A Chance for You
60 Doce Instinto - Koujirou Genda
Notas iniciais
“Não se preocupe, a minha fera interior não tem interesse em te machucar, mas te quer de outra forma.”
Você empurrava o carrinho com a refeição daquele garoto. Um receio dominava seu ser, não sabia dizer porquê. Talvez medo, mas do quê? Era apenas um rapaz como você, digo, somente na idade porque igual a ele, definitivamente não podia comparar. Seus dedos batem na porta apesar da hesitação mexer com sua alma. Vendo que ninguém respondia, pediu licença ao entrar, pois seu dever é cuidar de Koujirou Genda como toda enfermeira faz. Você não é uma profissional, fazia estágio. Tudo corria bem. Estava adquirindo experiência e aprendendo coisas de extrema utilidade em seu futuro. Os pacientes não lhe davam prejuízo; cuidava deles sem problema algum. Até... Um jovem de cabelos castanhos e selvagens junto de olhos azuis ferozes, mexer com seu estado mental.
Entrando sorrateira, você avista Genda deitado descansando em sua cama hospitalar. Sua feição sempre é convidativa pela manhã, como se a chamasse para observar cada um de seus mínimos detalhes, o que apenas podia o fazer nesse momento único, em que tinha esta liberdade.
Sereno.
É o que Genda demonstra agora. Se atrevia a dizer que dormia tranquilo feito um gatinho. Porém, quando seus olhos se abriam o despertando para a realidade, seu corpo automaticamente paralisa dos pés à cada fio de cabelo.
— B-bom dia, Genda. Café da manhã. — O entrega a bandeja com alimentos, timidamente. Se recusava a o encarar, apenas fazia quando necessário para não mostrar falta de educação. Sentia sua mirada penetrante vistoriar cada gesto seu. Seus pelos corporais se eriçaram sem permissão.
O garoto agradeceu com calma e naturalidade enquanto você é meio forçada a se aproximar dele para terminar de ajeitar a bandeja em seu colo. Aqueles olhos felinos continuavam a perscrutá-la sem dó aumentando seu nervosismo. Você o encara vez ou outra e se depara brevemente com seu olhar. Até que enfim, conclui seu trabalho ali, reverencia com educação e sai quase às pressas do quarto.
Você se sentia uma idiota por ter agido daquele jeito, gaguejando e denotando ansiedade. Porém tudo tem um motivo qual não sabia ao certo, aquele rapaz simplesmente a amedrontava de um modo inexplicável. Sentia que ele a agarraria e fizesse algo contigo, também não sabia pensar o quê. Sua presença; aura, causava um sentimento de que era inferior à ele. Se sentia num zoológico alimentando a cova do leão. Não importava se ele mostrasse um sorriso carinhoso ou normalidade. Genda simplesmente lhe causava a sensação de encarar o perigo de perto.
Aquilo durou durante algumas semanas e você ainda não entendia ou se recusava a admitir que se apaixonou por um paciente sem motivos plausíveis. Era complicado porque queria permanecer naquele quarto e interagir; saber mais sobre o goleiro, mas queria correr ao mesmo tempo. Genda não é perigoso ou um rapaz violento, pelo contrário, é um amor de pessoa com todos, contudo sua visão insistia em vê-lo como um monstro. Talvez estava exagerando. E a cada dia, cada momento em que tinha de levar-lhe alimento, ele percebia o quanto ficava alterada perto do Rei das Presas, como o chamavam.
Mas você ia deixar tudo de lado, pois na sua cabeça não é nada demais. Ele só ficaria no hospital até se recuperar da grande lesão adquirida no futebol e não tinha do que reclamar visto que apenas levava comida. Porém com o tempo, te obrigaram a executar mais tarefas. Arrumar sua cama; tirar seu sangue; aplicar algumas injeções. Ou seja, cada vez mais contato.
— T-tudo bem? — Indaga a ele quando retirava um frasco de sangue coletado de suas veias. É comum as enfermeiras perguntarem isso.
— Sim. — Afirma Genda normal. Você se prepara pra se retirar e deixar de sentir-se incômoda com os olhos azuis. Seu pulso é segurado, te impedindo no meio do passo. — Por que você precisa sair tão rápido?
Uma hora essa pergunta seria feita. Agora seu olhar foi forçado a encarar os dele. Você achou que Genda não gostasse também de sua presença, o que aumentava seu receio de o irritar e apenas sair de perto dele.
— E-eu... — Suas palavras morreram. Não sabia o que dizer. Não é como se quisesse o tratar mal.
— Eu não mordo, prometo. — Alegou convicto, exibindo um belo sorriso, o qual te encantou. Jamais vira agir assim com você; e a fez rir contagiada. — Bem... Só quando jogo, aí posso te mostrar minhas presas.
Isso foi o bastante para você notar que Genda era a melhor pessoa que podia conhecer e amar. E não se tratava de medo o que sentia antes, apenas a emoção que chacoalhava seu coração. Parecia que apenas aquela curta conversa te deixou aliviada. Já não mais o temia tanto, as coisas deixaram de ser tensas. Na verdade, você pedia internamente para ver seu rosto e ouvir sua voz lhe contando bobeiras aleatórias após ele fazer questão de ter uma amizade contigo ou quando a desejava bom-dia de uma maneira especial só para ti. Entretanto, mesmo vendo o quanto Genda a conquistou, o receio de ficar com ele a sós, persistia em te incomodar. Não era como se pudesse controlar isto e parar.
De qualquer forma estava contente em poder cuidar do Koujirou. Até sua lesão na perna melhorar e ambos terem de se despedir no dia seguinte. Isso a frustrou e a fez ficar arrependida de perder tempo se importando com uma bobagem quando podia arriscar uns beijos inesquecíveis naquele rapaz lindo e começar um relacionamento.
— Então... Esse é meu último dia aqui. — Ressaltou mostrando uma leve decepção no timbre. — Qualquer um daria graças por sair de um quarto assim.
— Pois é. — Concordou o assistindo ajeitar seus pertences. Um detalhe é que você ainda gaguejava e hesitava perto do jovem.
— No meu caso, me sinto triste. — Alegou, te deixando uma expressão confusa e preocupada. Você estranhou.
— P-por quê? — Por mais esforço que fizesse, sua voz não saía normal perto do rapaz. Seu corpo não relaxava totalmente.
— Oras, quem é que vai cuidar de mim? — Brincou a deixando com o rosto rosado.
— S-suas... Admiradoras? — Sugeriu entrando na brincadeira. Mas o goleiro parou ao te ouvir e expressou seriedade, logo te fitando. Você se sentiu acuada por seu olhar, temendo ter dito algo errado. — G-genda? — Murmurou hesitando. O Koujirou aproximou-se sem pronunciar nada, chegando perto e perto mantendo a postura intimidante. Um passo seu foi para trás à medida que o goleiro parecia a encurralar contra uma das paredes. Sem escapatória, você viu a presença forte daquele garoto como se fosse uma autoridade prestes a te punir.
— Tem medo de mim? — Ele questiona com os olhos fixos nos seus. Você apenas respondeu com silêncio. Estava incerta do que queria ainda. O viu ficar mais sério sem um motivo aparente. — Pareço tão bravo assim?
Permaneceu calada e deixou ele tomar atitude, a qual foi suavizar a feição e lhe envolver pela cintura repentinamente. Alisava suas costas, que se arrepiaram de imediato com o toque. Sua pele havia entrado em contato com a de Genda várias vezes e em diversos momentos; situações, mas agora é ele que te tocava.
— Eu disse que não mordo. — Contestou mostrando uma cara e uma voz divertida e descontraída. — Apenas mostro as garras pra quem me machuca. Você fez o contrário. — Esclareceu sorrindo. — Não precisa se preocupar, que pra você eu apenas mostro meu carinho.
Um beijo é depositado em sua testa. Apesar de aproveitar o gesto extremamente simples, você se recusa a aceitar só isso. Portanto abandonou a sensação de ser oprimida e lhe deu um beijo suave em seus lábios, sendo correspondida de imediato, o que aumentou o calor do momento. Porém foi breve. Ao se separarem, você foi rápida em dar uma desculpa qualquer.
— Achei que... Odiasse minha presença. — Decerto pensava isto. Genda expressa confusão e sua cara pede explicação. — Você sempre parece sério... Comigo.
— É porque... — Presta atenção nele e o vê hesitar um segundo, vendo o rubor leve o deter na frase. — Você... Mexe com meu instinto de alguma forma. — Seu rosto ficou vermelho. Nem conseguiu conter. — Por isso tento ser sério pra não parecer um idiota. — Concluiu se afastando constrangido.
— B-bem... Idiota ou não, eu gosto.
A declaração não precisou de um eu te amo, apenas mais outro beijo, dessa vez mais longo, para que ambos aprendessem a se entregar às vontades e notar que é preciso e prazeroso se deixar levar por instintos, não havia porquê se segurar. Pois não há perigo naquele leão.
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