A Chance for You

22 Amazing Grace - Shindou Takuto


Notas iniciais
Olá leitores, aqui está mais um capítulo desta fic que é o maior projeto de minha vida! Chip: De nossas vidas. Dark: Mas vc nem é vivo criatura! '-' Chip: ;-; Dark: Gomen :/ Bem, não tenho nada mais a declarar. Tipo nada mesmo '-' Enjoy. Tradução do título: Graça Magnífica. (Ou algo parecido).

Seus pés deram o último salto. Você finaliza a coreografia com um sorriso falso. A plateia aplaude e você se retira graciosamente do palco. Nos bastidores, a falsa alegria presente em seu rosto à pouco tempo, se desfez. Uma expressão de desgosto e tédio surge. Mal podia esperar para tudo aquilo acabar. Estava em uma competição de dança a qual fora inscrita por sua professora.

— E em primeiro lugar... — O apresentador anuncia. — O solo de número quarenta e oito, Amazing Grace. — Você se levanta, indo até a frente recebendo o prêmio.

...

Ao chegar em sua residência, você deixa o prêmio em qualquer canto e desaba sobre a cama. Mais uma vez havia vencido.

— Não foi tão ruim, certo? — Sua mãe pergunta. Como resposta, você apenas fica em silêncio encarando-a com uma cara emburrada. Ela suspira sem se importar com sua ignorância em não responder. — Se arrume para sua aula de piano. — Ela ordena e se retira de seu quarto.

O motivo dessa atitude é porque sua mãe te obrigava a dançar balé, alegando que uma garota de família rica e nobre, tinha que possuir dotes. Beleza; inteligência; delicadeza e elegância; e de acordo com ela, o balé te faria ter a graciosidade necessária.

Desde que nascera, ela vivia fazendo planos para sua vida sem sua autorização. Sua mãe tinha costumes e pensamentos antigos. Acreditava que o sonho de toda mulher é se casar, por exemplo. Na maioria das vezes, se não todas, ambas sempre acabavam discordando ou brigando.

Você definitivamente não gostava de dançar. Exigia muito esforço e dedicação, muita perfeição. Não fazia seu estilo ser delicada como uma princesinha, apesar de ser boa e ganhar muitas vezes em apresentações. Você procurava fugir das aulas chatas e tediosas.

Mas, por outro lado, você amava a aula de piano. Não somente por gostar do instrumento e sim pelo professor, que era nada mais, nada menos que Shindou Takuto. Ele tinha a mesma idade que a sua e ambas as famílias são muito próximas e amigas. Quando sua mãe pediu que o garoto a ensinasse tocar piano, ele aceita sem hesitar.

E mais que um simples professor, Shindou também é seu amigo. Você aprendia cada aula com gosto. Adorava ver e ouvi-lo tocar e te ensinar.

— Algum problema? — Questiona Shindou com um olhar. — Não está se concentrando direito, parece distante.

— Não é nada. — Você responde com a expressão triste.

Shindou senta a seu lado. Olhando em seus olhos e colocando uma mão em seu ombro, ele te conforta.

— Sabe que pode contar comigo, não é? — Ele faz uma pergunta retórica. — Se quiser me falar qualquer coisa, diga sem ter vergonha.

— Na verdade... Tem sim. — Você admite ganhando o olhar dele. — É a minha mãe. Ela... Me obriga a fazer aulas de balé.

— Você nunca me disse isso antes. — Shindou finge estar um pouco bravo.

— Para quê? — Indaga fazendo desdém da notícia informada.

— Para que eu te veja dançar oras! — Ele te surpreende. Você se envergonha ao imaginar o garoto assistindo-lhe na plateia. — Mas voltando ao assunto anterior, por que sua mãe faz isso?

— Ela quer que eu seja uma princesa no século vinte e um. — Explica em tom de deboche. — Graciosa, elegante e gentil, com um monte de frescuras.

— Já tentou dizer a ela que não gosta?

— Todos os dias da minha vida. — Seu tom torna-se cabisbaixo. — Mas ela nem me ouve mais. Parece que só se importa com a reputação da nossa família. — Você desabafa. Logo, recebe um abraço confortante do moreno. Incontrolavelmente, seu corpo de arrepia pelo gesto inesperado dele.

— Sumimasen. — Ele se lamenta.

— P-pelo quê? — Surpreendida com essas atitudes indaga.

— Pelo seu sofrimento.

— Você é muito emotivo Shindou, se comove facilmente. — Menciona o fato do garoto estar se contagiar por seus sentimentos melancólicos.

— Impossível, não consigo agir normalmente quando meus amigos estão sofrendo. — Ele admite com sinceridade. — Tem alguma coisa que eu possa fazer?

— Apenas continue do meu lado e eu ficarei bem. — Pede timidamente.

— Pode deixar então. Se depender de mim, nada vai nos separar. — Shindou promete com um sorriso honesto.

...

No outro dia, você acabara de chegar da aula de dança completamente exausta. Odiava a professora, que era perfeccionista. Exigia demais das suas capacidades, querendo que ultrapassasse seus limites. Te insultava e até a ofendia quando cometia erros.

Depois de um merecido descanso, arruma suas coisas, mal esperando a hora de se encontrar com o pianista para poder desabafar, reclamar e xingar a professora filha da mãe, aliás, ela e todos os outros. Porém sua mãe invade seu quarto interrompendo seus planos.

— O que está fazendo minha filha? — Ela questiona.

— Como assim? Estou indo pra aula de piano. — Respondeste com uma expressão que parecia dizer: "Você devia saber disso."

Ela, por fim, arqueou a sobrancelha e logo após voltou a expressão séria com a qual tinha entrado.

— Então seu pai não te avisou... — Você a olha desconfiada. — Suas aulas de piano foram canceladas.

— O quê?! Mas por quê? — Pergunta exaltando-se.

— A família Shindou e a nossa tiveram um conflito. — Ela esclarece. É a sua vez de arquear a sobrancelha. — Não possuímos mais nenhum laço com eles. E você também não terá.

— Isso significa... — Você se prepara pra dar uma sugestão, mas é cortada.

— Que está proibida de ver ou de se aproximar daquele garoto. — Acrescenta deixando-lhe perplexa.

— Vocês brigam e os filhos que sofrem as consequências? — Sua mãe acena positivamente. — Só que o Shindou é meu amigo! — Esbraveja perdendo a paciência.

— A partir de agora não é mais. Ele e toda sua família são uns malditos. — Ela ofende amargamente.

— Não pode fazer isso! — Grita indignada.

— Posso e vou. — Ela declara em tom autoritário.

...

Duas semanas depois da fatídica conversa, você ainda não conseguira sequer vislumbrar a sombra de Shindou. Era seguida e vigiada em todos os lugares por mordomos, empregados e qualquer pessoa a seu redor. Sentia-se uma prisioneira de sua própria casa. Para você, tudo é injusto. Sua família a tratava como uma marionete de cordas. Selecionavam quem devia ser seus amigos, decidiam seu futuro e escolhas, obrigavam-na a fazer coisas que não queria.

Tristeza e decepção eram os sentimentos que dominavam seu corpo, ou melhor, sua alma. Seus ânimos decaíam à cada segundo. Nada mais lhe dava alegria, e seu entusiasmo estava praticamente abaixo de zero, sendo assim, não tinha mais vontade para nada. Só fazia algo quando era obrigada.

E para piorar, ninguém se importava com você. Todos a tratavam com indiferença e ignoravam seu estado mental, ou suas opiniões. Se por fora estava bem, então não há motivos para eles se preocuparem. Nessas horas que mais sentia falta de Takuto. Tinha certeza que se ele estivesse do seu lado, já estaria lhe fazendo mil perguntas preocupadas e tentaria animá-la.

Ah, como não sentir falta daquele rosto pacífico, junto dos olhos castanhos que a olhavam com ternura? Sem falar da voz serena, que saía como música pelos lábios dele. A aura ao redor do garoto repleta de harmonia era capaz de relaxá-la tirando qualquer sentimento negativo que a rodeava. Expulsava as trevas dando lugar à uma sensação de paz. No entanto, você acabava sentindo algo a mais.

Era quente e incomodava seu peito esquerdo. Não sabia explicar direito, mas aquilo de alguma forma a fazia sentir-se feliz. Porém, como não via Shindou a algum tempo, essas confortáveis sensações foram embora. E você se deu conta do quanto Takuto é especial em sua vida.

Uma lágrima teimosa escapou de seus olhos enquanto se esforçava para não chorar de tanta angústia. Sentia-se tão infeliz... Tão solitária...

Só queria seu pianista de volta.

...

Seu nome é chamado. Você entra no palco e se posiciona. A música toca e começas a dançar. Cada passo é executado de forma desanimada. Suas expressões eram tristes, às vezes frias. Sequer expressando algo. Sua professora te olhava indignada e brava com uma carranca, afinal, estava fazendo tudo errado.

Mas para você, pouco importava. Não conseguia sorrir nem dançar sem relembrar de sua tristeza. Provavelmente ia conquistar o décimo lugar. Talvez nem ao menos ser classificada, mas não fazia a mínima diferença. Mais tarde poderia aguentar as broncas e desaforos.

Terminando a coreografia, faz uma breve reverência. Contudo, leva um baita susto ao avistar uma cabeleira castanha e enrolada, juntamente de um par de olhos tão castanhos quanto os cabelos. O sorriso é o que chamava mais atenção, sem sombra de dúvida. Seu corpo paralisa. Sua mente se pergunta se não era uma ilusão. Você desperta do súbito transe quando ouve a voz dos juízes pedindo-a para se retirar do palco.

Nos camarins, sua professora praticamente gritava em seus ouvidos criticando tudo o que havia feito. Contudo, você a ignorava completamente. No momento seu foco estava no garoto que chamara sua atenção entre a plateia.

Como Shindou tinha chegado ali é a dúvida que pairava, mas o que você queria é correr e dar um abraço apertado de urso. Após ser autorizada a sair para tomar água, aproveita a chance pra procurá-lo.

Precisava falar com o Takuto e explicar tudo; dizer que sentia saudades, que sumira por causa de seus pais. Conversaria um monte de assuntos variados. O que tinha comido no café, por exemplo. Contaria novidades e perguntaria as dele, mas primeiramente pediria para ele tocar piano. Sentia muita falta das músicas tocadas por suas mãos de maestro.

Corredor a corredor, de sala em sala você procurava incessantemente. Não tinha tempo para fazer isso, visto que notariam seu sumiço e obviamente te caçariam como lobos atrás de um cordeiro.

— Achei você! — Seu braço é agarrado com força por sua professora. — Vai fugir de novo? Mas dessa vez não, nem pense que vou querer ouvir sua mãe reclamando pra mim! — Ela te leva de volta ao camarim. Enquanto tentavas desesperadamente se soltar, seus olhos veem exatamente quem queria.

— Shindou! — Você profere o nome, porém ele não escuta. A professora ao vê-lo, te puxa com mais força. — Você não pode se encontrar com esse garoto! — Ela vocifera, arrastando-lhe mais.

— Shindou! — Novamente o chama. — Shindou! — Apesar de o chamar várias vezes, ele não ouve. — TAKUTO! — Com toda a voz que possuía, grita o primeiro nome. Desta vez você finalmente ganha atenção.

— Já disse que não vai vê-lo! — A mulher grita, apertando seu braço, machucando-a.

— Vá se ferrar, sua velha carcomida! — Você a xinga e ofende. Em seguida dá uma pisada forte em seu pé e morde a mão dela, que geme de dor.

Você corre até o garoto, que pega sua mão tirando-a daquele lugar.

...

Na mansão de Shindou, fora recebida com o maior carinho pela família. Felizmente eles não pensavam da mesma maneira que a sua. Você ainda vestia seu figurino de dança. Ambos se dirigem à sala do piano. Era lá que ambos passavam a maior parte do tempo quando podiam se ver normalmente. Seus olhos reparam no quanto a sala ficava bonita à noite. As cortinas abertas possibilitavam ver a lua perfeitamente no céu. A luz da mesma trazia um brilho especial ao cômodo, sem falar do piano que dava o toque final. Enquanto admirava os detalhes vislumbrada, umas risadas vindas do Takuto chamam-lhe atenção.

— O que foi? — Você o questiona.

— Sua professora. Com certeza vai te matar na próxima aula. — Responde relembrando a cena anterior.

— Como se não fizesse isso todo dia. — Fala com desdém sentando-se em seguida no banquinho do piano. — Me obrigando a treinar até morrer, além de gritar o tempo inteiro em minha orelha.

— Tirando isso, você gosta de dançar? — Você balança a cabeça em sinal de não. — Não faz o menor sentido. Você dança muito bem e... Fica bonita vestida de bailarina. — A última frase é proferida com dificuldade pelo moreno.

Você agradece o elogio igualmente sem graça. Shindou senta-se do seu lado. Ambos se põem a observar a lua em um longo silêncio, o qual começa a se tornar incômodo. Por alguma razão desconhecida, um grande constrangimento, talvez até uma espécie de nervosismo, ao mesmo tempo passava para uma ansiedade. Não fazia ideia de como descrever. Se perguntava o que estava causando isto em você. O mais estranho era o fato de que começou a sentir tudo isso agora.

— Senti saudades. — Você diz quebrando o gelo para afastar os pensamentos.

— Eu também. — Ele responde olhando fundo em seus olhos. Um belo brilho de sinceridade podia ser visto nas orbes dele, a mesma coisa com a voz.

— Shindou. — O chama atraindo sua atenção. — Toque para mim?

— Não. — Ele nega o pedido, te deixando atônita e se levanta ficando à sua frente estendendo a mão. — Primeiro me concede essa dança?

— O quê? — Questiona para confirmar se ouvira direito. Um sorriso divertido aparece em seus lábios.

— Atenderei seu pedido somente se dançar comigo. — É a vez dele esbanjar um enorme e humilde sorriso.

Sem hesitar, aceita o convite se levantando ainda mais sorridente. Enquanto sua mão ia para um dos ombros do moreno, a dele desliza direto para sua cintura. Inevitavelmente você treme e rapidamente disfarça torcendo para que ele não tenha percebido.

Um passo pra lá, outro pra cá. Não havia música, se alguém os visse, iria rir ou achar esquisito, mas, para vocês não fazia diferença. Ambos se divertiam. Seus olhos evitavam encontrar com os castanhos dele. Uma quentura atinge seu rosto, borboletas eram sentidas bagunçando seu rosto. Uma ideia logo surge em sua mente.

"Pois é, estou apaixonada pelo Takuto." — Confessa a si mesma não deixando de ficar feliz com o pensamento, que logo dá lugar a um melancólico. A essa hora, seus pais estariam desesperados e raivosos atrás de você. Esta poderia ser a última vez que ia ver o pianista.

— Eu realmente senti muito a sua falta. — A voz de Takuto corta seu raciocínio.

— Pena que não podemos nos ver mais... — Você informa desfazendo o sorriso.

— E... Se eu perguntasse, você quer fugir comigo? Qual seria sua resposta?

— Nani?! S-shindou, isso é... Loucura! — Responde assustada. Ele pretendia fugir com você? Não podiam fazer isso. Para onde iam, ou como iriam viver? A situação não é tão grave assim. Mais importante, por que uma proposta dessas se são apenas amigos? — Assim faz soar como se fôssemos amantes. — Com um riso você diz.

— Eu sei, só estou perguntando por curiosidade. — Explica constrangido pela acusação. — O que diria se fosse verdade?

— Se este é o caso, eu diria... Sim, quero fugir com você, Takuto.

Sem nenhum aviso, ele te envolve num aconchegante abraço, o qual é correspondido carinhosamente por você. Em seguida um beijo é depositado em sua bochecha. Mesmo sendo algo de amigos, você não pôde negar que gostaria de mais um.

— E se você me perguntasse, eu responderia a mesma coisa. — Takuto confessa de forma amável.

Sob a luz da lua, o pianista e a bailarina desfrutavam um momento que era apenas deles.

Notas finais
Sumimasen - Desculpa (outra forma de desculpa) Dessa vez não teve beijo :/ Mas eu achei que uma cena de beijo não ''ornaria'' com a essência do enredo então... Ah, sim, hoje irei postar dois caps, pelo simples motivo, razão ou circunstância de que estou com vontade :P Então, vamos ao próximo. >>>