A Chance for You
5 Frozen Together - Fubuki Shirou
Notas iniciais
Suas pernas tremiam freneticamente. Os pelos arrepiavam-se todos cada vez que uma rajada de vento atravessava-lhe o corpo. Por fim os dentes rangiam incontrolavelmente. Pra piorar a situação, sua roupa fazia questão de não ajudar em nada. Até porque deixava seus braços e pernas descobertos.
— Atchim! — O som de seu espirro ecoa embaixo do toldo de uma conveniência, a qual você se abrigava da forte chuva. Estava na época de inverno. Tempos de muita chuva, garoa e nevascas. Entretanto, mais cedo naquele dia o sol raiou, trazendo um pouco de calor. Você logo se animou e decidiu sair, colocando uma vestimenta menos quente. Só não passou pela sua cabeça que iria cair um dilúvio mais tarde e aquele solzinho era apenas uma enganação da natureza. — Atchim! D-droga d-de s-sol, d-droga d-de chuva! — Praguejando, espirra novamente e tenta se aquecer passando as mãos em seus braços. No entanto fora em vão. Algumas gotas gélidas caíam em sua pele te fazendo estremecer e o vendaval não dava trégua. — P-p-p-por q-que c-c-omigo?! — Indignada reclama.
— E pensar que o sol apareceu hoje... — Uma voz chama-lhe atenção. Ao olhar para o lado, você percebe um garoto de cabelos cinzentos e olhos da cor teal. Como se não bastasse o frio você agora estava nervosa.
— F-F-Fubuki? — Você diz voltando a ranger os dentes. Ele dá um breve riso lhe deixando evergonhada. — O q-que faz a-aqui? — Você faz esforço para não gaguejar.
— Só estava dando uma volta. Que frio né? — Você acena com a cabeça. — Esse deve ser o pior inverno desses últimos anos... — Ele conclui esfregando as mãos uma na outra. —E você, o que faz aqui?
— O m-m-mesmo q-que vo...você. — Você responde e Fubuki novamente ri.
— Gomen. — Ele se desculpa e direciona o olhar para suas vestes. — Mas, por que está vestida assim nesse temporal?
— N-não a-achei q-que c-choveria...
— Ah, entendo.
Ambos ficam em um silêncio constrangedor. À todo momento você pensava em puxar assunto ou falar qualquer coisa, mas era impossível. Não queria passar mais vergonha com seus dentes trincando a cada segundo. A chuva não parava, pelo contrário. Ficava mais e mais forte e muito mais gelada. Seu corpo ainda não parara de tremer. Os únicos sons audíveis ali, era das grandes gotas de água e dos seus dentes rangendo mais forte. O garoto a seu lado de vez em quando dava pequenas risadas de seu deplorável estado deixando-a constrangida, ele pedia desculpas quando percebia seu constrangimento.
— Atchim! — Um espirro seu quebrou o silêncio. Fubuki te observa com uma expressão preocupada. — Atchim, atchim! — Mais espirros vinham. Entretanto quando menos se esperava, você sente seu corpo adquirir um pouco de calor. Os braços de Fubuki te envolveram num aconchegante abraço ao mesmo tempo, puxando-a para mais perto. A respiração quente dele era sentida em sua nuca, agora lhe arrepiando de nervosismo. Os rostos estavam próximos até demais, isso a deixou bastante corada. Sem saber como reagir, você simplesmente fica parada em seus braços.
— F-Fubuki? O q-que... — Você ia perguntar o que ele estava fazendo até ele sussurrar em seu ouvido.
— Não diga nada. — Isso soou como uma ordem a qual você obedece, sentindo um arrepio com o tom da voz.
O fim de tarde ia passando até anoitecer um pouco. O céu já estava com um tom escuro. Mas a chuva ainda não cessara. No lugar de estrelas cintilantes, muitas nuvens carregadas dominavam os céus.
E apesar do gesto carinhoso de Fubuki, não foi suficiente para espantar o frio e lá estava você tremendo um pouco e rangendo os dentes novamente. Desta vez com menos frequência.
— Ainda sente frio? — Ele indaga, você por sua vez acena positivamente evitando o olhar dele.
Então, suas mãos são capturadas pelas dele e ambas se entrelaçam. No instante em que ia retrucar, você se arrepia novamente. Fubuki leva suas mãos para perto de seus lábios e começa a assoprar e esfregar levemente para aquecê-las. Seu rosto queima de tanto corar. Por um segundo seus olhos confusos se encontram com os dele. Você desvia pensando em dizer algo, mas desiste, pois aquele momento podia não durar. Então o melhor seria apenas sentir e aproveitar.
Entretanto apesar de tudo, seu corpo ainda se arrepiava. Tremia e insistia em não ficar quente.
— Você é bem frienta, não sei mais o que fazer... — Ele ri e antes que você pudesse enfim falar para ele não se incomodar, Fubuki lhe surpreende de novo. — Já sei!
Sem saber o que significava aquilo, você apenas sente ele colocar uma das mãos em seu queixo levantando e forçando seus olhos o encararem. E de repente seus lábios se tocam.
Agora sim um calor extremo invade todo o seu corpo e rosto. As bochechas que antes estavam coradas, ferviam. As mãos suavam e os arrepios dessa vez eram na espinha. Ambos os corpos estavam praticamente colados um no outro, sentindo o coração bater e a respiração descompassada. Uma mão passeia entre seus cabelos e outra rodeava sua cintura. Sem jeito, você corresponde aqueles gestos até o oxigênio acabar.
— E agora? Sente frio? — Ele pergunta corado e com um sorriso.
— Um pouco. — Você responde. Ainda sim estava com frio.
— Então vai precisar de mais um. — Novamente ele te puxa para mais um beijo.
Fale com o autor