A Cidade Escolar
1 Prólogo
O alarme de segurança tocava sem parar e os pesados passos com as botas negras ressoavam por todo o lugar, homens com pesados equipamento negros se moviam estrategicamente pelos vários corredores em busca de um único intruso.
Todos estavam muito bem equipados com armas de fogo com munições pesadas e altamente destrutivas, sua missão era apenas uma: destruir o intruso que havia ali.
Os disparos ensurdecedores não paravam, estava parcialmente escuro e dificultava a visão das tropas especiais, alguns tiveram de usar visão noturna para que pudessem cumprir com sua missão, mas isso quase não surtiu muito efeito contra o alvo.
A instalação secreta, que fazia pesquisas usando seres humanos como cobaias, estava sob ataque.
Ataque de uma única pessoa o qual não era possível saber sua aparência ou sexo, pois usava vestimentas pesadas e negras que lhe permitiam se misturar perfeitamente a escuridão. Sua face era coberta por uma mascara branca, uma mascara tristonha totalmente branca.
O alvo corria e se disfarçava na escuridão com total perfeição dificultando ainda mais sua caçada. Atacava os agentes das tropas especiais que não conseguiam distinguir de onde os ataques partiam, e isso os deixavam fortemente atentos.
Naquela instalação subterrânea só havia uma entrada e saída, e esse era o objetivo do intruso, mas escapar dali era complicado e completamente difícil.
As sirenes vermelhas forneciam uma pequena iluminação aos corredores onde os agentes tinham a pouca sorte de conseguir visualizar seu alvo, mas era tão rápido que os derrotava num simples piscar de olhos.
"Todas as tropas, se dirijam ao corredor trinta e dois, quinto andar! Repetindo: todas as tropas, se dirijam ao corredor trinta e dois, quinto andar!"
"Solicitando reforços no corredor dezoito, quarto andar!"
"Contanto visual com o intruso no corredor vinte... Estamos sob ataque! Requisito reforços imediatamente... AH!"
Os rádios-transmissores não paravam. O alvo era apenas um, mas parecia estar em vários locais ao mesmo tempo. Mesmo que as tropas especiais fossem completamente compostas por profissionais, eles não tinham chance alguma contra aquele intruso.
Suas armas e suas munições não surtiam efeito algum sobre o alvo. Antes que estas entrassem em contato com seu corpo eram repelidas por uma espécie de barreira composta por eletricidade.
"Está aqui! Está aqui! Corredor nove, terceiro andar! Estamos sob ataque! Requisito... Ah!"
— Tsc! Eles não param de vir um atrás do outro, isso está começando a me irritar! — resmungou o intruso — Preciso passar por mais dois andares até chegar à saída, mas tenho certeza que há uma emboscada me esperando lá. Preciso encontrar uma rota antes de chegar lá.
O intruso correu rapidamente pelo corredor pouco iluminado e por azar se deparou com cerca de vinte agentes, nesse momento soltou um pequeno palavrão antes de começar a se mover enquanto os agentes disparavam sem cessar.
O intruso era rápido, se movia horizontalmente conseguindo se desviar por poucos centímetros dos disparos que faziam um caminho na parede atrás dele.
Saltou e se apoiou na parede ficando em pé numa posição vertical, literalmente correu pela parede enquanto os disparos o seguiam.
Alguns dos disparos se aproximaram de seu corpo, mas uma barreira de eletricidade os repeliam facilmente e algumas vezes os repeliam na direção da própria tropa.
Ele saltou e dessa vez se fixou no teto, correu de cabeça para baixo enquanto escapava, inesperadamente saltou e se lançou ao meio do pequeno esquadrão, moveu a mão e retirou um sabre reluzente que estava escondido sob as vestimentas negras em sua costa.
Moveu a lâmina de maneira habilidosa, usando-a para repelir os disparos e muitas das vezes até mesmo os cortá-los.
Pousou no centro do pequeno esquadrão e avançou sem hesitação. Moveu sua lâmina e atacou. O primeiro foi um agente que avançou enquanto segurava um bastão de eletricidade, ele foi derrotado por um simples movimento que o dividiu em duas partes.
Todos os agentes ali também retiraram seus bastões de eletricidade e avançaram de uma só vez contra o intruso.
Ele segurou firmemente seu sabre enquanto emitia pequenas faíscas elétricas, toda a lâmina de sua arma foi coberta por correntes de eletricidades que eram muitas vezes mais fortes e potentes que as emitidas pelos bastões que os guarda seguravam enquanto avançavam sobre ele.
Ele avançou, escorregou por debaixo do pequeno esquadrão se esquivando dos vários bastões de eletricidade, girou o corpo e com uma das perna chutou um agente que estava prestes a lhe acerta, o golpe fez o homem ser lançado em direção ao teto.
Antes que todos pudessem perceber, o intruso havia desaparecido e reaparecido sobre o corpo do homem que ainda estava no ar, com um das mãos pegou o homem pelo colete a prova de balas e o lançou em direção aos outros agentes.
Novamente desapareceu e reapareceu no meio do pequeno esquadrão que agora não tinha mais que dez homens.
Com seu sabre ele fincou e atravessou um dos agentes e avançou enquanto o usava como um escudo humano contras os disparos dos outros agentes, o intruso então, aproveitou o momento em que todos pararam para recarregarem suas armas.
Ele então segurou o corpo do homem morto em sua lâmina e o lançou na direção dos agentes que bloqueavam a passagem de saída daquele andar; após derrotar todos ali, o intruso novamente correu e avançou para o próximo andar onde a saída daquele laboratório subterrâneo estava.
Diferente dos outros andares, este estava completamente vazio, não havia funcionários ou muito menos agentes das tropas especiais.
O intruso se manteve mais alerta ainda, alguma coisa estava anormal ali e ele sabia que encontraria sua resposta assim que chegasse ao hall de entrada do laboratório subterrâneo.
Ao passar pelo ultimo corredor e chegar ao hall de entrada, não havia uma grande emboscada com vários agentes como o intruso esperava, pelo contrário, havia apenas um único homem o esperando ali.
Tinha o dobro da altura do intruso, possuía uma pele negra e era bastante musculoso. Com olhos pequenos e afiados iguais aos de um tigre.
Diferente dos agentes, ele usava um casaco negro com detalhes prateados, era algo como uma espécie de uniforme.
O intruso sentiu uma incrível e ameaçadora aura assassina emanar do homem, o que o fez dar um pequeno passo para trás e adotar uma postura de alertada.
O sabre em sua mão ainda estava sujo com o sangue dos agentes que havia derrotado no andar inferior, e o tempo que os dois ficaram se encarando fez com que algumas gotas de sangue caíssem e manchassem o piso totalmente branco.
Antes que a próxima gota de sangue a cair pudesse tocar o chão, ambos se moveram quase que instantemente.
O intruso usou seu sabre para atacar e o homem usou nada mais que seus punhos nus para segurara a lâmina, o impacto criou uma onda de ar que destruiu todos os objetos de vidros que haviam ali.
A lâmina do intruso soltou faíscas elétricas e ao perceber isso o homem largou a lâmina o mais rápido possível e se afastou do alvo. Olhou para as palmas das mãos e percebeu que haviam sido queimadas pelas faíscas elétricas do intruso.
O homem olhou para frente novamente e reparou que o intruso já estava sobre ele com o próximo ataque, o homem então socou seu oponente o obrigando a usar o sabre para se defender, mas mesmo assim ainda foi jogado para trás com a força e o impacto do soco.
O intruso olhou atentamente para os punhos do homem e notou que faíscas elétricas também saiam dele.
Sem aviso algum o homem avançou sobre o intruso, ergueu o braço e o baixou tão rápido e forte quanto o movimento de uma guilhotina; aliás, foi o que ele disse ao baixar o braço.
— Guilhotina esmagadora!
O intruso foi obrigado a usar seu sabre para se defender novamente, mas com a força e impacto do golpe de seu oponente, ele afundou no chão.
— Hm?!
Fez o homem ao notar algo se mover rapidamente em sua direção por baixo, o que o obrigou a saltar para longe para poder se esquivar do ataque.
Olhou em direçao ao intruso e percebeu que o que atacou saía de suas costas.
Uma asa.
Apenas o lado de uma asa, mas não uma asa comum como as de um pássaro, era uma asa de pura eletricidade, uma asa azul e branca que cintilava e fazia o mesmo zumbindo de descargas de eletricidade.
— Não pensei que teria de usar isso aqui...
Disse o intruso ofegante e aparentemente exausto, ele mal conseguia ficar de pé e teve de se apoiar em um dos joelhos para que não desabasse ali mesmo.
Sua visão estava embaçada e ele mal conseguia definir nitidamente a figura do homem negro parado em sua frente.
— Uma asa de eletricidade... Então é mesmo você! — o homem riu — Finalmente te encontramos, mestre Hugo ficará contente se eu lhe levar junto comigo. Como você é importante para ele, não poderei te matar aqui e levar somente o corpo, mas posso me divertir um pouco e lhe leva num estado quase morto.
As palavras do homem fez com que o intruso sentisse um pequeno calafrio em seu corpo.
Ele então ficou de pé e segurou firmemente seu sabre. Um forte brilho começou a emanar da lâmina seguido de um zumbido; faíscas elétricas começaram a saltar da arma.
O intruso balançou seu sabre em direção ao homem e uma forte rajada elétrica foi disparada, uma rajada tão forte e potente como um raio.
O forte estrondo era ensurdecedor e o brilho era tão forte e intenso que chegava a cegar.
O intruso aproveitou essa oportunidade para fugir, mas ao passar próximo ao local onde havia lançado seu ataque, um braço surgiu em meio à cortina de fumaça causada pela explosão.
A enorme mão negra segurou em seu pescoço como uma garra de ferro, o jogou contra o chão e depois segurando por uma de suas pernas o lançou contra a parede branca criando uma pequena cratera.
Se o intruso não tivesse usando uma mascara, sua face estaria coberta com seu próprio sangue.
Caminhando como se nada houvesse acontecido, o homem saiu da cortina de fumaça sem ferimento algum — apenas suas roupas estavam rasgadas e queimadas.
Ele caminhava em direção ao intruso caído que certamente não tinha mais condições alguma de continuar a lutar.
A máscara quase que completamente quebrada de todo o lado esquerdo revelava uma pele clara e possuía um traçado feminino.
A essa altura já era certo concluir que era uma garota que estava sob aquelas vestimentas negras.
Ela então fracamente ergueu uma das mãos — em seus lábios uma linha de sangue descia assim com de seu olho esquerdo -, e a apontou para a direção do sabre que estava fincado próximo ao homem, com sua foz muita fraca pronunciou:
— Corrente elétrica...
— Hm?!
O homem não teve tempo para conseguir se esquivar e muito menos se defender. Várias rajadas de eletricidades com a mesma potência de um raio começaram a sair do sabre até que se explodissem.
Quando o forte clarão desapareceu, o homem saiu da cortina de fumaça sem ferimentos algum novamente, ele olhou em volta e não encontrou o intruso, ou melhor, seu alvo, a garota, em lugar algum ali; ela havia conseguido escapar e conseguiu até mesmo recuperar seu sabre.
— Finalmente. — o homem sorriu largamente — Finalmente te encontramos, o jovem mestre ficará extremamente contente ao saber que sua querida irmãzinha está na Cidade Escolar.
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