A Cidade Escolar
11 A Princesa Intocável. (06/09)
Parte 6
Refeitório:
Após o término dos primeiros períodos, durante o intervalo do almoço, Arthur e Riley estavam conversando distraidamente enquanto comiam suas refeições, duas garotas se aproximaram deles.
Uma era a garota de sorriso natural e olhos que pareciam estar fechados, Riley se lembro que ela foi a primeira a lutar na simulação de combate mais cedo.
A outra garota era menor e possuía um corpo delgado com cabelos ondulados que cobriam seus ombros, eles possuíam uma coloração similar à de chamas.
— Podemos nos sentar com vocês?
— Ah, And, claro, pode sim. – respondeu Arthur a garota que sorria.
— Você é o garoto que derrotou a Princesa Intocável, não é?
— Ugh!
— Ei, Riley, vocês está bem? Ei, aguente firme!
— Ah... Ahaha... Desculpe, eu acabei me engasgando com o pudim.
— Riley, essa é Violet McGray.
— Mas pode me chamar apenas de And.
— E essa é Lucia Brownler.
— Prazer. – ela fez um simples gesto de cabeça.
— Você foi aquele que derrotou a Princesa Intocável, não é?!
— Ei, Violet, não fale alto assim. Você acabará chamando a atenção dos outros.
— Ah, desculpe, Lucia, é que não consegui me segurar e me empolguei um pouco. Mas foi você, não foi? Quem derrotou a Princesa Intocável?
— Bem... Eu não diria que a derrotei, aquilo foi apenas uma simulação de combate corpo-a-corpo.
— Desde que chegou aqui, ela nunca havia perdido um combate, tanto na simulação quanto real.
— Real?
— Ela quis dizer brigas fora da escola. – explicou Arthur.
— Então ela também briga fora da escola?
— Eu não diria que é ela que começa, é bem comum alguns veteranos a desafiarem para uma luta fora da escola, mas até agora ela nunca perdeu uma única vez sequer.
— Você parece bem animada com esse tipo de assunto, né?
— Violet admira a forma que Nebrissa age.
— Ai, Lucia, pare com isso, você está me deixando envergonhada.
— Você está ficando vermelha, And.
— Hm, é mesmo, há algo que eu quero perguntar.
— O que foi, Riley?
— Toda vez que alguém se refere a Nebrissa, a chamam de Princesa Intocável. Por quê?
Os três se entreolharam após a pergunta de Riley, eles parecem receosos em responder e hesitaram. O garoto olhou em volta e percebeu que várias pessoas o olhavam enquanto murmuravam alguma coisa.
Ele escutou algo sobre o combate do primeiro período de uma mesa próxima a que ele estava, então chegou à conclusão de que era ele e Nebrissa a quem se referiam nas conversas.
— Ei, por que todas a chamam assim, há algum motivo em especial?
— Olha Riley, eu não aconselho muito a você querer saber sobre isso.
— Por quê?
— Bem, esse é um assunto um pouco...
Antes que Arthur pudesse terminar de falar, todas as pessoas que estavam no refeitório se calaram imediatamente, Riley olhou e percebeu que todos olhavam em uma única direção, a da entrada.
Ele conseguiu distinguir de longe um silhueta conhecida, cabelos negros a altura dos ombros e uma pele incrivelmente clara.
Nebrissa Valentine, uma aluna envolta por mistérios e segredos, ninguém sabe de onde ela veio ou quem são seus pais.
Se transferiu para a escola que está atualmente há cerca de um mês, ficou bastante conhecida entre os professores por possuir uma das melhores pontuações entre os alunos do primeiro ano, excelente nos esportes e nos estudos.
Também bastante conhecida por sua incrível frieza e individualidade, derrotou cerca de trinta pessoas através de simulações de combate, depois disso ninguém mais quis desafia-la novamente.
Apesar de sua ótima aparência, é solitária e não compartilha nada de si com ninguém, mas mesmo assim possui alguns admiradores.
Ninguém nunca a viu mudar sua expressão tranquila ou mostrar outras emoções antes, era como se ela fosse apenas um recipiente vazio.
Essa era a informação que qualquer pessoa que sabia sobre a garota iria fornecer, ninguém sabia mais que isso e não estavam interessados em tentar descobrir mais, pois temiam ser descobertos pela garota e serem completamente massacrados.
Uma besta selvagem para alguns, apenas uma garota solitária para outros, mas para Riley, era apenas uma garota que estavam sendo mal compreendida.
Por isso ele sempre ignorou os avisos de Arthur, falou normalmente com ela e até mesmo lutou contra ela, para Riley, Nebrissa era apenas Nebrissa, apenas uma pessoa levando sua vida como quer.
Ele não se importava se ela o ignorava quando tentava falar com ela, ou quando a saudava em qualquer lugar que a encontrava.
O que ele realmente queria descobrir, era o porquê de todos a chamarem de Princesa Intocável, isso havia atiçado sua curiosidade desde o primeiro momento em que ouviu sobre esse título.
Nebrissa apenas pegou um sanduiche e um suco de uva em lata e se retirou, enquanto fazia seu caminho de saída do lugar, notou ao longe uma figura que conseguiu identificar na hora devido ao cabelo bagunçado, somente uma pessoa poderia ser o dono daquele cabelo, e esse era o próprio Riley.
O garoto percebeu que ela o encarava enquanto ia embora e resolveu ir atrás dela no mesmo instante.
— Ei, Riley... Espere! O que você... Ei!
Arthur o chamou, mas o garoto nem sequer se deu o trabalho de ouvir.
Ele andou a passos largos enquanto seguia o rastro da garota que parecia estar sempre um passo à frente dele, seguiu pelas escadaria até chegar a uma porta-dupla metálica, um dos lados estava aberto e através da fresta ele conseguiu ver o que havia atrás da porta.
O terraço da escola, um ótimo lugar para descansar enquanto alivia os pensamentos que pensam em sua cabeça, aquele era o local onde a maioria das vezes alguns alunos procuravam para ficarem a sós ou apenas para descansarem e reorganizarem seus pensamentos.
Um ótimo lugar pra quem gosta de ser solitário e para comer refeições sem ser perturbado por outras pessoas ou pelo vozerio alto do refeitório; ali havia apenas uma vista em que se era possível ver toda a área atrás do prédios da escola, uma longa paisagem com campos de futebol, beisebol entre outras coisas.
Escondida atrás da entrada, onde a sombra se formava estava a figura de uma garota sentada sozinha enquanto comia seu sanduiche e tomava seu suco de uva enlatado, ela comia tão distraidamente que não percebeu quando o garoto se aproximou normalmente e a encarou por alguns segundos.
Quando finalmente percebeu, apenas o lançou um olhar de indiferença e fez a seguinte pergunta:
— O que foi? O que você quer aqui?
— Eh, então esse é o terraço da escola, é um ótimo lugar para se passar o tempo quando se quer pensar em algo. Você parece que vem aqui quase todas as vezes, ou estou errado?
— Se eu venho ou não, isso não é da sua conta, então não fale comigo e me deixe em paz.
— Hm... Certo. – ele pôs sua mão na cabeça da garota – Amigo, amigo. Não precisa ficar toda irritadinha assim. Vamos lá, calma, calma, amigo, amigo.
Uma veia pulsou na testa de Nebrissa e com uma única mão amassou a lata em sua mão como se fosse feita de borracha. Com um rápido movimento moveu seu braço na direção do estomago de Riley e tentou lhe acertar um golpe.
Sua mão acertou em cheio a parede de concreto causando uma pequena rachadura, mas ela não havia nem sequer encostado no garoto, ele se afastou antes que o atacasse.
— Isso foi perigoso, não devia fazer essas coisas sem avisar as pessoas. Veja, a parede ficou rachada. Como pretende concertar isso, hm? Você a quebrou, não é? Não foi? E agora, o que fará? Eita!
Enquanto Riley falava, Nebrissa avançou sobre ele com uma das pernas enquanto tentava lhe acertar um chute, mas o garoto se esquivou ao saltar para trás.
— Você não devia atacar as pessoas enquanto elas estão falando, não é educado, sabia?
— Eu estava me perguntando que tipo de pessoa você seria, e pelo que vejo, cheguei à conclusão de que você é um cara extremante irritante. – disse Nebrissa irritado enquanto uma veia pulsava em sua testa.
— É, eu faço o que posso de vez enquanto. Mas você finalmente reagiu e me respondeu, acho que isso significa que demos um passo em frente, ou melhor, um salto. – disse ele após ver a distância em que estavam. – Já está mais calma agora?
— O que é que você veio fazer aqui?
— Hm, nada demais, apenas vi uma linda garota subir para o terraço da escola e resolvi segui-la porque parecia divertido.
— Você quer morrer?
— Ainda não.
— Eu vou te matar.
— Hm... Aí complica...
— Tsc! Por algum motivo você parece que não tem medo de mim.
— E por que eu teria?
— Você não anda bastante com o pessoal da sala? Já deveria saber que eu não sou uma boa pessoa, e mesmo assim vem falar comigo, que tipo de idiota é você?
— Err... Isso machucou um pouco sabia? Mas realmente, até agora todos me falam sobre você ser alguém ruim. Uma garota extremamente estressada que se isola da turma e prefere viver uma vida solitária enquanto faz uma expressão azeda. É, não há dúvida sobre isso, você deve estar passando pela puberdade... Eita!
— Eu realmente quero te matar agora.
— Então, por que é que você age assim?
— Isso não tem a ver com você, então não tem porque eu responder.
— Um trauma típico de trauma após o término do namora, compreendo... Então, há quanto tempo ele te deixou? Traiu com sua melhor amiga?
— MORRA!
Nebrissa avançou novamente sobre Riley enquanto desferia uma sequência de golpes que foram completamente esquivados pelo garoto.
Ele parecia estar se divertindo enquanto irritava a garota de forma que ela não conseguia se segurar e acabava avançando sem pensar. Quando ela finalmente percebeu isso, sentia raiva de si mesma por ser tão idiota assim.
— Que bom, parece que você finalmente começou a agir como quer.
— Hm?
— Sabe, eu ouvi várias coisas a seu respeito, e nenhuma dela era um elogio... Hã, acho que só a parte em que você era uma das primeiras na lista de garotas mas desejadas da sala, mas só isso mesmo.
Nebrissa estalou os dedos das mãos após ouvir isso.
— Só estou brincando, certo. Seus olhos, eles são parecidos com os meus, eu percebi isso logo na primeira vez em que nos encontramos, quando enfrentei aquele cara com cabelo dourado.
— O que você quer dizer?
— Você possui a mesma expressão que eu, olhos completamente vazios e muitas dúvidas, o olhar de quem perdeu algo muito importante. Eu consigo ver isso em você. Você usa uma máscara para esconder como realmente se sente porque está com medo, e eu sei disso.
— O que você sabe sobre mim? Fica aí dizendo essas coisas, fingindo querer se aproximar de mim, fingindo ser meu amigo. Você é apenas um completo estranho que acabou de chegar, o que você poderia saber sobre mim? Você não sabe de nada!
— Eu sei... Eu sei porque aconteceu o mesmo comigo também. Ficar se lamentando enquanto se esconda atrás de uma máscara e se afasta de todos não irá resolver nada, você só irá se ferir ainda mais e acabará sem nada e nem ninguém. É verdade que eu não passo de um estranho e que eu não sei nada sobre você, mas eu sei que o caminho que você está escolhendo agora é errado...
— Vá embora! Me deixe sozinha! Eu não preciso de sua generosidade e nem de seus sermões. Então vá embora e me deixe sozinha!
Riley não respondeu, ele apenas observou a garota em silencio. Respeitou o pedido que ela havia feito e se retirou dali a deixando completamente sozinha.
Ele não era o tipo de pessoa que obrigaria os outros a algo, ele respeita a opinião da pessoa e não envolvia no assunto, era esse o tipo de pessoa que ele era.
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