M: Tudo bem? Desculpe aparecer assim.

N: Sim, está. Não tem problema.

M: É o pai do seu filho?

N: O que?

M: O Capitão...

N: Sim.

M: Você ainda o ama.

N: Hã?

M: Eu consigo notar pela forma como seu coração dispara na presença dele, assim como lá no restaurante. Você fica imediatamente agitada.

N: Você não vê, mas ainda assim, enxerga tudo, não é?

M: Ele a ama também. Por que não estão juntos?

N: É complicado.

M: Me conte.

Natasha franziu a testa, ela não gosta que se metam na vida dela e façam perguntas demais, mas estranhamente, ela não consegue esconder nada de Matt.

N: Ele tem alguém.

M: Ah... E ainda sim ele passou a noite com você?

Natasha estava sem graça agora, ela dispensou Matt na noite anterior, e agora parece ter sido de propósito, mas não foi.

N: Sim.

M: E você se sente mal com isso?

N: É claro.

M: Mas vocês se amam.

N: Mas tem outra pessoa nisso, eu não quero ser a amante dele. Eu queria não sentir nada por ele.

M: Você nunca me deixou ver seu rosto.

Natasha o olhou confusa. Então ele não é cego, coisíssima nenhuma.

Matt notou o silêncio dela.

M: Um cego vê pelas mãos, pelo toque.

N: Você quer me tocar?

M: Seu rosto. Quero ver seu rosto.

Matt estendeu as mãos no ar.

M: Posso?

Natasha estranhou, mas se aproximou dele no sofá. Ela pegou as mãos dele e colocou no rosto dela. Matt delineou a face dela com os dedos, gentilmente. Natasha podia jurar que ele estava olhando fundo nos olhos dela. Matt tocou os lábios dela.

M: Aposto que tem os lábios perfeitos.

Natasha sorriu sem graça.

M: Ah, um sorriso. Pequeno, mas um sorriso.

Ele percebeu pelo toque.

Matt aproximou o rosto, Natasha o olhava séria, mas deixou ele se aproximar. Matt quase encostou os lábios nos de Natasha, mas ela desviou o rosto e se levantou.

N: Me desculpe, Matt. Você... Você deve ir. Tenho que buscar o meu filho.

Matt se levantou.

M: Me desculpe, não queria deixa-la desconfortável.

N: Você não deixou, é que...

M: Não está pronta.

Natasha ficou em silêncio.

M: Ainda bem que tenho tempo de sobra. Pode chamar um táxi, pra mim?

N: Eu te dou uma carona.

Quando Natasha desceu com Matt e passou pelo portão, ela foi até o carro estacionado na rua. Só que Hill, estava chegando num carro, com James e Torunn. Ela estacionou e desceu do carro, olhando para Natasha, já com um sorriso sarcástico na cara.

James veio correndo até Natasha e a abraçou.

N: Oi, James. Se comportou?

J: Toto tá de castigo.

N: Ah é? Por que?

J: Bateu nos meninos no parque.

James olhou para Matt, e franziu a testa.

J: Quem é ele?

N: Ele se chama Matt.

Matt estendeu a mão para James.

M: Muito prazer.

James o olhou com desconfiança e não apertou a mão dele.

N: James, cumprimenta o Matt.

James não disse nada.

M: Tudo bem, Natasha.

N: Hill, eu estava indo buscar ele.

H: É, eu sei, mas eu tenho que ir num escritório que é aqui perto, então passei aqui logo.

M: Natasha, então não se incomode em sair, eu pegou um taxi.

H: Te dou uma carona, Murdock.

M: Obrigada.

Matt se afastou das duas, usando o bastão para se guiar até próximo do carro.

H: Dou uma carona, dou uns beijos, dou minha perseguida e tudo que ele quiser.

Hill sussurrou para Natasha, que revirou os olhos e não evitou de rir.

M: Oi.

T: Oi!

M: Você está chateada.

T: Tô de castigo.

M: Ah é? Mas o que é isso aí na sua orelha?

Torunn mexeu nas orelhas.

T: Não tem nada nelas.

Matt passou a mão na direção do rosto dela e fingiu retirar uma moeda dela.

Torunn sorriu e segurou a moeda.

Hill entrou no carro e foi embora com Matt e Torunn.

Natasha segurou na mão de James e entrou com ele.

J: Eu queria ver o meu pai.

N: Bem, você pode pedir para ele te buscar amanhã.

J: Mas eu queria brincar hoje.

N: E por que não brinca?

J: Sozinho? Ele brinca comigo.

N: De quê?

J: De soldado.

N: Bem típico...

J: Que?

N: Nada. Mas a mamãe brinca com você.

J: Você não pode.

N: Por que?

J: Você é menina.

N: E meninas não podem brincar de soldado? Não seja esse tipo de menino, James.

James ergueu os ombros, ele não entende ainda, porque T’challa vivia dizendo o que era coisa de menina e coisa de menino. Ororo e Hill se esforçavam para tirar isso da mente dele, mas quando se é pequeno, tudo influencia.

N: Pois você vai ver, que não tem melhor soldado que eu, cadete Rogers. De pé, estufa esse peito. Sentido!

Natasha falou imitando um general e James riu, e entrou na brincadeira. Os dois brincaram a noite inteira e ambos pegaram no sono no tapete da sala.

...

No dia seguinte, Steve acordou com o barulho de Sharon, abrindo a porta da sala. Steve aproveitou que no dia anterior, ela não estava por lá, então ele não teria que ficar inventando desculpas por não ter dormido em casa. Steve teve tempo para refletir sobre sua relação com Sharon, ele não quer magoar ela, mas ele pode sentir que está ferindo ela do mesmo jeito, parece que ela sente que tem algo de errado, e a tristeza que ele vê nos olhos dela, o tem incomodado.

E o pior também, era Natasha, que sabe esconder muito bem o ciúme, não fica chorando por ele e parece bem. Ainda por cima está querendo ter um caso com o advogado, Steve ficou pensando o que os dois ficaram fazendo no apartamento depois que ele saiu. Steve socou a mesa, só de imaginar. Ele não quer e não aceita outro homem tocando a pele dela, beijando a boca dela, acariciando ela, fazendo ela sorrir. Essa situação era insuportável para Steve e está consumindo ele.

Steve esfregou a mão no rosto, tentando acordar e pensar no que devia fazer. Ele entrou no banheiro e trancou a porta, ele precisava respirar fundo antes de olhar Sharon de novo e dizer toda a verdade. Steve se olhou no espelho e repetiu para si que era o melhor a fazer. Ele precisa por um fim nessa relação falsa, ele é um homem honesto e não é justo com Natasha, muito menos com a Sharon.

Sharon: Steve?

S: Tô no banheiro. Já vou.

Sharon: Ok, trouxe café da manhã.

Steve respirou fundo, jogou uma água no rosto e repensou o discurso para terminar finalmente com a Sharon. Steve secou o rosto e saiu do banheiro, foi para a cozinha e Sharon estava ajeitando a mesa para o café. Ela olhou pra ele e sorriu.

Sharon: Bom dia. Trouxe seu favorito.

S: Obrigado. Sharon...

Sharon: Eles não tinham o seu favorito pronto ainda, aí eu insisti que tinha que ser de baunilha com gotas de chocolate.

S: Sharon...

Sharon: E eu queria fazer algo especial pra você, e fui falar com o gerente e ele ficou zangado, mas liberou. Acontece que tinha um monte no estoque e olha só.

Sharon colocou um velinha em cima do Muffin, acendeu e o pôs na mesa, olhando Steve, toda sorridente, mas Steve não entendeu o porquê do café da manhã especial.

Sharon: Parabéns para nós.

S: Hã?

Sharon: Completamos 6 meses de namoro.

Steve arregalou os olhos, mas logo disfarçou. Namoro? Tá que ele deixou ela rotular a relação, mas isso não tem nem 2 meses.

Sharon: Eu sei que estamos juntos há mais tempo, mas achei justo por 6 meses.

Steve estava completamente sem jeito, tudo que ele programou pra dizer pra ela e ela preparou tudo isso e ainda é a data de 6 meses de “namoro”. Estaria ele sendo muito canalha se ainda terminar?

Sharon: Vem, senta.

Sharon e Steve se sentaram. Steve segurou no muffin e apagou a vela, sem muito ânimo.

Sharon: O que foi? Tem algo de errado?

Pronto, é a hora. Steve vai dizer sim, mesmo sendo a comemoração dos 6 meses, não dá pra prolongar isso. Tem que ser hoje.

S: Sharon, isso é... Me desculpe, eu esqueci. Mas eu queria conversar com você...

Sharon: Eu sabia que ia esquecer, não tem problema.

S: OK, é que eu...

Sharon: Steve antes que diga qualquer coisa, preciso te dizer algo.

S: Eu também preciso te dizer.

Sharon: Olha, deixa eu falar primeiro, tá legal?

Steve consentiu com a cabeça. Sharon se levantou e se afastou da mesa. Steve a observou.

Sharon: Eu não sei como te dizer...

S: Então, deixa eu falar logo, Sharon, eu...

Sharon: Eu estou grávida!

Notas finais
Não percam o próximo capítulo de Casos de Família. Tema "Me engravidou e quer ficar com outra"