A Chance for You
77 O Beijo do Meu Cunhado - Atsuya Fubuki
Notas iniciais
“Você sabia que desde o começo, eu não ia desistir. E consegui te seduzir no nosso primeiro contato.”
Você caiu na tentação. Primeiramente o ato foi forçado por parte dele. Os instintos do garoto gritaram mais alto e seus impulsos foram certeiros. Atsuya te imobilizava sem poupar forças. Aliás, força muscular de um jogador de futebol. Logo depois, foi relaxando o aperto, a medida que você se deixava levar. Não podia fazer nada quando fora tentada, torturada e infernizada todos os dias desde o início de seu namoro com Shirou. Piorando as coisas, Atsuya beijava bem. O maldito até parecia saber o que você gostava ao encaixar seus lábios nos dele. Isso porque nunca teve essa intimidade tão gostosa com o rapaz.
Não estava aproveitando o momento com calma. Você se corroía em culpa, mais tarde viria o sentimento de remorso por deixar isto acontecer. Porém não é a única, ele hesitava certos lapsos de segundo durante o gesto. Vendo que não poderiam continuar com isso, você toma uma atitude.
Slap!
O barulho de seu tapa, soou audível no meio daquela rua afastada da aglomeração das pessoas. Você se desvencilha do agarro e se afasta como se cometesse um crime. Atsuya tinha uma marca avermelhada no rosto e um olhar triste. Se recusou a falar algo, pois tinha noção de seu erro.
Tinha beijado a namorada de seu irmão Shirou.
Silêncio definia aquela cena tensa. Nenhum dos dois se atreveu a dizer nada. Apenas estavam ocupados demais com os próprios pensamentos.
— Ei, Atsuya, cadê vocês? — A voz passiva de Shirou chamava o irmão no meio da multidão. Um leve pânico se instalou entre ambos. Ele não podia saber desse acidente.
— Eu vou na frente... E depois você. — Atsuya ordena e se distancia do local de onde estavam, atraindo a atenção do irmão.
Sua mente estava uma bagunça. Não devia ter deixado isto acontecer. Atsuya é seu cunhado e seu irmão Shirou, é seu namorado. As coisas chegaram a esse ponto por culpa das emoções que você nunca imaginou que podiam surgir.
Porque no início, era uma relação de ódio puro. Inimigos de guerra prontos para atacar a qualquer instante.
— Nunca vi mulher mais chata que você, nem sei como Shirou te aguenta! — Atsuya reclama com ar de deboche e provocação. Suas têmporas doíam. A confusão da vez, foi que Atsuya novamente, não deixava o irmão passar tempo contigo. Praxe. Quase sempre acontecia.
O namoro que você achou ser um sonho maravilhoso, se revelou um inferno. O Fubuki mais novo, não admitia ser trocado por uma garota. Ambos não são gêmeos, mas tem tamanha ligação entre si como se fossem. Shirou é um amor de pessoa, o querido de todos o príncipe gentil das neves. Atsuya, o odiado. Sua personalidade o fazia entrar em conflitos com seus colegas de escola, de time, etc. Seu ego o tornava um indivíduo insuportável e suas ações imprudentes, prejudicavam a todos.
Shirou começou a deixar o irmão de canto. Atsuya ficou frustrado e solitário. Por um lado, você tinha pena de sua situação, até tentou falar com ele, mas era orgulhoso demais para aceitar seus conselhos. Ele não a suportava e fazia coisas para fazer você e Shirou discutirem, brigarem ou romperem. Como na vez que ele a constrangeu e pegou desprevenida em momentos embaraçosos; ou quando mexeu no celular do irmão e não o avisou que vocês iriam ter um encontro; quando cortavam o clima de ambos. Entre muitas coisinhas infernais, palavras, desentendimentos idiotas. Até chegou ao ponto em que vocês quase terminaram. Porém contornaram a situação. Atsuya, vendo o quanto colocou lenha no fogo, deu uma moderada.
No entanto todas as bagunças que aprontou, serviram para fazer você e ele se aproximarem. Aos poucos e de um jeito estranho.
— Oe. Quer ver um filme lá em casa? Assim você já aproveita e espera o Shirou chegar. — Atsuya, inesperadamente ligou naquele dia.
Parecia que queria fazer uma trégua ou acabar essa rixa de vocês. Depois da última briga e de ver como seu irmão mais velho ficou decepcionado, ele ficou muito afetado.
— Quem é você e o que fez com o pêssego azedo? — Era o apelido que o deu. Pôde escutar um resmungo de irritação no outro lado da linha. Dessa vez não com tanto ódio. Você riu. — Está bem, aceito seu convite, mas pelo amor... Não cause uma briga. Shirou está cansado... E eu também.
— Eu sei. Também estou.
Aquele convite foi o início para uma relação saudável entre rivais.
— Ei, posso brincar de uma coisa com você? — Atsuya indaga. A frase soou maliciosa e muito suspeita.
— Depende do quê. — Estavam no parque esperando Shirou para dar uma volta.
— Desse negócio aqui. Eu sempre quero jogar, mas... Ninguém quer fazer comigo. Como é o nome?
— Ah, cama-de-gato. Ok!
Atsuya também tinha seu lado infantil e bondoso. O primeiro contato não íntimo começou ali, com os dedos de ambos se tocando inocentemente numa brincadeira.
— Tsuya? — Nunca que um abraço de agradecimento pudesse ser tão longo. Acho que se passou quarenta segundos que se encontravam na mesma posição. Tão juntos com corpos colados trocando temperatura. — Ahn, Atsuya?
— Só mais um pouquinho. Depois... Precisa te contar algo. Estou muito confuso.
O que ele fez, foi confessar o amor que passou a adquirir por ti. Portanto, outro drama surgiu em sua vida de namoro. A definição correta para isso é um triângulo amoroso.
❣ ✿ ❣
— Shirou? Do que você — A voz vacilante de Atsuya, te despertou para a realidade.
— Não se finge de louco, irmãozinho. Eu sei o que tá se passando entre vocês. — Shirou dizia num timbre ameaçador. — Ei amor, cadê você? A gente precisa conversar.
Então Shirou sabia. Ele não era tão cego quanto se fazia. Você saiu do lugar de onde estava e caminhou a passos repletos de tensão para o que iria acontecer em seguida. Os olhos calmos do seu namorado tinham um brilho triste e sério. Ele nada disse quando os três se juntaram, apenas executou um gesto indicando que o seguissem. Coisa que a deixou ainda mais tensa. Ele não planejava fazer escândalo ou armar briga, certo?
❣ ✿ ❣
— Urgh! — Atsuya recebeu outra dose agressiva na face. Dessa vez foi um soco do irmão. Você estava assustada e em choque o bastante. Temia uma briga feia, porém não passou daquilo.
— Como pôde fazer isso, Atsuya? Você não sabe o quanto eu a amo?! — Exaltou Shirou indignado.
— Você não me dá uma chance de explicar, ao menos? Cof, cof.
— Shirou, foi um acidente! Nos ouça primeiro. — Pediste para o namorado, que lhe dedicou uma feição melancólica.
— E você?! Eu confiei nas suas palavras, nas suas juras de amor. Para depois me trair sem pensar duas vezes?!
— Não, está errado! Eu não te traí! — Tenta defender-se.
— Como não? Se eu vi vocês se agarrando naquela rua agora a pouco? — Agora você ficou sem resposta. Atsuya tomou as rédeas da situação.
— Oe! Ela não tem culpa de nada. Eu que estraguei tudo entre nós três. Eu que a beijei. E foi eu que deixei minhas emoções me dominarem. — Atsuya explica tentando convencê-lo.
— Claro que a culpa é sua, desgraçado! Sempre querendo nos separar desde o começo!
— Porque eu tinha medo de você me deixar pra sempre, Shirou!
O outro se calou.
— Eu tinha medo de você me abandonar; for embora. Eu pensava tipo, o que vou fazer? Mas aí... Eu vi que fui um otário. Mesmo se vocês terminarem, meu irmão não vai ficar solteiro a vida toda comigo. E também... Você não precisa arrumar um parceiro pra ir para longe. Foi aí que aceitei ser independente. Mesmo que seja assustador. — Atsuya falou de uma vez. Cuspiu tudo o que sentia e o silêncio reinou ali por obrigação do momento.
Atsuya não era um total idiota como demonstrava. Seus sentimentos têm a profundidade que ele esconde.
— Isso não vai amenizar minha dor. — Shirou destrói aquele silêncio.
❣ ✿ ❣
Este foi o término de um namoro promissor. Os três ficaram mais distantes do que nunca. Separados em cada canto, se corroendo em culpa e saudade daqueles momentos que não voltavam. Entretanto, foi apenas dar tempo a situação. Tempo para que vocês organizassem suas emoções; para que os corações se acalmassem diante do turbilhão de sentimentos que testemunhavam naquele dilema de amor.
Aos poucos o trio foi fazendo as pazes. Primeiro foram os irmãos Fubuki. Shirou estava magoado demais, mas procurou entender como a pessoa sensata que era. Se fosse com Atsuya, levaria mais tempo. Por sinal, ele foi o que mais teve atitude para consertar os detalhes restantes.
Depois de tudo resolvido, eles abriram novamente seu coração e seu lar para você adentrar nele. Um alívio. Tudo ficou bem no fim, certo? Não exatamente.
Havia a questão de você e Atsuya. A cena daquele dia ousado esteve impregnada todo o tempo, durante essa ausência. O beijo, você sentia vontade de repetir. O choque daquele gesto inusitado, ainda lhe dava leve arreios de prazer.
Toc, toc.
— Konbawa, Pêssego azedo. — Atsuya atende a porta. Ainda bem, estava com a cabeça angustiada e o coração em chamas por ele. Estava fazendo uma coisa inesperada.
— Oh, konba — Um beijo seu corta sua frase.
Assim como ele decidiu te beijar naquele dia, você o pega de surpresa, esperando, ou melhor, ansiando sua resposta para aquele ato. Seu interior não cogitava, nem sequer queria pensar na probabilidade dele a empurrar ou dizer algo rude. Na verdade, se você ouvisse um simples Não, quebraria de tristeza.
Seus olhos temerosos estavam fechados obviamente, queria continuar tendo um momento bom em sua memória. Ele parecia não corresponder, te deixando em pânico, então você decide se separar.
— Me desculpe, não sei o que deu em mim. — Seu rosto se avermelhou, não por corar, mas de vergonha. Não devia ter feito aquilo. Que ideia. As pessoas normais tentam conversar e se aproximam devagar antes, não vão beijando a pessoa sem aviso. É invadir o espaço do outro.
— Achei que aquele seu tapa foi a resposta. — Atsuya a fez ficar constrangida por relembrar, mas foi seu primeiro impulso. Apesar de que poderia o empurrar sem bater.
— Eu vou indo. Desculpe. — Você apenas queria correr para longe dele e não passar mais vergonha.
— Espera aí! — Ele manda e você aperta o passo para evitar que a alcance. — Ei!
Uma pequena perseguição ocorre, mas sem corrida. Surpreendente você conseguia andar mais rápido do que Atsuya, mesmo com a resistência dele. Atrás de ti, o rapaz continuava praguejando, resmungando e até xingando, ainda mais porque deixou a porta de casa escancarada e só lembrou agora. Você deu uma risada divertida e decidiu parar, estava ridículo.
— Olha só o que você fez! Pra que isso? — Inquiriu meio revoltado pela caminhada. Ele estava rapidamente se recuperando, enquanto você estava arfando como um cão na maratona. — Vamos voltar, minha casa tá aberta fazendo um convite para os ladrões!
Mas você estava bem cansada, precisava de ar.
— Não consegue andar?
— S-só preciso... De um descanso, me espera na frente.
Atsuya te pegou no colo sem permissão e ao estilo noiva para ser mais romântico.
— Nada disso. Está ficando tarde e o crime não tem hora. Ou seja, não vou te deixar aqui pra correr riscos. Mas como não quero ser morto pelo meu irmão, esse é o jeito mais rápido. — Atsuya confessa. Você sabia que era seu jeito de admitir a preocupação.
Quando chegaram até a entrada, nada tinha acontecido felizmente. Shirou não havia chegado também. Atsuya te deixou no solo e a convidou para entrar. Já estava recuperada, mas enquanto ele fechava a porta corretamente, você estava de costas, se preparando para dar as desculpas.
Um par de braços te aquece e gentilmente abraça seu corpo. A respiração automaticamente falha, especialmente após sentir ele apoiando a cabeça na curva de seu pescoço. Sua expiração era suave e seu perfume era forte; luxuriante. Seu aperto te enfeitiçava.
— Primeiro de tudo. — Enquanto suas palavras ressoavam, ele lhe acariciava de diversas formas. Explorando seu corpo com as mãos; roçando o nariz em sua pele. Você já não sabia mais onde estava. — Eu quero dar a resposta que você não esperou.
O beijo finalmente completa a sessão de carícias. E dá a permissão para uma continuação mais apaixonante nessa história.
Fale com o autor