Perpeu estava crescendo muito rápido, ficando mais forte rapidamente também e mesmo assim, a maldição estava presente.

_Perpeu! -grita uma voz feminina de fora da casa — Acorde Perpeu!

_Lismet? — responde no mesmo tom de voz — O que quer a essa hora?
_Perpeu, hoje é o dia da passagem. Levante logo!

Olhos cor mél, pele muito pálida, cabelos loiros e esvoaçantes, que faziam o coração de Perpeu se perguntar sobre aquela jovem.

Lismet, filha das entranhas de Heron, o grande deus, não poderia se submeter ao amor de um condenado ao exílio? A pergunta que não queria deixar Perpeu, estava a assombrá-lo.
O dia do ritual de passagem era o dia em que um jovem deixava de ser um menino e se tornava um homem.

Mas um semideus não poderia estar tão triste e frustrado quanto o momento em que saberia de sua sentença.

Ao levantar, o lençol estava sujo de lembranças das noites em que quase morrerá com o próprio sangue, enquanto se prometera suicídio. Suas roupas estavam amarrotadas e seu cabelo bagunçado.

_Olhem só quem levantou da cama e resolveu criar oda?! Perpeu! — diz Nefteu, enquanto passava pela casa — Acho que essa manhã será divertida.
_Não me provoque hoje! — diz Perpeu olhando para o chão, enquanto andava — Vá logo para o ritual. Seja um homem!

Perpeu continuava andando, com passos lentos e olhar inclinado para o além. Pensamentos tolos de um homem que preferia ver a beleza em coisas pagãs do que em si mesmo.

_" Um portão separa o mundo dos impuros, do mundo dos deuses. Os semideuses são os amaldiçoados e merecem viver fora dos portões. A vida dos semideuses são curtas, dependendo de sua linhagem. Para ter a vida eterna, precisam atravessar os portões e pedirem aos deuses que tenham piedade de suas almas." — dizia um ancião para seus jovens, durante o ritual

_Aquele, por nome de Perpeu é o último dos semideuses que nasceu, desde o decreto da maldição. Ele foi o amaldiçoado. Olhem bem, pois ele é o último do último semideus. Sua morte está selada para acontecer em breve. Mas como sabem, lendas são lendas. Porém, lhe digo uma coisa, garoto... — diz o ancião, olhando diretamente para Perpeu — Encontre o portão, antes da terceira lua desfalecer, pois será quando irá renascer.

Perpeu apenas olhava aquele velho ancião e os jovens que o olhavam, vidradamente, fazendo seus olhos brilharem com os raios de sol.
Levantando-se, curvou rapidamente seu corpo para frente e não se moveu. Ficou um tempo assim, como uma reverência. Após passar o tempo predestinado, Perpeu ficou na posição anterior, começou a andar e os jovens abriram caminho para ele. Andando sem rumo para a floresta adentro, pouco sabia o que fazer. Porém, sabia que o portão estava ali, em algum lugar.