A Chance for You
56 Smile - Hamano Kaiji
Notas iniciais
“Percebi que sorrindo ou não, eu te adoro.”
Um gesto simples, involuntário na maior parte, pois quem controla o sorriso? Bem, você é uma exceção. Esta ação tão singela e contagiante, não conseguia ser feita pelo seu rosto. Vez ou outra, forçava a conter dentro de si. Há tantos anos que se lembrava de tê-lo feito... Mesmo que seja algo tão natural, no seu caso, realmente não conseguia. Era como se tivesse esquecido de sorrir. Nada a fazia suficientemente alegre para tal ato. É incômodo. Tanto para ti, quanto para os outros, pois querendo ou não, influencia em sua vida social. Tentar se socializar desse jeito é impossível e frustrante. Quem se aproxima de alguém que se recusa a sorrir? É claro que a tendência das pessoas é se afastar de indivíduos assim, mesmo que isso te magoasse profundamente e não fosse sua culpa ao todo. Humanos buscam quem os deixa felizes também na maioria dos casos e não quem só traz tristezas ou tragédias. Tem plena consciência que sua atitude de não sorrir apenas a prejudicava, mas você tem um motivo.
Sorrir não lhe dava alegria como todos. Lembranças ruins a obrigavam a evitar o gesto feliz. Caso contrário, nunca iria esquecer aquilo.
Porém no meio de seus dramas pessoais, eis que surge uma criatura. Amável e engraçada a seu ver. Um moreno de olhos castanhos e cabelos negros, seus óculos acima da cabeça, como uma espécie de marca registrada. O ser se chama Hamano Kaiji. E não media esforços para sorrir exibindo seus dentes brancos como se não se importasse com isso nenhum pouco. Por insistência, na verdade, uma quase obrigação, entrou para o clube de futebol da Raimon somente por notas. Você sabia que nada iria acontecer em sua vida, como aquelas situações que só vemos em séries ou filmes. Mas, Hamano impediu de te deixar quieta no banco, sem fazer nada. Pensou que o garoto se afastaria como qualquer um que tentou se aproximar de sua pessoa, mas ele fez o contrário. Não foi embora quando viu seu semblante incrivelmente sério. Todo o time evitava contato contigo por achar que não gosta da companhia deles. Isso se chama julgar pelo rosto antes de conhecer.
— Tem que haver um motivo pra você continuar isso. — Você pergunta ao moreno enquanto prestava atenção na boia da linha jogada na água. Hamano te convidou para pescar na beira de um lago. E com a frase, se referia ao fato dele falar todo dia contigo, mesmo que os outros a deixassem de lado.
— O motivo é que... Não há motivo. — Respondeu ele rindo para você. — Tenho que ter um porquê pra sermos amigos?
A frase lhe impactou. Normalmente Tenma falaria algo desse tipo, mas descobriu que Hamano era um amor de pessoa, mesmo que não recebesse tanto destaque no futebol, se alegrava tanto quanto Matsukaze. Você desperta de seus pensamentos com um puxão em sua linha. Erguendo o peixinho, o moreno tira uma foto rápida de você, numa tentativa de lhe arrancar um sorriso.
— Hamano... Uma hora vai enjoar disso. — Alegou como um aviso.
— Enjoar de te fazer alegre? Nah. — Refutou, tirando um bolinho de arroz – onigiri – da mochila que trouxe com suas coisas.
—... Olha, quer saber por que não sorrio? — Com um suspiro, você tomou a decisão de enfim o contar. O jovem não parecia alguém que costumava julgar. Apesar de que sabia que depois de falar seus motivos; seu passado, esperava uma reação negativa dele, isso é fato. — É porque...
Mal você começou a soltar a voz, sua boca foi tampada com o bolinho que ele havia tirado, a impedindo de falar.
— Não. — Te repreendeu sem raiva. — Não se sinta obrigada a me falar. Eu sei que você tem uma razão de ser assim. — Piscou amigavelmente. — Não me importa se ela é ruim ou não, eu quero continuar sendo seu amigo, oras.
Você quase deixou um riso escapar. Mas novamente não foi dessa vez. Hamano percebeu isto e rodeou um braço por seus ombros.
— Não vou desistir de você, tá? — Declarou. Se sentiu constrangida pois o moreno fazia suas palavras soarem como uma declaração romântica.
— E se eu nunca sorrir? — Debateu com sua cara séria enquanto começava a ter um leve arrepio pela aproximação.
— Não tem problema. Porque sei que sorrindo ou não você é uma pessoa legal.
Foi impossível, um sorriso singelo contornou sua face. Os olhos do moreno brilharam e ele mostrou um sorriso maior que o seu, chegando quase até as orelhas. Exclamou um Yeah! E deu pulinhos, te abraçando como um doido. Terminada a comemoração, você faz menção de perguntar se ele continuaria sendo seu amigo. Porém ele foi mais rápido ao falar.
— Agora, resta todos verem o seu sorriso. — Você foi tomada pela timidez e mais ainda por pensar em todos prestando atenção em ti ao lhe ver finalmente sorrindo. — Se bem que... Sou meio egoísta, talvez eu queira ele só pra mim. — Admitiu rindo com um rubor tímido e amável.
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