A Colheita de Almas
1 Introdução I - Anjos
Notas iniciais
Todos nós temos um anjo.
Um ser que cuida de nós. Ele nos protege e nos ajuda; está sempre lá quando precisamos. Muitas vezes não o vemos, e quase nunca sabemos a forma que ele tem. Mas eles sempre estão lá, nos guiando a cada passo, mostrando qual será o nosso caminho. Se nós erramos, nosso anjo nos perdoa; eles não estão aqui para nos julgar. Seu único dever é guiar-nos. É sua missão.
Já neguei que anjos existam, disse a mim mesma que eles não eram reais; ainda assim, meu anjo apareceu para mim. De uma maneira muito estranha, e em lugar mais estranho ainda. Ele não estava lá para lutar em meu lugar; ele estava lá para me desafiar, para impedir que eu desistisse e que eu fracasse.
Meu anjo não é bonzinho como eu imaginei que seria. Meu anjo é insaciável, incessante, envolto de pecados. Meu anjo não me permite fracassar; só um passo em falso, e meu fim já é certo. Ao lado dele, eu sei o quanto é valioso viver. Meu anjo só corrói, machuca, desgasta. Ele só se satisfaz com o sabor da própria vida.
Na escuridão sem fim da noite, meu anjo me disse seu nome.
Meu anjo da guarda não era Gabriel, Rafael, Miguel ou Uziel. Não era um querubim, um serafim ou um arcanjo. Meu anjo da guarda era conhecido e temido por todos. Só de ouvirem seu nome, as pessoas tremiam e fugiam com medo. Mas eu não. Eu não tinha medo dele. Já conhecia todas as suas faces e todas elas, sem exceção, eram incrivelmente eletrizantes. Me fascinavam. Me enlouqueciam.
O meu anjo da guarda se chama Morte.
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