A Chance for You

88 Boy Hater - Minamisawa X Kurama


Notas iniciais
Bom gente, a ideia é sobre uma garota que nunca gostou de garotos, homens, sexo oposto. Tem desde cedo uma opinião mal formada sobre eles. Depois de testemunhar um acontecimento chato com uma pessoa aoredor dela, passou a odiar mesmo e tomada pelos sentimentos de raiva, acabou querendo vingança. Enfim, espero que gostem Título: Garoto que Odeia ou Odiadora de Garotos

“Eu acreditava que fugir era a solução, mas sem tentar provar a experiência, é muita covardia.”

Você atravessava pacificamente aqueles corredores escolares, rumo a sala de aula. Ao menos, tentava caminhar sem ligar para as piadinhas infames que sussurravam ao seu redor.

— Ih, olha a garota que não fica com ninguém! — Um infeliz disse alto. Essa fala provocou risadinhas no ambientem.

Enquanto você internamente queria cometer um crime de ódio em praça pública, sua moral acabou lhe mandando ignorar e agir naturalmente como se nada a atingisse.

— Mas quem é que ia ficar com uma sem sal nem açúcar? — Seu colega, incrementou enaltecendo-lhe a raiva.

— Deve se achar a última bolacha do pacote. — Isso merecia uma resposta.

Com o pouco de controle que tinha, você se virou com a face mais séria e intimidante que conseguia fazer. Provavelmente não dava muito certo. Eles ainda pareciam rir.

— Eu nunca disse algo assim, mas já que você falou, devo ser mesmo. E afinal, quem muito olha é porque tá querendo.

Completamente plena, você continuou seu trajeto, não se importando da reação dos rapazes. Chegando a classe, se senta perto da janela, onde poderia olhar a paisagem para se distrair. O porquê das piadinhas anteriores?

Você odiava garotos e não queria se envolver com os mesmos. O motivo? Nada tão trágico e melancólico, apenas não queria. Para completar, ser antissocial é o adjetivo que te define.

Mas tanto faz.

Estava ali para estudar, não para ficar de namoricos ou criar um círculo de amigos. Chegaste muito mais cedo que a maioria, então seus olhos assistiram cada aluno adentrar a porta. Até aí tudo ok. Porém uma carinha nova entrou e automaticamente, sua atenção se foi para ela.

A figura masculina e baixinha, percorreu a sala e sentou na cadeira em frente a sua. Você olhou seus cabelos azuis claros e curtos, se destacando a sua pele morena. As íris e as pupilas, vislumbrou antes que são totalmente negras.

— Classe, gostaria de apresentar nosso mais novo aluno. Por favor, meu jovem. — Alegou o professor após tudo se situar.

O garoto pôs-se de pé e falou com uma voz entediada.

— Sou Kurama Norihito... — Ele cessou a frase e pareceu esquecer de algo. — Hum... Oi?

Risadinhas surgiram e logo acabaram.

❣️✿❣️

— Como vai a minha freira número um? — Suas orelhas, respectivamente sentem um ventinho morno.

Pela voz marota e sacana, já sabia que era um garoto que detestava. Você fecha o livro em mãos, cortando sua preciosa leitura para dar uma patada em Minamisawa Atsushi.

— Eu estava muito bem até uma certa galinha ciscar perto de mim.

— Nossa, você não é nem um pouco delicada. — Respondeu o Atsushi, emburrado.

— Quer delicadeza? Compra seda. — Outro coice o fez saltar-lhe uma veia dessa vez. Você estava plena por fora e por dentro dava gargalhadas maléficas com gosto.

— É impressão minha ou você está mais “animada” hoje? — Indagou, passando a mão na franja de um modo impaciente para livrar-se da frustração.

— Minamisawa, o que você quer hoje? — Ignora a pergunta e responde com outra.

— Hoje? Então sua cabeça já se acostumou a ter minha presença diariamente? — O garoto chegou um pouco mais perto com uma feição sacana. Você se afasta sem pensar duas vezes.

— Só fala logo! — Pediu frustrada por não ter uma resposta no momento.

Tomando uma liberdade que você não concebeu, ele senta ao seu lado e rodeia seus ombros. Você se manteve quieta, mas atenta a seus atos. Não deixaria ele te beijar como da última vez. Por isso odiava rapazes. Ainda mais como o Atsushi.

— Você está muito abusado, hoje. — Você inquiri séria e totalmente pronta para lhe proferir um tapa, caso tentasse qualquer gracinha.

— Meu bem... Quando eu NÃO estou abusado? — O de madeixas roxas, ressalta. A cara de quem ia aprontar alguma, permanecia. Sua guarda se manteve alta.

— Com licença, pode me deixar respirar? Está me intoxicando. — Pede se afastando de seu agarre.

— Cruel. Quer dizer que sou tóxico? — Minamisawa finge falsa decepção e sofrimento. — Mas sério, o que posso fazer para que a senpai me note?

— Desiste logo e se mata. É menos dor para você. — Sua série de patadas não tinha fim.

— Ouch! Doeu, menina malvada! — Ele encena botando as mãos no peito.

— Se fosse pra não doer eu já teria me jogado em cima do seu colo como suas inúmeras ficantes. — O assunto começava a tomar um rumo sério, por causa de suas emoções quanto a este rapaz.

Minamisawa se pôs sério como quem está impactado ou ofendido. A palavra perfeita que define este garoto, é galinha ou pegador. Tinha fama de ser paquerador. Sua beleza e charme são qualidades fortes a julgar pela opinião feminina. E a maioria cai em seus encantos, mesmo tentando resistir. Até mesmo as mais difíceis. Minamisawa parecia um galã feiticeiro. E claro, toda essa fama acabou lhe afetando o ego, que subiu aos céus. Praticamente todas que se tornavam seus alvos, eram conquistadas com sucesso.

É o que você mais odeia profundamente nele.

Dessa vez ele se ferrou, pois estava nas suas mãos. Você faz questão de o pisotear até parar de brincar com os sentimentos das pessoas e aprender a ser gente. Especialmente para vingar...

— Isso de novo. — Minamisawa segurou a franja que tinha orgulho de se exibir e suspirou.

— Claro. Se não quer ouvir então cai fora, tá atrapalhando minha leitura. — Você ordena, já rude e impaciente.

— Qualé meu bem, vamos conversar. Sei que erro, mas o que posso fazer se não tenho sentimentos? — Essa frase lhe deu nojo.

— Então por quê diabos insiste em magoar os outros?! Vagabundo?

O outro se assustou com seu vocabulário e tomou uma postura mais madura.

— Olha, pra começo de conversa, todas as garotas que me envolvo, sabem perfeitamente que não procuro coisa séria. — Alegou ele, estressado com a conversa. — Apesar de eu deixar claro, que não quero nada, elas vêm e se jogam toda pra mim, dizendo que se apaixonaram.

— Porque ninguém manda nas emoções! Elas simplesmente surgem! — Seu tom saiu exaltado. Se lembrar daquilo a fazia segurar o impulso de socar o Atsushi.

— Mas a culpa não é minha também. — O tom do rapaz saiu frio.

Você quase chegou a pensar que ele podia ter remorso e culpa em si. Diante de toda esta tensão do momento, uma silhueta veio solenemente ao encontro de ambos.

— Incomodando as mulheres de novo? Minamisawa?

O mencionado, que estava com a cabeça baixa entre as pernas, ergueu-a para encarar os olhos negros do baixinho de madeixas azul ciano.

— Foi por isso que você mudou pra mesma escola que eu? Pra me vigiar?

— Só pra te atormentar mesmo. — O moreno usava de um tom calmo e frio. A tensão era clara entre eles. — Não tá vendo que tá irritando ela?

— Isso não é da sua conta.

— Na verdade eu agradeceria muito se você se livrasse dele por mim. — Você declarou, pouco se lixando pra aquilo. Só queria ler seu livro, é pedir muito?

— Tsc.

Minamisawa acabou saindo, com os nervos a flor da pele.

— Valeu. Não sabe o quanto eu estava enjoada daquele cara.

— Ele tem problemas. — O tal Kurama falou. Você surpreendeu-se.

— Sério? Não sabia...

— Não é um esse tipo de problema que você tá pensando. — Kurama corrigiu. — É mais uma questão com sentimentos.

— Ah.

O silêncio prevaleceu. O assunto morreu e você voltou a se sentir incomodada.

— Posso te perguntar algo?

— Sim. — Você meio que já tinha uma suspeita sobre o que é.

— Você tem namorado?

Pronto. Foi o bastante para você. Achava que podia encontrar um garoto legal para bater papo, mas no fim, tudo denotava que são iguais. Só estão interessados em namoro e sexo. Frustrada, você acabou sendo mal-educada.

— Tenho sim. O nome dele é não te interessa.

E saiu bufando, procurando um cantinho tranquilo para relaxar com o único homem que não lhe decepcionava, o livro.

❣️✿❣️

Ding dong.

Ela chegou. Você interrompe o que fazia para dar atenção a visita.

— E aí, encalhada? — Uma jovem de sua idade “cumprimenta” com carinho e muita intimidade. Você sorri cinicamente.

— Que belo jeito de dizer Oi, tudo bem? — Você rebate.

A moça já vai adentrando o ambiente praticamente como se fosse a casa dela. Cumprimentou seus pais e partiu para seu quarto, você foi logo atrás e a viu se jogar na cama.

— Que folga hein, amiga? — Você ressalta como se estivesse incomodada, mas jamais estaria. Como poderia estar com sua best?

— Como se você não fizesse pior quando vai pra minha casa, sua hipócrita. — A outra rebate com um sorriso de pura provocação.

— É desse jeito que mantemos uma amizade saudável, né? — Você fala, deitando em cima dela.

A garota começa a lhe chamar de gorda e tenta te tirar de cima. Você ri de modo malvado.

— Assim você me mata. — Diz ela após você se sentar direito.

Esta é Shimizu May. Uma garota doce, altinha e magricela de pele bronzeada, cabelos e olhos cor chocolate. Você e ela se conheceram no fundamental a base de provocações, xingamentos e até socos. Porém viraram amigas de repente pelo destino louco.

Um momento de conversa triviais se passa entre ambas. Os assuntos? Basicamente eram algo como:

— Você anda passando manteiga no seu cabelo? Ela anda mais ensebado que o normal; Por curiosidade, você andou dando pra alguém?; Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?; Vamos jogar Uno?

Ok, esse último causava muita discórdia e quase tragédia, portanto Uno é algo intocável.

Aquele momento divertido não merecia ser arruinado por um assunto tenso, mas aquilo ainda lhe incomodava o peito.

— Sabe... — Você murmurou, chamando a atenção de May e aproveitando o tempo silencioso que se formou — Meu plano está funcionando. Aquele idiota está se aproximando cada vez mais de mim. Eu nunca pensei que isso aconteceria.

May lhe dedicou um olhar triste e decepcionado, que a fez sentir que estava tomando decisões muito erradas e se arrependeria depois.

— Você... Ainda está assim por minha causa?

— Sua não. Dele. — Enfatizou séria.

— Não quero que continue com isso. — May declara, formando um clima ruim.

— May, isso não pode ficar assim. Ele precisa aprender uma lição!

— Quem garante que isso vai dar em algo? Por favor, não desperdice seu tempo.

— Não pode deixar as pessoas te machucarem e saírem sem fazer nada, May! Precisa mostrar que não se brinca com os sentimentos dos outros. — Argumentou frustrada. May sempre foi assim, preferindo deixar as coisas quietas; por assim mesmo para não causar intrigas. — Do que tem medo?

— Mas não é medo. — A feição da garota era reflexiva. — Só que, você já viu o que acontece com situações assim? Nada! Então é melhor sempre seguir em frente, porque já passou.

Você se calou, derrotada. No fim ela tinha razão nesse ponto. Porém as raízes da revolta ainda queimavam no coração. Quando alguém que você ama é seriamente ferido, novas emoções surgem e perspectivas novas são criadas.

Fora uma tola. Se realmente quisesse, não contaria o que estava planejando para May. Algo dizia que ela poderia ficar feliz por ver o indivíduo que a fez sofrer tanto, pagar com a mesma moeda.

Mas quem disse que você queria?

Por isso comentou o passado com a mesma, como um meio de saber se devia parar ali ou proceder com tudo.

Bem, sua dúvida foi sanada, porém as chamas crepitavam com fervor em ti. Aquele cara causou um estrago enorme na mente de sua amiga e quase tudo acabaria em tragédia.

Ah. Como May, a jovem magricela, feinha e doce, estava transbordando alegria! Jamais a vira assim. O motivo era um garoto. Bem, desde pequena você quase nunca ligou para eles, pois além de irritantes e idiotas, só queriam sexo. Amor para alguns deles, era coisa de gay, boiola.

Era extremamente difícil você sequer ser amiga de um. Qualquer aproximação já era motivo para se preocupar. Ser tocada, assediada, alvo de piadinhas maliciosas, é seu terror. Por isso prefere viver na companhia feminina. Se bem que algumas mulheres são até piores que machos, mas detalhes a parte.

Enfim, apesar de estar preocupada com sua best, procurou ficar feliz por ela. Algo no fundo lhe dizia que as coisas não iam ter um final normal ou bom.

Falando do suposto cara. Ele possuía madeixas roxas num penteado onde sua franja caía direto no olho como um emo. Ele a ajeitava quase como se quisesse arremessar o cabelo na boca dos outros. Seus olhos eram uma mescla de púrpura e amarelo. Será que é heterocromia? Seu nome, Minamisawa Atsushi.

Tinha cara de galinha. Pegador.

Só que... Você não tem certeza. E não poderia o julgar, levantar falsa calúnia e arriscar entrar em atrito com May. O máximo que podia fazer, era torcer para que fosse um bom namorado.

Quase um mês se passou e tudo estava indo bem. Suas preocupações se esvaneciam lentamente. O Atsushi não era tão ruim quanto aparentava.

Mas um simples dia, você estava dando uma voltinha, porque passava muito tempo em seu quarto lendo. Seus pais a obrigaram, na realidade. Tudo estava normal. Até você receber uma ligação. Era May. Ok.

— *snif* O-oi. E-eu. Q-quero falar com, você. Onde está?! — Estava chorando muito, ofegava e soava desesperada. Você se assustou.

— May? O que houve, mulher?!

— Só... M-me fala.

Após passar o endereço, vocês combinaram de se encontrar num ponto quase vazio. E você esperou em agonia, já fazendo ideia do que podia estar ocorrendo.

Estava demorando. Talvez estava se recompondo, limpando as lágrimas. Caso contrário, não ia conseguir conversar.

Uma silhueta alta surge e você nota óculos escuros adornando seu rosto. Para ocultar olheiras provavelmente. A situação não era boa.

Quando os olhos de amigas se encontraram, May correu e pulou em seus braços, procurando conforto imediato.

— E-ele simplesmente m-me j-jogou fora!

Nada mais precisava ser dito.

— Me prometa que você vai parar. — May ordenou na despedida. Você apenas ficou quieta sem poder prometer. Sabia que não cumpriria. Ela suspirou pesadamente. — Bem, então se cuida. Se não eu te bato!

Vocês sorriram.

Pelo sofrimento de todas as garotas, Minamisawa iria pagar caro por apenas brincar de fingir que ama.

❣️✿❣️

Primeiramente, você continuou se fazendo de difícil. Sabia que de alguma forma, estava chamando a atenção dele. No começo, foi complicado não deixar seu ódio pelo Atsushi, transparecer, mas ele precisava aprender limites e você iria o ensinar.

Você estranhava o súbito interesse nele por ti. E claro que não deixou de perguntar o motivo.

— Por que comigo, sendo que existem garotas mais bonitas e chamativas? — Você andava pelos corredores escolares com o arroxeado em seu encalço.

— Fácil. — Responde ele misterioso. — Por que você foi uma das poucas, se não única que me rejeitou.

Seu sangue fervia de desgosto. É uma das poucas coisas que nenhuma mulher se agrada em ouvir. Ou ele é muito burro ou só quer levar um soco. Você responde quase perdendo a classe.

— Então sou seu troféu, safado?

O Atsushi deixou um risinho fraco escapar. Entretanto por incrível que pareça, não continha algum deboche, cinismo. Era apenas um riso leve e descontraído. Foi até bom de ouvir porque Minamisawa é sempre mal-caráter e neste momento simples, demonstrou ser verdadeiro.

— Não. É que você me fez perceber que o valor das pessoas não está em aparências. — Confessou. Você não sabia que ele podia pensar assim, mas procurou manter sua raiva intacta.

— Agora deu para flertar com filosofia?

Outro riso dele.

— Entendo sua desconfiança, se eu fosse você, também não confiaria em mim.

Você revira as pupilas, concordando com o óbvio.

— Sei que tenho uma fama ruim de brincar com as pessoas. Por isso eu estou tentando mudar. — Admitiu sentido.

— Que bom, mas não pense que vou cair na sua por isso.

— Eu sei, eu sei. Só tô realmente tentando ser uma pessoa melhor. Só que quando você se acostuma a ser de um jeito, mudar é difícil.

— Então, o que você quer que eu faça? Seja sua tentativa de salvação? Desculpe, mas é desse jeito que está me obrigando a interpretar tudo. — Você o aborda, não estava entendendo aquilo.

Mas ele estava tempo demais ao seu lado, sem falar uma besteira, malícia, provocação. Parecia até que estava tendo uma conversa amigável com Minamisawa.

— De você, nada. Apenas quero provar que posso ser melhor do que essa imagem que você formou de mim. — Ele estava conseguindo a deixar surpresa com cada frase. Você se sentiu frustrada.

— Ah, tá. — Você disse com desdém de tanto faz.

— Aliás, não só de mim como de todos os homens a sua volta.

Tinha voltado ao normal.

— Vou te bater. — Alegou em ameaça.

— Gostaria de ver você tentar. — Atsushi provocou e jogou uma piscadela.

Você não estava brava por causa dele, mas sim consigo mesma por ter gostado de falar com ele dessa vez. Mas prometeu que não ia deixar esse sentimento tomar conta da próxima vez.

❣️✿❣️

No intervalo, você pensava em como colocar em prática o resto dos passos. Na realidade se sentia um monstro. Chacoalhou a cabeça, como meio de não desistir. Vamos ver, talvez na próxima, deveria se abrir mais, tipo ficar na dele. Mas e aí?

Que tipo de constrangimento, iria o fazer passar?

— Oi. — Era o cara que tinha lhe perguntado sobre você ter namorado.

— ...Oi. — Achava que ele nunca mais ia querer falar contigo depois daquilo.

— É seguro sentar? — Kurama indagou apontando para o lado vazio ao seu.

Você consente, vendo no que aquilo daria. Ele se acomoda e você aguarda ele falar.

— Eu fui idiota. Não devia ter perguntado aquilo. — Desculpou-se evitando seu olhar.

— É, não devia mesmo. Mas, eu também estava de cabeça quente, foi mal a grosseria. — Você admite seu erro.

— Mas sabe... A gente não pode fazer muita coisa quando está apaixonado.

Você se surpreendeu. Não esperava essa confissão. O nervosismo te atingiu sem querer.

— Certo.

— Então podemos tentar criar algo?

Não soube como proceder. Então tentou agir o mais naturalmente possível.

— Pode tentar, mas não creio que vá conseguir.

— Eu sei.

❣️✿❣️

Já estava se arrependendo de todas as decisões. Não devia ter se envolvido com Minamisawa, não devia ter dado qualquer permissão a Kurama. A vontade de seguir com aquele planinho idiota, se foi. E você desejou continuar sendo aquela garota que detestava garotos e jurou não abrir seu coração para nenhum deles.

Só que era tarde.

Você bebericava sua bebida aos poucos, enrolava tempo demais para terminar de comer o que pediu naquele café. Do jeito que as coisas estavam, não tinha exatamente certeza, mas um clima estava se formando entre você e o Norihito. Se era cedo, talvez. Porém não ia mentir que queria ver como as coisas iam acabar ali. Afinal, por causa de sua mente fechada, sempre procurou fugir do sexo oposto. Não foi um trauma, nada. Apenas um ponto de vista sem fundamento sobre homens.

Talvez agora, você já mudou de ideia.

— Tudo bem pra você, se a gente se sentar ali, um pouco? — O moreno lhe chamou para sentar.

Tímido. Ele de repente ficou constrangido, sendo que a minutos atrás parecia confortável. Talvez a conversa animada de ambos foi prazeirosa o bastante? Não. Não se faça de inocente nessa hora, é óbvio que é o que estava pensando desde o começo do encontro.

Espera. Encontro?

Um toque suave e levemente úmido, tocou sua bochecha. Rubor foi automático. Você se manteve estática, sem saber como as coisas chegaram ali. Pode ser que foram quando vocês fizeram aquele trabalho juntos ou quando percebeste que o sorriso dele, apesar de medonho, é carinho. Ou o jeito fofo e discreto que ele tem de mostrar afeto. Ou até quando a chamou de bela...

E quando tudo isso ocorreu? O tempo foi rápido. Isso que chamam de amar.

— Desculpe. Não queria ter feito algo sem sua permissão. — O rapaz baixinho desviava o rosto, sem graça.

Você deixou os olhos rolarem.

— Você parece uma garota de anime shoujo. — Ele lhe dedicou um olhar indignado. Você riu. — Por que tá perguntando se já fez uma coisa sem eu permitir?

Kurama se sentiu embaraçado e achou que você estava o repreendendo. O garoto se encolheu na mureta onde estavam sentados, escondidos do público.

— Desculpe, eu só...

— Não estou te dando bronca, idiota! — Você deixou claro, não suportando aquela ceninha de drama. — Isso quer dizer que sim, Kurama pode me beijar hoje.

Numa mistura de susto, surpresa e ansiedade, o moreno fez o que queria. Você não o empurrou ou xingou, só se deixou levar pelas sensações que você não conhecia.

❣️✿❣️

Não estava acreditando que se encantara por Kurama. Tentava esquecê-lo.

Era em vão

Tentava não pensar nele várias vezes por dia.

Também em vão.

Tentava não ir ao encontro dele, durante as aulas.

Seus esforços não passavam de promessas que jamais eram cumpridas.

E depois de tanta negação, dores de cabeça, discussões consigo mesma, contradições, procurou aceitar; ser otimista e olhar pelo lado bom disto. Havia aquela parte melosa de sentimentos e romantismo que você não fazia ideia de como descrever. Era quente demais para ser comparado a um frio na barriga e mais agonizante que borboletas no estômago, no seu caso.

Mas de uma coisa tem certeza. Estava gostando e não queria que as coisas parassem ali, somente em ficar.

— Ai. — Você geme ao esbarrar forte em alguém. Ia se desculpar de prontidão. — Me desculpe, hã? Minamisawa?

O Atsushi te mira melancólico e meio distante, pareceu nem fazer questão de ralhar contigo. Estava aéreo.

— Então, você... Tá saindo com o Kurama? — Indagou, te deixando embaraçada.

— Por que isso de repente? — Você se esquiva, desconcertada.

— Só fala, tá saindo ou não? — Minamisawa é curto e grosso.

— Bem, saímos algumas vezes. Por quê?

Nenhuma resposta veio. Somente sentiu ser puxada sem rumo para algum lugar isolado, totalmente desprovido de pessoas. No caminho, perguntou várias vezes se ele tinha enlouquecido, mas não houve resposta.

Por fim, chegaram a um canto atrás do prédio da escola e uns minutos silenciosos se passaram. Sua guarda permaneceu alta, ele pretendia fazer algo? Mas o quê e por quê?

Os olhos de Minamisawa estavam fixos na sua figura enquanto se aproximava lentamente. Você recuava um passo a menos cada vez que ele andava um. Aos poucos, a sensação de ser encurralada se fazia presente e se indagou onde estava aquela garota destemida. Porém o rapaz estava tão dominante naquela situação, tão superior que a deixou encolhida e sem opções.

Por fim, suas costas bateram na parede. Você ficou firme e tentou não mostrar fraqueza, mas aquela situação não se tratava de força ou algo do tipo.

Os olhos bicolores do Atsushi buscaram os seus e você atendeu a sua demanda por impulso. Estava paralisada com seu olhar sofrido e desesperado. Te deu pena e algo tocou seu coração. A hipótese dele a beijar era alta.

Ele aproximou ambos os corpos, mas não houve nenhum selar de lábios. Para sua surpresa, um par de braços simplesmente lhe abraçava numa súplica. Você não compreendeu, mas acabou o imitando levada pelo calor do momento.

Nada de palavras. Minamisawa queria passar a mensagem através de gestos e você agora entendeu.

Ele dizia que te amava.

Será que estava cometendo um erro ao se entregar, para qualquer um deles? E se a machucassem, como lidaria com a situação? Não estava preparada, visto sua pouca experiência. Você sempre achou que todos os homens fossem canalhas. Na verdade estava o tempo todo tentando se enganar para se proteger. Só que o resultado disso, estava sendo a perda de muitas experiências boas, que seu eu covarde evitava encarar.

Foi uma idiota. Uma tola que julgava uma pessoa sem ver o outro lado da moeda. De certo que Minamisawa realmente errou muito durante muito tempo, mas somos humanos. Sempre estamos dispostos a errar várias vezes. O que importa é se redimir e tentar fazer o possível para não machucar nem a si nem os outros em diante.

Por isso que devia enxergar as situações por outros lados, não somente o que estava querendo ver e só assim, tirar uma conclusão certa sobre tal indivíduo.

— Preciso confessar algo. — Você interrompe o abraço e o afasta um pouco. Iria falar tudo o que estava fazendo desde o início. Mesmo que signifique acarretar o ódio dele. — Sabe... Eu, me aproximei de você para me vingar.

Minamisawa se surpreendeu e ficou confuso.

— Sabe, tem uma amiga minha. Que ficou muito ferida por sua causa. Eu quis que você sofresse o mesmo que um dia ela sofreu por você, Minamisawa.

O outro ouvia estático, enquanto apenas sua voz tomava conta do ambiente.

— Por isso, tentei o seduzir. De um modo estranho, mas pareceu funcionar.

Instintivamente você abaixou o olhar, envergonhada. Fizera mal, fizera, mas também foi consequência dos atos dele. De certo modo era justo o fazê-lo sentir o peso da culpa.

— Mas eu decidi parar com isso. Não levaria a nada e machucaria você. — Concluiu com pesar. O arroxeado ficou uns minutos em suas próprias reflexões.

— Uau. Eu sabia que algum dia iria ser alvo de vingança. Bom, estou triste e surpreso, mas não tenho o direito de te xingar ou ficar bravo. — O rapaz admitiu com maturidade. — Não é a primeira vez que machuco as pessoas, então essa está sendo minha punição.

— Eu também errei, não é com vingança que concertam as coisas. Pelo contrário, só causa discórdia. No entanto, eu gostaria que você fizesse um favor para mim e minha melhor amiga. — Você pede convicta e determinada. — Se realmente quer mudar, comece pedindo perdão para ela. Sei que ficará feliz.

❣️✿❣️

A menina parecia meio abalada ao ver que o causador de sua tristeza, estava ali em sua frente. E inacreditavelmente parecia arrependido, talvez até diferente.

— Eu queria lhe pedir desculpas por todo o transtorno que te causei. Naquele tempo eu ainda era um escroto. — Ambas se chocaram com a palavra forte que o Atsushi usou para se descrever, mas era verdade. — Porém quero mudar e o primeiro passo é se redimir com as pessoas que machuquei.

May tinha uma feição meio perplexa e incrédula. Coçou a cabeça, mexia as mãos e parecia não saber como proceder. O olhar que ela direcionou a você dizia que não queria isso tudo.

Mas de repente, ela endureceu a face e se aproximou de Minamisawa.

Slap.

Sua boca formou um O completo pelo tapa que a garota deu nele. Estava chocada.

— Isso, é por tudo o que fez. — Minamisawa ficou paralisado pela reação. Mas a garota deu-lhe um abraço amistoso em seguida. — Mas eu te desculpo se realmente parar de ser um canalha e tomar jeito.

— Eu vou.

— Espero.

❣️✿❣️

As coisas pareciam pacíficas, May estava satisfeita. Não que dependesse das desculpas de um homem para continuar, mas percebeu que Minamisawa estava se esforçando para se tornar uma pessoa de verdade.

E você, aprendia que não faz mal se apaixonar. Amor é uma experiência complicada sim, mas é tentando que se pode saber se é algo bom ou ruim.

— Ei, pode nos deixar a sós? — Kurama pediu ao ver o Atsushi chegando de fininho e interrompendo um momento só de vocês dois.

— Ah tá que eu vou deixar você sair ganhando e não fazer nada. — O arroxeado declarava guerra. Você não queria ser um prêmio a ser disputado.

— Eu estou aqui e não sou troféu de competição.

— Ninguém está falando isso meu bem. Apenas estamos disputando seu amor. — Atsushi rebateu ousado.

— Eu já estou saindo com ela, vaza. — Kurama ordenou franzindo o cenho.

— O lugar é público.

— Tsc. Então vamos embora. — O mais baixo pegou seu pulso e te levava para longe.

— Ei, zangado, a branca de neve não quer você como príncipe. — Provocou o Atsushi os seguindo de pirraça. Kurama ficou irado.

— Ora, seu filho da... — O outro quase xingou.

— Vou embora, tchauzinho.

Você alega fingindo frustração, mas na realidade estava nervosa consigo mesma pois não sabia mais de quem gostava, do baixinho tímido e invocado ou do narciso debochado.

Notas finais
Não teve cena de beijo! Se focou mais em drama, gente kkkk Eu quase classifiquei como fluffy, mas foi mais intenso que isso. Beijos e Abraços :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.