House estava sentado no sofá de sua sala com um copo de whisky na mão, enquanto a outra acariciava sua perna, ela estava terrivelmente dolorida. Pegou o pote de Vicodin, e enquanto engolia dois pequenos comprimidos de uma vez, apreciou os pequenos flocos de neve que caíam do lado de fora de sua janela. O natal sempre o deixava mais solitário que o de costume, mas ele preferia aquela calma toda do que os estardalhaços de uma grande festa.
Suspirou e pousou a cabeça no encosto do sofá, de olhos fechados e tomando um gole de seu whisky 12 anos, começou a relaxar ao som de \"Me and Mrs. Jones\" na voz de Marvin Gaye.

. Toc . Toc . Toc .

As três batidas secas dadas em sua porta chamou sua atenção, despertando-o de seu estado quase relaxado.
House praguejou baixinho, jurando que se fosse algum tipo de coral cantando músicas natalinas estúpidas, iria bater com a bengala em todos os integrantes. Se aproximou da porta e ao olhar pelo olho mágico, ficou surpreso. Ninguém, nem uma alma viva esperava para ser antedida do lado de fora.
Abriu a porta, o corredor estava completamente vazio, a não ser pela presença de um pequeno cesto que jazia no chão, em frente à sua porta.
House empurrou-o com a ponta da bengala, certificando-se de que aquele objeto era realmente real, e após tão comprovação, se abaixou com um pouco de dificuldade e levantou o pequeno manto que o cobria, possibilitando-o ver o seu conteúdo.
-Oh... Meu... Deus...

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House andava de um lado para o outro, nervoso, por toda a extensão de sua sala. O pequeno cesto à pouco encontrado do lado de fora de seu apartamento, estava agora sob o grande piano negro, e ele, de segundo em segundo, dirigia seu olhar confuso para aquela direção.
O que ele ia fazer? Ele não tinha idéia, esperava abrir os olhos e encontrar-se ainda sentado no sofá de sua casa. Aquilo não poderia estar realmente acontecendo, só poderia ser um sonho, quer dizer, um terrível pesadelo. Passou a mão pela nuca, sem deixar de encarar o novo objeto que decorava sua sala. Um pequeno grunhido vindo de dentro do cesto o deixou completamente apavorado. Ele não sobreviveria sozinho, precisava urgentemente de ajuda, mas para quem ligar?
-Wilson! — House correu em direção ao telefone e discou rapidamente o número do amigo.

Essa é a caixa postal de James Wilson. No momento não posso atender, deixe seu
recado que logo entrarei em contato.


-Aonde é que você se meteu?! Você é judeu, não comemora o Natal! Preciso da sua ajuda o mais rápido possível!!! Seu imprestável!
House desligou o telefone furioso e voltou a olhar para o cesto. Nenhum outro grunhido fora ouvido, o que o deixara momentaneamente aliviado. Pegou novamente o telefone e discou um segundo número, torcendo para que dessa vez, sua ligação fosse atendida.

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-Alô..? — A voz de Cameron estava em meio a um barulho ensurdecedor, na certa estava em um festa, comemorando o Natal, o que fez com que House se sentisse um completo idiota por ter ligado para ela.
-Alô? — Cameron repetiu, o som ao fundo diminuindo drásticamente.
Era agora ou nunca. House olhou mais uma vez para o cesto e se lembrou do seu pavor ao se ver sozinho com o pequeno cesto soltando grunhidos
-Sou eu... — disse quase que em um sussurro.
Cameron ficou muda. Ela estava petrificada, estática, surpresa. A voz de House do outro lado da linha era a última que ela imaginara escutar. — House..?
House travava um pequena batalha interna. Não sabia mais se deveria ou não envolvê-la naquele seu \"pequeno\" problema. Respirou fundo, era melhor ter ajuda do que encarar aquela confusão toda sozinho. -É... Eu... — ele não tinha idéia de como começar a falar.
-Você está bem? — Cameron interrompeu-o preocupada. Ela percebera que House não estava agindo de forma normal, ele parecia perdido, e perdido era a última coisa que House era. — Está tudo bem com você?
-Ah... Para falar a verdade não. — House desabafou — Eu não sei nem por que eu liguei para você... Eu só achei que você fosse a pessoa mais adequada para me ajudar com um.... Probleminha aqui em casa...
-Na sua casa? — Cameron não estava entendendo nada, que problema House poderia ter em casa que ela era a pessoa mais adequada para ajudar? — Eu não estou entendendo....
-Tem como você vir para cá, agora?
-Eu... Eu estou no meio de um jantar com a minha família e...
-Por favor?
Cameron ficou realmente preocupada. House pedira \"por favor\", e ele nunca pedia \"por favor\". Algo realmente urgente estava acontecendo.
-Ok... Chego aí em meia hora.
House escutou o clique do telefone sendo desligado e suspirou fundo. Meia hora... Ele conseguiria sobreviver nesse tempo?

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