A Chance to Change [HIATUS]

14 A Cozinha dos Elfos e Os Convites


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Rose (ela quem pediu u.u); espero que gostem e tenham uma boa leitura!

A Grifinória inteira estava reunida no salão comunal para comemorar a grande virada de Harry. Hogwarts só não tremia, porque era muito bem feita e construída. De repente, tudo pareceu voltar ao normal... Todo mundo de bem com todos e o apoio e as companhias que tanto faziam falta ao Potter, voltaram também.

– Nossa! Isso é pesado! – Lino reclamou ao carregar o ovo dourado – Você devia abrir, Harry.

– Não sejam tolos! Harry precisa desvendar a pista, sozinho! – repreendeu Hermione.

– Não seja estraga prazeres, Mione – dei um empurrãozinho em seu ombro – Até parece que você não quer saber o que tem dentro...

– É... Abre logo, Harry! – um coro de pedidos se iniciou e ele o fez, porém logo se arrependeu.

O ovo estava vazio, mas um som agudo e ensurdecedor saíram, obrigando todos a tamparem os ouvidos.

O que eles achavam eu não sei, mas pareciam até mil Caras-De-Buldogues falando ao mesmo tempo. Terrível.

– Fecha isso!

– O que foi isso?

– Parecia um espírito agourento... Quem sabe você não vai ter que enfrentar eles da próxima vez? – Simas deduziu.

– Era alguém sendo torturado! – Neville estava em pânico – Você vai ter que enfrentar a Maldição Cruciatus! – e começou a ficar com a respiração falha.

Longbottom meu amigo... Sinto em lhe informar, mas você viajou legal. Avaliando essa crise súbita e somando com a da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas naquele dia, concluiria que você tem certa paranoia com a Cruciatus, ou trauma talvez... Quem vai saber.

– Sério isso? Deixa de ser babaca, Neville! – Jorge lhe deu um peteleco – É ilegal e não usariam contra os campeões! Eu achei que lembrava o Percy cantando no banho... – pôs a mão no queixo – Quem sabe você não tenha que o atacar de baixo do chuveiro, Harry?

Balanço a cabeça rindo.

– Vocês andaram cheirando bombas de bosta demais – conclui entre risos.

– Aceita uma tortinha de geleia, Harriet? – Fred surgiu – E você Mione?

Hermione os encarou com suspeita e eu revirei os olhos, fitando-os em seguida como se dissesse: “É sério que vocês ainda acham que eu vou cair nessa?”.

– Podem pegar... Não fiz nada com elas – me engana que eu gosto, Frederico – Com creme de caramelo...

O som de alguém se engasgando atraiu a nossa atenção. Neville havia se entupido de creme... Por Merlin!

– É só uma brincadeirinha, Neville – Fred ria.

– Você apanhou tudo isso na cozinha, Fred? Quer dizer... Você esteve lá? – Hermione perguntou olhando para a torta.

– O que pudermos lhe arranjar senhor! Qualquer coisa! – imitou um elfo com a voz afetada – Arranjariam até um bom assado se eu dissesse que estava faminto.

– E como se entra lá? – perguntei interessada.

Sim, Hermione. Agradeça-me mais tarde, pois estou perguntando o que o mundo todo deseja saber.

– Fácil! Tem uma porta escondida atrás do quadro de uma fruteira, é só você fazer cócegas na pêra que ela se abre e... O que você quer fazer lá?

– Não é óbvio, Weasley? Comer! – respondi e em seguida virei-me para Mione – A gente tem que ir lá – sussurrei e ela concordou.

– Vocês não estão pensando em liderar uma greve de elfos domésticos, estão? Qual é! Vão desviar os caras do preparo da comida!

– EU – frisei – nem pensei em nisso!

Hermione permaneceu quieta e novamente, Neville nos distraiu.

– Neville! – gritei.

Ele havia se transformado em um canário gigante, no minuto seguinte as penas caíram, revelando ele como era.

Um coro de gargalhadas preencheu a sala.

– Vocês são muito maus!

– Desculpa Neville! – dessa vez foi Jorge – Foram os cremes de caramelo que enfeitiçamos... CREMES DE CANÁRIOS, SETE SICLES, UMA PECHINCHA!

– Então essa é mais uma das invenções? – coloquei-me ao lado deles – Vocês são geniais! – exclamei surpresa – Ficariam ricos com todas essas ideias novas e... A Zonko’s ficaria esquecida... E vocês ficariam famosos... E – as palavras foram se atropelando no caminho.

– Calma! – Fred ria – Você não viu nada!

Até quando a festança durou, eu não sei. Subi para o dormitório bem antes para continuar a leitura do livro que eu emprestei – clandestinamente.

O começo de dezembro trouxe chuviscos e neve fraca. As aulas de Trato das Criaturas Mágicas estavam se saindo desastrosas Sobraram apenas dez – enormes – explosivins; ao que parece, as outras se mataram lutando umas com as outras.

– Vamos coloca-las dentro dessas caixas para que possam hibernar – Hagrid instruiu.

Todavia, nada deu certo. Os explosivins se enfureceram e metade da turma se espantou e saiu correndo para dentro da cabana de Hagrid. O grupo de medrosos era liderado por Malfoy, Crabble e Goyle, obviamente.

– Ora, ora... Isso me parece muito divertido – uma mulher de cabelos ondulados e loiros, com um par de óculos bizarro na cara e roupas extravagantes disse debruçada na cerca.

Nunca vi um tom tão falso quanto o dela.

– E quem é a senhora? – Hagrid se aproximou dela, após prender o explosivin que estava cercando Harry e Rony.

– Rita Skeeter, repórter do Profeta Diário – sorriu, revelando um dente dourado.

Urgh! Que coisa mais... Bizarra! Ela toda era bizarra.

– Espera... Não foi ela que escreveu aquele monte de baboseiras sobre você e os seus sentimentos, Harry? – cheguei mais perto deles.

– Ela mesma – concordou com desânimo.

–... Não gostaria de dar uma entrevista?

– Hm, claro... Por que não?

– Hagrid... Não!

No entanto, já era tarde. Eles estavam longe e ela pronta pra mostrar as garras.

A aula de Adivinhação foi trágica... Para Harry, como sempre. Agora que ele e Rony fizeram as pazes, as aulas pareceram voltar a ser engraçadas com os comentários e piadinhas bobas sobre a Trelawney. Nem tarefa havíamos tido, para melhorar.

– Espero que a professora Vector tenha passado um monte de deveres pra ela.

Rony, seu Weasley mal comido, isso é coisa que se deseje?

No jantar, Hermione não deu as caras e só depois a encontrei no meio das escadas que se movem, enquanto os garotos passavam na biblioteca para ver o Krum.

– Hermione sua doida, por onde andou? Perdeu o jantar!

– Eu... Eu sei... – ofegava – Mas acabei de ver uma coisa fantástica... Vocês precisam ver... Onde estão Harry e Rony? – mirava por cima dos meus ombros – Biblioteca.

Vi o rosto dela ficar confuso e a testa enrugar.

– Vitor Krum – revirei os olhos.

– Ah... Faz sentido.

– Mas me diga: o que você viu de tão fantástico? – olhei-a curiosa.

– Vamos achar os meninos e eu mostro a vocês todos de uma vez.

– Vamos.

E fomos andando para o salão comunal para esperá-los. No meio do caminho, avistamos as duas cabecinhas deles muito a nossa frente. Hermione saiu correndo feito maluca para alcançá-los, eu continuei em meus passos pequenos. Se ela ia correr já, pra que eu também? Uma descabelada é melhor que duas.

– Para onde estamos indo? – Harry perguntou.

Desencostei da pilastra ao ver o trio se aproximar. Cumprimentei-os com um breve aceno que foi correspondido.

– Vocês já vão ver! – Granger estava tão eufórica que só faltava pular.

Passamos por uma escadaria sombria, pela masmorra do Snape e um longo corredor de pedra...

– Espero que você saiba para onde está nos levando... – dizia olhando para os lados, tentando memorizar cada detalhe do caminho – Nunca passei aqui.

– Esperem, falta pouco!

De longe vi uma pintura de uma fruteira de prata e quando a ficha caiu, cada célula do meu corpo vibrou.

– Oh meu Deus! – disse boquiaberta – Estamos indo para a cozinha! – bati palmas, empolgada.

– Você não está tentando nos meter a força naquela história do fale...

– Não é fale, Rony e... Arg! Apenas olhem.

Com o dedo indicador fez cócegas na pêra que riu engraçado. Em consequência de achar graça, tive um ataque de risos com a fruta e os três me encararam pasmos.

– O que foi? – indaguei com a mão na barriga – Vocês não acharam a pêra engraçada? – os três negaram – Como não? Esqueçam...

Ao atravessarmos a porta, demos de cara com um cômodo enorme, com um teto alto como a do Salão Principal, paredes lotadas com panelas penduradas e alguns quadros aleatórios.

– Harry Potter, meu senhor! Harry Potter! – um elfo de olhos enormes similares à duas bolas de tênis se aproximou elétrico, saltando em Harry e abraçando-o em seguida surgiu.

– D-Dobby?

– Sim, meu senhor! É Dobby, senhor! Dobby teve muita esperança de ver o senhor, Harry Potter, meu senhor, e Harry Potter veio ver Dobby, meu senhor!

Caramba! Nunca vi tanto Dobby, Harry Potter e senhor em uma mesma frase. Era impossível não sorrir e nem achar graça na cena.

– O que faz aqui, Dobby?

– Dobby veio trabalhar em Hogwarts, Harry Potter. Professor Dumbledore ofereceu emprego a Dobby e Winky, meu senhor!

– Winky? Ela também está aqui? – perguntei, intrometendo-me no diálogo.

Da última e única vez que a vimos, a situação não estava nada boa entre ela e o Sr. Crouch, depois daquele episódio todo da Marca-Negra na Copa Mundial de Quadribol.

Dobby pegou na mão de Harry e o arrastou entre as mesas compridas e colocadas exatamente como as do Salão Principal, até parar em um fogão de tijolos. Nós os seguimos.

– Winky, senhor!

Sentada em um banco, cabisbaixas e com roupas novas e muito más cuidadas... Ali estava Winky.

– Winky! – chamei-a – Como está?

Os lábios dela tremeram e ela começou a chorar.

– Ah meu Deus! – desesperei-me – Winky, está tudo bem? Desculpa... Não chore – e ela começou a chorar mais ainda.

Ok. Não ajudo mais! Odeio pessoas que fazem isso: você pede pra elas não chorarem e elas choram ainda mais, se bem que Winky não é uma pessoa...

– Harry Potter gostaria de tomar uma xícara de chá?

– Ãn... Tudo bem.

De imediato, seis elfos apareceram ao nosso lado carregando uma bandeja com quatro copos, uma pequena jarra de leite e biscoitos.

– Serviço de primeira! – Rony disse de boca cheia e Hermione o fuzilou com o olhar.

– Há quanto tempo está aqui, Dobby? – Harry iniciou uma conversa assim que terminaram de nos servir o chá.

– Apenas uma semana, senhor. Dobby viajou pelo país durante dois meses, mas Dobby não achou nada, meu senhor, porque agora ele quer receber salário! – exclamou determinado.

Os elfos viraram a cabeça ao ouvir as últimas palavras, como se estivessem ofendidos.

– É assim que se fala! – Hermione concordou.

– Muito obrigada, senhorita – sorriu exuberante – Mas a maioria dos bruxos não quer um elfo que exige ordenado, senhorita. Eles batem a porta na cara de Dobby porque Dobby gosta de trabalhar, mas quer se vestir e receber ordenado. Dobby gosta de ser livre! – falou em tom aéreo – E então, Harry Potter, Dobby vai visitar Winky e descobre que ela está livre.

Dobby parecia satisfeito, ao contrário de Winky que se atirou para frente e caiu do banquinho. Hermione correu para ampará-la. Independente de quais palavras usadas, ela permanecia no mesmo choramingo desde que nos viu.

– Então Dobby teve a ideia, Harry Potter – continuou o relato, ignorando Winky – Por que Dobby e Winky não procuram por trabalho juntos? Winky pergunta onde é que vai ter trabalho suficiente para dois elfos e Dobby se lembra de Hogwarts, meu senhor! Dobby e Winky vieram ver professor Dumbledore e professor Dumbledore nos contratou! – recordava animado, com os olhos brilhando de lágrimas.

– Ai que coisa mais fofa! – a frase escapou da minha boca, fazendo todos me olharem – Desculpem – sorri sem-graça.

– Dobby agora recebe ordenado, Harry Potter! Professor Dumbledore paga um galeão a Dobby por semana e um dia de férias a cada mês, meu senhor!

– Mas isso é muito pouco! – Hermione se indignou.

– Professor Dumbledore ofereceu dez galeões e folga todo fim de semana – estremeceu – Mas Dobby o fez baixar. Dobby gosta da liberdade, mas Dobby gosta ainda mais de trabalhar.

Hermione pareceu não entender.

– E você, Winky? Quanto recebe?

– Winky é um elfo em desgraça. Winky tem vergonha de ter sido libertada!

– Mas Winky! É o Sr. Crouch quem devia se envergonhar... Ele foi horrível com v...

– A senhorita não vai insultar o meu amo! – gritou brava, abaixando as orelhas para não ouvir mais nada – O Sr. Crouch é um bruxo bom! O que o Sr. Crouch deve estar fazendo sem Winky? Ele está precisando de mim? Ele está precisando de minha ajuda?

– Posso dizer que o Sr. Crouch vai muito bem sem você, Winky! Sabe, a gente o viu...

– A senhorita viu o Sr. Crouch? Tem visto meu amo em Hogwarts?

Pelo menos agora o choro dela cessou.

– Sim. Ele e o Sr. Bagman são juízes do Torneio Tribruxo – respondi por ela.

– O Sr. Bagman também? Meu amo não gosta dele. O Sr. Bagman é um bruxo malvado.

– Bagman... Malvado? – Harry ficou surpreso.

É, Harry, Ludo Bagman é coisas que você nem imagina. Nem uma mísera aposta quer pagar.

– Meu amo contou coisas a Winky e Winky não vai tornar a repeti-las! – ela ficou brava – Winky guarda os segredos do amo... Winky guarda...

Esqueçam o que eu disse antes sobre o choro; ela voltou a se debulhar em lágrimas e nada mais quis nos dizer a respeito de Ludo.

– A próxima coisa que Dobby vai fazer, vai ser comprar um suéter, Harry Potter.

– Me deixa dizer o que eu vou fazer: vou lhe dar o suéter que a minha mãe vai tricotar pra mim no Natal. Você não tem nada contra marrom, não é? – Rony parecia ter gostado muito de Dobby também.

Os olhos verdes de Dobby reluziram encantados, parecia demasiadamente grato.

FO-FO!

“Descreva, com exemplos, como os Feitiços de Transformação devem ser adaptados ao se fazerem trocas cruzadas de espécies”. Lá se vai mais uma tarde enfornada na biblioteca!

Harry e Rony quebravam o silêncio que reinava na sala, onde se escutava apenas o barulho de penas riscando os pergaminhos, com uma luta de varinhas falsas.

– Agora que Potter e Weasley tiveram a bondade de parar com as criancices – McGonagall lançou um olhar fuzilante ao ver que o bico do papagaio se rompeu, causando um ruído baixo – tenho um aviso para dar. O Baile de Inverno está próximo. É uma tradição do Torneio Tribruxo e uma oportunidade para conviver socialmente com os nossos convidados. Apenas os alunos do quarto ano para cima poderão ir, mas vocês podem convidar alguém mais novo se quiserem, é claro.

Lilá e Parvati deram risadinhas e viraram-se para olhar Harry. Se Harry tivesse perdido a prova, elas não o admirariam tanto.

– Interesseiras... – murmurei a mim mesma.

– O traje é a rigor e o baile começa as oito e termina a meia-noite. Não quero ver ninguém relaxando nos padrões de comportamento que se espera dos alunos de Hogwarts. Ficarei seriamente aborrecida caso um aluno da Grifinória venha a envergonhar a escola.

Ótimo! Um baile para exibirmos os nossos vestidos e para dançarmos até não dar mais com os nossos pares... Isso me lembra que eu não sei dançar, merda!

Nunca tanta gente se inscreveu para ficar na escola no Natal. De súbito, metade da escola estava decidida permanecer, os alunos do quarto ano adiante, principalmente.

– Mas é muito arriscado tentar colocar a santa invenção de vocês na bebida do baile! – exasperei-me – Ouviram o que a McGonagall disse sobre pegar alguém da Grifinória...

– Ninguém vai saber, Harriet – Fred tentou me tranquilizar.

– Como vocês sabem? Que garantia tem? Podemos ser expulsos!

– Espera... Podemos? – Jorge sorriu abertamente – Então você se incluiu nessa?

– Estou sabendo de tudo não estou? – retruquei impaciente – Vamos, desistam dessa ideia sem cabimento, haverá outras oportunidades...

– Não – foram firmes.

– Por favor... Ou pelo menos escolham um alvo e não a escola inteira!

– Amadores... – Jorge disse e se entreolhou com o irmão – Escuta – disse finalmente me olhando – Se apenas algumas pessoas ficarem vai ser ainda mais suspeito, sem contar que se uma escola inteira fica é mais difícil encontrar o culpado.

– Estávamos pensando em tomar a poção também – Fred olhava com desdém – Quem suspeitaria de nós se estivéssemos sob o mesmo efeito? – finalizou divertido.

– Façam o que quiserem – bufei – Qualquer coisa... Eu não sei de nada.

– Tem certeza? – indagaram em uníssono, com as sobrancelhas arqueadas.

– Acho... Acho que sim.

Dia após outro, Harry e Rony voltavam com histórias sobre meninas que convidavam Harry para o baile; desde crianças até garotas que não pareciam garotas.

Arranja alguns minutos do meu dia para ensaiar com o Neville, visto que ele é tão perna-de-pau quanto eu quando se trata de dança. Logo, estaríamos profissionais.

– Deixe-o, Hermione! Ele conquistou o direito de ficar sem fazer nada depois que lutou com o dragão – Rony defendia Harry sobre as tarefas e a pista misteriosa do ovo dourado, muito concentrado em sua torre feita de cartas do Snap Explosivo.

Ao encaixar as suas últimas cartas, o pequeno castelo explodiu, chamuscando suas sobrancelhas.

– Ficou legal, Rony. Vão combinar com as suas vestes a rigor – eram Fred e Jorge.

– Podemos pedir Pichitinho emprestado?

– Não. Ele está entregando uma carta, por quê?

– Porque Jorge quer convidar a sua coruja para o baile – Fred debochou – Já arranjaram par para o baile?

Não, respondi mentalmente sabendo que a pergunta não era pra mim.

Rony negou.

– É melhor se apressarem, ou logo todas as garotas legais vão estar ocupadas.

– Ah, é? E com que vocês vão? – perguntei.

– Angelina – Fred respondeu com naturalidade, como se estivessem lhe perguntando se vai a escola.

– Você a convidou?

– Bem lembrado.

– Angelina! Oi! – gritou para a garota que estava do outro lado, em pé, conversando a com Alicia Spinnet.

– Que foi?

– Quer ir ao baile comigo?

– Tudo bem – ela demorou a responder, como se estivesse avaliando a situação e em seguida voltou a conversar com Alicia, sorridente.

Quanto romantismo, Fred!

– Ele tem razão. Não queremos acabar com um par de trasgos.

– Opa! Como é que é? – indaguei brava.

– O que você disse? – Hermione também ficou.

– Bom... Sabe... Eu prefiro ir sozinho a ir com a Heloisa Midgeon, por exemplo.

Grunhi em desaprovação.

– Que horror, Ronald! Não fala isso! A acne dela melhorou bastante nos últimos tempos.

– E ela é muito legal – Mione completou.

– Isso!

– Mas tem o nariz fora do esquadro.

– Entendo... Então você vai levar a garota mais bonita que encontrar, mesmo que ela seja uma insuportável?

– Mais ou menos.

– Hm. Vou dormir. Boa noite – Hermione se retirou repentinamente.

– Rony, você é um grosso! Vou indo também. Boa noite pra vocês.

– Noite.

Só tive tempo para escutar um: “Mas o que eu fiz?”.

– Você escutou o que aquele bruto disse, Harriet? – Hermione ajeitava o travesseiro, está mais para socava, mas esquece...

– Eu sei, mas não podemos esperar coisa muito diferente de Ronald Weasley, certo? Mudando de assunto... – joguei-me em minha cama – Vai aceitar o convite do Vitor Apanhador Internacional Krum?

A resposta demorou pra vir.

– Acho que sim – confirmou, enfim sentando na cama, cabisbaixa.

Pobre Hermione! Acho que ela esperava que outro alguém a convidasse a tempo, contudo, o convite não veio. Olha também de quem ela espera vir algo decente?

– Espera, Cattleford! – uma voz me chamou ao dobrar o corredor. Gina, Rony e eu paramos, olhando para quem me chamava – Você é Harriet, certo? Harriet Cattleford?

– Eu mesma e você?

– Rogério Davies, capitão do time de quadribol da Corvinal. Tem um momento? – perguntou olhando para o meu lado: Gina e Rony.

– Gente, vai indo... Esperem-me na porta para o pátio. Já alcanço vocês.

– Até daqui a pouco! – despediram-se com semblantes estranhos.

– Pode falar – sorri, incentivando que ele continuasse.

– Bom... Sei que mal nos conhecemos...

– Na verdade, a gente nunca se falou até agora – corrigi – Ai, perdão... Prossiga.

– Se que nunca nos falamos – ele se corrigiu – Mas eu reparo bastante em você nos jogos da Grifinória x Corvinal, você é uma torcedora e tanto.

– Ah – senti minhas bochechas queimarem, momento constrangedor em que a ficha de que as pessoas realmente percebem o meu berreiro cai – Obrigada, eu acho...

De repente, o corredor ficou quente...

– Gostaria de ir ao baile comigo?

Corria encabulada para encontrar com Gina e Rony no local marcado.

Por que essas coisas acontecem comigo, Merlin? Alguém me fala! O “não” escapou da minha boca sem ao menos eu ter tido tempo para pensar na proposta e o pior... Ele não foi sutil.

– Ah! Vou me trucidar, não é possível! – lamentava só – Mas, mas... Você fez o certo, Harriet! Não é sensato ir com alguém que é mais inteligente que você. Isso! Essa é a lei da vida: apenas saia com alguém que seja menos inteligente que você e... A quem eu quero enganar? – dizia chorosa – Acabo de fazer uma grande cagada!

– Ih, meninas! Vejam só a sangue-ruim, além de rebaixada fala sozinha – Pansy zoou ao passar do meu lado com as piranhas que ela chama de amiga.

– Tchau, Parkinson! – fui breve e acelerei os passos ao enxergar as duas cabeças ruivas.

Ambos me lançaram olhares que pediam explicações.

– Depois – desviei o assunto – Vamos, Rony! É agora ou nunca! – incentivava-o.

– Ah, não sei, Harriet!

– O máximo que vai acontecer é ela te dizer um “não”! Gina disse que ela passa aqui todo o dia com as amigas... É bom que esteja preparado.

– Dá até vergonha de ser sua irmã, Rony – Gina repreendeu, rolando os olhos – Vejam ela lá... – apontou discretamente para os pontinhos azuis que atravessavam o pátio.

– Vamos, puxei-o pelas vestes.

As pessoas devem pensar: “Que traíra, Harriet! Sua amiga Hermione queria ir com o Cabeça-de-Fósforo e você o dá de bandeja para a outra?”, entretanto, Hermione já aceitou o convite de Krum, então me vejo na obrigação de desencalhar todo mundo, já que comigo a história é outra.

– Mas ela está conversando com o Diggory e...

– Vai, Ronald! – empurrei-o pelas costas.

Vi ele respirar fundo... Várias vezes.

– Você está certa, Harriet! O que poderia dar errado? – falava com uma confiança que brotou do nada – Aqui vou eu, Fleur! – estufou o peito e foi até a loira.

– Seu irmão está andando estranho, Gina – comentei.

– Eu sei. Ele está marchando como se fosse pra guerra...

Trocávamos comentários baixinhos até uma gritaria nos despertar. As pessoas ao redor não estavam diferentes.

– FLEUR, VOCÊ QUER IR AO BAILE COMIGO?

Empurrávamos as pessoas no nosso caminho sem nos importar, apenas queríamos chegar até o centro da rodinha.

– Mass o que serr isso? – Delacour estava espantada. Qualquer uma estaria.

– QUER IR AO BAILE COMIGO? – Rony continuava a gritar na cara dela.

Cedrico estava logo ao lado, com os olhos quase pulando de órbita. Os alunos riam do jeito, ou melhor, da falta dele em Rony para ser cavalheiro.

Rony seu idiota, ficou maluco foi?

Estava pronta para ir tirar ele de lá e dar uns bons tabefes, mas ele pareceu se dar contar da situação por si só. Afastou seu rosto – agora vermelho – do de Fleur, cambaleou para trás como se despertasse de um transe e saiu correndo. Grande atitude de homem!

Isso só serviu para intensificar ainda mais o coro de risadas.

– Vai atrás dele, Gina! – ela assentiu e saiu correndo na mesma direção que o irmão foi.

Adentrei o círculo formado, com uma risada nervosa patética.

– Gente, não tem nada pra ver aqui – ria mais – Fleur, perrdão! Isso foi uma brrincadeirra do meu amigo Rony, não vai se rrepetirr! Os acontecimentos de hoje non devem serr levados em conta. Dessculpe! – saí em disparada também.

Ela parecia em choque ainda para poder absorver alguma coisa que eu disse, então não valia a pena.

Gina consolava Rony, que estava sentado agora em uma cadeira no salão comunal.

– Me diz, pra que gritar? – cheguei indignada – Parecia que você ia pra cima pra dar um soco nela, Rony!

Ele continuava atônito, na cadeira, Gina dava umas batidinhas solidárias em seu braço.

– Eu... Eu...

– Incentivei você pra tomar coragem, mas não tanta assim né...

– Harriet, não está ajudando! – Gina me alertou.

– Ah... – só então a ficha, de que Rony estava mal, caiu – Desculpa! – sentei-me sobre o tapete e fiquei fazendo o mesmo que Gina.

O retrato da Mulher Gorda se abriu, revelando Harry.

– O que aconteceu, Rony?

– Por que eu fiz aquilo? O que me obrigou a fazer aquilo? – exasperou-se.

– Eu te obriguei, na verdade – disse em voz baixa.

– O quê?

– Rony convidou a Fleur Delacour para o baile – Gina segurava o riso.

– Você o quê?

– Havia gente em volta, ela estava conversando com o Diggory, mas quando me aproximei algo parecia ter se apoderado de mim e a convidei – enterrou o rosto nas mãos – Ela me olhou como se eu fosse um verme e nem me respondeu. Quando recuperei o juízo, me mandei dali.

Na verdade, saiu correndo feito um bebê; apenas corrigindo.

– Não foi sua culpa, foi a parte veela dela, lembra? Você deve ter sido atingido no momento em que ela jogava charme pro Diggory.

Isso, Harry! Console-o! Você é bom em nisso... Ou pelo menos está indo bem, a coisa é que você está fazendo uma coisa que nem Gina e eu conseguimos. Bom garoto!

– Mas é perca de tempo. Ele vai com a Cho – nós três o olhamos fixamente – Acabei de convidá-la e ela me contou.

Olhei para Gina preocupada. Harry Potter, você é um panaca!

– Somos os únicos sem pares, tirando o Neville. Ele me contou na aula de Poções que convidou a Mione, mas ela recusou dizendo que já tinha um par – Rony gargalhou com gosto – Ela só disse isso para não ir com ele... Digo, quem iria?

– Cala a boca, Rony! – irritei-me e nesta hora, Hermione cruzava a entrada da sala.

– Por que vocês não apareceram no jantar?

– Parem de rir! – Gina brigava com os dois – Eles não foram porque as garotas que eles convidaram para o baile recusaram.

Os dois pararam de rir instantaneamente.

– As meninas bonitas já estão ocupadas é, Rony? – arriscaria a dizer que Hermione tinha o nariz um pouco levantado, com ar de superior – A Heloisa Midgeon está começando a parecer bonita, não é? Bem, tenho certeza que vocês encontrarão alguém que queira vocês.

Mione sua exibida, só porque vai com o Krum não precisa esfregando na cara que você tem um apanhador internacional enquanto eu recusei o convite do Davies!

De súbito, Rony começou a encarar Hermione com admiração, como se tivesse encontrado um novo propósito, como se visse a luz no fim do túnel.

– Neville tem razão, você é uma garota, Hermione! E você também, Harriet!

Dei um tapa na testa. Você está fazendo merda de novo, Ronald!

– Bem observado – o tom de Mione era ácido, concordei.

– Bem, vocês duas poderiam nos acompanhar, não é?

– Não sei a Harriet, mas eu não posso!

– Vamos... Não queremos fazer papel de idiotas e aparecer sem ninguém...

– Não posso ir com vocês... Porque já tenho par – suas bochechas adquiriram um tom escarlate.

Awwwn! Que graça! Granger constrangida, porque vai ir com o Krum! Acho engraçado, porque era sempre ela que falava um monte dele nos dias em que Harry estava nos acompanhando na biblioteca.

– Não tem não! Você só disse aquilo para se livrar do Neville.

Rony, se eu fosse você e se você tem amor à vida, calava a boca agora.

– Ah é? – ela tremia de raiva – Só porque você demorou três anos para perceber que eu sou uma garota, não quer dizer que ninguém mais tenha reparado! – cuspiu.

Saiu em passos pesados para o dormitório.

– Ela realmente tem um par, Rony!

– Essa história está ficando idiota já, só falta dizer que você também tem um par, Gina!

– Eu... – olhou para os pés – Eu tenho. Neville me convidou depois que Hermione recusou e bem, eu queria ir e não sou do quarto ano, então aceitei.

Rony fez um barulho estranho com a boca.

– Vou descer para jantar – saiu pelo buraco do retrato, infeliz.

– O que deu nelas? – Rony me olhou, encarei-o enraivecida, com os olhos semicerrados.

– Harriet, quer ir ao baile comigo? – Harry perguntou do nada, fazendo a minha expressão ficar serena.

Minha boca se abriu e fechou várias vezes. Agora era o meu momento de ficar em choque.

– O quê? Ah... Tudo bem, eu acho – dei os ombros.

– Você está sobrando agora, Rony – sorri maldosa.

– Esperem aqui – Harry ia em direção ao buraco do retrato, onde Lila acabara de entrar ao lado de Parvati.

– Parvati, você quer ir ao baile – vi os olhos da garota brilharem e o sorriso se estreitar – com o Rony? – o semblante dela fechou, mesmo tentando disfarçar.

– Aceito – deu-se por derrotada e Lilá deu uma das suas risadinhas infames.

É... O baile seria longo!

– Hermione, com quem você vai ao baile?

Lá vamos nós para mais uma discussão de casal.

– Pelo amor, Rony! Se ela não respondeu nas outras centenas de vezes que você perguntou, por que você acha que ela vai responder agora? – estressei-me.

As discussões sempre começavam e terminavam do mesmo jeito; com Hermione magoada com a falta de senso de percepção do outro.

– Não vou lhe contar, porque você caçoaria de mim.

– Você está brincando, Weasley? Você está dizendo que alguém convidou isso daí?

Meus dedos tremeram ligeiramente. Estava bom demais pra ser verdade. Uma semana sem interrupção do Malfoy seria milagre.

Hermione olhou por cima dos ombros de Draco e acenou.

– Olá, professor Moody!

Ele recuou, procurando pelo homem por todos os lados, aterrorizado e nós rimos.

– Como se atrevem?

– Fica na sua, Pansy, sua voz me irrita!

– Só falta me dizerem que alguém convidou essa outra coisa... – olhei feio pra ele, como se ordenasse que ele medisse nas palavras, do contrário, alguém sairia azarado.

– E se convidassem? Qual o problema? – enfrentei-o.

– Ah é? – riu debochado – Quem?

– Com quem eu vou ou não ao baile, não é do seu interesse, Malfoy! Se eu quisesse ir com um duende ou um unicórnio, eu ia! Mas não te interessa!

– Duende ou unicórnio? – a voz de Parkinson se pronunciou, de novo – Pra ir com você teria que ser mais um trasgo que um duende ou unicórnio – cuspiu enojada.

– Se fosse esse o caso, eu convidava o seu namorado, Pansy – rebati indiferente.

– Ela não é a minha namorada.

– Draco!

E eles começaram a discutir.

– Não sou obrigada a ficar aturando isso, vamos gente!

Os deixamos para trás sem aviso. Hermione e eu ríamos de seu grande feito e do susto da Doninha ao ouvir o nome Moody ser pronunciado. Rony olhava Hermione, até demais.

Peguei você no flagra, Ronald! Até mesmo de relance eu posso ver seus orbes vidrados no sorriso da Mione.

O amor não é lindo?

– Hermione, seus dentes... Eles estão diferentes.

– Esperou que eu ficasse com aqueles dentes de castor que o Malfoy tinha me dado?

– Não, eles estão diferentes até mesmo daqueles que você tinha antes de receber o feitiço...

Disso eu já sabia. Estava lá quando ela pediu para Madame Pomfrey arrumar o estrago, o meu nariz de esponja e eu éramos os próximos.

– Quando fui procurar Madame Pomfrey para consertar os dentes, eu a deixei passar um pouco mais do ponto. Mamãe e papai vão ficar bravos, pois nunca me deixaram reduzir o tamanho dos dentes. Eles são dentistas e acreditam que magia e dentes não... Olhem Pichitinho!

Harry se apressou em pegar a carta da pequena coruja enquanto Rony dava um sermão nela, por demorar e ficar se exibindo aos outros ao invés de entregar a carta ao destinatário correto.

Já que a maioria dos alunos, no salão comunal da Grifinória, estava absorto demais em suas comemorações individuais com a aproximação das férias, não nos importamos de nos espremer em um canto qualquer para ler a carta de Sirius.

Notas finais
Bom, espero que não tenha erros, porque eu "revisei". O título ficou bem no-sense, assim como os outros, mas relevem. O que acharam do capítulo? Era pra ele sair engraçado, mas não deu certo... Acho que o meu humor não está contribuindo pra isso, mas enfim... Digam o que acharam, gafanhotos. Harriet arrasando corações! Hmmm! Hermione nem se fala! Hmmm... Parei com a demência. O BAILE É NO PRÓXIMO CAPÍTULO XENTI! QUERO SUGESTÕES DE LOUCURAS PARA ACONTECER NOS COMENTÁRIOS, POR FAVOR! O PRÓXIMO CAPÍTULO VAI SER TÃO BADALADO QUE VAI TER TRILHA SONORA! Se Merlin quiser, o capítulo sai na segunda... Até lá, mandem muitas sugestões. P.S.: o capítulo ficou enorme! :o P.S².: o Nyah tem insistido em cortar as minhas notas iniciais, então está tudo saindo pela metade. Até a próxima pequenos gafanhotos!