A Chance for You
8 Dreamer - Kazemaru Ichirouta
Notas iniciais
Você abre os olhos e contempla uma paisagem magnífica, simplesmente inacreditável. Era um jardim lindo, porém totalmente fantasioso. As flores e os animais falavam, cantavam e dançavam. Os objetos também. Nada fazia sentido.
Até que então, você olha para si e toma um susto ao ver que vestia um vestido azul claro com um avental branco em volta de sua cintura. Em suas pernas, meias 3/4 brancas, nos pés, uma sapatilha preta. Por fim seus cabelos estavam soltos, apenas uma tiara preta enfeitava-os.
— Mas o quê?! — Você exclamava assustada com essas vestes. Eram exatamente iguais à da personagem Alice do filme da Disney. Entretanto, não teve muito tempo pra pensar no que estava acontecendo realmente. Uma roda composta de vários animais vestidos, te arrastou. Todos dançavam e cantavam uma música. E você se viu obrigada a segui-los e fazer a mesma coisa que eles.
De repente alguém lhe puxa, enfim te tirando daquela maluquice toda.
— Arigatou... Eh?! — Ao olhar quem havia te salvado, você dá de cara com Kazemaru, seu amigo. Porém ele tinha orelhas de gato, além de uma cauda. A pupila de seus olhos assemelhava-se a dos gatos também. — K-kazemaru?
— Kazemaru? Não, eu sou o Gato de Cheshire. — Ele responde abrindo um grande sorriso te deixando perplexa. — E você quem é?
— Eu sou... — No momento em que ia mencionar seu nome, ele te interrompe.
— É um prazer conhecê-la Alice. — Faz uma breve reverência.
— Meu nome não é Alice! É...
— Eu sei qual é o seu nome, mas aqui você é Alice no País das Maravilhas. — Ele interrompe novamente ainda sorrindo.
— Então por que você perguntou quem eu sou?
— Vamos indo Alice, tem muito caminho pela frente. — Ignorando sua pergunta, ele pega seu braço puxando-lhe para uma floresta.
— Ir? Pra onde?
— Para sua casa oras.
— Eu tenho escolha?
— Tem, mas não vou dizer. — E assim ele continua te arrastando em direção a floresta sombria e aterrorizante.
...
Não tinha muita noção do tempo que havia se passado. Aproximadamente uma hora talvez? Só sabia que até aquele momento em que ambos atravessavam a floresta, Kazemaru, que dizia ser o Gato de Cheshire, não soltara sua mão. E especialmente não parava de falar. Puxava diversos assuntos e questionava muitas coisas sobre você. E da mesma maneira que começava um assunto, terminava-o de repente, sem mais nem menos.
— Kazema... Digo Cheshire, quando vamos sair dessa floresta? — Você pergunta já se incomodando com a mesmice do local. Até agora só se via árvores escuras e enegrecidas e um céu preto. Na verdade, fazia um tempo desde que vocês passavam pelo mesmo padrão de árvores. Parecia que estavam andando em círculos.
— Hein? Por que iríamos sair daqui? — Ele responde com outra pergunta.
— Como assim? VOCÊ me trouxe até aqui porque disse que íamos para minha casa! — O relembra quase perdendo a paciência.
— Eu disse? — Você acena positivamente. — Ah sim, eu disse! Desculpe, eu acabei esquecendo.
— Mas foi apenas a algum tempo atrás!
— É esse lugar. O País das Maravilhas deixa todo mundo louco. Em breve você também poderá ficar. — Ele explica lhe deixando assustada. — Vamos.
...
Ao finalmente saírem, se deparam com uma casinha. Em volta uma pequena cerca branca e dentro dela uma grande mesa com várias cadeiras vazias. Em cima, muitos bules, xícaras de chá e talheres diferentes. Se bem conhecia o conto de fadas, aquela seria a casa do Chapeleiro e a Lebre Maluca. E com certeza, teria muita maluquice.
— Como se não bastasse esse gato... — Você resmunga para si.
— Parece ser um lugar agradável, vamos entrar? — Cheshire pergunta já adentrando o local e sentando em uma cadeira.
— Não é uma boa ideia. O chapeleiro pode ficar bravo. — Argumenta se lembrando da cena do filme.
De repente você toma dois sustos. O primeiro foi com o barulho da porta da casinha se abrindo com força causando o maior estrondo. O segundo, por causa da pessoa que saiu dela. Nesse caso, Endou Mamoru vestido de chapeleiro.
— Bom-dia meus nobres, gostariam de beber um chá em minha companhia? — Convida chapeleiro num tom muito formal e sério. O que fora ainda mais surpreendente visto que Endou jamais falaria assim.
— Mas é claro! — Cheshire responde. Em seguida puxando uma cadeira para você se sentar.
— Não temos tempo pra isso. — Você protesta.
— Tem tempo suficiente para voltar pra casa senhorita. Não se preocupe, sente-se e venha degustar uma xícara de chá. — O chapeleiro Endou sugere. Sem muito reclamar, você decide se sentar.
Ele pega uma xícara e a enche com o líquido, que por sinal tinha um cheiro bom. E a entrega. Cheshire já se deliciava com seu chá e devorava todos os biscoitos em cima da mesa, ficando com o rosto todo sujo.
— Chapeleiro? — Você o chama atraindo sua atenção. — Posso te fazer uma pergunta?
— Deixarei fazer duas, pois uma acabou de fazer. — Ele tenta parecer engraçado.
— Por que convida pessoas estranhas para beber chá com você?
— Depende do seu conceito de estranho. Você se considera uma estranha?
— Não. — Respondeste percebendo que ele queria te confundir. — Mas não é exatamente isso. Eu quis dizer, por que prefere tomar chá com alguém que não é seu amigo ou conhecido.
— Por que não tomaria? — Faz outra pergunta.
— Porque...
— É desse modo que eu faço novos amigos. — Ele te surpreende de novo. — Sei que me arrisco convidando qualquer um, mas quem arrisca não petisca certo? É assim que prefiro conhecer as pessoas. Além disso, quem não gosta de chá? — Conclui sorrindo. No final ele se parecia um pouco mesmo com Endou.
— Alice, tem um pouco de bolo no seu rosto. — O azulado avisa, porém antes mesmo que você pudesse ver ele, se aproxima e lambe sua cara. — Prontinho. — Ele diz com um sorriso maroto.
— O que foi isso?! Você tá louco? — Você exclama corada pelo gesto.
— Agora está mais sujo ainda. — O chapeleiro informa.
— Opa, esqueci que estava sujo de bolo também. — Cheshire fala limpando a si próprio. — Não se preocupe Alice, eu dou um jeito. — E novamente ele avança para seu rosto tentando te limpar com a língua. Você o segura e tenta desviar.
— Tome, com isso será mais prático. — Endou entrega um lenço de papel, que você pega e usa para se limpar.
Ao terminaram de tomar o delicioso chá feito pelo Chapeleiro, você se levanta e agradece fazendo menção de se retirar.
— Arigatou gozaimasu, mas temos que ir. — Você chama seu companheiro para ir junto.
— Não sem levar alguns biscoitos. — "Kazemaru" pega um bocado dos doces da mesa. Você dá um tapa em sua mão repreendendo-lhe por ser mal-educado e guloso.
— Não há problema algum, podem levar. E boa sorte pra encontrarem a "saída." — Endou diz com uma pontada de sarcasmo, a qual te causa estranhamento. E vocês se despedem seguindo a caminhada por um caminho iluminado e bastante colorido.
...
— Aquele Chapeleiro é bem simpático... — Você puxa assunto.
— Ele é o único que não é atingido pela loucura.
— Estranho, e eu achava que seria o mais doido desse lugar... E por que isso?
— Não sei, simplesmente não tem explicação. — Ele esclarece parando e sentando no chão coberto de flores macias.
— Acho que todas as coisas têm.
— Exceto aqui, In Wonderland. — Contraria ele rolando nas flores como um gato manhoso. — Devia saber disso, foi você que criou esse lugar. — Conclui aproximando-se e ronronando.
— Hã? Não, como assim? Isso é apenas um sonho qualquer. — Você retruca.
— Tem certeza?
— Não. O que quer dizer?
Entretanto ele fica em silêncio não querendo responder.
...
Algum tempo após isso, ambos chegam a um lugar onde duas cores dominavam: branco e vermelho. Vocês passavam por um jardim de rosas brancas, as quais eram rapidamente pintadas de vermelho por cartas de baralho. Estas eram vigiadas por um garoto ruivo de olhos verde esmeralda. Você o reconhece de longe.
— Deixe-me adivinhar, Hiroto é o Rei de Copas? — Você pergunta para Cheshire, que dá uma risadinha.
— Você é um gênio! — O azulado fala sarcasticamente. Você bufa fazendo bico. — Desculpe. — Se desculpa ao ver sua pequena irritação. As orelhas dele se abaixam.
— Não precisa pedir desculpas.
— Não está com raiva? — Pergunta de uma maneira fofa. Você balança a cabeça negando. Ele te dá um abraço apertado.
De repente, uma risada alta e escandalosa interrompe o momento.
— Ora ora, se não é o gato travesti. — Hiroto zomba fazendo o gato de cabelos azuis rosnar. — Já não falei pra ficar longe das minhas terras? Essas suas cores horríveis me irritam! Principalmente esse cabelo azul, ARGH! ODEIO ESSE SEU AZUL!
— Estamos só de passagem, seu maluco louco. — Cheshire o provoca entre dentes e te puxa para sair dali.
— Um momento! — Hiroto os impede de continuar segurando seu braço. — Esta aqui não seria a nossa Alice?
— NÃO. — Cheshire nega pegando sua cabeça e pressionando-a contra seu peito numa tentativa de te esconder.
— Pare de ser idiota! — O ruivo obriga o garoto a soltá-la. — Ahá eu sabia. — Ele diz parando para observá-la de cima a baixo. Você se sente constrangida, pois parecia que ele praticamente a despia com os olhos. — Só não esperava que fosse tão bonita. — Hiroto dá uma piscada. Kazemaru bufou irritado.
— Ok, você estava certo e realmente ela é muito linda. Adeus e passe bem. — Kazemaru afirma em um tom mal-educado e mais uma vez tenta te levar embora. Hiroto segura seu braço impedindo novamente e ambos começam a fazer um cabo de guerra com você.
— Parem! Isso dói! — Ambos soltam-na.
— Seu cabelo de tomate azedo! O que diabos você quer? Não disse que não me queria aqui? — Kazemaru ofende o rei.
— Você eu quero bem longe, seu travesti malvestido. Agora você Alice... — O rei de Copas coloca um dedo em seu queixo levantando-o e diz num tom sedutor. — Quero que seja minha rainha.
— NANI?! — Kazemaru praticamente grita em desespero enquanto você fica parada sem entender nadica de nada, com a cara mais confusa do mundo.
— O... Quê? — Você pergunta abismada.
— Quero que seja a minha Rainha de Copas. Sabe, eu ando meio solitário, sem falar que necessito de uma esposa pra me dar um herdeiro. — Ele explica.
— Isso nunca, seu pervertido! — Kazemaru rosna.
— Quem é você pra decidir alguma coisa? E então Alice, o que me diz?
— Não posso aceitar. — Você nega, deixando o rei com cara de decepção.
— Eh?! Como pode uma mulher resistir a mim? De qualquer forma, se não quiser por bem então será por mal! Guardas, peguem-nos! — Após a ordem do rei, vários guardas em forma de cartas vieram na direção de vocês, que não tiveram escolha a não ser fugir.
...
— ...Conseguimos... — Kazemaru ofegava. — Despistamos eles.
— N-não aguento mais! — Você desabafa. — Já passamos por vários lugares diferentes, perguntamos para todo mundo, mas nunca chegamos a saída! E toda vez você esquece o caminho certo. Está escondendo alguma coisa, não tá?
Antes de responder, o garoto gato lhe convida para sentar em um pequeno amontoado de rochas perto de um rio. De acordo com ele, vocês estavam no Vale Pacífico, que por sinal fazia jus ao nome. A brisa dos ventos era agradável e refrescante, as flores e plantas eram de cores harmoniosas, o céu transmitia calma. Realmente esse local era capaz de acalmar até a criatura mais irritada.
— Lembra-se mais cedo, quando te perguntei se tinha certeza que isso é apenas um sonho qualquer? — Você afirma com a cabeça. — Pode não se recordar, mas este lugar foi criado por você. Tudo isto é fruto da sua imaginação. Ao contrário do que pensa, não é só um sonho repleto de ilusões. As coisas que acontecem aqui são reais. Você consegue senti-las como se estivesse viva e acordada no mundo real.
— Hã? Mas o que isso tem a ver com a saída? — Você indaga confusa com o rumo daquela conversa.
— Não existe exatamente uma saída.
— C-como assim?
— O único modo de você sair daqui, é somente quando for a hora de acordar no seu mundo real. Todo esse tempo, ficamos andando à toa no Wonderland. Eu menti para você até agora. — Ele abaixa a cabeça não querendo fitar seus olhos. Uma expressão triste contornava seu rosto.
— Isto é... Confuso. — Você diz, parando um tempo para refletir em tudo o que ele dissera. — Então se eu posso sentir as coisas aqui, quer dizer que se eu morrer neste lugar...
— Não, felizmente você não pode morrer no Wonderland, mas pode se machucar. — Você fica meio aliviada ao saber isso.
— E só poderei sair daqui na hora de acordar? Quando exatamente?
— Não sei. Você apenas acorda e não se lembra de nada. — Ele responde com um ar de tristeza.
— Então, não me lembro de nada? Você quer dizer que já vim aqui antes? — Ele afirma. — D-desde quando?
— Desde que se apaixonou por Kazemaru... — O azulado lembrou melancolicamente.
— Me explique direito. — Você pede sentindo sua confusão interna aumentar.
— Seu melhor amigo, Ichirouta Kazemaru. Você é apaixonada por ele, certo? — Corada você confirma. — Estava tudo bem conviver com esse sentimento, até ele começar a namorar sério com outra garota, a tal de Fuyuka né?
— Sim. — Sua voz era de melancolia. Aos poucos você relembrava os fatos da realidade.
— E aí você percebeu que não teria mais chances de seu amor ser correspondido. Suas esperanças foram dilaceradas e abandonadas. Você tentou continuar a vida, mas estava complicado. Ver seu amado todos os dias dedicando-se para ela e não pra você, te destruía por dentro. Seu sofrimento aumentava, e por mais esforço que fizesse, não conseguia largar o doce sentimento que nutria por ele. — Escutava atentamente, sentindo leves pontadas no peito. Era essa mesmo a verdade. — Foi aí que você criou este lugar. A partir dos seus sonhos e desejos. Aqui tudo anda como sua mente quer...
Ele faz uma longa pausa antes de continuar, porém desta vez olhando bem profundamente em seus olhos.
— Você me criou Alice. Me criou para poder satisfazer esse seu sentimento de amor. Você criou uma personificação do seu amado Kazemaru só pra que pudesse te amar. Porque sabe que na vida real, nunca poderá tê-lo... Mas aqui você pode. — Ele termina a explicação, deixando-a atônita com tanta informação, afinal viera até aqui imaginando que não passasse de um simples sonho.
— P-por que... Por que não me disse tudo isso antes?
Em silêncio, ele se aproxima de você ficando a centímetros de seu rosto. Tanto que ambos sentiam a respiração do outro. Com os olhos grudados nos seus, ele rodeia os braços em volta de seu corpo. Envolvendo-te num abraço carinhoso que a fez arrepiar-se. Ele se separa um pouco apenas para sussurrar em seu ouvido.
— Todas as vezes que está aqui você só quer achar a saída. E eu queria passar mais tempo com você... Tanto quanto o verdadeiro Kazemaru passa. Sou só uma cópia dele eu sei, mas sou EU que te amo. Foi pra isso que você me criou. E é meu dever te dar o amor que ele nunca pode dar.
Seu coração fica acelerado por todas aquelas palavras gentis.
— K-kazema... — O garoto te repreende colocando um dedo em seus lábios.
— Por favor, me chame de Cheshire... Não gosto de ser comparado com ele.
Antes que pudesse sequer pronunciar algo, ele te beija carinhosamente puxando seu corpo contra o dele e acariciando de leve seus cabelos. Seus olhos se fecham e você o beija, abraçando o corpo dele também, retribuindo o amor que ele lhe dava. Assim você decide se entregar para aquela doce fantasia.
Após se separarem por falta de ar, ambos estavam corados.
— Cheshire... — Você o chama ganhando seu olhar. — Quando acordar vou esquecer tudo isso? — Você pergunta se referindo a tudo o que aconteceu no sonho.
— Não sei... Na maioria das vezes você se esqueceu no outro dia, porém teve outras que não.
De repente sua visão começa a ficar meio turva e o Wonderland desfocado.
— O que é isso?
— Está na hora de você acordar... — Cheshire anuncia tristonho.
— Eu não quero... — Porém, você apenas o escuta dizer algo antes de desmaiar.
...
Seus olhos se abrem devagar e você se vê em seu quarto iluminado pela luz solar. Entretanto diferente das outras vezes, desta vez você se lembrou do sonho, e leva o dedo aos lábios sentindo ainda a maciez e o calor de pouco tempo atrás.
— Cheshire...
E por fim, suas últimas palavras antes de acordar.
"Não se preocupe, eu sempre estarei aqui esperando você dormir novamente. Aishiteru."
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