A Cidade das Sombras
1 Capítulo 1 - A Cidade das Sombras
A chuva caía fina sobre o para-brisa enquanto eu dirigia lentamente pela estrada cercada de árvores intermináveis. Forks. O nome soava como um sussurro perdido, quase sem importância, mas para mim era a promessa de anonimato. Um recomeço.
Meus dedos apertavam o volante com força. Não era medo. Era o peso do segredo que eu carregava. Desde que me lembrava por gente — o que, na verdade, não era tanto assim — eu sempre senti que havia algo errado comigo. Algo que me separava das outras pessoas.
O retrovisor refletia apenas meus olhos escuros, inquietos. Não havia ninguém me seguindo… pelo menos não dessa vez. Mesmo assim, eu conhecia bem a sensação de estar sendo caçada.
“Você é especial, Isabella…” A voz grave e fria de Aro ainda ecoava em minhas memórias, embora eu não entendesse por quê. Ele dizia isso antes de me trancar, antes de me moldar como queria. Mas eu fugi. Pela primeira vez, eu era livre.
Ou pelo menos tentava acreditar nisso.
Estacionei em frente à pequena casa de madeira que aluguei às pressas. O cheiro de terra molhada se misturava ao de pinheiros, pesado e intenso. Tudo parecia pacato, silencioso demais. O tipo de lugar onde vampiros jamais se importariam em olhar. Ou assim eu esperava.
Mas a sensação de estar sendo observada retornou com força.
Quando ergui os olhos, do outro lado da rua, avistei um carro prateado. E dentro dele, alguém que não deveria me chamar tanta atenção… mas chamou. A intensidade daquele olhar me atravessou como se pudesse enxergar além da minha pele, até os meus segredos mais profundos.
Meu coração acelerou.
Eu havia vindo a Forks para fugir de vampiros.
E, ironicamente, eles foram os primeiros a me encontrar.
Na manhã seguinte, a chuva não deu trégua. O som das gotas contra o telhado me acordou antes mesmo do despertador. Vesti meu casaco mais grosso e respirei fundo, tentando criar coragem para enfrentar o primeiro dia na nova escola.
O colégio de Forks parecia pequeno, quase insignificante comparado às cidades por onde já passei. Mas havia algo diferente ali, algo que me deixou em alerta no momento em que pisei no estacionamento.
Olhares curiosos me seguiam enquanto eu atravessava a entrada. A garota nova, era claro. Mas não eram esses olhares que me incomodavam. Era outro. Distante. Fixo.
No canto, próximo a um Volvo prateado, um grupo chamava atenção não apenas pela beleza sobrenatural, mas pelo modo como parecia… separado. Intocável. Eles não se misturavam com ninguém. E, ainda assim, todos ao redor não conseguiam tirar os olhos deles.
Meus passos vacilaram.
Meu instinto gritava.
Vampiros.
Prendi a respiração e fingi não notar. O plano era simples: passar despercebida. Fingir ser apenas mais uma humana. Não deixar rastros.
Mas quando um par de olhos dourados encontrou os meus, percebi que talvez fosse tarde demais para continuar fugindo.
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