Notas iniciais
Oiii pessoas! Cá estou eu, publicando a segunda fanfic que comecei a escrever. Eu já havia começado a escrever outra, tinha até publicado o primeiro capítulo, mas decidi apagar, para fazer algumas modificações. De qualquer forma, essa aqui é a minha primeira fanfic original =)

A noite chegou sobre a cidade como um manto negro que cobria todo o céu avermelhado do pôr do sol. Aquelas ruas largas pareciam ainda maiores sem o movimento e a agitação do dia, com vendedores ambulantes, carruagens, pessoas atarefadas pedindo passagem em meio a uma diversidade de aparências. Esse era um lugar tão conhecidamente belo por suas artes, por seus prédios, por sua população.

Assim era Paris em 1810. Aquele frio típico do começo do ano não era um incentivo às pessoas a saírem de casa. Todos preferiam resguardar-se no conforto de seus lares e descansar até que o sol trouxesse de volta o dia e as levasse às suas obrigações diárias.

Para Annelize, porém, era possível tudo, menos descansar naquele momento. Não quando se estava tão ansiosa e agitada. Ela andava de um lado para o outro em seu quarto aguardando a hora mais adequada. Olhou pela janela pela centésima vez naquela noite e, sem conseguir esperar nem mais um segundo, pegou o xale jogado sobre a cama e cobriu os ombros, abriu a porta bem lentamente e saiu pelo corredor, andando nas pontas dos pés a fim de fazer o mínimo barulho possível. Todos já estavam dormindo. Aquele era o momento certo.

Ela desceu as escadas que vão direto ao hall principal da mansão. Uma área enorme com um luxuoso e imenso tapete persa no centro. Em volta, algumas poltronas e uma mesa de centro. Recostado na parede, havia um armário de carvalho, ao típico estilo francês com flores e ondas esculpidas em toda a sua extensão periférica, os pés que o sustentavam terminavam em volutas que lembravam uma concha de caracol. Sobre este cômoda estava um candeeiro de mão, o qual ela acendeu e se dirigiu à porta de entrada, saindo noite afora.

As ruas escuras eram iluminadas apenas pela luz da lua de do candeeiro que ela levava, que mal clareava em um raio de 2 metros. Caminhava a passos largos, dificultados pela falta de ar causada pelo espartilho extremamente apertado. Essa, porém, já não era a primeira vez que ela saía às escondidas tão tarde. Já não sentia tanto medo quanto nas primeiras vezes que decidira participar dessa loucura. O que ela tinha na cabeça? Não era certo fazer isso, não só por ser perigoso para uma mulher andar sozinha no meio da noite, mas também por sua reputação. Seus pais que nunca sonhassem com isso!

Começou a sentir-se mal quando se lembrou deles. Não que ela tivesse sido uma filha exemplar durante os seus 18 anos de vida, muito pelo contrário. Não era como as outras moças, não tinha tanta facilidade para engolir as ordens infundadas de seu pai. Era incapaz de entender como as mulheres abaixavam a cabeça tão facilmente, mas, infelizmente, assim eram as meninas com quem convivia. Ela era o galho torto da sociedade.

A razão de muitas das brigas entre ela e seu pai, Jacques Bonnard, era principalmente, pelo desejo deste de que a filha casasse.

- Já passou da idade – dizia ele. – Pare de criar confusões. Eu sempre lhe apresento os melhores partidos da cidade, mas nenhum deles lhe agrada! Se você acha que vai conseguir escapar a vida toda do casamento, mocinha, está muito enganada.

Ela sempre argumentava que não era obrigada a casar tão cedo. Que as mulheres de hoje não eram como a sua mãe, Amélia Bonnard, que casou com 15 anos de idade.

Não que Annelize não sonhasse em se casar. Ela sonhava sim, queria morar em uma casa imensa e ter vários filhos.

E de fato nunca lhe faltaram pretendentes. Ela era uma moça muito bonita, em plena flor da idade. Seus cabelos castanhos escuros, quase negros, lisos, com suaves ondulações nas pontas, ela quase sempre mantinha preso em um belo coque alto, mas, quando soltos, chegavam até sua cintura. As maçãs de seu rosto e lábios eram levemente rosados. Tinha um corpo magro, com curvas bem definidas, das quais se orgulhava. Porém, o que ela considerava de mais bonito em si mesma eram seus olhos verdes, herdados de sua mãe.

Com todos esses atrativos, e sendo ela parte de uma das famílias mais ricas e tradicionais da França, não era difícil que conseguisse pretendentes. Pelo gosto de seu pai, já estaria casada desde os 16.

Nesse momento, andando solitária a passos apressados pelas ruas de Paris, ela passa em frente à Catedral de Notre Dame. A mais belas de todas as catedrais, em sua opinião. Não lhe era possível passar por ela sem parar e contemplá-la por alguns instantes. Aquela belíssima e gigantesca arquitetura gótica, com torres tão altas que pareciam tocar o céu. Os maravilhosos vitrais que iluminavam todo o interior da igreja com as mais diversas cores, davam a impressão de você estar no próprio reino de Deus. Aqueles santos e anjos esculpidos diretamente nas colunas e nas paredes pareciam olhar e escoltar todos que passam. Até mesmo as gárgulas, que eram consideradas assustadoras pela maioria das pessoas, tinham uma beleza própria, para Annelize, por sua singularidade.

Sempre disse a si mesma que seria lá o seu matrimônio, porém com o homem que amava.

Continuou sua caminhada até chegar a uma praça que geralmente era muito movimentada durante o dia, mas se encontrava completamente vazia agora. Sentou-se em um dos banquinhos e esperou.

“Definitivamente isso não está certo.” Ela pensava constantemente enquanto esperava, pesando sua consciência. “Mas o que posso fazer? Papai quer que eu me case com um estranho. Jamais aceitarei isso. Uma hora ele vai acabar compreendendo.”

Ela não se conformava em estar noiva de um homem ao qual nunca vira o rosto. A única coisa que sabia sobre ele era que era um burguês muito rico, muito mais do que a família dela. Um tal de Gérard Duhamel . Um homem estranho e pouco sociável. Pelo menos ela o imaginava assim. Era o que ela podia esperar de um homem que a propôs em casamento sem nunca haver mostrado-lhe o rosto, nem nunca ter feito questão disso. Porém seu pai, claro, concordara com o pedido. Jacques jamais recusaria um único pedido de um homem tão poderoso, mesmo que esse pedido fosse sua própria filha.

A indignação com o comportamento do pai aliviou um pouco o peso na consciência de Annelize, e ela agora estava mais tranquila.

“Está demorando demais!” – ela pensou.

Poucos minutos depois, ela avista uma silhueta caminhando em sua direção poucos metros a sua frente e, apesar de não conseguir ver o rosto da pessoa que se aproximava, tinha certeza de que era quem ela estava esperando.

Um enorme sorriso surgiu em seus lábios ao confirmar suas expectativas quando finalmente reconheceu o rosto de Adam Pelletier. No ímpeto de juntar-se a ele, Annelize se levantou e correu em sua direção.

Todas as preocupações e receios desapareceram instantaneamente de sua cabeça e deram lugar àquele homem, por quem Annelize esteve esperando impacientemente. Por quem ela estava cometendo a maior loucura de sua vida.

Porém, quando estavam juntos, a ideia de se encontrarem escondidos já não parecia tão absurda. Ela simplesmente não conseguia ficar afastada dele por muito tempo. Tudo ficara tão difícil depois que seu pai proibira o namoro, que ela passou a pouco se importar com convenções.

Não renegaria sua felicidade quando ela encontrava-se tão perto. Era muito fácil amá-lo, não conseguia imaginar uma mulher que o olhasse sem nutrir qualquer sentimento. Um rapaz bonito, aos 24 anos de idade, cabelos loiros, geralmente bagunçados, olhos azuis tão vivos que davam a ele um ar angelical. Pelo menos ele era assim aos olhos de Annelize.

Os dois se abraçaram em um aperto forte, levando embora a saudade que sentiam um do outro. Ele lhe roubou alguns beijos em meio aos sorrisos que exprimiam pura alegria.

- Você demorou. – ela falou, mas sem colocar qualquer ressentimento nas palavras.

- Perdão, meu amor, eu tive problemas para sair de casa hoje. – ele respondeu ainda beijando-a.

- Problemas? – ela perguntou, preocupada.

- Nada com que você precise se preocupar. – ele falou e então segurou sua mão. – Vamos!

Ele a levou até uma rua que, de um lado, havia uma série de casas humildes, algumas até mesmo abandonadas, e do outro, ficava o rio Sena.

Lá, Adam a começou a beijá-la mais intensamente e ela o correspondia sem hesitar. Os dois, tão entretidos um no outro, mal notaram que Annelize andava para trás até suas costas se encontrarem com o muro da casa mais próxima.

- Anne, eu te amo. – ele falou, quase sem fôlego. Suas mãos seguravam o rosto corado da menina, os lábios dela mais vermelhos que nunca.

- Eu também te amo. Amo muito! – ela respondeu, sentindo a verdade por trás de cada palavra sua. Amava-o como nunca havia amado nenhum outro homem em toda sua vida. E era apenas por um amor tão grande quanto esse que se permitia cometer essa loucura, que a põe contra tudo o que aprendeu durante toda a sua vida. Os costumes agora de nada valiam.

Em um movimento rápido ele jogou o xale que ela vestia no chão. Aos poucos, delicadamente, ele, já sem camisa, a despiu, deixando-a apenas com a anágua e o espartilho.

O vento frio do inverno arrepiava-lhes os pelos do braço e da nuca, mas eles pareciam pouco se importar. Os dois corpos juntos estavam aquecidos.

E, no fundo do peito, Annelize sentia que seu sonho, mais cedo ou mais tarde, se realizaria. Um casamento lindo com alguém que a amava verdadeiramente, quando, enfim, se tornaria Annelize Pelletier.

Notas finais
Eu espero realmente que alguém tenha lido e gostado. Então, se você leu e gostou, comente =D se leu e não gostou, comente e diga em que pode ser melhorado ;)
É isso, beijinhos e abraços
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.