A Chance for You

69 Lovely Affection - Ichinose Kazuya


Notas iniciais
Pedido Para Raissa, usuária do Spirit :3

“Eu pedi tanto pra ser deixado em paz no meu canto, que agora vejo que não queria isso.”

O apito final da partida, ecoa pelo campo. Jogadores suados comemoram como se não tivesse amanhã e os torcedores vão a loucura. Raimon ganhou novamente e lá iam vocês levar a vitória para casa.

— Parabéns pelo esforço, rapaz! — Você parabeniza Ichinose bagunçando-lhe os cabelos. Ele resmunga um pouco, mas esquece a medida que é contagiado pela alegria.

Era assim, o moreno não gostava que bagunçassem seu penteado, na verdade que o tocassem. Não que Ichinose fosse narcisista ou algo do tipo, apenas o incomodava, como ele dizia. Mas isso não é o bastante para você o deixar quieto. É fofinho o jeito como o jovem ficava após o despentear todo. Ele não entendia, mas esta é a forma de você falar que era sua amiga. Além de um ser um cumprimento, uma brincadeira descontraída. Porém ele parecia ficar mais sério ao pedir pra parar com isso.

— Hum? Que foi? — O moreno indaga ao sentir seus dedos passeando por suas mechas, durante a aula. Você responde que não era nada e que apenas estava usando seu cabelo pra tirar o tédio. — Então procure outra coisa. — Ele pede sem graça.

No fim de uma partida, de manhã, tarde ou noite. Não tinha hora para você tocar suas madeixas pelo menos uma vez por dia. Um leve toque já era o suficiente.

— Hey, está fazendo penteados no meu cabelo? — Ichinose volta a virar para a carteira atrás. Você tentava fazer trancinhas, mas elas se desmanchavam no mesmo segundo. Depois tentaria amarrar.

— Tudo bem, eu paro. Não fique bravo.

Durante o intervalo, ele adormeceu na carteira após vocês terminarem o trabalho em dupla. O deixou nesta posição, ficou com pena de o acordar. Isso não significa que iria ficar apenas parada, o olhando.

— Aqui. Ficou uma graça. — Você o estende um objeto que podia-se ver seu reflexo e ele contemplou as maria-chiquinhas que fez no castanho. Ichinose esbanjou uma feição desgostosa e se arrumou de novo.

— Sério, não é engraçado. — Ele diz meio emburrado.

— Claro que é.

Ele não percebe que você queria ter um porquê para chamar sua atenção. E talvez quem sabe... O fazer perceber que tinha algo a mais naquele simples gesto.

— Desse jeito, meu cabelo vai ficar oleoso. E aí o que eu faço? — Ele inquire acusador enquanto você mexia com ele outro dia qualquer.

— Eu não sabia que era vaidoso.

— Lógico! Ninguém quer um cabelo ensebado e gorduroso.

— Se for o caso, eu lavo pra você. — Sugere brincando.

— Devia virar cabeleireira, então. — Ele afasta sua mão carinhosa.

Você ri. Mas ele não notava que você gostava mexer com as mechas dele e somente dele.

— Será que vai achar bom eu fazer o mesmo em você? — Ichinose pergunta retoricamente e uma de suas mãos esfrega-lhe sua cabeça. No início com uma força um pouco exagerada pra te fazer provar o desgosto que sentia, mas sua sensação foi muito diferente das dele. Um calorzinho agradável tomou seu rosto ao desfrutar o toque de Kazuya. Ele diminui a agressividade e passou a te acariciar como se você fosse um gato, o que a fez dar uns risinhos de satisfação. Em seguida brincou com seus cabelos e os desarrumou na tentativa de a ver brava. Pobre Kazuya, provocava o efeito contrário. Ele até fazia penteados em você.

Mas tudo o que é bom dura pouco.

O dia que você se arrependeu de o despentear foi quando Ichinose estava frustrado mesmo. Você tentou o consolar com toques, mas ele acabou explodindo e descontando sua raiva em ti.

“Você não escuta? Eu disse pra parar de fazer isso, milhares de vezes. Não sou sua Barbie pra servir de cobaia de salão de beleza, faça isso com outro.”

Então você resolveu parar de o atormentar. Vocês se falavam e tudo o mais, porém aqueles momentos simples e bobos não tinham mais. Não passava de oi, bom-dia, tarde e noite e tchau. Além de conversas sobre treinos e matérias escolares. Era tudo muito natural e sem sal nem açúcar. Talvez até um clima estranho e tenso.

— Ei.

— Boa tarde Ichinose. — O cumprimenta normalmente na saída da escola.

— Desculpe por aquele dia, eu tava frustrado, fora de mim. Não queria descarregar a raiva em você.

— Eu já te desculpei, Kazuya. — Você sorri, na verdade foram três longos dias, mas pareceu uma eternidade para ambos.

— Sério? — Você acena positivamente. Ele lhe convida para sentar num banco próximo.

E como se fosse um sonho, o moreno retira sua mochila e deposita a cabeça sobre seu colo. Você toma um susto e fica o olhando como se questionasse o que ele fazia.

— Agora não vai bagunçar meu penteado? — Ele pergunta como se pedisse por isso. Você começa acariciando e arrumando sua franja e depois o resto do cabelo. Um rubor tímido adorna as maçãs do rosto do moreno junto de um sorriso satisfeito. Você continuava o gesto toda sem graça. — Isso faz a gente ficar mais íntimos, não acha?

— E-é...

Sua resposta ficou perdida no silêncio daquela cena simples, mas importante na vida dos dois. Talvez Kazuya não demorasse a perceber as emoções contidas naquele afagar de cabelos.