A Cidade Escolar

13 A Princesa Intocável. (08/09)


Parte 8

Escola Sant’Angelus:

Os passos do professor ecoavam pelo corredor deserto, já estava escuro e não ha­via mais ninguém na escola além dele. Ele caminhou calmamente até o quinto pré­dio que havia dentro da área da escola, mas que estava sempre oculto por uma bar­reira.

Flamel era bastante conhecido por sempre estar usando um jaleco branco, mesmo em dias de folga, ninguém realmente sabia o motivo pelo qual ele sem­pre usava aquilo, mas todas as vezes que o perguntavam, ele respondia que era apenas para complementar seu estilo, embora isso não tivesse nada a ver com ele.

Ele caminhou calmamente com as mãos nos bolsos do jaleco e ao passar pela bar­reira houve um fraco zumbido.

Diferente dos outros prédios, esse não se não possuía característica alguma de uma escola.

Ele se parecia com um luxuoso hotel cinco estrelas, as longas janelas de vi­dros em formas de arco revelavam que todos os andares estavam acesos; mesmo que hou­vesse apenas um único hospede ali, o qual era dono do lugar também.

Após passar pela grande porta dubla completamente branca e com deta­lhes de uma arquitetura riquíssima, Flamel se encontrava no hall de entrada, o local era bem organizado, possuía várias poltronas de espera e até mesmo um balcão de recepcio­nista.

Os pilares brancos eram perfeitamente detalhados com esculturas de flo­res, as lâm­padas no teto iluminam de forma perfeita o local, a escadaria que dava acesso aos andares superiores onde os quartos para hospedes estavam, possuía um longo tapete vermelho, assim como seus corrimões dourados e perfei­tamente polidos.

Entretanto, não havia ninguém ali para apreciar ou contemplar a arquite­tara do lu­gar.

Uma garota desceu pelas escadas e se dirigia ao professor que fumaça en­quanto es­tava sentando em uma das poltronas, ele parecia já acostumado com lugar, pois parecia muito bem à vontade ali.

— Vejo que ele ainda está enfiado naquela sala como de costume, estou certo?

Perguntou ele enquanto soltava uma pequena nuvem de fumaça e olhava para a ga­rota.

— Sim, ultimamente ele está estudando sobre o milênio passado.

— Oh, ele realmente gosta dessas coisas. Bem, não há muitas coisas que ele possa fa­zer também, então não posso culpa-lo por ser um viciado em livros. Bem, acho que vou visitar ele, se importaria em nos trazer um pouco de café, Helena?

— Levarei em breve.

Helena possuía olhos semiabertos escondidos atrás dos óculos com arma­ções ovais, seus cabelos escuros eram perfeitamente arrumados, sua franja longa constante­mente tombava para o lado esquerdo da cabeça e por isso ela quase sempre a ajeitava atrás da orelha, seu rabo-de-cavalo era exatamente no topo da cabeça e descia até a altura do pescoço.

Suas roupas sociais e impecavelmente arrumadas lhe faziam se parecer exata­mente como uma secretaria executiva de uma grande empresa importantís­sima, em­bora que também fosse um pouco sensuais devido a suas medidas excelentes e suas curvas bem acentuadas.

— Ah, certo, obrigado então. Agora eu irei tomar um pouco do tempo dele para jogar­mos um pouco de conversa fora.

Flamel apagou seu cigarro no pequeno cinzeiro que havia sobre a mesa de vi­dro em frente à poltrona onde estava sentado e depois subiu as escadas, virou para a di­reita e seguiu reto pelo longo corredor detalhada com inúmeros qua­dros que replica­vam pinturas de artistas renomados.

Ele parou em frente a grande porta dupla feita inteiramente de carvalho e al­ta­mente polida; ela não estava fechada e sim entreaberta.

Flamel entrou sem hesitação alguma.

A sala era gigantesca e parecia não haver fim no fundo, estava lotada de inú­me­ras estantes completamente cheias de livros, desde os mais antigos até os mais novos que seguiam até o teto.

Flamel caminho entre as estantes por um tempo até concluir que a pessoa que procu­rava não estava ali, ele então olhou para o alto teto que parecia estar extrema­mente longe do chão.

Nele havia uma figura sentada de cabeça apara baixo enquanto lia uma pe­sada e grossa enciclopédia. Pelo fato de não perceber o professor ali, signifi­cava que estava altamente concentrado.

Assim como Helena, ele usava roupas bastante elegantes e de marcas, seus olhos azuis eram pequenos e afiados como os de uma besta e sua pele pálida mostrava que ele não saía à luz do dia há bastante tempo.

— Ei, você precisa se socializar um pouco de vez enquanto.

— Não me diga, eu realmente fico grato em saber que você se preocupa co­migo tanto assim, mas infelizmente eu não estou apto a relações amorosas e você também não faz meu tipo.

— Isso, de alguma forma, machucou um pouco. É sério, como diretor dessa es­cola, você deveria mostrar seu rosto para as pessoas algumas vezes.

— Eu não deixei você responsável pela administração da escola na minha ausên­cia? Você está fazendo um ótimo trabalho de fato, continue assim e você avançara para o próximo nível.

— Quando foi que isso se tornou um jogo?

— Ah... Agora.

— Parece que não tem jeito...

Flamel andou até a parede onde tocou sua mão e algumas fagulhas elétri­cas surgi­ram, elas fizeram um caminho até onde o suposto diretor da escola estava sen­tado e em seguida ele caiu.

Mesmo no ar, o diretor não tirou os olhos da grossa enciclopédia que lia, Fla­mel chu­tou uma cadeira que estava próxima na direção onde o diretor iria cair, e supreenden­temente ele caiu sentado sobre a cadeira como se nada hou­vesse aconte­cido.

— Ah, isso foi bem interessante.

Disse o diretor enquanto colocava a pesada e grossa enciclopédia sobre uma mesa próxima de onde estava.

— Muito bem, o que o traz aqui assim tão de repente, meu caro professor Fla­mel?

— Parece que as coisas finalmente começaram a se mover, agora nós possuí­mos três peças.

— Três?

— Sim.

Flamel jogou uma pasta com algumas folhas sobre a mesa, que revelaram a ficha de um dos alunos da escola.

— Riley Salvatommis, o filho que o Professor adotou há quinze anos logo após aquele incidente. Ele é a última peça que faltava para que as coisas começas­sem a se mover novamente.

— Ora, ora... – o diretor colocou seus olhos sobre a foto do garoto – Parece que as coi­sas vão ficar interessantes por aqui novamente.