A Coletora
19 A espera.
Notas iniciais
Boa leitura!!!
“Roxy”
Senti um liquido cair em minha boca, então abri os olhos, Jessica estava tentando curar minhas feridas com seu sangue. Olhei ao redor e vi que estava deitada num divã, no que parecia ser um escritório. As janelas estavam vendadas com panos negros, de forma que nenhum feiche de luz os ultrapassasse, logo percebi que estava na casa de um vampiro, na casa de Bill para ser exato.
- Já está bom – Jessica retirou seu pulso de mim.
- Ainda estou fraca – Retruquei pedindo ainda mais.
- Bill só a quer fora de perigo, não forte.
- Então ele não vai me matar?
- Não se iluda, Bill preserva a vida de seres humanos, porque acha que devemos conviver em paz com eles, mas você não é bem humana, e ele não costuma ser piedoso, ainda mais depois do que você fez, e do que ele sabe agora.
Sobre o que ele teria conhecimento? Será que Bill tinha informante como Selene? Naquele momento comecei a sentir saudades dela, pelo menos ela não queria me matar enquanto a ajudava.
Logo me lembrei de Sookie, eu não sabia se a queria morta ou viva, pois morta significava que havia perdido sua alma, e viva significava que eu falhei, e meu castigo viria a cavalo.
- Sookie vai se recuperar. O sangue de Bill é forte e ela já estava sob efeito dele.
Olhei para ela sem demonstrar qualquer reação.
- Parece que isso não é bom para você, não é?
- Por que você acha isso?
- Coletores perdendo almas? Isso é estranho. O que queria com Sookie?
Minha resposta foi respondida, ele sabia a meu respeito, e com certeza sabia sobre sua alma. Dea não precisava vir ao meu encontro, Bill faria seu serviço, tudo o que ele faria era encontrar outro receptor, outro infeliz coletor.
- Eu não sei o porquê sua alma é importante. Recebi ordens e as obedeci, ou tentei.
- Não deveria ter falhado.
- Você também a quer morta?
- Não, claro que não. Sookie é legal, mas falhar com seu criador não é algo que eu queira para mim.
- Por que você tem tanto medo de Bill?
- Não é medo, são as regras. Bill me criou, ele é responsável por m ensinar tudo, e eu devo ser leal a ele, até que ele me libere, mas mesmo assim continuaria, ele é a única família que tenho.
Jessica ficou o tempo todo ao meu lado, tentando me distrair, ao ouvir sua historia de vida, fiquei com pena dela. Jessica era filha de pais religiosos e severos, passava o tempo todo em casa, sem poder viver sua própria vida. Quando perguntei se ela havia gostado de se transformar em vampira, ela me deu uma resposta muito firme, disse que a principio não gostou e odiava a si mesma, pois ela perdeu sua família por não poder ficar ao lado deles, eles a rejeitavam, mas depois de viver com Bill, percebeu um mundo que jamais pensaria existir, segundo ela sua vida humana começou a existir após sua transformação, pois ela conquistou sua liberdade.
Descobri que Bill não era o único vampiro a se relacionar com uma humana, Jessica também tinha um humano só para si, seu nome era Hoyt, mas seu relacionamento não era nem de longe pacifico, ela alegava amar ele, mas monogamia não era da natureza dos vampiros, e ela custava a ignorar suas tentações, principalmente quando o assunto se tratava de Jason, irmão de Sookie, e melhor amigo de Hoyt.
- Como isso foi acontecer? Como ficou atraída por Jason?
- Foi uma burrice da minha parte. Uma vez dei meu sangue a ele, ele havia se encrencado como sempre por causa de mulher, ai...
- Ai? – Perguntei sem entender.
- Eu não deveria te falar estas coisas.
- Jessica, eu estou a um passo da morte, tudo que você me contar agora não fará diferença.
- Tudo bem... Você é a única que tem paciência de me escutar.
O nome daquilo não era bem paciência, mas falta de opção, melhor esperar a morta se distraindo com outras coisas, do que ficar se martirizando a sua espera.
- Quando damos o nosso sangue a um humano, em doses altas é claro, eles ficam conectados a nós, eles sentem uma atração inexplicável por nós, e do outro lado, nós ficamos conectados ales também, podemos sentir o que estão sentindo, podemos saber onde estão.
- Por isso que Bill sabia onde Sookie e eu estávamos, não é?
- Sim. O que me magoa é não poder colocar a culpa de minha atração por ele no sangue que ele bebeu, eu sinto atração por ele porque, bem... Você o conhece, não é?
- Sim, mas não como você queria.
Ela ficou pensativa e seu sorriso que quase nunca saia de sua boca, foi embora por uns instantes.
- O que foi Jessica?
- Nada, só algo que passou por minha cabeça.
- Você pode me falar.
- Eu gosto de Hoyt, e não quero magoá-lo, ele nem liga para minha condição, e fiquei a pensar se Jason ligaria.
- Que condição?
- Quando Bill me transformou, eu era virgem. Então serie virgem por toda a eternidade.
Fiquei perplexa com que ouvira, Jessica seria virgem para sempre.
- Os homens gostam disso, de mulheres puras, isso é uma vantagem para você.
- Sério? Gostam mesmo?
- Claro que sim Jessica, isso significa para eles que você é uma moça correta e muitos deles vêem isso como fetiche.
- O que é isso?
Realmente se tratava de uma jovem inexperiente, a pessoa mais próxima de Jessica era Bill, e é claro que eles não falavam sobre isso, e o histórico da família dela indicava que ela não tinha noção nenhuma sobre a vida, Jessica era uma criança que virou mulher em segundos, sem passar por todo processo de aprendizagem, sem ter alguém para instruí-la.
- Fetiche são fantasias que temos, fantasias sexuais secretas.
Ela sorriu, como se tudo fazia sentido.
- Eu acho que tenho uma, com Jason. Eu sempre ima...
- Não! Não me conte, elas devem ser secretas e você pode dividi-la com Jason, quando tiver a chance.
Ela riu e se desculpou e prosseguiu.
- O que me incomoda é que minha virgindade é dolorosa para ele.
- Por que seria?
- Já tentou machucar um vampiro? Somos como pedra. E sempre é muito difícil... Entrar.
Segurei para não rir, seria indelicadeza da minha parte, e ela não merecia isso.
- Jessica... Isso te acompanhará por toda a vida, também tenho em mim algo que gostaria mudar, você precisa esquecer isso, deixar de se importar, há mais caras legais como Hoyt.
Ela balançou a cabeça e sorriu.
- Você é muito legal comigo, é a pessoa que mais se aproximou de mim, não queria que você morresse.
Num gesto rápido ela me envolveu com um abraço, doloroso para mim, mas sincero, talvez o único abraço sincero que já recebi.
- Como Bill soube que eu sou uma coletora?
- Há alguns anos atrás, uma vampira o procurou e contou a ele sobre a existência de coletores. Para saber mais, ele deveria lhe fazer um favor, capturar outro como você, chamado Dave, que estava com a alma dela. Este coletor vinha periodicamente a Bom Temps a procura de V, mas nunca soubemos quem era o fornecedor e nunca conseguimos pegá-lo.
- Ela falou sobre mim?
- Na verdade ela não disse nada sobre você, mas sua conexão com ele o fez suspeitar, e após ver aquela cena na casa de Jason suas suspeitas aumentaram e agora ele quer ter certeza. Você está coma alma dele?
Calei-me.
- Foi assim que Sookie descobriu? Que eu iria matá-la?
- Eu não sei.
- Quando eu me encontrei com ela, vi que sabia tudo ao meu respeito.
- Não é fácil driblar o dom especial que ela tem.
- Que dom?
- Sookie pode ler mentes.
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