A Confissão de Tia Petúnia.

1 Capítulo 1 - O Segredo de Petúnia


Notas iniciais
Eu queria saber como este acontecimento afetaria os eventos futuros na vida de Harry. Deem suas opiniões.

Harry Potter, prestes a entrar no segundo ano na Escola da Magia e Bruxaria, acordou naquela manhã sem esperar nenhuma surpresa. Afinal, nem do seu aniversário os Dursley se lembravam.

Porém, após se espreguiçar e abrir a porta do armário embaixo da escada, ele sentiu um cheirinho delicioso de ovos. Para seu deleite e surpresa, descobriu que o gorducho Duda não estava com a bunda esparramada na cadeira. O tio Válter também não estava lendo jornal na cozinha. Invés disso tia Petúnia é quem estava fritando ovos, seu avental sujo e um pedaço de panqueca no cabelo indicavam que algo saiu errado esta manhã.

O que diabos faria tia Petúnia estar tão estranha? E por que o resto da desprezível família Dursley não estava ali para zombar dele? Harry começou a imaginar um monte de histórias, mas absteve-se da imaginação porque todos sabem que a fome é a maior inimiga do bom humor. Sentou na cadeira e observou restos de bacon num prato imundo, pensando furioso que até um cão rejeitaria aquilo. Sua raiva o fez criar a audácia para fazer uma pergunta à tia:

– Onde estão os outros? – a tia murmurou algo inestendível e sacudiu a mão febrilmente, depois agitou a cabeça. Por fim ela respondeu, num misterioso tom amigável:

– Eles foram ao mercado. TIRE AS MÃOS DESTE PRATO! – Harry cuspiu o bacon, assustado. Será que os Dursley decidiram mata-lo fome? Será que nem resto de comida ele tinha direito agora? Dessa vez eles se superaram na maldade.

Tia Petúnia serviu ovos e salsichas para si mesma, tirou o avental e a luva e se sentou. Ela ainda não tinha olhado nos olhos de Harry. O que estava acontecendo? A tia estava evitando ele? Como assim?

Porém, para o total assombro e desconfiança do pequeno Harry, tia Petúnia passou o prato para ele. Passou o prato! Isso era perturbador, assustador, inimaginável. Pior ainda foi o que ela disse:

– Coma logo, menino.

Harry Potter nunca pensou ouvir aquilo da tia. Ele desejou usar seu feitiço Limpa-ouvido para ter certeza de que não estava louco. O que, em nome do espanto, ela tramava? Devia ser uma grande brincadeira... Não, não senhor, os Dursley não perderiam tempo com ele por nada, e, além disso, eles não tinham senso de humor.

Harry decidiu jogar o jogo. Garfou a salsicha e a comeu. Estava saborosíssima. Mesmo assim, ele não conseguia aproveita-la plenamente. E de repente um pensamento hediondo ocorreu a Harry: os tios queriam envenena-lo! Claro!

– Eu acho que vou ao banheiro – disse Harry, pensando em vomitar o mais rápido possível.

– Não seja trouxa! – ralhou tia Petúnia, mas pigarreou, corando como pimentão, surpresa e abismada com a ironia da palavra “trouxa”. Muito desconcertada, ela acrescentou rapidamente: – Quero dizer, ora, você deve comer antes que esfrie! Ovos frios são horríveis.

Harry sentou-se outra vez. Ele mesmo estava espantado por recusar comida dos Dursley. Isso jamais passou pela cabecinha despenteada dele.

– A senhora fez isso para mim? – perguntou ele, vacilante.

– Obviamente – respondeu a tia pigarreando, olhando a cada cinco segundos para a janela – não para ouvir fofoca, mas como se não quisesse que ninguém visse aquela cena. – preciso confessar uma coisa – recomeçou a tia, parecendo demasiada preocupada. – você tem de prometer não contar a ninguém. Nem Válter nem meu Duda podem saber. Prometa.

A mente de Harry estava girando. Tia Petúnia querendo lhe contar um segredo! Cruz credo! Nem por mil anos Harry poderia prever essa. Contudo, ele prometeu e, por incrível que pareça, estava muito curioso para saber o que a tia queria lhe contar que não podia comentar para a própria família. A pausa da tia lhe embrulhou o estômago. Finalmente ela falou:

– Quero te pedir perdão, Harry.

Harry engasgou e quase caiu da cadeira. Ele não sabia por que, mas aquilo foi pior do que ouvir a mais terrível das ofensas. Era uma daquelas coisas que nem mágica podia superar. Porém, os sentimentos de Harry se confundiram ainda mais quando lágrimas desceram pelos olhos no rosto ossudo da tia. Lágrimas! Sério! De fato, Harry ainda não tinha visto o costumeiro olhar malicioso da tia hoje. Será que ela estava com alzheimer? Ou enlouqueceu de vez? A confissão dela foi devastadora:

– Estou doente, Harry. Muito doente. Recebi o resultado do exame – não uma carta mágica alegre, como as que você recebe – mas uma maldita carta me sentenciando doze meses de vida no máximo.

Harry gelou. Algo em seu estômago desceu direto aos trambolhões. Minutos atrás ele nem podia imaginar tal coisa. Apesar de tudo, ele se sentiu triste pela tia. Ela era irmã de sua mãe, no final das contas. Até parecia uma maldição.

– Não posso voltar atrás – prosseguiu Petúnia limpando as lágrimas. – para me desculpar com seus pais. Se você tivesse sido criado com eles, teria sido mais alto e mais gordo. Sem ofensa. Lílian apareceu pra mim noite passada e eu não consegui pregar os olhos. Não pode ser coincidência. Algo está nos ligando.

Não era sonho. Era real. Harry não ousou perguntar qual era a doença, mas ficou imaginando se ela se contaminara com a gripe da bondade. Ainda zonzo, ele disse finalmente:

– Eu sinto muito pela senhora. Hum, mas não há nada que possa fazer para curar sua doença? Nem um tipo de tratamento?

– Nem mágica pode curar arrependimento – respondeu Petúnia amargurada. – mas eu não o chamei apenas para me desculpar. Meu orgulho já foi quebrado. Há outro problema, Harry. Eu... Eu... – e começou a chorar. Dessa vez Harry fez a gentileza de ajuda-la. – A verdade é que... É que... A verdade é que estou grávida.

Harry se boquiabriu. Era muito triste. Minutos trás ele ficaria desesperado ao saber que Petúnia esperava outra espécie de Duda no ventre.

– Vou chama-la de Haley. Farei de tudo para resistir e trazer minha filha ao mundo antes de eu morrer. Meu último desejo é que... É que... Ela conheça o seu mundo. Mesmo sendo uma trouxa impedida de ir à sua escola. Eu imploro, conte tudo a ela, Harry, ela precisa de um propósito. Talvez haja alguma chance de eu concertar as coisas. Ela precisará de um marido bruxo.

Harry pareceu congelar como se tivesse sido enfeitiçado com o Feitiço das Pernas Presas. Se casar com a filha da tia Petúnia! É isso mesmo! Mas ele não podia prometer tal coisa. Ela ainda nem existia e talvez nem tivesse chance de nascer. Harry estava com medo de recusar, porque os olhos vermelhos da tia quase lhe obrigavam. Além disso, não seria bom para a menina viver com aqueles dois gorduchos sem a mãe. Nem que fosse para rouba-la ele teria de protegê-la. Sabendo que era pura loucura, ele respondeu obstinado:

– Eu prometo cuidar dela, tia. Haley, né?

Petúnia o abraçou e caiu no choro. Era a melhor conversa que ele já teve com a tia. Era como se de repente sua mãe estivesse muito próxima. E agora ele sentia ainda mais responsabilidade; o menino que sobreviveu teria a missão de ajudar sua prima a sobreviver no mundo bruxo a todo custo, pela conexão do amor, a maior mágica de todos os tempos.

Notas finais
O resto foi deixado para vocês imaginarem. A ideia de "se" e "como seria" sempre me fascinou.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!