A Chase Would Be Nice For A Few
1 Capítulo 1
Eu juro pra vocês que nunca fui uma boa pessoa, nunca.
Sou o tipo de cara que tirava notas ruins na escola, quebrava coisas, gritava com os pais...
No ensino médio brigava com os caras que eu não gostava. Nunca fui exemplo pra ninguém e nem nunca quis ser. Sempre fiz o tipo que tinha dois ou três amigos, não mais do que isso.
Gostava de ser assim, eu me sentia tão melhor, nem todo ser humano pode dizer que se sentia tão bem quanto eu. Eu transmitia medo por onde eu passava.
Ao mesmo tempo em que me chamavam de estranho, eles me respeitavam, era como se abaixassem a cabeça quando eu passasse. Eu preferia ser assim, era melhor pra mim.Mas o tempo foi passando, e eu fui ficando mais velho. As pessoas insistiam colocar na minha cabeça que eu devia fazer algo da vida, algo que valesse a pena.
Sempre achei jogos mais interessantes do que faculdade e eu tinha um ótimo plano pra dominar o mundo, mas isso foge do nosso contexto no momento. Um dia eu arrumei um emprego, virei inspetor numa escola pública da cidade. Não era um emprego tão ruim, eu ganhava dinheiro pra gritar com pessoas, e dizer para garotos de 14 anos que eles não devem fazer o que eu mesmo fazia quando tinha a idade deles.
Confesso que eu gostava, era bem melhor ficar em casa fazendo nada, mas quando você mora com seus pais, chega uma hora que eles começam a pedir pra que você pague pelo menos a conta de luz da casa. Já fazia um mês que eu estava trabalhando lá e eu conheci uma garota que se chamava Katheryn.
Conversei com ela pela primeira vez no intervalo qualquer aí, e ela veio me dizer que gostava da minha camiseta. Eu só dei um meio sorriso e agradeci. Ela perguntou meu nome e eu não respondi, eu não queria uma menina daquelas falando comigo, ela ainda poderia ter um futuro promissor.O problema é que Katheryn não parou de tentar puxar assunto e de me olhar sorrindo até descobrir a porcaria do meu nome, e de tanto ela tentar, um dia eu disse e foi basicamente assim:
– Já faz duas semanas que eu tento saber seu nome... Por que não posso saber? – Ela disse isso com os olhos centrados em mim, tão vidrados que eu até fiquei assustado, mas eu permaneci olhando para o nada como estava fazendo quando ela se aproximou. Já estava tão cheio daquilo, que respondi:
– Peter, e, por favor, eu não sou o tipo de pessoa que você quer ter como amigo. Ela foi embora, mas confesso que me senti atraído. Persistência e atitude valem muito hoje em dia, e essas eram coisas que Katheryn possuía.
Mas, ao mesmo tempo em que pensei tudo isso dela, saquei que ela estava apenas tirando uma curiosidade, já que provavelmente eu era um dos caras mais estranhos que trabalhava naquela escola, e que ela já tinha visto.
E outra, isso era insano, um vagabundo de quase 30 anos não pode se sentir atraído por uma garota de no máximo 14 anos. Isso era errado. E esse era o meu maior problema, eu adorava cometer erros.Passaram-se mais ou menos 15 dias e eu estava voltando pra casa no fim da tarde de carro. Um carro que eu tinha comprado num ferro velho há dois anos com a ajuda dos meus pais. De repente começou a chover e as pessoas na rua corriam em busca de abrigo. Parei no farol e observei duas garotas correndo em direção a calçada. Logo eu identifiquei Katheryn e uma amiga loira que eu confesso que achei linda. Não interessa o quanto eu sou estranho, eu ainda sou homem e sei achar uma mulher bonita. Me senti estranho, com uma vontade louca de chegar na amiga de Katheryn e ter ela da forma que fosse possível. Ou impossível.
Qualquer coisa.A chuva estava muito forte e num ato desesperado e sem pensar, abri a janela do carro e perguntei se elas precisavam de carona. Elas não iam ter como recusar. Entraram no carro um pouco assustadas e ficaram se olhando. Passaram-se uns 5 minutos e estava todo mundo em silêncio. Para quebrar, eu disse:
– Então, pra onde as moças vão? – Eu disse, num tom tranquilo.
– Eu moro a duas quadras daqui, deixa a gente na esquina e já vai estar bom. – A amiga de Katheryn disse.
– Tudo bem então. Posso saber seu nome? – Eu perguntei, e Katheryn já me interrompeu dizendo:
– Peter, só nos leve para casa, ok? Naquela hora eu senti a necessidade de fazer algo errado. Sabia que era um problema, sabia que eu poderia me encrencar. Mas também sabia exatamente o que fazer, e não liguei para os riscos. Tranquei as portas do carro, liguei o rádio, virei na rua errada e fui dirigindo em direção a minha casa.
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