A Coletora
40 Entre.
Notas iniciais
Boa leitura!!!
“Damon”
- Por que será que não estou surpreso?
Perguntei a Compton ao me posicionar ao seu lado diante daquela enorme casa.
- Você não está surpreso, pois sabe que sou o único que deveria estar aqui. Eu sim, estou surpreso com sua presença. Isso não tem nada haver com você, vá embora. Isso não é coisa para moleques.
- Quer fazer piadinhas? Saiba que isso não cai bem para alguém de sua idade. Você não é engraçado nem em japonês – Respondi irônico.
- Não estou aqui para brincar Salvatore. Isso é importante para mim, e não vou tolerar suas brincadeirinhas.
- Brincadeirinhas? – Perguntei seriamente.
- Eu não estou brincando Salvatore.
- Eu não estou rindo Compton.
Ele não respondeu, ficou sério ao sacar o lugar, tentou usar seus sentidos para captar algo, coisa que eu já havia feito.
- Devo reconhecer que está muito bem. Deve estar feliz agora, extasiado. Como é ter sua alma de volta?
- Eu ainda não a tenho.
- Eu sei, e devo avisar que nem vai.
Naquele momento apenas um pensamento passou em minha cabeça, Compton estava lá para matá-la de uma vez, ele só ganharia com isso, então me senti ainda mais entusiasmado, aquela seria uma longa noite.
Eu sabia que ele não me responderia, mas eu queria ver sua reação a me ver perguntar sobre suas intenções, pois não havia me esquecido daquele episódio em seu escritório, quando carregávamos Roxy nos braços, mas eu tinha certeza que toda aquela mudança havia virado sua cabeça, como da ultima vez. O poder muda as pessoas e até mesmo os vampiros.
- O que veio fazer aqui, Compton?
- O oposto de você.
Aquela resposta me deu a certeza de que ele faria de tudo para ela morrer.
“Bill Compton”
O olhar de Damon não escondeu suas intenções, agora ele sabia que estava disposto a tudo para salvar Roxy, e eu sabia que ele também estava disposto a tudo para tirá-la de mim, ele era um moleque muito teimoso e orgulhoso para me deixar sair com ela nos braços.
O silêncio era muito duvidoso, senti que algo nos surpreenderia a qualquer momento, então resolvi me afastar de Salvatore, irresponsável como era, provavelmente ele atrairia a atenção para si, coisa que seria ótima para mim, pois me daria o tempo necessário para encontrar Roxy, que de acordo com meus instintos, ela estava no sótão.
Enquanto caminhava ao redor da casa, em direção ao fundo, Salvatore ficou a me observar de longe com um sorriso irônico no rosto, ele ficou a me fitar até que desapareci do alcance dos seus olhos.
Todas as portas estavam abertas, mas a escuridão envolvia o interior da casa. Ele ou eles, autores da ligação, sabiam que eu não entraria sem um convite, então parei diante da porta e fiquei a espera por meu convite.
- Você não demorou nada – Uma voz feminina ecoou por de trás de mim.
A misteriosa mulher andou ao meu redor e se colocou entre mim e a porta, mas ao observá-la melhor, reparei que seus pés não tocavam o chão.
- Não, eu não sou humana, mas também não sou um cadáver como você. Se bem que não sei se devo chama-lo assim, você está muito bem, incrível como nossa alma nos faz bem, e os humanos nem dão o valor que ela merece, precisam perdê-la para isso. Mas este não é seu caso, posso ver seu passado, você dava muito valor a sua vida quando humano, não é Sr. Compton?
- Você deve ser uma ceifadora. Por que me trouxe aqui para perto dela?
- Não me culpe, não fiz a sujeira, só estou a limpando.
- E como fará isso? Estou curioso, criaturas sem alma não é de sua ossada, não é?
- Você é tão sexy Bill! Charmoso e inteligente também. Agora sei por que Roxy se meteu nesta confusão, você é um convite ao caos.
- Ainda estou esperando por minha resposta.
- Infelizmente para você eu também sou inteligente, e sim... não posso fazer nada a você, mas isso não impede que outro faça.
Ela olhou por de trás de mim e deu um sorriso, mas eu já sabia segundos antes que não estávamos mais a sós. Quando me virei para ver de quem se tratava, algo chamou minha atenção, uma voz abafada e sofrida, Roxy estava chamando por mim.
“Roxy”
O silêncio fora quebrado por vozes que vinham do jardim, eu não conseguia reconhecê-las, mas sabia que algo de importante estava a acontecer do lado de fora. Desejei com toda minha força de que fosse Bill que estivesse lá fora, por um momento me esqueci de que se tratava de uma armadilha para ele.
Minhas mãos estavam atadas, e eu não consegui me mover, então comecei a gritar, mas na verdade meus gritos nem chegavam perto de ser um sussurro, então fiz mais força, e mais e mais, mas ele não parecia me ouvir, ou talvez me ouvisse, mas nada pudesse fazer.
Chamei por Compton inúmeras vezes, e nada de ele parecer, também não havia qualquer outro barulho diferente, até pensei que talvez tudo aquilo fizesse parte de uma alucinação, a final, eu tinha perdido muito sangue.
“Damon”
Enquanto Compton papeava com a morte, eu fixei meus olhos na ultima janela da casa, a mais alta, que pertencia ao sótão, eu sabia que ela estava lá, e não demorou muito para que eu ouvisse seus gemidos. A principio eram apenas palavras abafadas, mas depois ficou claro, ela chamava por ele, chamava por Compton, e isso me deixou ainda mais certo do que faria.
Eu não podia entrar na casa, e ninguém me faria o convite, pois nem deveria estar ali, mas nas condições em que ela se encontrava, eu tinha certeza que ela não se negaria a me convidar.
As plantas trepadeiras que se agarravam a madeira da casa serviram como escadas para que eu chegasse até a janela do sótão, fiquei a espera que alguém ou algo me impedisse, mas nada se colocou em meu caminho. A janela estava bloqueada por madeira, e isso me impossibilitou de enxergá-la, mas eu sabia que ela estava ali e sozinha, e que também estava muito machucada, seus batimentos cardíacos eram fracos e sua respiração estava muito lenta e profunda.
Eu podia ouvi-la e ela podia responder, eu precisava de apenas isso, aquelas madeiras não importavam, então sussurrei na esperança dela me ouvir, e de não chamar a atenção para mim.
Chamei por ela pausadamente, uma, duas, três vezes, até que ela me ouviu.
“Roxy”
Ele estava do outro lado da janela, eu podia ouvi-lo chamar meu nome, mas não se tratava de Bill, Salvatore estava lá, então comecei a pensar na possibilidade de Bill não vir ao meu encontro, pois ele só teria a ganhar com minha morte. Naquele momento todos os meus pensamentos ficaram confusos, as certezas que antes tinha já não as tinha mais, tudo ficou perdido em minha mente, assim como já não sentia a presença da alma de Bill em mim.
- Roxy! Precisa me convidar a entrar – Salvatore me dizia, embora ele não fosse o vampiro que eu queria, ele era o único que estava ali, e tudo que eu precisava era de um vampiro.
- Eu lhe convido a entrar – respondi com muita dificuldade.
Nem mesmo terminei a frase quando Damon cuidadosamente soltou as madeiras que cobriam a janela, levou poucos segundos para ele entrar e se e se sentar ao meu lado na cama. Por um momento havia me esquecido o quanto Salvatore era perigosamente encantador e sedutor, mas naquele momento só me importava sua presença.
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