A Coletora

5 Outro inevitável encontro.


Notas iniciais
Outro capitulo longo!rsrsrrsrs
Boa leitura!!!

Kansas, 2000.

*Damon*

Posso dizer que conheço este mundo de cabeça para baixo, conheço também os humanos, frágeis, hipócritas e enojáveis, mas os vampiros... Estes se tornam cada vez mais dignos de pena. Talvez tenham esquecido o que significa ser um vampiro, vampiros não amam, vampiros não vivem harmonicamente com humanos. Sou um assassino, é isso que minha natureza pede de mim, e humanos são minhas vitimas. Este é o equilíbrio de todas as coisas. Vampiros matando humanos.

O mundo parece ter enlouquecido. Humanos deixaram de ser presas fáceis, pois são protegidos por outros vampiros. Minha classe se tornou fonte de drogas, não permitirei que meu sangue seja tirado de mim para que humanos sintam o que eu sinto. A única coisa que devem sentir é dor, medo e sofrimento.

Já era noite e os familiares ainda velavam seu corpo na sala de estar.

- Você era amigo da Emily? Nunca te vi antes.

- Han... Sim, posso dizer que sim.

- Como puderam fazer isso com ela? Com minha Emily.

Não acreditei quando ele começou a chorar, justo no meu terno HUGO BOSS.

Contrariadamente dei umas tapinhas em seu ombro. Eu precisava fazer alguma coisa, seria desumano de minha parte não consolá-lo.

- Onde você a conheceu? Foi recente?

- Sim. Bem recente. Nós ficamos íntimos, sabe como é, não é?

-Íntimos? Qual é o seu problema amigo?

Não entendi o motivo de sua irritação.

- Este é o funeral de Emily Blanty, certo?

- Certo, amigo. E sabe quem sou?

- Não. Eu deveria?

- Sou o marido dela!

Fingi estar chocado.

- Desculpa, eu deveria saber. Mau gosto para se vestir, cabelo penteado demais, e perfume de gente velha. Oh meu Deus... Você é o Mark, marido dela. Você realmente está destruído, sabe o que lhe cairia bem? A morte.

Ele armou suas mãos, e se preparou para um ataque.

- Vamos com calma, há pessoas aqui. Nós não queremos mudar a escritura da lápide dela de excelente esposa, para mãe adultera!

Não entendo porque ele ficou tão nervoso, realmente ele atingiu minha face com um golpe mortal para ele mesmo. Ele ganhou uma esposa morta e uma mão quebrada. Achei melhor ir embora antes que me pedissem para levar o caixão.

O que posso dizer... Eu não quis aquilo, mas ela quase que implorou e passamos bons momentos juntos. Deixar de vir ao seu funeral, seria muita falta de educação de minha parte.

A vida eterna pode ser tão entediante quanto interessante, e minha eternidade estava se resumindo em sugar, matar, infernizar a vida de Stefan. Embora isto me satisfaça, ainda não era o suficiente para mim, eu queria algo novo, o que posso dizer? Sou um caçador de emoções.

Aquele funeral não foi nem de longe tão interessante como o que aconteceu após ele. Estava andando pela pacata cidade, a procura de uma diversão, quando me deparei com algo que podia chamar de espetacular.

*Roxy*

Após aquele fatídico dia, onde todos os mistérios da minha vida foram revelados, eu viajei o mundo, a procura de um local seguro, mas as criaturas frias estão em todo a parte, cada vez mais numerosas.

A partir daquele dia, não me distrai novamente, meus olhos estão sempre atentos. Enquanto a luz do sol brilha, descanso, ganho dinheiro e me escondo do mundo, pois durante a noite, quando os sanguessugas vão a caça, eu me armo de tudo possível para me proteger. Não que aja muito a se fazer sobre isso, um local seguro é a única forma de me proteger.

Infelizmente as coisas não vão bem, há dez anos que não colho uma única alma, isso significa que eles podem se aproximar, e por azar, isso não é a única coisa. Meu estoque de V acabou a um mês, me sinto cada vez mais fraca, agora que sei o porque necessito tanto dele, sinto ainda mais vontade de usá-lo.

Onde conseguirei?

O mundo lá fora esta perigoso, os vampiros, que antes já eram perigosos, estão revoltosos. Dizem por aí que muitos humanos já morreram por isso, então a cada dia que passa fica mais difícil de conseguir. V é a droga mais potente e cara procurada pelos humanos, não por todos é claro, apenas para aqueles que sabem da existência de vampiros, pois para a humanidade isso ainda não passa de lenda.

O sangue vampiresco é a droga mais viciante que já vi, estimulante, eufórica e alucinógena, mas o mais importante, regenerativa. Ela me mantém sempre jovem, mas enquanto um humano precisa de apenas algumas gotas, eu preciso beber no mínimo um litro por semana, para me manter viva e alerta.

Não restou outros lugares para procurar, então recorri a m,eu antigo fornecedor, como ele conseguia o sangue de um vampiro? Eu não sabia a resposta, mas isso não importava, apenas a droga.

- Em que posso ajudar?

- Conheci seu avô.

- Conheceu? Você deveria ter um ano de idade quando ele morreu. Como isso é possível?

Ele debochou enquanto olhava diretamente em meu decote.

- Como o conheci não importa.

- E o que importa?

- O negócio da família importa.

O jovem rapaz estava debruçado no balcão e se levantou rapidamente. Seu olhar se direcionou diretamente para os meus.

- Não sei sobre o que você esta falando.

- Não quer que eu acredite que estas simples loja de presentes construiu a fortuna da família, não é?

Ele me olhou desconfiado e ficou sem palavras.

- Meu avô fazia coisas erradas, mas não fazemos mais. Sinto muito.

- Eu também, sei como ele morreu. Preciso de 2.

- Não fazemos isso.

- 2.

- Como posso confiar em você? Como posso saber se não é uma isca?

- Não sou uma isca. Fui a melhor cliente que seu avô já teve. Sua fortuna foi construída em parte com meu dinheiro.

- Foi?

- Você faz muitas perguntas. Alguém na sua posição não deveria ser curioso. Fale menos e faça mais. Estamos perdendo tempo.

- É sério não fazemos mais.

- Então quem faz?

- Não sei. As coisas não são mais como antes.

Não precisava ser nenhum vampiro ou outra criatura para perceber que ele estava mentindo. O nervosismo saia pelo os poros de sua pele.

- Você mente mal. Um sanguessuga já teria o matado.

Ele respirou fundo, olhou para os lados e para o outro lado da rua através da vidraça da loja.

- Existem poucos no país inteiro. Só tenho um nome e o local, o resto é com você.

- Diga.

- Lafayette, Bon Temps, Louisiana.

- Obrigada.

Viajei para Louisiana no mesmo dia, precisava chegar lá o mais rápido possível, pois meu corpo estava clamando por V, e já podia sentir os sintomas que sua falta fazia. Eu sabia que mesmo se conseguisse a droga, ainda seria pouco, e mais dia ou menos dia, eu teria que consegui-la direto da fonte. Meu desespero ainda não era tão grande a ponto de me encorajar a se aproximar de um vampiro, ainda mais sabendo que qualquer um deles poderia ser o dono da alma que está presa a mim.

A viajem era longa, o ônibus que peguei em direção a Louisiana fazia muitas paradas, a cada segundo que perdíamos perdidos em meio as estradas, sentia meu coração bater ainda mais forte, em razão da falta de V e em razão do medo de encontrar algo indesejado pelo caminho.

Eu realmente estava passando por uma maré de azar, antes eu era forte e destemida, agora vivia com medo pelos cantos, eu sabia o motivo de tudo isso. Eu nunca me incomodei com o fato de matar crianças e nunca me arrependi pelo que fiz, talvez seja pelo fato de isso ter se tornado parte de minha natureza, eu sabia que não era certo, mas nunca questionei os fatos, mas agora as coisas mudaram, não acredito nesta coisa de equilíbrio do mundo, e logo agora que necessito mais destas almas para me manter segura, me sinto culpada e inescrupulosa por fazê-lo.

Outra infelicidade ocorreu. O ônibus quebrou em uma pacata cidade que se localizava no meio do caminho.

- Quantas horas ficaremos aqui?

- O ônibus levará dois dias para ser concertados.

A motorista me olhou de forma esnobe, e isso me deixou ainda mais irritada, parte da culpa era devida a abstinência.

- Dois dias? Eu não posso ficar aqui dois dias.

- Sinto muito. Deveria ter pegado um avião, se tinha tanta pressa.

- Eu pegaria um avião, se tivesse transado com três homens para poder pagar pela passagem.

Ela me olhou incrédula e não respondeu as minhas grosserias, eu realmente estava perdendo o chão, cheguei a pensar que estava enlouquecendo. Ficamos abrigados num hotel, mas quando faltava pouco para a noite chegar, fiquei ainda mais nervosa e agitada. Sai do hotel e fui à procura de uma forma que me tiraria daquela cidade.

- Quanto custa o aluguel de um carro?

- Apenas o mustang está disponível no momento.

- O mustang?

- Sim, o mustang. Você está com os passageiros do ônibus, não é?

- Estou, ficarei dois dias aqui se não conseguir ir embora.

- Para onde a garotinha vai?

Ele deveria ter quase cinqüenta anos de idade, e não conseguia dizer uma só palavra sem olhar para meu decote e molhar os lábios com a língua.

- Quanto custa o aluguel?

- Trezentos dólares o dia.

- O que? Isso é muito.

O dinheiro que tinha era o suficiente para alugá-lo por dois dias, jamais chegaria a Bom Temps em dois dias.

- Não pode pagar? Terá que ficar aqui.

O homem deu de costas e voltou a contar as moedas sobre o balcão, então resolvi negociar.

- Preciso do carro por dois dias. Vou pegá-lo.

Atirei todo o meu dinheiro no balcão.

- São seiscentos dólares pelo aluguel, e mais quinhentos do seguro. Quando devolver o carro, pega o dinheiro de volta.

- Eu não tenho quinhentos dólares.

- Sinto muito.

Fiquei desesperada ao perceber que ficaria ali mais tempo que imaginava, não sabia o que fazer, e nem como arranjar dinheiro naquela pacata cidade, todos lá pareciam católicos demais para pagarem por uma prostituta. Então uma idéia me veio a cabeça.

-O que posso fazer? Deve existir algo que posso fazer por você, para que me deixe alugar o carro.

Disse ao me debruçar no balcão e brincar com sua gravata.

- Está tão desesperada assim? Faria qualquer coisa?

- Qualquer coisa.

- Bem... Existe algo que pode fazer. Mas vou precisar fechar as portas.

Eu apenas sorri e caminhei para o lado de dentro do balcão. Fomos para os fundos, num beco que dava para rua, mas já era noite e todos os moradores já estavam em suas casas, com suas vidas inúteis.

- Tem certeza que quer aqui? Podemos ser vistos.

- Ninguém passa por aqui este horário, e eu sempre quis fazer isso.

Ele me jogou na parede, me tratava de forma como jamais trataria sua esposa, eu já estava acostumada com aquilo, na verdade ele me tratava de forma até puritana comparada aos crápulas com quem transava nas grandes cidades.

Ele nem me pediu para tirar o vestido que usava, simplesmente me prendeu a parede e tirou minha calcinha, cruzei minhas pernas ao redor de seu quadril. Ele me penetrava com tanto desejo que até chegou a machucar, cada segundo que perdia fazendo sexo com ele naquele beco, me deixava ainda mais impaciente, sussurrei coisas sujas em seu ouvido para fazê-lo gozar ainda mais depressa, mas os segundos pareciam não passar, e ele parecia ter um fôlego infinito.

*Damon*

Podia ouvir aqueles gemidos a quatro quarteirões de distancia, alguém estava se divertindo sem mim, isso não era nada educado da parte deles. Eu era a criatura mais interessante naquela cidade sem graça, e mesmo assim não me chamaram para a diversão.

Cheguei sorrateiramente ao beco que se localizava atrás da loja de carros, um casal fazia um sexo bem quente lá atrás. Fiquei a espreitar o casal, ele deveria ter idade para ser pai dela, mas eu o entendia, a moça parecia ter muitos encantos, e ele a penetrava como uma cadela no cio. Algo chamou minha atenção após alguns minutos.

Onde está o cheiro? Onde está a pulsação?

Havia algo mais interessante naquela jovem, algo a mais que lindos seios. Será que eu tinha concorrência? Ou será que se tratava de algo diferente.

- Com licença! Onde fica o ponto de ônibus?

O homem quase teve um infarto quando me viu, se afastou dela, levantou a calça e entrou rapidamente pela porta dos fundos da loja. Ela colocou a calcinha às pressas.

- Eu só queria uma informação, não precisava ter parado, pareceu estarem se divertindo.

- o que você é? Um pervertido?

- Pervertido? Eu? Não sou eu quem está fazendo sexo em publico.

Ela caminhou rapidamente em minha direção para sair do beco, ela parecia furiosa. Agarrei o braço dela quando passou por mim. Eu também queria me divertir.

-Espere um minuto.

Ela tentou se soltar.

- Fria, sem pulso e sem cheiro. O que você é?

- Tire as mãos de mim.

*Roxy*

Ele era um sanguessuga, eu soube disso assim que o vi, não havia luz nele. Era assim que diferenciava os vivos dos frios, quem não tem alma, não tem luz. Ele apertou meu braço da mesma forma que Bill Comptom fez, achei que ele fosse se partir, não foi possível esconder minha dor.

- Vampira você não é mesmo. Isso dói, não é?

Ele não parecia ser do tipo que me deixaria ir embora sem ter uma resposta.

-Você não é a única aberração andando por aí.

-O que você faz?

Não sabia o que dizer, então disse a primeira mentira que veio a minha cabeça.

- Eu sou uma... Coletora.

- O que é uma coletora?

Eu não conseguia saber se ele estava acreditando em minha mentira, sua expressão era indecifrável.

- Me alimento das almas de humanos, homens, com excitação.

- Isso existe?

- Para muitos vampiros também não existem. Mas você está aqui, não está?

- E o que você ganha se alimentando deles?

- Vida eterna, aparência sempre jovem. Preciso ir, você estragou minha noite.

- Vai pra onde?

- Você é meu pai?

Achei que se não demonstrasse medo, ele me deixaria ir embora.

- Adoraria ter a sua companhia esta noite.

- Sinto muito. Se quiser minha companhia, terá que me encontrar em Lakeville, na cidade vizinha.

Ele sorriu e largou meu braço.

- É para onde está indo?

- Sim. Tem muitos maridos infiéis por lá.

Continuei a andar de volta para o hotel, ele não me seguiu, ficou a me observar da saída do beco. Não sabia se a mentira havia dado certo, mas tudo que precisava era fazê-lo me perder de vista, para que pudesse fugir o mais depressa possível.

Cheguei ao hotel, corri para o quarto e olhei pela janela, ele estava parado no jardim em frente ao prédio. Sem que percebesse sai pela porta de trás do hotel, caminhei silenciosamente em meio às casas, caminhei durante uma hora em direção a estrada. Levou duas horas para que eu conseguisse uma carona para uma cidade mais distante.

Será que havia conseguido?

Notas finais
Gostaram???
Bjus