A Colecionadora
1 Querido diário, morri.
Acordou de seu devaneio de súbito. Abriu os olhos e não pôde distinguir nada, uma luz forte insidia sobre seus olhos. Um sonho? E o que era....?
Aquela voz?
Coral. Coral. Coral.
Um mero sussurro, talvez dentro de sua própria mente, algo a chamava. Um cheiro a mesmo tempo doce e pútrido inseria-se em seus pensamentos. Sem enxergar claramente, tendo um vislumbre apenas do que tinha à frente, levantou-se, tropeçando em si mesma a princípio.
Limpou um pouco de sangue que escorria por seu lábio. Aos poucos e tropegamente, seguiu em direção à voz. O chão em sua frente, de terra seca e batida, alargava-se me um campo estranhamente luminoso, com uma claridade etérea e nublada que se erguia do solo quase como fumaça.
Lusco-fusco. Foi a palavra que veio-lhe à mente para descrever aquilo. Não sabia se a palavra estava certa nem a que se referia, mas era hipnotizante como aquilo que via...
Um campo de morte era aquilo. Ela podia sentir. Era pra lá que devia ir, afinal...
- Morri, por isso estou aqui, esse é meu lugar... Lú-mi-na.
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