A Chance to Change [HIATUS]
5 Comensais da Morte
Notas iniciais
Quando voltei ao jogo, tudo estava um caos. Lynch havia caído da vassoura e o narigão de Krum sangrava assustadoramente. As pessoas pareciam não perceber isso, mas como observadora-nata, não foi mais que o meu dever enxergar isto. Mascotes enfurecidas dos dois lados obrigaram o juiz mongol a tomar alguma atitude.
Os búlgaros já não tinham um rostinho agradável, irritados então, nem se fala.
Só acho que alguém deveria dar um jeito na hemorragia que Krum estava tendo.
– Olha o Lynch! – berrou Harry – Tenho certeza de que ele avistou o pomo! Olhem lá – apontou excitado para o apanhador da Irlanda que mergulhava com a mão estendida.
Logo na sua cola, estava Vitor Krum; ele é bom. Ambos disputando a frente, deixando-me com uma agonia.
– Eles vão bater! – exasperou-se Hermione.
– Não vão não – Rony rebateu.
– O Lynch vai! – afirmei desesperada – O Lynch vai! Por Merlin, não quero ver isto! – coloquei as mãos na frente do rosto, aguardando os intermináveis segundos passarem.
– Ele pegou o pomo, o Krum. Acabou.
Separei meus dedos para dar uma espiada.
De acordo com os meus cálculos, nem mesmo com o pomo, a Bulgária passaria do placar da Irlanda, ou seja... FRED E JORGE GANHARAM AS APOSTAS COM O BAGMAN. OH MEU MERLIN!
– VENCE A IRLANDA! – a voz de Bagman ecoou.
Todo mundo estava demasiadamente chocado com o desfecho da partida para comemorar de imediato.
– Vocês ganharam a aposta! Vocês ganharam! – pendurei-me no pescoço dos gêmeos, feliz.
– É claro que íamos ganhar! Você tinha dúvidas, Jorge?
– Não, nenhuma, Fred e você?
– Também.
Um pouco mais afastado de nós, Rony praguejava só:
– Por quê tinha que pegar o pomo agora?
– Olha, Rony... Acredito que tenha sido o melhor que Krum poderia ter feito. A diferença no placar era enorme! Acho que ele tinha consciência de que a Bulgária não teria condições de recuperar – fui franca.
– Pelo menos ele foi valente, né? – Hermione tentava amenizar a decepção dele.
Um por um, os jogadores de ambas as seleções foram subindo ao camarote. Lynch amparado por dois colegas de time; a queda aparentemente o deixou meio distante da realidade, seus olhos estavam sem foco. Já os jogadores búlgaros, estavam carrancudos, com uma expressão mais fechada que o normal.
– Quanto devo a vocês? – foi a única coisa que consegui distinguir em meio às loucas comemorações.
Fred e Jorge deram um pulo do lugar, ambos sorridentes.
–X–
– Espero que não contem à sua mãe que andaram apostando – o Sr. Weasley tinha a testa enrugada de preocupação.
– Não se preocupe. Não gostaríamos que esse dinheiro fosse confiscado, temos planos para ele.
Por um momento o Sr. Weasley abriu a boca para perguntar, mas logo a fechou. Acho que ele não queria estar ligado caso as coisas não dessem muito certo e a Sra. Weasley descobrisse.
Voltávamos para o acampamento, totalmente envoltos em uma discussão a respeito da partida e do jogo bruto utilizado. O debate continuou na barraca e ela só se encerrou quando Gina derrubou o chocolate quente da mesa devido ao sono.
O Sr. Weasley despachou todos; Gina, Hermione e eu saímos para a barraca ao lado.
As cantorias de comemoração ainda prevaleciam no ar.
Enquanto Gina e Hermione iam colocar os seus devidos trajes para dormir, limitei-me a deitar já. Dormir com a roupa do dia seguinte ajudava e poupava-me mais trabalho. Já disse que sou sedentária e meio preguiçosa?
– Vocês viram quanto sangue o Krum perdeu depois de ser acertado? – puxei assunto enquanto o sono não vinha.
– Dava pra ver o sangue no ar quando ele acelerava sobre a vassoura – comentou Gina.
Hermione permaneceu calada, dando a entender que o sono, pelo menos pra ela, já havia chego.
O silêncio predominou. Permaneci olhando para o teto da tenda. Ainda conseguia ouvir a cantoria arrastada vinda dos leprechauns embriagados. Entretanto, pouco a pouco, um som totalmente distinto parecia surgir.
Levantei-me intrigada, colocando a cabeça para fora e com a visão que tive, desesperei-me. Corri em direção aos sacos de dormir das garotas e as acordei desastradamente.
– Acordem! O acampamento está sendo invadido! Acordem! – pedia entre puxões e balanços – Gina! Mione!
– O que está havendo? – Hermione franziu o cenho.
– Gente encapuzada... Eles estão atacando! Vamos, rápido!
Corri na frente, enquanto elas pegavam um casaco para cobrir a camisola.
As pessoas misteriosas marchavam em formação, todas de varinhas erguidas. Alguns se atreviam a colocar fogo em barracas, outros levitavam pessoas inocentes e as deixavam de ponta cabeça. Doentio.
No lado de fora, encontramos os garotos, todos vestidos e na mesma situação de dúvida que nós.
– Vamos ajudar o pessoal do Ministério – gritou o Sr. Weasley para que o barulho de destruição não nos impedisse de ouvir – Vão todos para a floresta, apanho vocês quando tudo acabar.
Dito isso, correu atrás de Carlinhos, Gui e Percy que já iam em direção do grupo causador.
– Anda – Fred puxou Gina e nós seguimos logo atrás.
A atmosfera de pânico, os gritos de desespero, socorro, o choro deixavam o meu coração acelerado. Infelizmente era real; nunca havia presenciado nada similar à isto.
As lanternas coloridas que antes estavam presentes para iluminar a trilha estavam apagadas, tornando a nossa missão ainda mais complicada. Vultos passavam apressados, esbarrando desajeitadamente em todos nós. A escuridão tornava tudo macabro.
Ainda que acompanhada dos meus amigos – as melhores pessoas com quem eu poderia desejar estar protegida, minha mente cogitava hipóteses que me apavoravam...
E se eu me perdesse neste escuro e todos sumissem? E se alguém daqueles encapuzados surgisse e me pegasse desprevenida, sem ninguém ver? E se essa escuridão me engolisse? Meus dentes trincavam de desespero. Um berro vindo de Rony deu um fim à minha linha apavorante de raciocínio.
– O que houve? – perguntei tentando esconder o meu medo, sem saber ao certo aonde olhar.
– Lumus! – Hermione ergueu a varinha.
– Tropecei – explicou aborrecido.
– Com um pé deste tamanho, não é difícil – uma voz próxima.
Viramos nossas cabeças em direção à origem do timbre, deparando-nos com Draco Malfoy, escorado em um tronco, de braços cruzados e, calmo. Calmo até demais.
– Vai se foder, Malfoy!
Meu queixo despencou. Na frente da Sra. Weasley esta cena jamais aconteceria.
– Olha a boca, Weasley! – seus olhos azuis reluziam, enquanto um sorriso ameaçava a aparecer – Não é melhor vocês voltarem a correr? Vocês não iam querer que eles encontrassem suas amiguinhas, não é? – indicou à mim e Mione.
Cerrei os olhos, pronta para discutir. Uma explosão foi ouvida, seguida de um raio verde.
– Eles estão caçando trouxas, Cattleford – encarou-me – Você vai querer mostrar a sua calcinha, Granger? – direcionou o seu olhar – sujo – a minha amiga, agora.
Hermione corou, apertando ainda mais o nó do casaco que vestia. Entrei na frente dela, rompendo o contato visual do depravado, tampando a visão dele.
– Como você sabe disso?
– O grupo está vindo em nesta direção, mas façam o que quiser. Daremos umas boas risadas caso aconteça – sorriu malicioso – A propósito, Cattleford, porque você não está vestida assim também?
– Mas que pergunta idiota é essa? – irritei-me.
– Bom, seria uma trouxa a mais para humilharem – lançou-me um olhar frio.
– Harriet e Hermione são bruxas, Malfoy.
– Como queira, Potter. Se vocês acham mesmo que eles não conseguem identificar o cheio de um Sangue Ruim, fiquem aí parados – deu os ombros.
– Você que devia olhar a sua boca suja! – Rony berrou enfurecido.
Ele odiava ouvir essas palavras. Digo, era um insulto terrível para qualquer bruxo originado de pais trouxas; descobri o termo no segundo ano e Hermione teve o gosto amargo de ceder ao choro, de tão ofendida. De início, eu ficava pra baixo também, mas não valia a pena... Era o Malfoy! Sempre o Malfoy e, ele não era melhor que ninguém.
– Não vale a pena, Rony – Hermione falou depressa, vendo que o mesmo estava pronto para avançar no desgraçado.
Barulhos de árvores próximos ao local de onde nos encontrávamos foram escutados, obrigando-me a recuar alguns passos. Malfoy soltou um risinho.
– Vocês se assustam a toa. Cadê o Weasley-pai? Não me digam que foi salvar os trouxas? – debochou.
– E cadê os seus pais? – Harry devolveu a pergunta – Eles estão entre os mascarados, não é?
– Se estivessem ou não, por que eu contaria Potter? – outro risinho.
Ele era o único que parecia se divertir. Os pais dele certamente estavam no grupo, ou pelo menos envolvidos. É suspeito demais ele saber de todas essas coisas e ainda estar no meio da floresta numa hora tão propícia quanto esta.
– Vamos gente – lhe dei as costas, não antes de lhe lançar um olhar fulminante.
Não sei como, nem quando, mas quando vi... Estava só; no escuro; no meio de árvores que davam muitas de mim.
Eu não devia ter parado para retomar o fôlego.
Meus piores pesadelos: a escuridão e a solidão.
Senti o ar se esvair de meus pulmões, o coração que antes já batia, parecia fazer tanto esforço que a qualquer momento ele pararia.
Mordo meus lábios, indecisa de qual direção tomar.
– Lumus! – sussurro, vendo um fio de luz surgir na ponta da minha varinha.
Tudo que sabia era que não devia voltar. As figuras encapuzadas estavam chegando. Comecei a correr com cautela, desviando dos galhos sempre em direção no que parecia a frente. Meu senso de direção parecia ter ido embora com o ar e as árvores pareciam brotar cada vez mais.
Ouvi barulhos de folhas sendo pisoteadas, mas não vindas de mim, mas sim de alguém há alguns metros atrás.
Virei minha cabeça com receio e forcei o olhar. Apesar da escuridão, conseguia enxergar que não havia ninguém, mas os sons me faziam temerosa.
Pensei em gritar, mas isso só entregaria a minha localização. Não podia ser Harry e os outros, certamente já estavam longe e a salvos há esta hora. Os causadores do caos também não, caso contrário, a destruição já estaria me cercando e eu estaria vendo a luz no fim do túnel.
Não sendo eles; o meu lado curioso sentiu-se atiçado. Eu precisava saber o que ou quem era.
– Nox.
Prendi minha respiração e procurei fazer o mínimo de movimentos possíveis, sempre me escondendo através dos enormes troncos. Aproximei-me mais dos sons e oculta atrás de um tronco qualquer, vi o improvável.
Uma varinha mexia-se sozinha no ar, apontada para o céu, como se fosse conjurar um feitiço lá pro alto. Aparentemente alguém estava usando uma capa invisível, o que é surpreendente, já que achei que apenas Harry tinha uma dessas.
– MORSMORDRE!
Foi tudo que ouvi antes de ver a varinha ir ao chão e um crânio formado por pontos de luz verde subirem ao céu. Tinha uma cobra também. Ela saía da boca do crânio, como se fosse sua língua.
Gritos de pânico foram escutados em todo lugar, ainda mais altos. O que isso significava? Seria um grande feitiço que machucava pessoas em massa? Estava pronta para correr, quando meus orbes pairaram sobre uma pequena figura trêmula surgia dentre os arbustos.
Winky! O elfo de Bartô Crouch. O que ela estava fazendo aí?
Vi ela, ele... Seja como for apanhar a varinha de Harry e analisá-la. Em seguida mirou um canto específico, como se estivesse assustada e aborrecida ao mesmo tempo, olhando para o vazio.
– ESTUPEFAÇA!
E novamente raios surgiram, atingindo pontos aleatórios. Um passando bem próximo do meu lado esquerdo, por sorte, desviei. Por míseros segundos, suei frio, achando que seria atingida. Já Winky não havia tido tanta sorte. Fora atingida por um dos feitiços e agora, estava caída, inerte sobre o solo.
– Acertamos sim! Encontrei alguém aqui! – uma voz berrou um pouco atrás de mim, vinda do lado para onde estava correndo antes de escutar os barulhos.
– Ah! – gritei assustada, com uma das mãos no peito e outra com a varinha apontada para o sujeito.
Ele era familiar. Eu o conhecia... Amos Diggory! Isso mesmo! O pai de Cedrico!
– Espera, você não é a amiga de Harry Potter? – embora não me olhasse, assenti em silêncio, ainda incapacitada de formular algo decente devido ao susto.
Acalmava-me, seguindo seus passos com meus olhos. Passou direto por mim, buscando por Winky. Carregou-a nos braços.
– Você pegou alguém? Quem é? Quem é? – outra voz bastante familiar também gritou há distância.
– Vamos – disse a mim. Sua voz era profissional.
Em passos ágeis e precisos, livramo-nos da floresta, encontrando um grupo enorme de bruxos logo à frente, incluindo meus amigos. Na frente estava o Sr. Crouch. Seus olhos analisaram a mim e pararam no seu elfo nos braços do Sr. Diggory. Seus olhos se arregalaram.
– Isso... Não pode ser... – murmurava coisas sem ligação, ainda pasmo.
Todos encaravam Crouch, aflitos. Este disparou em correr, entrando na floresta, para o mesmo local de onde havíamos saído.
– Não há mais ninguém! – o Sr. Diggory tentou o convencer, inutilmente, já que fora ignorado com louvor.
Cerrei os olhos. O que Crouch procurava? Será que ele sabia quem estava ali minutos atrás? Ou pelo menos que havia um estranho infiltrado com uma capa de invisibilidade?
– Harriet? – o tom de Hermione era incerto. Todos me olhavam com suspeitas – Onde estava?
– Eu me perdi de vocês. Parei de correr para recuperar o fôlego. Depois vi a caveira no céu, Winky aparecendo no meio dos arbustos e logo em seguida, indo ao chão por ter sido acertada.
Minhas palavras não saíram tão conexas como minhas ideias, mas esperava no fundo do meu coração que eles me entendessem. Era tudo muito confuso para eu relembrar desde já.
Ao ouvirem a minha história, todos desviaram seus olhares pra cima da minha pessoa, como se já não fosse suspeita.
– O que era aquela coisa no céu? – perguntei, assim que me pus entre Rony e Hermione.
– Era a marca... De Você-Sabe-Quem.
Engoli seco.
Um silêncio se apoderou do grupo. Ninguém parecia disposto ao soltar algo sobre Winky, com exceção do bocudo do Sr. Diggory é óbvio.
– Não acham engraçado? O elfo de Bartô... Quero dizer.
– Pode parar – repreendeu o Sr. Weasley – Você não acha mesmo que o elfo foi capaz de conjurar a Marca Negra, acha Amos? Elfos não portam varinha, como sabe...
– Havia uma varinha.
– O quê? – o Sr. Weasley parecia ter sido pego de surpresa.
– Olhe só – estendeu uma varinha, que não só eu, como os outros reconheceram – Estava nas mãos dela.
Antes que qualquer um tirasse uma conclusão precipitada, Ludo Bagman aparatou ao lado do Sr. Weasley. Parecia desorientado, e extremamente preocupado, não muito diferente dos demais.
– A Marca Negra! – exclamou ofegante sem ao menos se dar ao trabalho de olhar para o elfo desacordado, não pude evitar revirar os olhos.
Como se ninguém tivesse visto aquela coisa enorme no céu, francamente.
– Por onde andou Bartô? – desatou a falar assim que o Ministro apareceu, de mãos vazias como o esperado – Seu elfo ficou guardando um lugar pra você durante a partida e... Gárgulas vorazes! O que houve? – indicou Winky pela primeira vez.
– Meu elfo foi estuporado – contou pálido – Acham que foi ele quem conjurou a marca.
– Não! – Ludo rebateu descrente – Não é possível! Precisaria de uma varinha para começar...
– E tinha uma, esta aqui – o pai de Cedrico abriu a bocona mais uma vez – Acho que deveríamos a acordar e ouvir a versão dela.
Uma leve onda de irritação me invadiu. Eu já não havia contado o que havia acontecido?
– Não foi ela! – minha convicção assustou a todos – Eu vi e não foi ela! E a varinha é de Harry!
– Sim, ela é minha. Deixei-a cair enquanto corria.
– Como é? – indagou incrédulo – Então encontramos o culpado?
– Acha mesmo que Harry Potter conjuraria a Marca Negra, Amos? – o Sr. Weasley partiu em defesa do Harry.
– Hm, claro que não. Desculpem-me – ficou constrangido – Enervate! – apontou sua varinha para Winky.
Bem lentamente, Winky foi despertando.
– Como você está vendo, a Marca Negra foi conjurada e você, elfo, estava segurando a varinha. Você a apanhou e pensou em se divertir um pouco não é?
– Winky não estava fazendo nada com ela, meu senhor! – encolhia-se a cada acusação ridícula e sem fundamento – Winky apenas a apanhou no chão, meu senhor. Winky não fez a Marca Negra, Winky não sabe fazer isso, meu senhor!
– Não foi ela! – intervi novamente, irritada.
– Oh! Esqueci-me de que você também estava lá, como é seu nome mesmo, senhorita?
– Harriet Cattleford – revelei com petulância.
– Se não foi o elfo, só pode ter sido você, senhorita Cattleford!
– Não fui eu também! Por Merlin! – e a irritação crescia – Eu sou a que menos entende dessas coisas! Até minutos atrás, eu nem sabia que este crânio – indiquei o céu – era a Marca Negra! Posso estar indo para o quarto ano em Hogwarts, mas qualquer um aqui pode confirmar que eu mal consigo fazer as tarefas direito, quanto mais magia negra! Sou apenas uma bruxa, nascida trouxa – cuspi furiosa.
– Então você confessa que foi o elfo?
Movi minha boca, prestes a xingá-lo de tudo e mais um pouco. Será que ele não havia ouvido nada do meu discurso?
– Não foi ela! – Hermione gritou fora de si, bastante envergonhada depois que percebeu que todos os olhares foram direcionados a si – A voz que ouvimos conjurar não era nada similar com a esganiçada que a de Winky, não é mesmo? – mirou os garotos em busca de apoio.
– É verdade, não era nada parecida – Harry disse.
– Era uma voz humana – Rony completou.
– É o que veremos... Prior Incantato! – esbravejou.
E uma imitação do crânio surgiu. Hermione ficou horrorizada.
– Deletrius! – praguejou logo em seguida, fazendo a cópia virar fumaça.
– Com a mão na botija, elfo! Culpada!
Bati o meu pé no chão com força, como criança birrenta; atraindo a atenção dos presentes.
– Não foi Winky! Havia mais alguém na floresta, mas este usava uma capa de invisibilidade, tornando sua identificação impossível.
– Vocês estão se acobertando não é mesmo? – olhava-me acusador, sustentei seu olhar – É muito fácil fazer o trabalho e depois por a culpa em alguém que se quer existe.
– Talvez, Amos, você esteja insinuando que eu ensino magia negra aos meus criados – o Sr. Crouch parecia furioso.
– Não, não...
– Em tão pouco tempo, você já acusou as três pessoas mais improváveis dessa roda, Amos. Suponho que você conheça a história do menino Potter...
– Sim, conheço – confessou sem graça, entendendo aonde o Sr. Crouch queria chegar.
– E espero que se lembre de que Cattleford é apenas uma estudante de Hogwarts – o outro homem assentiu – Presumo que saiba também que abomino qualquer indício das artes das trevas. Então culpar o meu elfo, será o mesmo que culpar a mim. Sei também que provavelmente você vai querer a levar para o interrogatório, mas gostaria que a deixasse comigo.
O Sr. Diggory fez cara de quem chupou limão e não gostou. Por fim, concordou; creio que no meio do caminho da resposta de negação, o pai de Cedrico tenha se lembrado de quem era Bartô Crouch e o quão importante era o cargo que este ocupava.
– Ela será castigada, podem ter certeza – mirava a criatura pequena com tamanha frieza que dava até vontade de me jogar na frente e defendê-la.
– M-m-meu s-s-sen-senhor! Por fa-fa-fa-vor! – Winky gaguejava sem parar, debulhando-se em lágrimas.
– Esta noite, Winky se portou de uma forma que nunca esperava portar. Desobedeceu-me de todas as formas... Isto significa roupas.
– Não! – a voz fina do elfo soou – Não meu senhor! Não! Por favor, meu senhor! Roupas não! – desatou a suplicar, agarrada à toalha de chá que conhecia como roupa.
A discussão se estendeu, mas minha atenção se esvaiu para o indivíduo de capa. Quem seria?
Assim que encontrou uma brecha, o Sr. Weasley anunciou que nos levaríamos de volta à barraca.
–X–
Hermione resmungou o caminho todo sobre como os elfos sofrem abusos e são injustiçados. Agora, estava envolvida em uma discussão totalmente ridícula e sem necessidade com o Percy, tudo porque o infeliz lançou um comentário arrogante sobre Winky. Hermione insistia em defendê-la, assim como defendia todos os elfos domésticos.
Eu concordava com ela sobre elfos não merecerem nada desses mal tratos, entretanto, discutir com Percy não iria mudar nada.
– Mas afinal, o que aquele crânio tem de tão especial? – Rony questionou em um tom elevado.
Ótimo, achei que era a única perdida e estava com vergonha de perguntar. Ronald, obrigada. Fez uma pergunta pela qual vale a pena presta atenção.
– É a marca de Você-Sabe-Quem, não é? – era só isso que eu sabia mesmo.
– Correto Harriet. A marca já não era vista há treze anos; era lançada ao céu toda vez que Você-Sabe-Quem e os Comensais da Morte matavam alguém. Vê-la esta noite, foi quase que revê-lo.
– Comensais da Morte?
– É o grupo de seguidores d’Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Acredita-se que o bando encapuzado foi tudo que restou deles, ou pelo menos daqueles que conseguiram a proeza de se manter fora de Azkaban.
– Não faz sentido. Se eles são mesmo os seguidores de Você-Sabe-Quem, por que saíram correndo quando viram a marca? Eu os vi despachando. E bem depressa.
– Medo. Podem admirar muito Você-Sabe-Quem, mas quando ele caiu, muitos contaram inúmeras mentiras para não tivessem que colocar o pé em Azkaban – Gui explicou.
– Está tarde, vocês precisam descansar crianças – interrompeu o Sr. Weasley.
Suspirei frustrada, logo agora que as coisas começavam a se encaixar.
Gina, Hermione e eu nos encaminhamos para a barraca ao lado, todas pensativas.
O que esses sinais significam? Minhas “visões”, se é que posso denominá-las assim e agora esta marca do Lord das Trevas... Algo maior estava acontecendo, algo ruim.
Depois de algumas horas de sono, fomos obrigadas à despertar pelo Sr. Weasley. Precisávamos ir, um portal no aguardava.
Chegando aonde a chave deveria estar; um alvoroço de bruxos se encontrava também. Todos tentando partir o mais rápido possível, berrando impacientemente com o homem que era responsável por distribuir os portais.
No final, conseguimos um pneu para voltar ao monte Stoatshead e assim realizar a longa – e infernal – caminhada novamente.
Estávamos sonolentos demais para inicial um diálogo cordial, até mesmo Hermione não estava se aguentando para discursar sobre os elfos. A claridade não ajudava em nada; ela me irritava demasiadamente, se querem saber. Apenas me dava ainda mais sono.
– Podia existir um feitiço para desligar o sol – murmurei para mim mesma, aborrecida.
– E existe! – vi Fred e Jorge se alinharem ao meu lado, com os costumeiros sorrisos marotos. Embora também estivessem com sono, a alegria na voz era perceptível.
Também, ganhando uma aposta de Ludo Bagman e guardando praticamente o dobro de galeões no bolso, até eu estaria.
– Ah é? E qual é? – minha pergunta soara desanimada. Continuava olhando para as minhas botas; escondendo meus olhos e evitando a claridade.
– Se chama “Feche Os Olhos” – gargalharam serenamente, em uníssono.
– Muito – bocejei – engraçado – disse esfregando os meus olhos que agora estavam marejados. Espreguicei-me – em vão, já que a preguiça parecia não querer mais sair de mim.
Já estávamos em Ottery St. Catchpole, em direção à Toca. Quando viramos em direção da estrada para a Toca, um vulto em frente à casa ecoou.
– Ah, graças a Deus!
A senhora Weasley vinha em nossa direção. Aparentemente, estava nos esperando. Seus olhos transbordando preocupação. Senti um aperto no coração, ela estava assim por causa de nós e de certa forma, era horrível saber que eu estava entre os motivos daquela mulher não estar com o seu típico sorriso.
Tinha um exemplar do Profeta Diário em mãos. As notícias corriam rápido.
Jogou o jornal no chão e envolveu o Sr. Weasley em um abraço apertado. Ignorei a linda cena a minha frente e finquei meus olhos na capa: “CENAS DE TERROR NA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL” e logo abaixo, uma fotografia do crânio cintilando no mais alto do céu.
– Vocês estão bem – dirigia-se de forma vaga aos gêmeos – Vocês estão vivos... Ah, meus meninos! – agarrou-os tão forte para um abraço que suas cabeças se chocaram, causando um breve riso meu.
– Você está nos estrangulando, mamãe! – Fred acusou.
– Eu mandei vocês irem embora... Imaginem se Você-Sabe-Quem tivesse levado vocês! A última coisa que disse aos dois foi que não obtiveram tantos N.O.M’s quanto esperava... Fred... Jorge... – parecia estar em choque.
E tudo que minha mente conseguia pensar era que as coisas estavam realmente feias... Quero dizer, olhem o que apenas um crânio desenhado no céu foi capaz de fazer? Pânico para todos os lados possíveis.
Adentramos e fomos tomar o café-da-manhã, o assunto? Não podia ser outro, a catástrofe de ontem.
Rita Skeeter havia escrito mais um de seus artigos ácidos para o Profeta. Essa mulher era um pé no saco. Metia o nariz onde não devia e sempre manipulava tudo; nem sei como gente como ela ainda ocupa o cargo onde está.
Percy e o Sr. Weasley correram para tentar amenizar o caos que devia estar o Ministério, mesmo contra a vontade da Sra. Weasley.
Harry ficou decepcionado ao saber que Edwiges não havia aparecido com nenhuma carta. Contou-nos que havia escrito a Sirius, porque sua cicatriz doera novamente. Ninguém soube ao certo o que dizer, assim como quando contei sobre os flashbacks de ontem.
– Uma voz falava comigo: “Enquanto houver luz, não haverá trevas”, “Você precisa agir, antes que seja tarde demais”, essas foram as frases que a voz misteriosa lançou.
– Certamente alguém estava tentando se comunicar com você, Harriet, ou apenas invadindo sua mente.
Rony fez cara de pavor e posso dizer que a minha reação não foi das mais agradáveis. Adorável saber que alguém pode estar tentando se infiltrar na minha mente. Não guardo muitas informações preciosas, mas tem uma coisa chamada privacidade, ela é boa e todos deveriam ter. Obrigada, de nada.
– Invadir a mente de alguém? Isso é possível? Quero dizer... Pode ser apenas coincidência... Não pode, Hermione?
– É possível sim, Ronald. Li uma vez que essa magia é mais conhecida como Legilimência, o dom de se infiltrar na mente das pessoas. Mas é muito complicado, exige que a vítima – nesse caso eu – esteja calma, próxima e vulnerável, sem contar que o contato visual é necessário. Provavelmente quem estava se comunicando, estava próximo. Há outra magia, a Oclumência que causa o processo reverso. Digo, ele impede que as pessoas tentem entrar, mas assim como a Legilimência, é muito complexo.
– Mas eu não quero que elas parem, só queria as entender. Que sentido isso faz? Quem estaria tão próximo? Não me lembro de ter feito contato visual com tantas pessoas, não estranhas pelo menos. Só quem estava no camarote.
– Pense, Harriet – exigiu Hermione.
Não havia o que pensar. Foram só eles, os homens do Ministério e... O Malfoy. Uma hipótese absurda, já que:
Um: ele nunca mandaria pistas para salvar a pele de uma Sangue-Ruim, como ele mesmo diria.
Dois: recuso-me a falar que troquei olhares com Draco Malfoy, isso me envergonharia eternamente.
Por outro lado, minha mente voltou ao momento em que estava deixando o estádio. O motivo: o feixe de luz verde, seguido de um grito de uma das Maldições Imperdoáveis. Quem veio atrás? Draco Malfoy. Recordo-me que enquanto ele estava comigo, as mensagens continuaram a vir. Será?
Definitivamente não. Malfoy-filho é idiota demais para dar conta de uma magia que como Hermione disse: é complexa demais.
– Não faço ideia – menti – Já ia me esquecendo. Tive uma visão de alguém lançando um... Avada Kedrava.
Silêncio. Hermione soltou uma exclamação horrorizada. Eu também fiquei na hora.
– Foi... Estranho, como se... Eu tivesse recebido a maldição.
Harry encarava-me e escutava atento, ainda assim mantinha-se calado. Compreendo. Ninguém era adorador de uma maldição como essa, mas Harry tinha mais motivos do que todos para repudiá-la. Fora essa luz verde que tirara as pessoas que ele mais amava nessa vida.
– Fale com Dumbledore, ele saberá o que fazer.
Assenti, mesmo não sabendo se falar com Dumbledore era o certo. Ele sempre ficava sabendo de tudo e mais... O que ele poderia fazer?
– Vocês... Vocês acham que Harriet viu o futuro?
– Tem chance... Foi a primeira coisa que pensei – contei, sentindo um frio na espinha.
Saber que alguém iria morrer e que eu poderia evitar era... Apavorante.
– Mas também pode ser o passado. Uma memória de quem estava entrando na sua cabeça. Procure Dumbledore.
Ah, claro, Hermione! Muito fácil dizer. Queria vê-la procurar pelo professor Dumbledore em plenas férias para dizer: “Alguém anda me mandando sinais, sinto-me retardada por isso, pode fazer algo para me tornar menos retardada?”.
Por falar em nisso, onde será que Dumbledore passa as férias? Imagino-o sem os usuais óculos meia-lua, e no lugar óculos de sol, com uma bermuda de ondas azuis, deitado na areia e tomando sol em uma praia trouxa qualquer. Imaginem?
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