A Coletora

32 Pôr do sol


Notas iniciais
Olá pessoas, este capitulo é para amenizar os ânimos!!!
Boa leitura!

“Bill Compton”

Aquela sensação não era nova para mim, mas era ainda mais impressionante quanto a primeira que a senti. Senti-me tão vivo que pude experimentar o ar entrar e inflar meu pulmão novamente, e mais que isso, senti o mesmo ar frio tocar minha pele, que fez arrepiar os pêlos de meu braço, senti a brisa que vinha da porta aberta tocar meu corpo e percorrer toda a casa.

Eu estava vivo novamente.

Integrei-me completamente aquela sensação tão nostálgica, saboreei tão intensamente aquele momento, que nem percebi quando Salvatore saiu levando Roxy. Não demorou a Selene e Jessica cruzarem a porta de entrada, seus olhares incompreensíveis revelaram que as mudanças não eram somente interiores.

- Por que a porta está aberta? – Jessica se aproximou irresoluta, se aproximando ainda mais – Bill... Você está corado.

Com as pontas dos dedos ela tocou meu rosto, palpou tão cuidadosamente como se tivesse medo de machuca-lo, eu senti seu toque como nunca fui capaz e a frieza de sua pele me repeliu.

Selene ficou a espreitar tudo da porta, seu olhar atento a todos os meus movimentos indicaram uma grande surpresa e decepção. Após alguns minutos de silencio, ela se aproximou e disse:

- O sol está nascendo.

- Bill, precisamos entrar na cripta, os raios de sol já estão apontando no jardim – Jessica completou.

Selene olhou para a janela e observou o jardim, desta vez seu olhar revelava grande intenção, que não era nada boa, antes mesmo dela ousar dizer uma palavra eu já sabia em que ela pensava.

“Damon”

Carreguei-a o mais para longe possível, até onde o amanhecer me permitiu, embora meus olhos acusassem sua morte, meus instintos vampirescos ainda não me permitiam acreditar que ela estivesse morta, mas já não ligava para meus instintos, pois ainda que certos não poderiam impedir sua morte.

Os raios de sol ameaçaram tocar as copas das arvores mais altas quando joguei seu corpo no rio, a correnteza o levaria para longe, e a deterioração que a agua causaria nele, impediria que as marcas de minhas presas pudessem ser vistas.

Enquanto a água carregava seu corpo e o levava para distante de mim, meus sentimentos também eram levados embora, como se sua morte tivesse me liberado defeito acordar de um sonho, mas estava claro que minha alma não se abrigava nela.

Procurei um lugar para me esconder do sol e esperar pelo novo anoitecer, a poucos quilômetros dali havia uma casa de campo. Um jardim repleto de girassol cercava a casa, um gato sentado na varanda ficou a me observar, quando o encarei ele arrepiou os pelos, mostrou suas garras e me encarou de volta, mas quando dei mais um passo em sua direção ele correu para trás da casa e entrou por um buraco na parede que parecia levar para um porão, um bom lugar para me esconder.

Um pouco mais a diante, avistei uma porta que provavelmente era uma entrada externa para o porão, a luz do sol já estava quase tocando o chão, quando quebrei o cadeado e desci a pequena escada, quando a porta se fechou tudo ficou escuro, eu estava protegido de qualquer raio de sol.

“Bill Compton”

O jardim já estava tomado pelo sol quando Selene caminhou em minha direção e me lançou para fora da casa, os estilhaços de vidro quebrado da janela perfuraram meu corpo quando passei por ela. Jessica tentou chegar até mim, mas a luz solar que entrou através da janela quebrada e invadiu a sala, a impossibilitou de dar um passo adiante.

Selene também recuou ainda mais para o interior da casa, tentando fugir do sol, e de longe, através da janela quebrada ela ficou a me observar, sempre atenta a cada movimento meu, a espera de me ver queimar.

De olhos fechados fiquei a espera do fogo que nunca veio, levou alguns segundos para eu abrir meus olhos e conferir por mim mesmo o que havia me acontecido, ou melhor, o que não havia me acontecido.

O corpo de um vampiro ao sol costumava se incendiar instantaneamente, mas daquela vez fora diferente. O sol tocou minha pele, que já não estava mais fria como antes, e a aqueceu ainda mais, pela primeira vez em quase duzentos anos, levantei-me e olhei para o céu, o dia estava bonito, o céu estava imensamente azul, e não havia nenhuma nuvem nele.

Do jardim me virei e olhei Selene e Jessica que continuavam a me observar, ordenei que Jessica fosse a sua cripta e se trancasse nela, pois assim que a perplexidade de Selene passasse, provavelmente ela seria a próxima da lista, mas diante de todo o poder e experiência de Selene, Jessica seria picotada como papel no primeiro segundo.

Jessica correu e se trancou na cripta, enquanto isso eu caminhei em direção de Selene, ela com todo seu orgulho e certeza de que se tratava de uma luta ganha, não moveu nenhum centímetro.

- Te decepcionei? – Perguntei gentilmente a ela.

- Você fora uma decepção no dia em que renasceu como um vampiro.

- Acho que seu plano com Damon de me matar não deu certo.

- Não deu certo ainda.

Ela agarrou meu pescoço, e me jogou contra a escada que ficava de frente com o escritório, o impacto quebrou os primeiros degraus. Ela se lançou contra mim com tanta classe como uma leoa, mas me defendi com o braço, me livrando de seu ataque animal.

Eu não sabia no que havia me transformado, minha força era a mesma de antes, e Selene era ainda superior a mim, mas ter minha alma de volta me deu uma grande vantagem sob qualquer um, o sol já não era mais meu inimigo.

Ela avançou sobre mim novamente, e me apertou contra a parede, com apenas uma mão ela quebrou meu braço esquerdo, e em seguida se livrou de minha mão que apertava seu pescoço, e quebrou todos os dedos também. Com sua força descomunal, ela me obrigou a ajoelhar no chão.

- Renda-se Bill, e tenha uma morte ao menos... Digna.

Com as pernas ela prendeu meu corpo ao chão, e com as duas mãos segurou meu pescoço e o puxou para cima. A prata e o sol eram formas de humanos matarem vampiros, mas quando se tratava de um vampiro contra outro, decepar a cabeça era a forma mais segura e eficaz de se matar alguém da mesma espécie.

De dentro de sua cripta Jessica percebeu que minha morte era eminente, honrando seu papel como criada e contrariando minha ordem, ela saiu de sua cripta e correu em direção a Selene, o impacto de seus corpos jogou Jessica para longe, seu corpo quebrou a mesa de jantar, feita de madeira maciça.

O impacto não fora tão intenso a Selene quanto fora para Jessica, ela caiu a poucos metros de mim, mas para sua infelicidade, o local em que seu corpo caiu já estava iluminado pelo sol. Bolhas começaram a se formar em sua pele, agonizantemente ela se arrastou a procura de um lugar onde não havia o sol, então levantei-me e fui até ela, a agarrei pelo cabelo e a puxei para fora, atravessei o escritório iluminado e a joguei pela janela.

Ignorei completamente seus gritos por piedade, e fiquei a observar seu corpo se incendiar-se enquanto ela corria pelo jardim em direção a casa, ela pulou a janela quebrada, mas quando já havia percorrido metade do cômodo em direção a sombra, seu corpo já estava embebido pelas chamas.

Segundos depois ela já havia se desintegrado e já se resumia a pó.

- Bill? – Jessica se aproximou.

- Obrigado Jessica, mas não desobedeça minhas ordens novamente. Você deu sorte e me salvou, mas da próxima vez pode não ser assim.

Logo senti os ossos de meu corpo voltarem ao lugar, a dor era terrível mais ainda suportável, caminhei para o centro do escritório em busca de sentir o calor do sol tocar minha pele novamente, aquele fato era ainda inacreditável para mim.

Fiquei parado e deixei a luz me tocar.

- Gostaria muito de sentir isso novamente – Jessica disse.

- Já sabemos que isso ainda é possível.

- O que quer dizer com isso?

- Deixe-me só, Jessica. Volte a sua cripta, não é seguro ficar aqui enquanto é dia.

Fechei meus olhos e fiquei a apreciar o momento, o sol ficava cada vez mais forte e o calor aumentava exponencialmente. Jessica não acatou minhas ordens e ficou a me espreitar da porta que levava a cripta, como se eu não fosse capaz de sentir sua presença. Então ela se aproximou ainda mais.

- Bill?

- Achei que tivesse ido para sua cripta.

- Você está vermelho demais.

Olhei para minhas mãos, e Jessica estava certa no que dizia, elas estavam vermelhas demais.

O calor começou a ficar cada vez mais intenso e pequenas bolhas começaram a se formar, logo ficar sob os raios solares ficou insuportável novamente, e as bolhas ficaram cada vez maiores.

Meu privilégio estava chegando ao fim.

“Roxy”

Quando dei por mim a água estava invadindo meus pulmões, eu sacudia as pernas, mas não havia chão sob meus pés. Nadei para cima, até encontrar o oxigênio, e quando ele atingiu minhas narinas e tomaram meus pulmões novamente, fechei meus olhos e deixei que a água me levasse com ela.

Minutos se passaram, eu só sentia o calor do sol aquecer a pele de meu rosto e de meus braços, pois todo o resto estava submerso. Algo segurou meu braço, pensei que fosse um tronco de arvore, mas fui puxada para a margem rapidamente.

Quando abri meus olhos me agarrei a primeira pedra que vi a minha frente, enxuguei a água de meus olhos até poder ver claramente.

- Bom dia, Roxy. Fora uma longa noite.

Dea me disse sentada sobre a pedra que me mantinha a salvo.

Notas finais
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