Notas iniciais
OLHA QUEM ESTÁ DE VOLTA? ALOHA LINDEZAS! Era pra ter saído ontem o capítulo, porém me tiraram de casa e fiquei fora por muito tempo. Um agradecimento especial para Jolha de Beauxbatons, Rorô, wtfwatson (maravilhosa que fez a primeira recomendação pra ACTC

Voltei ao Salão Comunal em meados da madrugada. Madame Pomfrey disse que devia ficar ali até o amanhecer em observação, mas não achei necessário visto que ela já tinha alunos demais para atender, dentre eles: Fred, Jorge e Julia. Eu já tomei a poção mesmo.

Eu realmente não tinha noção das coisas quando estava reclamando mentalmente de estar suando feito um porco para o abate. Julia estava desacordada, com os fios grudando em seu rosto de tanto suor. Os gêmeos também dormiam desconfortavelmente em uma das macas, porém não suavam tanto.

“Ela é inofensiva e só vai deixar a noite mais alegre!”

Engula suas palavras Julia de Beauxbatons.

Dava até pena ver os garotos nessa situação, contudo, quando os encontrasse sãos e saudáveis novamente, eles vão ter o que merecessem. De onde já se viu? Sair falando que eles tinham a poção para deixar as pessoas felizes? Quem iria adivinhar que o resultado eram pessoas literalmente alegres?

– Luzes encantadas – murmurei, acordando uma Mulher Gorda, agora infeliz.

– Isso são horas, garota! – ouvi-a praguejar enquanto atravessava o túnel e dava de cara com o Salão escuro e vazio.

Subo as escadas que dão para o dormitório silenciosamente e me deparo com as garotas no oitavo sono, como o esperado. Sapatos jogados em um canto qualquer sem o seu devido par, vestidos pelo avesso... Depois os garotos que são lesados.

Repeti os passos delas e não pensei duas vezes em me jogar na minha cama macia. Ainda olhando para o teto, permiti-me suspirar. Seria efeito da poção ou de minha noite agitada essa falta de sono?

As últimas cenas do baile se reproduziram vivamente em minha cabeça, fazendo minhas bochechas esquentarem e meus olhos se fixarem automaticamente na figura da Mione dormindo.

– Não quero nem saber o que vai sobrar de mim quando eles descobrirem – choraminguei baixinho, mudando de posição na cama e afundando meu rosto no travesseiro.

Foi muito mais difícil olhar na cara dos três e me fingir de desentendida do que imaginava. Uma onda de remorso batia em minha porta, estava desconfortável e, quase cedendo para a consciência.

Rony e Hermione continuavam de mal. Não sei se “mal” seria a palavra exata. Eles estão mais para “esquisitos”. Não creio que seja pela discussão de ontem. Algo mais aconteceu e foi depois que desapareci. Eles estavam se tratando formalmente; até demais.

Harry nos contou sobre a conversa entre Hagrid e Madame Maxime que ouviram, por acaso, ontem. Uma conversa toda esquisita de gigantes, meio gigantes e ossos graúdos. Não entendia aonde eles queriam chegar.

– Por onde andou ontem, Harriet? – Hermione perguntou olhando nos meus olhos, mudando de assunto de repente – Não te vi chegar ao quarto, suponho que deve ter sido bem tarde... Bom, sorte a sua não ter sido pega pelo Filch.

– Bom... – desviei de seu olhar e percebi que os outros dois também pareciam curiosos, puis-me a brincar com os dedos – Tive problemas com a bebida. Fred e Jorge batizaram tudo e isso acabou na ala hospitalar – fiz careta.

Não estava mentindo pra eles, apenas omitindo parte das informações, então acho que eu posso ficar com a consciência mais limpa — ou não.

– Não sei se você é muito amiga para cair na laia dos meus irmãos ou bobona demais para acreditar que Fred e Jorge não aprontariam nada. Prefiro acreditar na primeira.

Harry concordou silenciosamente, fazendo-me fuzila-lo.

Seria uma pena se eu soltasse sem querer que você não tenha noção de nada sobre a pista do ovo, não é, Potter?

E pelo seu bem estar, Ronald, é bom mesmo que aposte na segunda opção.

– Bom, não importa, não é mesmo? — fui sarcástica por me chamarem de bobona — Acho que deveríamos nos preocupar com os deveres agora — Hermione arregalou os olhos — Com essa coisa toda de baile, deixamos de lado os inúmeros rolos de pergaminho do Snape e os divinos mapas da Trelawney — rolei os olhos.

– Eu me esqueci! — Hermione surtou, levando as mãos aos cabelos, agora já armados novamente — Preciso ir à biblioteca. Você vem, Harriet?

– Depois.

– Então, vejo vocês mais tarde.

E ficamos olhando-a se distanciar.

– É claro, vocês não veem? — Rony atraiu a nossa atenção para si — Hermione ficou tão apaixonadinha pelo seu Vitinho que até esqueceu dos deveres — esbravejou.

Tanto Harry quanto eu, olhamos feio.

– Que foi? — Rony perguntou como se não entendesse.

– Você é realmente um caso perdido, Rony — sussurrei, balançando a cabeça — Vou comer, vocês vem comigo? — negaram.

Dei os ombros e segui até o Salão Principal. Acho que os dois estão querendo discutir a relação, coisas de garoto, não sei.

Adentrei o recinto, deixando meu olhar vagar por todas as mesas. A da Sonserina estava praticamente vazia e para o meu alívio, não havia nenhuma cabeleira loira platinada presente ali.

Suspiro, aliviada.

Passo para a mesa da Corvinal e a única pessoa que reconheço é Luna, com um pudim em mãos e a sua usual expressão facial aérea. Da Lufa-Lufa, não reconheço ninguém. Não me admita muito isso, visto que eu não sou a gentileza e a delicadeza em pessoa. Os lufanos não vão muito com a minha cara, pois acham que eu sou uma influência ruim. O azar é deles de estarem perdendo a minha ilustre amizade.

Por fim, finalizo fitando a nossa mesa e automaticamente meus olhos caem nos gêmeos ruivos.

Com os olhos cerrados, vou marchando furiosamente até eles sem que me percebam. Bato em seus ombros com certa força, fazendo-os virar sorridentes.

Minha cara devia estar tão insana, que o sorrisinho maroto do rosto deles logo se desmanchou.

– Harriet! — chamaram o meu nome em uníssono, num misto de surpresa e nervosismo.

– Como vão os meus gêmeos favoritos? — meu tom saiu tão psicótico, que até eu me assustei interiormente.

– Tudo bem? — Fred indagou, coçando a nuca, enquanto Jorge soltava algumas risadas nervosas.

– Vocês disseram que a substância era inofensiva! I-NO-FEN-SI-VA! — digo pausadamente e dou uma risada sem humor.

– Nós... — Jorge tentou, mas o interrompi.

– Vocês dois disseram que só deixaria as pessoas um pouco alegres, mas quem ia adivinhar que... ERA NO SENTIDO LITERAL! — berrei, sentindo alguns olhares queimarem as minhas costas.

– E ela é quem tem problemas de interpretação e a culpa é nossa, está vendo, Fred?

– Sim, estou vendo, Jorge.

– Eu devia matar vocês — vociferei.

– Mas não vai mais, não é?

Um sorriso vitorioso começou a iluminar os rostinhos deles. Eles que pensam...

– Vocês merecem sofrer, amigos...

Num movimento rápido, voei no pescoço de Fred e comecei a estrangula-lo.

Isso era por me fazer rir feito idiota.

Por ter me feito pedir ajuda ao Malfoy.

Por, consequentemente, ter beijado o Malfoy.

Por ter me feito omitir parte das coisas para os meus amigos.

Sofra Frederico!

– Para com isso, Harriet! — Jorge tentava me tirar de cima.

– Você deveria estar correndo, porque quando eu acabar com o seu irmão... Vai ser você, Jorge!

Ele engoliu seco, contudo continuou me puxando.

– Mas o que está havendo aqui? — esse timbre me faz gelar, dando oportunidade para Fred se soltar.

Oh, merda. Merlin que nos ajude, ou melhor, que me ajude.

– Ainda não me responderam: o que pensam que estão fazendo? — Morcegão-Seboso perguntou com o rosto inexpressivo.

– Não foi isso que você perguntou antes — murmurei, fazendo os gêmeos rirem disfarçadamente.

– Duvido que continuem achando tanta graça depois disso. Menos 20 pontos para Grifinória por estarem causando baderna — sorriu irônico e nos deu as costas.

Meu queixo caiu. Grunhi irritada.

– Seu tirano! Morcegão-Seboso! — pensei em voz alta, tapando minha boca em seguida.

Merda de novo!

– O que foi que disse, Cattleford? — o rosto dele podia continuar sem expressão, mas se não fosse por ele ser Snape, estariam saindo raios.

– Hm... Er... Nada — fiquei reta e atrapalhei-me nas palavras.

– Que pena, o armário de poções estava aguardando ansiosamente por uma nova visita da senhorita.

Suspiro, deixando meus ombros caírem, aliviada.

– Mas lembre-se... — virou-se para nós — Oportunidades para lhe colocar em detenção não me faltam! — sorriu sadicamente e saiu com passos rápidos e rígidos.

– Vai esperando, Seboso — cruzei os braços — Quanto a vocês — virei-me para os ruivos — Nunca pensei que diria isso, mas Snape salvou a pele de vocês.

– Não salvou não! — exclamaram juntos.

– Sabemos que você não teria coragem de nos assassinar. De onde o mundo conseguiria tirar dois rostinhos bonitos como esses?

– Rostinho, você quis dizer, não é, Jorge? Afinal, vocês tem a mesma cara — mordi o lábio inferior, segurando-me pela cara incrédula que eles fizeram — Mas se querem saber, faria picadinho de vocês sem maiores problemas — brinquei.

– Faria uma coisa útil para a humanidade finalmente, Cattleford.

Essa voz. Fria, arrogante e gélida. Nem precisaria me virar para saber.

Merda pela terceira vez.

Senti o meu corpo vibrar e meus dedos tremerem de leve.

Agora não, ainda não estava psicologicamente preparada para esse encontro. Digo, nada mudaria certo? Mas eu não me chamo Draco Malfoy para ter essa cara de pau toda de agir naturalmente como se não houvesse feito uma grande besteira na noite anterior.

Eu nem tive tempo ainda de treinar umas expressões de indiferença!

Não achei que esse encontro seria tão breve. Pelo contrário, achei que nos evitaríamos até o possível e só depois voltaríamos a nos xingar, sem mais e nem menos; enganei-me, pelo visto.

Virei-me, lentamente, em sua direção, preparada para analisar cada detalhe de sua feição. As sobrancelhas malditas, extremamente bem cuidadas, arqueadas ridiculamente: confere. Expressão de boçal: confere. Postura de Rei-do-Mundo: confere.

Bom, pelo menos um de nós está bem nessa história.

– Perdão, Malfoy... Mas não me lembro de ter te chamado pra conversa — fui ácida.

Vi-o abrir a boca para retrucar, entretanto o interrompi:

– Você chamou, Fred? — debochei, virando-me para o gêmeo.

– Não, senhora! — bateu continência.

– Muito bem! E você, Jorge?

– Também não! — imitou as ações do irmão.

– Viu? Agora já pode ir, xô Malfoy! — fiz movimentos com as mãos, como as de quem está espantando pássaros ou pragas.

Contrariando a minha suposição de que ia embora, Malfoy se aproximou perigosamente, fazendo-me recuar um passo com certo receio do que ele iria fazer a seguir.

Obviamente não seria me beijar, mas...

– Você não estava preocupada em me afugentar ontem, quando a minha língua fazia carícias na sua, Cattleford — cochichou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar.

Ele percebeu e deu uma risada típica de um canalha.

– Sai fora, Malfoy! — Fred e Jorge se aproximaram e o empurraram.

– Não me toquem traidores de sangue! — ralhou, ajeitando as vestes, retirando-se do Salão em seguida.

– O que foi que ele disse pra você, Harriet?

Mas eu não respondi. Meus orbes focaram-se em um ponto qualquer e em minha mente, o caos se instalou.

Malfoy havia me deixado confusa e estupidamente constrangida. Minhas mãos se fecharam em punhos.

Definitivamente ele não sabia com quem estava lidando. Harriet Cattleford não nasceu pra ficar acuada, nem aqui e nem em Azkaban.

Minha determinação foi para o espaço ao sentir o medo me dominar: “E se ele contar?”.

– Oh Merlin!

Disparei em correr.

– Espera, aonde você vai?

Não respondi.

– Pelo amor... — monologava, só, pelos corredores, tentando adivinhar que caminho a Loira-Aguada tinha tomado.

Não sou nenhuma Trelawney da vida para ficar dando uma de adivinha. Olhava para todos os lados e nenhum rastro dele. Não demoro muito para desistir e acabo por ficar escorada em uma pilastra.

– Se Harry, Hermione e Rony descobrirem... Estou perdida. Eles definitivamente não podem saber! — passo a mão em minha testa pela agitação e cansaço.

– Descobrir o quê, Harriet? O que Harry, Hermione e Rony não podem descobrir?

Meus olhos quase saltaram da órbita e, apenas por um instante, juro que meu coração parou. Todos os meus músculos se contraíram e mesmo assim minhas pernas conseguiram ficar moles como a gelatina do café da manhã.

– Me responde! O que você está escondendo, Harriet?

Pega com a boca na botija*.

Notas finais
*Pega com a boca na botija: expressão popular usada quando alguém é "pego no flagra". Sei que o capítulo está bem abaixo da média comparado com os outros e quase nada pra quem enrolou mais de um mês, mas é o que temos para hoje. Lamento. Enfim, perdoem a minha demora. Para alguns, foi um mês de espera difícil, mas nada foi diferente comigo, okay? Nunca tive tanta prova na minha vida e ainda mais com a Copa, onde resolveram que os alunos seriam máquinas de guardar tanta matéria. Sério, que inferno! Nunca fiquei tão nervosa com essas coisas. Nunca fiquei dependendo de tanta nota em tantas matérias. Bateu um desespero do caramba - Hermione's feeling - e passei até a dormir com o livro de matemática de tanta neura. Uma nerd sempre nerd fsakfksafksa Nesse meio tempo também me bateram umas crises existenciais sobre ser um fracasso no futuro e não passar no vestibular e bláh. Aí vocês se perguntam: pra quê tanto drama? Eu também não sei. O fato mais satisfatório é que eu recuperei todas as notas
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.