A Chance for You
35 Cuide de Mim? - Gandales Baran
Notas iniciais
— Trinta e oito Graus... Você está com febre, Gandales. — Disseste num tom pouco preocupado a um moreno de olhos cor magenta.
— Febre? Eu não quero morrer! — Gandales choramingou desesperado arrancando-lhe risos.
— Não, bobinho. Você não vai morrer por isso, é só tomar um remédio. — Você pega o devido remédio, despeja o conteúdo em um copo e leva o objeto à boca do garoto. — Tome.
— Eu não gosto de remédio! — Gandales segura sua mão e a afasta.
— Se não tomar, vai piorar! — Você e ele começavam uma disputa de braços e mãos.
— Mas tem gosto ruim! — O alien argumenta.
— Gandales... — Você para ambas as mãos, coloca o copo em cima da escrivaninha do quarto onde estavam e segura o rosto dele com delicadeza. — Confie em mim, não vai ser tão ruim, é rápido.
— Vai doer? — Ele pergunta assustado como uma criança com medo de injeção.
— Claro que não. Só beba num gole. — Gandales pega o copo e o revira goela abaixo.
— Eca! — Fez uma expressão de nojo mostrando a língua.
— Viu? Foi tão ruim? — Você o pergunta e ele apenas continua fazendo caretas por causa do remédio. — Agora durma um pouco, ok? — Faz menção de sair quando seu braço é agarrado.
— Pode dormir comigo? — Gandales pedia.
— Hã? — Sua expressão ficou confusa.
— Por favor... Ryugel-nii sempre faz isso comigo... Mas ele não está aqui. — Gandales fazia uma carinha de cachorro pidão. Seus olhos magenta-escuro brilhavam lhe implorando. — Onegai...
— Tudo bem. — Você suspira. — Na verdade vai ser melhor caso sua febre aumente.
— Yeah! — Ele comemora e lhe dá espaço para deitar na cama de casal que dividia com o irmão. Após se acomodar, você apaga as luzes. — AH! — Grita o moreno repentinamente.
— O que foi? — Você se alerta pelo grito.
— N-não apague a luz...T-tenho m-medo do e-escuro. — Gandales gaguejava e tremia levemente.
— Ah sim, Ryugel me disse... Desculpe, eu esqueci. — Você acendeu um abajur que trouxe uma claridade suave ao cômodo, deixando Gandales aliviado.
— Boa-noite. — Ele disse se virando para ver seu rosto.
— Boa-noite. — Em questão de minutos ele dorme. Enquanto o garoto ao seu lado dormia pacificamente, você se lembrava de como se encontrava nessa situação.
"Seu lar era o planeta Faramobius e você era assistente do time Faramdite que incluía vários jogadores de futebol talentosos, inclusive os dois irmãos Ryugel e Gandales Baran. Naquele dia, a rainha Lalaya Obies convocou alguns membros do time para uma importante missão. Poucos tinham seu nome na lista. Ryugel estava lá, porém Gandales não.
— Ryugel-nii... Eu quero ir junto de você! — Gandales implorava.
— Eu sei, mas não posso te levar comigo. Somente aqueles que foram chamados podem ir. — Ryugel tentava explicar ao irmão mais novo.
— Mas eu não quero ficar sozinho! — Gandales choramingou.
— Tem razão, você não pode ficar sozinho, seria perigoso.
— Então vai me levar? — Uma fagulha de esperança se acendeu nos olhos de Gandales.
— Não posso. — Ryugel disse cabisbaixo.
— O que vamos fazer Ryugel-nii?
— Ah! Eu não sei! — Ryugel parecia pensar desesperadamente em uma solução, porém não conseguia.
Enquanto isso, você encarava a cena curiosa. Aqueles dois irmãos sempre lhe faziam rir por serem muito ingênuos e idiotas. Você percebe o mais velho deles pensando com a mão no queixo. Ele percorre todo o campo com os olhos até te avistar e começar a observar-te fixamente. Desviaste seu olhar do dele.
— Já sei! — Exaltou Ryugel e foi em sua direção arrastando o irmão mais novo. — Ei você!
— Ah, sim? — Você pergunta vendo-o chamar sua atenção.
— Como sabe, fui convocado pela rainha para uma missão. Porém meu irmão mais novo Gandales não está na lista e não posso levá-lo comigo. Portanto quero te pedir um favor.
— E qual seria? — Perguntaste receosa.
— Quero que cuide dele por mim até eu voltar. — Ele disse por fim causando surpresa para você e Gandales.
— O quê? Como assim... Cuidar? — Questiona a ele muito confusa.
— Quando digo cuidar, quero dizer, cozinhar, lavar suas roupas e não o deixar fazer nada perigoso.
— Então quer que eu seja a babá dele? — Você ironiza.
— Sim, o que me diz?
— Não. — Sua resposta foi curta e grossa.
— Eh? Por quê? — Ryugel se espantou.
— Não vou ganhar nada fazendo esse tipo de coisa, além disso tenho minhas próprias tarefas. — Você se virava para ir embora, mas é impedida.
— Espere! Como recompensa te dou o que quiser!
— O que eu quiser? Tem certeza disto? — Você pede uma confirmação a ele.
— Sim, pode dizer.
— Bem... — Paraste um tempo para pensar. O que poderia ganhar deles? Na verdade, você não tinha tarefas a fazer. Fora apenas uma desculpa pra ver a reação. Cuidar de uma pessoa sendo babá dela não parecia ser algo muito convidador, mas, considerando que era um dos irmãos Baran, podia ser algo interessante. Afinal não tinhas mais nada para ocupar o tempo, tirando o trabalho como assistente de time. Quanto a recompensa, pensaria depois com mais calma sobre o que iria querer. — Por enquanto ainda não sei o quero, mas digo que aceito cuidar do seu irmão.
— Mesmo? Oh, Obrigado. — Agradeceu Ryugel. Em seguida pegou um lápis e caneta. — Mas, tem algumas coisas que você precisa saber sobre Gandales. — Ele fazia uma lista. — Ah sim! Você vai morar em nossa casa até eu chegar, porque muitas coisas Gandales não sabe e não deve tentar fazer sozinho. Você precisa vigiá-lo o tempo todo. Ok?
— O-okay. — O fato de ficar uns tempos morando com o mais novo dos irmãos a deixava desconfiada. Apesar de parecer inocente, você não sabia nada sobre Gandales.
— Aqui está! — Ryugel lhe entrega o papel.
— Não deixar Gandales mexer no fogo; Não deixá-lo chegar perto de fios elétricos; Não deixar velas ou fósforos por perto; Não dar muito chocolate ou doce; Não deixá-lo chegar perto de animais ou insetos; Não deixar ele perto de rios e lagos; Não deixá-lo dormir tarde; Ao dormir, deixar um abajur aceso; Não deixá-lo ver filmes de terror... — Você lia a lista em voz alta conferindo tudo escrito. O papel era grande com várias coisas sobre o que fazer ou não. No fim estava escrito o último item que parecia ser o mais importante, pois estava em letras grandes. — NUNCA, JAMAIS DEIXAR GANDALES SOZINHO, EM QUALQUER LUGAR OU HORA.
— Exatamente! É só seguir essas instruções que tudo vai dar certo. — Ryugel virou-se para o irmão. — Você vai ficar bem, certo Gandales?
— Ryugel-nii vou ter que ficar com ela? — O mais novo choramingou como se pedisse para o irmão levá-lo junto.
— Sim, mas não se preocupe, voltarei o mais rápido possível. Até lá, se comporte e tente não aprontar nada, certo?
— Certo. — O mais novo confirmou hesitante.
...
Já se passara dois dias que Ryugel Baran partiu e você cuidava de Gandales. Algumas coisas aconteceram desde então....
— Ai!
Você escuta um gemido vindo da cozinha e corre para verificar. Ao chegar, avista Gandales com uma faca afiada em uma das mãos, a outra estava com um corte e uma quantidade de sangue escorria pelo braço.
— O que aconteceu? — Você o pergunta, pega um lenço e começa a limpar o ferimento.
— Eu... Estava tentando fazer um sanduíche e me cortei... — Respondeu com uma voz meio contorcida de dor.
— Você podia ter pedido para mim que eu fazia. — Após estancar o sangue você pega um curativo e tampa o corte.
— Eu queria fazer sozinho. — Explica tristonho. — É chato pedir pra que façam tudo por você.
— Se é assim eu posso te ensinar. — O garoto olhou-a confuso. Você o puxa pelo braço até a pia, onde estavam os tomates que antes ele tentava cortar. Pega a faca e coloca na mão dele.
— O que você vai fazer?
— Te ensinar. — Você coloca sua mão na dele e o guia fatiando o legume. — Viu? É assim que se corta os alimentos... Com calma e cuidado.
— Oh. — Gandales ficava deslumbrado como se fosse uma criança.
...
Um outro dia enquanto jogava, ele tropeçou em seu próprio cadarço e quebrou o braço. Precisou usar um gesso e claro, precisou de toda a ajuda possível para fazer coisas de sua rotina diária, incluindo vestir; se alimentar. Isso lhe custou bastante tempo e paciência, pois percebeste convivendo com Gandales, que ele era inocente e estabanado. Não sabia fazer muitas coisas sozinho e não tinha cuidado e atenção. Você literalmente se tornou uma babá.
De repente você ouve o barulho de vários objetos caindo.
— Gandales? — Várias panelas e utensílios de cozinha estavam no chão. O moreno se encontrava em cima de uma cadeira. — O que aconteceu agora?
— Eu só queria fazer um bolo... — Respondeu ele, cabisbaixo, esperando levar uma bronca.
— Você queria pegar uma vasilha certo? Primeiro você tem que tirar as de cima senão acaba derrubando tudo como fez agora.
— Ah. — Assentiu ele, absorvendo suas palavras.
— Mas, por que não me pediu?
— Não queria incomodar... Você deve estar de saco cheio de fazer tudo... — Esclarece cabisbaixo e meio triste.
— Eu nunca disse isso. — Você se defende.
— Mas deve pensar.
— Gandales, é verdade que você não consegue fazer as coisas por conta própria e acaba precisando dos outros, mas eu nunca penso que isso é um fardo pra mim. É verdade que preciso de paciência, porém quem escolheu cuidar de você fui eu. — Você argumenta para provar suas palavras.
— Foi pela recompensa... Não precisa ficar aqui se não quiser... Pode ir embora pra casa, eu digo para o Ryugel-nii que cuidou bem de mim...
— Não, eu não vou embora! — Ao ouvir isso de você, ele se surpreendeu. — Admito que no começo eu pensei na recompensa. Só que agora eu me importo com você Gandales, e não vou te deixar sozinho. Vou estar aqui sempre que precisar.
— S-sério? — Completamente admirado, ele questiona.
— Sério. — Você confirma e o vê abrir um sorriso enorme. Em seguida foi a vez dele te surpreender, porém com um abraço.
— Ninguém além do Ryugel-nii se importou comigo, obrigado! — O tom dele era de felicidade.
— O-okay, okay, agora vamos fazer o bolo? — Constrangida, você se desfaz do abraço.
Após essa pequena conversa, ambos pegam os ingredientes e misturam na vasilha. Gandales até tentam bater a massa, mas acaba derrubando um pouco. Em seguida você coloca numa forma e põe dentro do forno. Quando ia lavar os utensílios, Gandales chama sua atenção.
— Ah! — Ele exclama.
— O que foi?
— Ryugel-nii sempre deixa eu lamber o resto da massa. — Pediu indiretamente e você o atende. Ele lambe a vasilha deixando o rosto todo sujo de chocolate."
...
Seus pensamentos são interrompidos quando você percebe que Gandales começa a estremecer de leve. Ao encostar a mão em sua testa, sente a pele dele um pouco quente e coloca-lhe um termômetro digital. Este ao apitar, confirma suas suspeitas.
— Gandales? Gandales, acorde, sua febre aumentou. — Você o acordava.
— Hã? O quê? — Murmurou ele, caindo de sono.
— Eu vou preparar um banho morno.
Assim você preparou a água. O garoto sonolento se despiu após você se retirar do banheiro, e entrou na banheira.
— QUE FRIO! — A água acordou-o imediatamente. — E-está m-m-muito f-frio!
— Não, a água está morna, você sente frio porque está com febre.
— Q-quanto t-tempo v-vou ter que f-ficar a-aqui? — Era possível ouvi-lo ranger os dentes.
— Até a febre abaixar.
— I-isso vai demorar!
— Tenha paciência. Vai ser rápido.
Trinta minutos se passaram e a febre de Gandales abaixou muito. Ele já havia voltado para a cama e no momento, você colocava um pano úmido em sua testa.
— Desculpe... — Ele se desculpava repentinamente.
— Eh? Pelo quê?
— Todo esse tempo desde que Ryugel-nii partiu, eu só venho dando trabalho pra você, como se fosse um bebê... Me desculpe. — Desabafa envergonhado.
— Gandales eu já disse, eu me importo com você por isso estou aqui. — Durante esse tempo que ambos passaram juntos você aprendeu a gostar e se importar com Gandales. Toda essa atenção voltada a ele te fez querer saber mais, aprender mais e viver mais com essa criatura curiosa. Sua inocência a contagiou. Seu sorriso lhe fazia sorrir também.
— Quando Ryugel-nii voltar, você vai embora?
— Sim, por quê?
— Porque você não vai estar mais aqui pra cuidar de mim.
— Mas seu irmão vai voltar a cuidar de você como sempre fez.
— Não é a mesma coisa... — Sua voz desanimada e cabisbaixa voltou. — Ryugel-nii não me ensina a fazer as coisas, ele só... Me proíbe de fazê-las. — Desabafa.
— Então, peça para ele te ensinar. — Você sorriu levemente tentando levantar o ânimo de Gandales, mas não deu certo.
— Mas... Eu quero que você faça isso. Não quero que vá embora... — Gandales senta na cama e encara seus olhos com uma expressão implorante. — Por favor, cuida de mim?
Este fora um pedido inusitado. O que ele queria dizer? Uma coisa inocente ou havia algo escondido?
— Tudo bem, eu irei cuidar de você.
— P-promete?
— Sim, prometo! — Ambos sorriem e deitam na cama. Gandales começa a se aninhar em seus braços e você o abraça. Se o pedido era inocente ou não, com o tempo iria descobrir. Enquanto isso você aproveitaria todo o segundo ao lado desse garoto.
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