A Christmas Gift
3 Capítulo 3
Como um monstrinho de apenas 60cm precisava de tanta coisa?
House estava completamente perdido em meio a fraldas descartáveis, lenços umedecidos e mamadeiras, que já estava começando a ficar louco. Ele corria alucinadamente com seu carrinho de compras pelo mercado, Cameron havia dito meia hora e ele não seria maluco de não cumprir seu horário.
-Leite... Leite... Onde é que está o maldito leite em pó? — House perguntava para si mesmo, macando e empurrando o carrinho, abarrotado de coisas para bebê.
Massas. Biscoitos. Bebidas. Mais bebidas.
Com base na maldita Lei de Murphy, House estava começando a acreditar que o corredor do leite em pó era o último do mercado. E ele estava certo.
Prestando mais atenção nas enormes prateleiras abarrotadas de latas de leite de todo os tipos, House não percebeu no homem que vinha em direção contrária a sua, e que se chocou de forma patética contra seu carrinho.
-Mas que mer... — House ia começar a xingar quando fitou o rosto conhecido.
-House?! — Wilson olhou surpreso para o amigo, e ficou mais surpreso ainda ao perceber as coisas dentro do carrinho. — O que é....?
-Aonde é que você estava? — House gritava com Wilson, mas sem deixar de fitar a prateleira. — Precisava da sua ajuda e... Tenta achar a lata de leite em pó... Karicare! Para bebês de mais de 6 meses.... — disse consultando a lista — Mas só caía na caixa postal! — continuou a resmungar.
-Eu estava na casa da minha mãe... — respondeu Wilson sem ainda entender absolutamente nada — Aqui o leite! — apontando para várias latas, que possuía um simpático ursinho na embalagem.
-Pega! — House gritou apressado e ao mesmo tempo aliviado.
-Quantos?
-Não importa a quantidade, pega o maldito leite em pó!!!!
Wilson pegou 5 latas e tacou todas de uma vez dentro do carrinho do amigo.
-O que significa tudo isso? — Wilson parecia transtornado.
-Vem comigo e você vai saber! Tenho exatamente 7 minutos para chegar em casa.
Wilson abandonou a cesta que carregava, que continha uma garrafa de vinho e uma lasanha congelada, e seguiu o amigo.
Era óbvio que ele queria saber o que estava acontecendo.
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Ao chegar em casa, House não escutou nem o barulho do bebê, nem o de Cameron.
-Cameron? — gritou preocupado e ao mesmo tempo ansioso.
-A Cameron está aqui? — Wilson perguntou surpreso, seguindo House.
-Cameron? — gritou House mais uma vez, ignorando por completo a pergunta do amigo.
-Aqui... — a voz abafada dela veio na direção do banheiro.
-Espera! — Wilson parou repentinamente no meio da sala — Eu não quero atrapalhar nada e...
-Ah, claro! Eu te trouxe aqui porque eu adoro um menage-a-trois com um leve sadismo com coisas de bebê!
-Eu.... — Wilson não fazia idéia do que falar.
-Cala a boca e me segue!
Os dois homens foram em direção ao banheiro, de onde se podia escutar o riso de Cameron e os pequenos berrinhos de um bebê.
House e Wilson entraram no pequeno banheiro e viram que Cameron estava de joelhos ao lado da banheira enquanto o pequeno Jimmy ria e brincava dentro da água morna.
-Isso é um bebê? — perguntou Wilson boquiaberto, olhando para a cena à sua frente.
-Não... É um ursinho carinhoso! Você está lento hoje. — House revirou os olhos e respondeu sarcásticamente — Aqui... Fraldas e todas aquelas coisas que estavam na lista — disse entregando as sacolas para Cameron.
-Oi, Wilson! — cumprimentou Cameron enquanto envolvia o pequeno Jimmy em uma toalha. O bebê soltou um gritinho de revolta, mostrando todo o seu desgosto em acabar com a bagunça na banheira.
-De quem é esse bebê? — Wilson perguntou para Cameron.
-Ele foi deixado na porta da casa do House hoje. Sem registro, identificação, carta, nada! E ele deve... — o bebê começou a se contorcer querendo voltar para a farra na água, e não deixou Cameron continuar a explicar — Hey, Jimmy... Vamos nos secar e nos arrumar, ok? — Cameron falava docemente com o bebê, enquanto o enxugava e o levava para o quarto de House.
-Jimmy? — Wilson olhou para Cameron e o bebê, e depois para House — Vocês colocaram o meu nome no bebê? Por quê?
-Porque ele tem um olhar perdido, baba e é chorão, igual a você! — respondeu House, indo em direção à sala.
Wilson o seguiu completamente confuso. Um bebê havia sido deixado na porta da casa de House, seu amigo estava mais perdido do que ele, em meio a tantas coisas de bebê, Cameron estava lá, e o pequeno tinha sido \"batizado\" com o seu nome!
Se sentou no sofá e passou as mãos no rosto. — Dá para você explicar o que está acontecendo?
House olhou para o amigo, e depois de desabar ao lado dele apenas disse: — Se prepara, por que a história é grande....
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Após meia hora de uma conversa, em que House contara absolutamente tudo o que havia acontecido, Wilson estava completamente sem ação. Nossa! Que confusão o amigo se metera!
-Quer dizer que o bebê vai ter que ficar aqui até.... Depois do ano novo? — Wilson perguntou fazendo as contas em sua cabeça.
-Pelo que o chefe de polícia disse, sim. — House pegou o pote de Vicodin e tomou um comprimido.
-E o que você vai fazer até lá? Quer dizer, você não vai conseguir cuidar de um bebê sozinho. Sem contar o trabalho, você terá de ir ao hospital essa semana.
-Não sei.... — House apoiou o queixo na bengala. A verdade era que ele ainda não pensara direito sobre o assunto. Um bebê....
-Talvez a Cameron possa te ajudar, como fez hoje... — Wilson deu uma sugestão.
House encarou o amigo, a idéia de ter Cameron ao seu lado não o incomodava em absoluto, pelo contrário, ele até sentiu uma pontada de satisfação em pensar Cameron ali, na casa dele, todos os dias...
-É... Pode ser... — House respondeu, sem querer deixar transparecer seus pensamentos.
-Bom. — Wilson olhou para o relógio — Já está ficando tarde, é melhor eu ir. Qualquer coisa que precisar....
-Ok... — respondeu House acompanhando Wilson até a porta.
-Boa sorte e Feliz Natal, House.
House apenas acenou com a cabeça e fechou a porta, o silêncio reinava em sua casa. Não se ouvia nenhum ruído vindo de seu quarto, nenhum choro de bebê, nenhum riso de Cameron.
Se aproximou cuidadosamente de seu quarto, e quando abriu a porta, se deparou com Cameron dormindo profundamente em sua cama, ao lado do pequeno Jimmy, que prestava atenção em tudo o que acontecia ao seu redor.
-Você acabou com ela, não? — House disse em um sussurro para o bebê, que o fitava curioso.
Cameron estava com o semblante de cansaço estampado em seu rosto, porém isso não fazia com que ela ficasse menos bonita. House a observou cuidadosa e detalhadamente. Os lábios vermelhos, o nariz perfeito, a pele parecendo ser tão lisa... Quando percebeu, seus dedos já estavam em contato com o rosto delicado dela.
-\"Bah dah.\" — o grunhido do bebê fez House dar um pulo.
-Shhhh...!!! Seu dedo duro! — House voltou sua atenção para a linda mulher que dormia placidamente em sua cama, aparentemente ela não havia acordado. Soltou a respiração. Teria sido patético se Cameron acordasse e o visse a acariciando de forma tão... romântica. Olhou mais uma vez para o bebê, e antes de pegar o pequeno cesto, alcançou a manta mais próxima e cobriu Cameron de forma protetora.
-Vamos dar um tempo para ela.... — sussurrou para Jimmy enquanto o carregava para fora do quarto.
House decidira que dormiria no sofá essa noite, e quando fechava a porta de seu quarto, não percebeu o singelo e feliz sorriso que estampava o rosto de Cameron.
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