abacate duas vezes na semana e...
— Querido, ninguém quer saber o seu cronograma capilar. — Me cortou. — Você realmente precisa renovar o guarda-roupa, comprar uma boa colúnia bem cheirosa e claro, vai ter que aprender como conquistar uma mulher. — Eu deveria ter levado uma agenda para anotar tudo?
— Ei, mas eu sou bom de paquera. — Se eu fosse péssimo, nem teria arranjado namoradas.
Foram apenas três, mas já é algo, certo?
— Jura? Então, me faça uma cantada. — Pediu.
— Você vem sempre aqui? — Perguntei.
— É minha cafeteria favorita. — Respondeu.
— E esses olhos bonitos? Herdou de quêm? — Encarei ela.
— Da minha mãe. — Parecia entediada.
– Você não parece ter namorado. Se tivesse, não estaria aqui comigo. Que tal irmos para um lugar mais privado? — Lancei a cantada usando meu tom sensual.
— Nem se me pagasse, credo. Além de ser vago na paquera, você vem com tudo quando deveria levar para o lado divertido do flerte? Está pensando o quê? Muita calma nessa hora, você não pode elogiar e propôr algo a mais para uma mulher que acabou de conhecer. — Cortou o meu barato.
— Calma, moça, eu apenas pensei que...
— Pois pensou errado, você tem muito o que aprender! — Deixou bem claro.
Me encolhi, ela parecia brava.
— Agora me fale sobre meus pontos positivos. — Pedi.
— Você não é horroroso, tem cabelo bacana e até que é bonitinho... — Disse forçando um sorriso.
Bonitinho não é um cara feio arrumado?
— Valeu... Acabou a sessão? — Eu estava a fim de ir embora.
– Ainda temos 10 minutos. — Checou as horas.
Jade West era uma conselheira bastante focada.
Ela parecia mesmo ser boa no que fazia...
Só que era arrogante, insensível e não tinha papas na língua.
Foram os 10 minutos mais longos.
Fazia mesmo parte da terapia ela detonar com os clientes?
Paguei a conta e ela ainda me arrancou 50 dólares por uma sessão que durou apenas 30 minutos.
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