A Chave-estrela
4 No qual Haru ouve falar de um ladrão
Notas iniciais
Espero que gostem.
Boa leitura!
O pai de Dandelion não demorou a chegar ao bar. Ele trouxe alguns homens consigo e invadiu a área particular de Cravo. Seus olhos verdes foram de sua filha, próxima a um garoto de cabelos louros, ao dono jogado no chão, com uma poça de sangue ao seu redor. Primeiro, ele foi socorrer sua criança. O menino chorava fortemente sobre uma bola de pelos roxos, que logo ele reconheceu que era o que a menina havia levado à pousada da família.
Ele pediu aos homens que levassem o corpo de Cravo para fora e levou suas mãos aos ombros trêmulos do menino. Os grandes olhos azuis encararam-no, e o pai de Dandelion abriu um sorriso, sussurrando-lhe que ficaria tudo bem. A garota envolveu Haru com seus braços finos e deixou que o homem levasse Io em suas mãos robustas, a mão dela acariciando os fios dourados do menino.
– Haru, o povo florista tem o melhor médico da Terra de Lá. Io vai ficar bem. Não precisa chorar.
Ela continuou a consolá-la por um longo tempo, enquanto várias pessoas adentravam a área privada de A Estrela Guia e limpavam o chão manchado, ou levavam as plantas proibidas para queimar. Todos estavam agradecidos a Dandelion e Haru por ter salvado as almas de muitos homens que cairiam no golpe de Cravo e se deixariam levar pelo pecado. As lágrimas quentes do menino ainda molhavam o vestido da garota, quando eles ouviram uma mulher exclamar:
– Mas não há dinheiro nenhum nesse lugar! Afinal, do que Cravo vivia?
Haru levantou seu tronco e mirou Dandelion com seus olhos ligeiramente avermelhados. Ela sorriu para ele e se levantou, ajudando-o a fazer o mesmo logo em seguida. A menina disse que o levaria para a casa do médico, onde estava Io, mas o garoto preferiu caminhar mais um pouco pela cidade, em um lugar mais calmo. Ela concordou.
Eles sentaram-se entre duas árvores robustas, de copas altíssimas. O rosto do menino estava apoiado em seus joelhos, e a garota mirava o céu sem estrelas. Era estranho como, mesmo em um lugar escuro, não havia brilho algum no céu. Como se todas as estrelas houvessem desaparecido havia muito tempo. Dandelion convivia com isso desde que nasceu. Nunca, porém, perguntara-se o porquê de não haver estrela alguma no céu. Mas, naquele momento, aquela dúvida parecia importante, ainda mais com um menino ao seu lado à procura de uma tal de chave-estrela. Haru levantou seu rosto.
– Não há estrela alguma – ele comentou, como se lesse os pensamentos da menina.
– Sim. Não há estrela alguma em lugar nenhum – ela respondeu.
– Você acha que isso tem a ver com a chave-estrela?
– Talvez.
Eles ficaram em silêncio por mais um tempo. Então, Haru voltou seus olhos à menina.
– Foi você que mandou aquele garoto para me salvar? – indagou. – Ele me disse que era para agradecer a você.
– Garoto? – uma das sobrancelhas ruivas de Dandelion arqueou-se. – Que garoto, Haru?
– Era um garoto alto, de cabelos negros. Ele usava uma máscara roxa.
No rosto da menina, estampou-se uma expressão surpresa.
– Máscara roxa? Haru, você viu Shuu? – ela jogou seu corpo para o lado, a fim de ficar de frente para o menino, claramente interessada no assunto.
– Shuu?
– Você não o conhece? – ela sorriu. – Ele é o maior ladrão do Reino da Neblina, a terra dos criminosos. Ele viaja por todos os lugares, roubando das pessoas ricas e esnobes. Mas é uma pena que ele não distribua nada do que ganha para os pobres.
– Como você sabe tudo isso?
– Meu pai me contou. Ele acha que Shuu é apenas mais um ladrãozinho desprezível, mas eu acredito que ele não nem certo nem errado. Ele quer mostrar aos ladrões ricos, que roubam dos pobres, o que é ter seu dinheiro levado – ela riu. – Mas o que eu posso dizer? Sou apenas uma menina boba, de treze anos.
Haru sorriu.
– Você é inteligente, Dandelion. Conhece muito mais a Terra de Lá do que qualquer adulto da Vila Amarela.
– Obrigada, Haru. Mas eu ainda queria ter um pouco de sua coragem. Tudo o que eu pude fazer foi fugir, deixar você sozinho com Cravo, enquanto chamava meu pai, que nem mesmo queria acreditar em mim.
– Foi bem melhor assim. Se você não fugisse, nós dois seríamos capturados e seu pai não teria chegado a tempo de salvar Io. Obrigado, Dandelion.
Eles trocaram sorrisos e miraram o céu mais uma vez. Qualquer que fosse o motivo pelo qual não havia estrela alguma, Haru continuaria a imaginá-las, juntamente com Dandelion, com a fina esperança de que a chave-estrela pudesse trazê-las de volta.
Não era um ferimento muito grave e, logo, Io estava saltitando mais uma vez, ainda que o médico insistisse que ele ficasse parado. O lumpy pulou para o capuz de Haru, que ria de felicidade em saber que seu primeiro amigo estava bem. O pai de Dandelion abraçava a filha, que lhe agradecia inúmeras vezes. Io aproximou-se da orelha do menino e sussurrou:
– Você encontrou a parte da chave-estrela, garoto?
– Ah, sim, é mesmo! – ele exclamou. Então, virou-se para a menina. – Dandelion, o que é essa marca de estrela em seu ombro?
O pai da menina soltou-a por um instante, as sobrancelhas arqueadas. Dandelion também estava ligeiramente confusa. Ela levou seus dedos ao ombro e puxou a manga para o lado, deixando à mostra a marca escura sobre a pele pálida. Os olhos azuis de Haru brilharam.
– É isso! Isso é uma das partes da chave-estrela! – o menino exclamou e correu para perto da menina, admirando a marca.
– É apenas um sinal de nascença. Tem certeza de que é o que procura?
– Sua mãe também tinha isso, querida – o pai pôs a mão no ombro da filha. – Assim como a mãe e a avó dela. Eu sempre fiquei intrigado pelo motivo por que sempre aparecia uma marca assim.
Dandelion levou seus dedos finos à marca, tocando-a. Ela sempre esteve ali. Não havia diferença alguma. Dandelion nunca achara que qualquer coisa nela fosse diferente. Em verdade, pensava ser uma florista extremamente comum. Tão comum quanto todas as garotas de sua escola. Tão comum como todas as pessoas da sua rua. Mas, naquele momento, ela sorriu. Havia algo nela que a fazia especial.
– Posso tocá-la? – o menino indagou.
Dandelion balançou a cabeça para cima e para baixo, alegre. Haru sorriu. Seus dedos pequenos dirigiram-se à marca escura no ombro da garota e roçaram contra ela. A marca ardeu, escureceu ainda mais e, por fim, brilhou. Todos no lugar fecharam os olhos, e, entre os dedos de Haru, surgiu a ponta de uma estrela vazada, feita de ouro puro. Ela brilhava como nada naquele mundo. Como uma simples estrela. Os olhos de Io arregalaram-se, e ele saltitou contente para a cabeça de Haru.
– Enfim, a primeira parte! – exclamou.
O menino balançou a cabeça e continuou a admirar seu tesouro.
– Obrigado, Dandelion.
– Não, obrigada você, Haru.
As crianças abraçaram-se. Então, o garoto examinou com mais cuidado a peça em sua mão. Havia algo entalhado. Eram letras redondas e escritas com calma. Lia-se: À sábia Celeste, que confiou a estrela à sua filha e a todas as suas gerações que estavam por vir. Dandelion abriu um sorriso lindo. Ela, com certeza, era especial.
Haru e Io esperaram o amanhecer para deixar o Reino das Flores. Dandelion, junto ao pai, levaram-nos para a saída cujo caminho os guiaria ao Reino da Floresta. O garoto ainda insistiu que ficassem mais tempo, já que o lumpy ainda se recuperava do machucado. Contudo, a bola de pelos queria encontrar logo toda aquela chave-estrela e ser o lumpy mais rico e feliz do mundo. Haru revirou os olhos.
Durante a despedida, Dandelion deixou que algumas lágrimas molhassem-lhe o rosto arredondado. Mas Haru as enxugou logo em seguida. Ele também sentia vontade de chorar, mas primeiro tinha que confortar sua amiga. Aquela aventura estava trazendo-lhe algo que nunca tivera: amigos, o que o deixava radiante. Io dizia para se apressarem e, logo, eles partiram. Dandelion e seu pai acenavam para eles à distância.
– Io, será que vamos encontrar algo tão interessante quanto o que vimos no Reino das Flores?
– Talvez.
O lumpy revirou-se no capuz do menino. Mas havia algo estranho. Ele mexeu ainda mais, até que Haru tirou o casaco e olhou no capuz.
– O que está fazendo, Io?
A bola de pelos saltitou para fora do capuz, a fim de deixar o menino olhar o que havia dentro. Era um pedaço de papel. Haru puxou o bilhete e abriu várias vezes, percebendo o quanto estava dobrado e amassado. Seus olhos arregalaram-se quando viu o remetente.
“Garoto amarelo, você agradeceu à sua amiga? Os pedidos de ajuda dela que me fizeram ir àquele lugar naquela hora. Eu não gosto de ver o desespero nas outras pessoas. Entenda que você deve sua vida a ela. Você tem uma boa amiga. O Ladrão do Reino da Neblina”.
– Shuu – Haru murmurou.
Ele continuou observando a escrita rápido e ligeiramente malfeita do ladrão. Algo naquele garoto interessara-lhe demasiadamente.
Notas finais
O que acharam do nome do seme HOTHOTHOT do Haru? 8DD
Até a próxima!
Takoyaki ~ queria uma cena de limão do seme HOTHOTHOT do Haru com o garoto amarelo.
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