A Chance for You
86 Bad Apple and Sweet Lime - Kira Hiroto
Notas iniciais
“Eu irei me atrair a todas as suas personalidades.”
— Vai Asuto, você consegue! — Ootani, dava seu incentivo ao moreno. Vez ou outra, também torcia para os outros. A primeira ajudante do Inazuma Japan, era aquele tipo de menina que se pode chamar de docinho, não exatamente um bolinho. Era meiga, alegre e sempre sorridente e claro, gentil.
Já a segunda, era mais reservada e na sua, não esboçava tanta empolgação e entusiasmo como a anterior. Deixava um ar de mistério a seu redor e uma quietude. Sua seriedade aparentava cheia de maturidade. Assistia a tudo e torcia internamente com silêncio.
Por sua vez, tinha você. A mais nova manager do time. Jamais passou pela sua cabeça, trabalhar com futebol. Você só fez isso porque foi obrigada pelo professor a escolher um clube. Seu desejo era fazer belos nadas e não entrar para nenhum, mas as notas ruins interromperam isso.
Como estava indecisa, escolheu no uni duni tê. A primeira opção escolhida foi o clube de futebol e você foi sem hesitar.
E bom, tirando o fato de ter garotos bonitos, não parecia ser nada de mais. Em primeiro lugar, você não gostava tanto assim do esporte. Não possui nada contra, mas também não se encanta. Talvez tentasse se esforçar para entender ou ao menos, ajudar.
— S-se esforcem! — Timidamente você dá seu apoio ao time e sentiu suas bochechas ficarem vermelhas.
Procurando ao máximo se esforçar, você ganhava a simpatia de todos ali. Era como uma segunda Ootani. Doce e gentil. Boazinha e comportada, consentindo com tudo e ficando quieta. Na verdade uma garota sem sal e açúcar. Neutra.
Um dos jogadores, estava tentando se sobressair acima dos companheiros. Usava sua habilidade natural. Se exibia e quase atraía a discórdia no campo.
— Hiroto-san está fazendo aquilo de novo. — Com uma feição preocupada, Ootani ressaltou o fato.
— Não tem jeito. — Anna lamentou, decepcionada.
— Ano, o que houve? — Você indaga de maneira fofa.
— É que Hiroto geralmente tem esse problema de querer provocar todos e fazer tudo sozinho. — Anna explica calmamente, suspirando enquanto via os outros reclamarem das atitudes do dito cujo. — E tem mania de se chamar de Goleador dos Deuses.
— Entendi, mas futebol se joga com onze.
— É o que ele não quer entender. Acho que pra Hiroto, todos são suas peças de tabuleiro enquanto ele avança. — Concluiu Anna reflexiva.
— Espero que ele melhore pelo time. — Você finaliza.
“Mas que metido. Precisa aquietar o ego e a bunda, hein?”
Você conteve a vontade de falar isso um pouco em voz alta, como sempre. Afinal, não ia pegar muito bem. Você era nova, não podia sair por aí dizendo o que bem queria e causar confusão.
O treino acabou e as ajudantes começaram a entregar garrafas d’água e toalhas para os garotos suados e sedentos. Você se prontificou a fazer o mesmo, corada por ter que olhar na cara e chegar pertinho deles todos. Mas até que não era má ideia estar cercada daqueles rapazes. Muitos são atraentes e charmosos.
Isso até você chegar perto do rapaz de madeixas cinzas.
— Eh, por que está vermelha? — Ele notou sua timidez evidente e enfatizou com um olhar confuso. Depois mudou para uma feição marota. — Tá tão nervosa por estar perto do God Striker? Fica calma, eu posso fazer dez gols só pra você na próxima partida.
“Eu podia enfiar dez bolas em um lugar especial do seu corpo, que tal?”
Novamente você se conteve. Isso seria muito agressivo, mas aquele garoto se achava muito.
“Querido, o mundo não gira em torno de você, então abaixa a bola que você tá do lado de mais dez estrelas do futebol.”
Você sorriu ao imaginar que seria uma boa resposta pra fazer o tal Hiroto se tocar. Mas... Não. Apenas esboçou uma cara de garota comportada e com vergonha.
— Não, muito obrigada. Você deve fazer gols pelo país, não pra mim. E eu não estou nervosa. — Você retruca com um biquinho.
— Nervosinha, hein? E esse blush nas bochechas é o quê? — Ele te provocou com seu olhar travesso.
— Blush? — Não tinha passado maquiagem e demorou a entender.
— Esse. — Não esperava que Hiroto passasse os dois indicadores em suas maçãs do rosto, a deixando mais corada.
Você ficou paralisada processando a informação. Olhou para os lados, verificando se alguém tinha visto a cena. Todos estavam ocupados demais se refrescando, para seu alívio puro. Ademais, foi um ato rápido. Voltando para o de cabelos cinzas, você só queria apertar suas bochechas como uma vingancinha. Mas só ficou parada o encarando sem nada dizer.
Odiava esse seu traço. Mas talvez ele não gostasse dessa brincadeira. Então era melhor se proteger. O grisalho arqueou a sobrancelha e formou uma expressão de tédio.
— Não vai falar nada? — Suspirou desanimado. — Que garota sem graça.
E saiu andando, te deixando com raiva e arrependimento de não ter falado umas poucas palavras para aquele metido.
Mas ele estava certo.
❣ ✿ ❣
Já tinha se passado cerca de três semanas e você ainda não se apaixonou pelo esporte, mas até que aqueles garotos são gente boa. A relação deles, dava gosto de ver. Tinham alguns com pinta de solitários, porém se enturmavam a seu modo.
No momento, era uma reunião sobre o time. Não exatamente as que falavam de táticas, técnicas e os próximos adversários. Era apenas uma reunião amigável, em que podem comentar trivialidades e aproximar laços. Ootani disse que não faziam isso muitas vezes, apenas duas por mês e quando algum membro entrava.
— Fale mais sobre você. — O treinador chinês, aquele que de acordo com todos, organizou esse evento, pediu para que se abrisse mais. Você não queria de jeito nenhum, ainda mais porque era o centro das atenções. — Vamos, não tenha vergonha, aqui somos uma família. Então fique sem vergonha. Ho, ho, ho.
“Isso é meio estranho, senhor China in Box com risada de Papai Noel.”
— Eu... Não sei o que dizer. — Você se encolheu em si mesma, quando queria ser sem vergonha e falar asneiras. Mas e o medo de ser julgada ou ser deixada no vácuo como uma sem noção? Então é melhor não arriscar se constranger.
— Hum... Porque você decidiu entrar para o clube? — O chinês indagou e você paralisou. Péssima pergunta.
“Eu detesto futebol e só entrei porque fui obrigada.”
— Achei interessante e quis ver de perto o time. — Ok. Não era de todo uma mentira, agora estava achando interessante.
— Então, você veio porque tá afim de alguém e quis se aproximar. — Você gelou com essa acusação. Só pela voz, sabia que se tratava de um certo Kira.
— Q-quê?! N-não! — Estava nervosa demais para pensar em um argumento decente.
— Ei, Hiroto. — Kiyama, repreende o outro para te defender.
— O quê? Eu só disse o que entendi. — Alegou, sentado de qualquer jeito numa das cadeiras da sala de reuniões.
— Não provoca. — Após a última repreensão do Kiyama, Kira se levantou e deixou a sala frustrado.
Você não sabe que tipo de força obrigou suas pernas a andarem, só pediu licença educadamente e seguiu o grisalho discretamente. Pelos corredores, campos. E no meio do percurso seus olhos não tiveram escolha, se não o analisar. Bem, os cabelos eram bem rebeldes e de um cinza-escuro, tinha várias mechas brancas. A pele branca e rosada. Como estava de costas, não dava pra ver muitos detalhes. Porém tinha um jeito malandro no andar, mãos nos bolsos e fazia um barulhinho estranho.
Ploch.
Algo estourando, talvez... Chiclete.
“Menino Mau.”
E... Seu penteado... Parece um esfregão.
Esse pensamento lhe fez dar uma risadinha fraca. Você a segurou a tempo de se tornar uma gargalhada audível, mas ele ouviu e parou de andar na hora. O garoto virou para trás e você se escondeu na primeira parede ali. Hiroto desconfiou e começou a caminhar de novo. Como não era burra, aguardou um tempo até o seguir novamente.
Mas ué? Cadê ele?
— Quer alguma coisa comigo? — A voz masculina soou atrás de ti e seu coração descompassou de susto. Virando em câmera lenta, seus olhos se deparam com dois diamantes rosa; um olhar sério e uma tatuagem azul clara em formato de raio adornando o rosto. Era na vertical e atravessava o olho esquerdo.
“Ferrou. Será que se eu elogiar sua tatuagem, ele fica menos carrancudo?”
— Ahn, nada demais.
— Ah tá, você não sabe disfarçar, muito menos stalkear alguém. — Hiroto foi debochado.
“Então quer dizer que você stalkea melhor? Ui, você é um menino mau.”
— Eu só, queria saber por que você saiu daquele jeito. — Foi a desculpa mais sem noção que achou no momento. Hiroto arqueou uma sobrancelha.
— E o que isso tem a ver? — A seriedade do garoto, deu lugar a sua feição provocante. — Ou será isso, uma desculpa pra saber mais sobre o God Striker?
“God Striker, God Striker! Só sabe falar isso? Ele é o quê? Um profeta do futebol escolhido por deus?”
— Francamente Hiroto-san, só porque você é bom, não quer dizer que vou procurá-lo por isso. — Estava corada e agora meio nervosa, ainda mais porque a “estrela” cruzou os braços e esboçou uma feição irritada.
— Até agora estou esperando uma resposta convincente.
Você se calou e procurava internamente uma saída ali, para não dar a entender outras coisas.
— Só queria perguntar porque você me importuna tanto, mas... Não estava com coragem, por isso te segui. — Até que era uma boa resposta. Exceto a parte de o seguir que nada tem a ver.
Foi a vez de Hiroto se constranger.
— Eu... — Deixou a frase morrer sem começar direito.
“Hora do troco, haha.”
Esboçando sua feição mais inocente e fofa, corando propositalmente e escondendo as bochechas entre as mãos, você decidiu o atormentar.
— S-será que... Hiroto-san? — Chama o olhar do outro, que se fixa em sua figura. — Você está afim de mim? Por isso me provoca?
— Eu afim? O God Striker? — Você esperava uma reação mais exaltada, mas só aumentou seu ego. — Bom, vai precisar de mais para chamar minha atenção, garota.
— Tá bom, God Striker, então chame a atenção da Anna-chan que deve ser a mais adequada pra te atrair. Só... Não sei se você é bom o bastante para ela, haha. — Há muito você queria abaixar sua bola. A cara do grisalho foi impagável, digo, demonstrava raiva no olhar.
Só, que ele chegou mais perto numa tentativa de intimidar, uma que deu certo, na verdade.
— Então, acha que não sou bom o suficiente? — Você cortou o contato visual e continuou firme.
— Você pode ser incrível jogando, mas se tratando de conquistar as pessoas... Parece que perde feio. — As palavras saíram no automático e o rapaz a sua frente parecia ter uma veia querendo saltar. Porém só mais tarde você se tocou de uma coisa.
“Espera, o chamei de incrível?”
E sua face foi forçada a mirar a de Hiroto. Uma mão repousava numa das suas bochechas e surpreendentemente um rosto que você não sabia explicar direito. Um misto de amor e tristeza. Direcionado apenas a ti. Um selar de lábios fechou o momento. Foi rápido e te deixou estática.
A expressão tão carinhosa de Hiroto se transformou em risadas.
— Te conquistei com um selinho e aí?
Enquanto ele caçoava com gosto, você foi embora pisando duro. Com raiva de si mesma por ter ido atrás dele e frustrava por ter deixado isso acontecer.
❣ ✿ ❣
Endou tirou o tempo de descanso para fazer as gerentes jogarem. Você recusaria, se ele não tivesse usado aqueles olhos e aqueles sorriso que você é incapaz de negar algo. E não. Mesmo após uma parcela de tempo chutando a bola, queria sentar e dizer que realmente não gosta de futebol. Contudo, sentia que todos lhe tratariam estranho e com indiferença. Talvez a excluíssem. Portanto estava suando contra sua vontade, observando Anna e Ootani se divertirem.
Era assim. Você tem medo de ser excluída. Então procura ser uma pessoa que agradava a todos. Muitas vezes tinha vontade de fazer uma brincadeira com o time, por exemplo, ser mais próxima. Só que a insegurança de ninguém gostar e te repreender, te impedia. O mesmo ocorre quando quer falar algo, dar sua opinião e o jeito de agir. Conclusão, mantinha tudo dentro de si.
Jamais iria ser humilhada, excluída ou passar um constrangimento como aquele. Não mais.
Mas... Você se sente tão só por causa dessa insegurança...
— Que tal ser a goleira? — Endou se vira pra você, sugerindo com alegria.
— Eh? — Você balbucia incrédula.
— Defenda meu chute.
Você não queria.
— Tudo bem, pode chutar.
“Aff. Eu sou tão idiota.”
Após a pequena sessão futebolística de garotas, você descansa no banco. As duas garotas se aproximaram e subitamente puxaram assunto contigo sobre garotos idiotas que ficam fazendo brincadeiras ruins com garotas.
— Eu geralmente ignoro e finjo que não é comigo. — Ootani declarou.
— Isso não acontece muito comigo, mas dou um fora neles. — Anna respondeu. — E você?
— Xingo até a mãe do desgraçado e se precisar, dou um tapa de mão aberta. — Sussurrou para si.
— O quê? — Ootani ouviu seu murmúrio e pediu confirmação.
— Apenas coloco fones e me distancio. — Seu vocabulário assustaria elas, então não.
Pouco tempo veio um garoto encher seu saco.
— Por que você faz isso? — Hiroto Kira te interrogou.
— Hum?
— Eu ouvi o que sussurrou, garota agressiva. — Brincou risonho. Você se calou, vendo que ele percebeu. — Por que esconde o que você quer falar?
— Eu não sou falsa se é o que tá pensando. — Seu olhar se abaixou e você se encolheu.
— Não estou pensando em nada.
Você se surpreendeu, pois claramente suas atitudes eram de uma pessoa falsa, mas no fundo não era isso. Só queria evitar afastar as pessoas por ser quem é.
— Não me faça explicar, você não entenderia. — Impactada, se afasta.
❣ ✿ ❣
A primeira vitória que você presenciou. Foi, legal e isso te fez perceber que o futebol une as pessoas, envolve sentimentos e emoções. Não te fazia mais empolgada para jogar, mas ver aquele time jogando lhe aquecia o peito e dava felicidade. Queria torcer por eles. Queria estar ali nos momentos ruins. E agora você agradecia por seu professor ter te obrigado a escolher um clube. E a si mesma por entrar acidentalmente a dedo.
— Um brinde a nós, pelo time! — Endou estende um copo de refrigerante. E todos brindam.
Estavam na praia iluminada pela luz lunar e a movimentação da cidade. Escolha do treinador chinês. Jantavam num quiosque ali perto, enquanto papeavam. A alegria de vencer dominava a noite. Como não se sentia ainda próxima dos garotos, o jeito foi se confortar em ficar com as garotas por mais que a conversa delas não lhe interessava muito. Sem opção de distração, pediu licença, saiu da mesinha de onde estavam e andou descalça pela orla do mar. Começou a procurar alguma concha, mesmo de noite, sendo quase impossível.
Seus pés te levaram até um local mais distante do pessoal. Na verdade estava sendo um tédio. Notando que se afastara muito, tratou de retornar. Durante o trajeto, seus olhos captaram a silhueta de um garoto afastado e escondido. Observava ao longe, todo mundo como se quisesse e ao mesmo tempo não quisesse se juntar a eles.
— Você é bem antissocial com seus colegas de time. — Você o aborda de supetão, pegando-o de surpresa.
Hiroto olha espantado sem reação.
— Você podia ir lá. — Sugere.
— Não faz diferença se eu for lá. Vou ficar de canto de todo jeito. Então fico aqui. — Hiroto se abre de repente e você simplesmente se sentou ao lado dele, na mureta fora da vista de todos.
Esperava uma reação como um resmungo ou rejeição ao seu gesto, mas o garoto só se calou e o assunto não fora mais tocado. De longe, era solitário olhar a alegria dos companheiros, mas ainda sim a agitação era sentida.
— Pois é, agora sou eu que estou te enchendo o saco.
Hiroto dedicou um olhar normal desprovido de segundas intenções.
— Você parou de agir como garotinha. Gaguejar. Por quê? — Essa questão te pegou, nem mesmo você sabia direito.
— Talvez porque... Você consegue ver um pouco de mim. Do meu eu verdadeiro. E... Não se afastou, pelo contrário. — Suas emoções apenas escapuliram do peito. Podia ser sincera, isso é uma ocasião rara. — Assim eu me sinto realmente feliz.
— Achei que foi meu beijo. Porque você sabe, sou um God Striker, tenho lábios divinos. —Provocação, malandragem na voz e feição marota, além de todos os derivados. Ao mesmo tempo em que te irritava, lhe puxava como um furacão sem controle. — Não se sinta obrigada a me fazer companhia.
— Mas a questão é que eu quero. Então não reclama. — Você rebate, ar de durona.
— O que faz uma pessoa querer ficar do meu lado? — Hiroto quebrou o clima agradável e se pôs em melancolia. Você lhe dá um olhar, como se o instigasse a contar. — Idiota. É isso o que pensam de mim. Vou deixá-los em paz do mesmo jeito que quero que me deixem.
A raiva passou a tomar conta dele. Você não soube o que fazer. Até queria dizer algo, talvez um incentivo, mas era a pior pessoa para tal. Uma vez que se encaixa nessa situação também. Os dois compartilharam desse momento de tristeza em silêncio, enquanto observavam o time curtir sem dois membros.
❣ ✿ ❣
Você não sabia como denominar aquela relação. Se fosse uma amizade, seria mais próxima. Tava mais para parceiros distantes de companhia. Era esquisito se pensar bem, mas quando estão juntos, vocês agiam de forma natural e descontraída. É como se um entendesse o outro mesmo sem falar. Uma relação construída de olhares.
Mas vocês não mais tiveram momentos constrangedores como seus primeiros dias no clube.
— Hora do lanche, o que você trouxe no seu Obentô? — Você e alguns membros do time, comiam no intervalo. Como todos estudavam juntos, a maioria ficavam com os colegas do clube. A pergunta foi feita por Anna.
— Ah, eu trou — Ootani entusiasmada, te interrompe, mostrando seu almoço super recheado de comida. Ela veio compartilhando sua refeição, que era muita. A garota falou que não aguentava tudo.
— Ah! Anna-chan, você gosta de Mozuku? — A castanha indagou a rosada.
— Ahn, sim. Porque?
— Você é tão madura. — Elogiou Ootani. Mozuku é um tipo de comida que geralmente adultos comem bastante ao contrário dos jovens. — Endou-san trouxe Pocky, ele é bem infantil.
Elas começaram a dar leves risadas, se perguntando quem seria doido de trazer pocky no almoço. Você se sentiu constrangida.
Afinal tinha trazido muitos doces para almoçar.
— Então, você ia mostrar seu obentô? Gomen eu te atrapalhei. — Ootani se desculpou.
— Ah, sim... — Você ficou com vergonha de mostrar seu obentô e ser motivo de piada. Então mentiu dizendo que havia pego o obentô de seu irmão mais novo.
— Seu irmão come muito mal, ele colocou um monte de doces! — Ootani enfatizou ao olhar o que era seu almoço. — Mas o que você vai comer então?
— Posso ficar sem almoçar. — Você alegou antes do estômago roncar.
— Gomenasai, eu partilharia a minha comida, mas eu saí oferecendo as sobras para todo mundo. — Ootani lamentou com a vasilha vazia.
— Você gosta de Mozuku? — Anna ingadou.
“Não. Odeio.”
— Sim.
— Pode ficar com parte do meu almoço, a maioria é isso, minha mãe quase me obriga a comer.
— Obrigada, Anna-san. — Você agradece por não ficar em jejum enquanto a garota dava seu obentô, mas... Comeu fazendo caras e bocas.
— Soube que vocês gostam de Mozuku. Poderiam comer pra mim. — Goujin brota do além e pede. — Não quero que minha mãe saiba que joguei fora.
— Ahn, tudo bem. — Um pouco a mais não faria mal, você aguentaria comer.
— Pode comer o meu também? — Dessa vez o capitão surgiu.
E mais uma pequena multidão de pessoas surgiram pedindo o mesmo.
Enjoada de tanto comer alga, você desabafa com um grisalho.
— Ainda tenho fome.
Hiroto suspirou e revirou as orbes cor de rosa.
— Chegando ao ponto de fazer isso. — O barulho do chiclete sabor menta, estralava.
Você retirou seu almoço de açúcar e se preparava para se esbaldar, mesmo que não fosse muito saudável de sua parte. Hiroto segurou em seu braço, te impedindo.
— Vem comigo.
Ele te arrastou até uma loja de Okonomiyake, não era a mais cara, nem a mais barata. Vendia mais que um só prato, mas era conhecida por ele.
— Tanto doce, vai te fazer vomitar. Eu não sei o que você quer, então pede aí. — O rapaz mandou, se acomodando numa cadeira.
Constrangida, você escolheu o prato mais barato. Hiroto revirou os olhos.
— Eu pago.
— Mas não quer dizer que eu vou abusar de você.
— E não precisa me pagar depois.
— Claro que precisa. — Hiroto deixou de discutir e pediu um prato também.
O prato ficou pronto e ambos se alimentaram em silêncio. Até você notar um resto de comida no cantinho da boca dele. Você avisou, mas o garoto não conseguia se limpar direito. Incomodada, sobrou para você pegar um guardanapo e higienizar sua bochecha, clássica cena. Ele agradeceu tímido. Raridade.
Na hora de pagar a conta, a moça perguntou se tinham gostado e por impulso, disse que formavam um belo casal. Hiroto agradeceu, sendo que você esperava uma reação mais exasperada e uma correção. Você não teve coragem de questionar essa cena.
Na volta, o barulho de um novo chiclete era o único som entre ambos. Porém Hiroto te arrastou para sentar em uma praça. O que é isso? Um encontro e ele não quer deixar explícito?
O rapaz se sentou na pose mais relaxada que existia.
— Vai chegar a fazer aquilo de novo? — Hiroto iniciou uma discussão. Sabendo do que se tratava, responde.
— Sim. Por mais que eu odeie.
— Quem liga pro que os outros vão achar? Olha pra mim.
— Você não entende os meus motivos. — Você se esquiva por mais que isso estivesse preso dentro de você.
— E quais são eles?
— Eu só não quero ficar sozinha de novo, nem ser desprezada por coisas que eu falo ou com meu jeito de ser. — Você desabafa.
— Se todo mundo te desprezar por coisas tão idiotas como essas, então melhor ficar sozinha.
— Mas me sinto tão sozinha. É como se eu merecesse. — Se lamenta tristonha, era doído deixar de ser quem é por medo de ser excluída das companhias.
— Então somos dois. — Hiroto continua falando o tempo todo com o rosto virado, o olhar sereno. — Só que eu não deixo ser abalado por olhares e palavras. Não vale a pena. Eles odeiam meu jeito de agir, mas quem liga? Os incomodados falem na minha cara. E é aí que eu falo mesmo. — A arrogância era notável na voz, mas uma arrogância mesclada com incentivo.
Durante o tempo que você refletia, ele ofereceu uma goma de mascar. Sabor morango desta vez. Você aceitou e decidiu o imitar. Fazendo bolas maiores e o observando de esguelha.
— O que está fazendo? — Questionou mostrando ar de graça.
— O que está fazendo? — Repetiu logo depois sentou-se como ele. Engrossando até a voz.
— Muito engraçado.
— Muito engraçado.
Os chicles estralavam. Você riu do nada.
— Você saiu de qual hospício? — O grisalho inquiriu com cara de te achar realmente doida.
— O mesmo que o seu.
— Haha. — Risada sarcástica.
❣ ✿ ❣
— Na verdade, eu só entrei nesse clube porque fui obrigada. — Com uma feição absolutamente plena e calma, você soltou aquela confissão quando te perguntaram porquê decidiu entrar. Muitos olhares incrédulos se concentraram em ti. — Eu jamais entraria por livre e espontânea vontade. E eu ainda não me sinto confortável jogando. — Os olhares pareciam de julgamento. — Se um garoto se atrevesse a fazer “brincadeiras” comigo, eu o xingaria com os piores nomes e até socaria ele. Ah eu odeio Mozuku e amo encher meu obentô com doces. Só não falei nada por insegurança.
Silêncio, estava na sala do clube e a maioria ouviu. Se não gostarem, paciência. Se é para ter amigos, que gostem do jeitinho que você é. Quando murmurinhos se ouviram, você precisou ser forte para não ter maus pensamentos.
— Tudo bem. — Mamoru te consolou com uma feição feliz e compreensível. — Está tudo bem ser quem é. Mas, não quero que você fique forçadamente. Pode pedir transferência pra outro clube.
— Eu não gosto de futebol. Mas gosto de ficar aqui com vocês. — Confessou tímida de verdade agora. — Se não for incômodo, gostaria de continuar no clube.
— Claro! Você sempre foi um membro. — Mamoru manda um sorriso receptivo.
Olhares de compreensão, olhares de dúvida, olhares que você não deu a mínima e independente, agiu como queria.
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— Não esperava aquilo. — Um certo grisalho ressaltou, mãos atrás da nuca e um sorriso satisfeito.
— Já que consegui surpreender o God Striker, não mereço uma recompensa? — Você bateu em seu colo com leves tapinhas, querendo indicar para ele deitar sua cabeça ali.
— Não. Vai precisar de mais que isso pra me obrigar a algo. — O rosto maroto delineava a face do Kira.
Atrevida. Você simplesmente sentou em seu colo. E o agarrou pelo pescoço.
— Tá maluca? — O ver corado e nervoso estava sendo prazeroso.
— Não tem ninguém por perto. E sim, estou doida por você, Hiroto.
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