A Chance for You
84 Medo de Riscos - Nosaka Yuuma
Notas iniciais
“Cada um que adorna meu braço, mostra uma dor diferente. Eu só queria, um risco tão forte capaz de me fazer esquecer para sempre as cicatrizes do amor.”
Imagine que toda vez que alguém se apaixona, um risco vermelho surge em seu braço.
— Como foi a sua semana? — Um rapaz em torno de seus vinte e poucos anos, pergunta.
Os cabelos ruivos ficavam perfeitos num penteado jogado de lado. Os olhos cinzentos e sem brilho algum, pareciam denotar frieza e a falta de expressão, só o deixava charmoso. Vocês se cumprimentaram apertando as mãos. Já fazia um ano praticamente, que se viam. No mesmo dia, mesmo horário e só no mesmo lugar.
E por mais que jamais quisesse admitir, queria vê-lo em outras situações.
Ir ao Psicólogo se tornou sua necessidade, em duplo sentido. Sua saúde mental agradecia e a emocional também. Yuuma virou um amigo que sabia como te deixar mais calma. Como te fazer bem. O único com quem não tem medo de abrir seu coração e se arrepender.
Talvez seja pela profissão, mas duvidava que pessoas dispostas a ouvir outras, fossem de um jeito com os pacientes dentro da sala e fora dela, sejam diferentes. Ou seja, falsas.
Suas feições são quase nulas, porém existentes. As emoções saíam pelo dom da fala. As palavras, seu recurso de expressão. Quem normalmente toma a primeira impressão, jamais conseguirá enxergar seu interior magnífico. No entanto ele tem apenas sua admiração.
— Nos vemos na próxima semana? — Yuuma pergunta com sua habitual voz monótona. Você consente com um sorriso genuíno de alegria. Um obrigado silencioso.
Na volta para descansar, você sente seu braço pinicar de leve. Sem crer, você evitou pensar no que seria, apesar de ter uma vaga ideia. Contudo, chegando em casa, o baque foi estridente.
Um risco vermelho.
O significado de estar amando.
Imagine alguém sem nenhum risco, encontrando alguém com vários.
— Está bem quente hoje, não? O ar-condicionado não tá dando conta. — Yuuma aponta, passando uma mão na cabeleira.
Um gesto sedutor. Pior ainda foi ele tirar a jaqueta e ficar com sua camisa polo. Seu rosto queimou e se recusava a voltar a temperatura natural. O bom é que poderia culpar o calor.
— Hoje, eu não tenho nada pra falar. — Confessou sem graça. Nem sempre quando se vai a esse especialista e faz o tratamento, você tem algo para falar.
— Mesmo? Então, vamos só conversar como amigos.
Não suportando a alta temperatura, você não vê escolha senão tirar seu Cardigan, mesmo o tecido sendo fino.
Mas significa deixar seus dois braços a mostra. Você disse a si mesma: Ele vai entender, não vai ficar zombando.
Seus dois braços, eram repletos de riscos. A maioria vermelhos, de um tom opaco, significando a superação de cada amor. Alguns riscos eram pretos, alguns se tornaram cicatrizes. Atualmente só existe um risco vermelho vibrante.
Yuuma observou aquilo abismado. Sabia o significado por trás daquilo, mas jamais realmente experimentou a sensação. Seu olhar místico, percorreu pelos próprios braços. Nenhum sinalzinho.
— Tem certeza que não quer falar nada hoje?
— Ah, isso? Não é nada. — Esse assunto era doloroso e te deixa incomodada.
— Posso ver? — Se referiu a seus braços.
Constrangida, mas confiando que Yuuma jamais irá fazer algo, você permite. Entendendo os membros superiores na mesa, ele analisa. Seu rubor aumenta ao sentir o toque macio de seus dedos, analisando os riscos.
— Te incomoda? — Agora, se concentrou em sua face. Yuuma tinha a feição séria, na verdade sempre foi. Neste momento em questão, com mais seriedade ainda e... Compaixão?
— Sim. Eu queria não ser lembrada por isso, toda vez que olho sem querer. — Seus olhos marejaram. Já era difícil superar decepções amorosas na época em que não existiam a síndrome das marcas, quando os riscos começaram a surgir de repente em todos, o estado mental só denegriu. Não queria lembrar eternamente.
Enquanto retomava controle, você assistiu o jovem psicólogo fuçar em sua gaveta e retirou um potinho de creme.
— Passe. Essa pomada vai te ajudar a cicatriz os riscos. Não vai tirar cem por centro, mas os resultados são muito bons. Ainda vão restar uns pontos brancos. — Esclareceu, te aliviando. — Não precisa se preocupar com horários ou dias, use sempre que quiser.
Você conteve a vontade de o abraçar. Agora parte de seu sofrimento foi amenizado. Contudo neste dia, descobriu que Yuuma não sabe o que é amar.
Imagine alguém com medo de se apaixonar e subitamente vendo um risco aparecer.
A pomada surtiu efeito em quase todas as ameaças amorosas, exceto em uma.
— Vamos, vamos, suma! Todas se apagaram, mas só você está aí. — Você massageava o local do único risco vermelho enfeitando seu antebraço. Passava a tal pomada, sete dias por semana. Manhã, tarde e noite. — Por favor... Não me faça passar por tudo de novo.
Mas a cada semana, ficava ainda mais vermelho.
Seu pânico voltou. Foram tantas decepções e tristezas, que acabou criando uma fobia específica disso. O psicólogo ajudou muito, mas o problema se recusava a ir embora permanentemente. Você lutava para se estabilizar.
Tava mais que óbvio que seu amado era nada mais, nada menos que seu psicólogo Yuuma.
Uma encruzilhada se formou em sua cabeça. Estava apaixonada e com medo do risco, estava tratando essa fobia e agora descobriu uma recaída. Mas, não podia contar com a ajuda daquele a quem sempre recorria. Ninguém de fora, lhe entenderia.
Imagine que o risco fica preto quando você é correspondido.
A solução mais próxima que você encontrou, foi se isolar em seu dormitório e encerrar por si mesma, o tratamento com o psicólogo. Quatro semanas foram o bastante para acabar com o resto de seu coração, que julgava nem ter. Algumas crises de nervoso e ansiedade, te domaram, mas você se lembrava dos conselhos; palavras e o incentivo.
Então se sentia melhor. Feliz, tranquila. Mas algo no seu interior lhe dizia para ao menos, tentar.
Porque e se ele considerasse seus sentimentos? Fora que não ficaria com essa angústia no peito de jamais ter falado.
Você abre a porta. Quase desmaia. Ali estava Yuuma Nosaka, parado em frente ao seu quarto com o punho levantado. Fazia menção de bater na madeira.
— Você deixou muita gente preocupada... Inclusive eu. Então vim te ver. — Parecia irreal demais para acreditar. Seu amado vir atrás de você, então... — O que aconteceu?
Sem aguentar segurar todo o fardo sozinha, você despeja seus sentimentos para ele, o seu confidente. Como sempre, foi ouvida com toda a atenção, sem ser interrompida. Com todo o carinho dedicado pelo olhar. A ternura de afirmar: Estou aqui com você.
— Estou apaixonada por você. — Confessou com o olhar baixo, preparando seu coração para uma rejeição dolorida.
Do contrário, um par de mãos segura eu rosto tão delicadamente que você se derrete de amor. Seus olhos, fixos nos deles quando o momento de beijar chegava em câmera lenta.
Foi um momento rápido para você, que se separou agoniada quase exigindo mais. Mas a curta interrupção foi somente para ver Yuuma mostrar o próprio braço com um um risco vermelho também.
E como mágica, os dois riscos se enegreceram devagar e ao mesmo tempo.
Imagine que riscos não são o fim do mundo.
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