A Chance

11 Capítulo 11


O vento entra cauteloso pela janela, tocando o rosto de Beatriz que abre os olhos e se depara com o rosto preocupado de Hugo, fazendo com que ela feche seus olhos demoradamente, os abrindo em seguida, vendo então Flávio com a mesma expressão. Ele esfrega seu pulso, delicadamente.

— Ela acordou – avisa Flávio em inglês, aliviado, indicando que não estão sozinhos.

Ela olha ao redor e percebe que está em sua suíte, o que a faz questionar como tinha voltado para o hotel. Logo atrás de Flávio surge um homem com traços locais, usa uma roupa branca e óculos, seu crachá mostra que ele é médico do hotel.

— Consegue me ouvir, senhora? – pergunta o médico em inglês, mas não tinha sotaque como os outros funcionários. Depois de Beatriz balançar a cabeça, confirmando, ele pergunta — Sabe onde está?

— No meu quarto – murmura fazendo careta ao tentar levantar um pouco da cama. O quarto gira, quando ela tenta fazer isso.

— Muito bem – diz o médico. Ele encosta-se ao ombro de Flávio — Posso me sentar aí? Preciso fazer alguns exames e perguntas.

Flávio consente levantando e indo para o outro lado da cama, sendo seguido pelo olhar atento de Beatriz, onde senta. O médico pega a lanterna e posiciona acesa nos olhos de Beatriz. Depois coloca as mãos na parte de trás da cabeça de Bia e também no pescoço.

— Sente alguma dor? – pergunta o médico olhando fixamente para Beatriz.

— Não, mas ainda vejo o quarto rodando – murmura Beatriz se arrumando um pouco melhor.

— Já aconteceu algo parecido antes? – pergunta o médico anotando algo em um papel — Recorda-se do que sentiu antes do desmaio?

— Não, nunca. Eu estava em pânico, comecei a sentir muito calor e falta de ar. Eu não tinha ideia de onde estava depois tudo girou e ficou escuro…. – responde Bia gesticulando com as mãos.

— Certo – diz o médico a interrompendo — Quando foi à última vez que veio sua menstruação?

— O quê? – grita Beatriz levantando seu tronco, assustando o médico — Mas que pergunta é essa? Por que precisa saber disso?

— Estou analisando as possibilidades, senhora Wilkinson – responde o médico, rispidamente — Até o momento temos três: labirintite, insolação e, o que eu acredito ser a mais lógica, gravidez.

— Será que Allá nos abençoou? – pergunta Flávio com cinismo. Ele está adorando a irritação de Beatriz. Coloca a mão na barriga dela e continua com sua encenação — Espero que seja verdade, assim não preciso pegar outra esposa.

— Pare com isso, Flávio. Você sabe que isso é impossível – alega Beatriz rangendo os dentes. Olha para o médico e diz em inglês — Eu não estou grávida, tenho certeza.

— Como pode ter tanta certeza? – pergunta o médico — Existem mulheres que não sabem que estão grávidas, até completarem o sexto mês de gestação.

— Eu tenho certeza porque – respira fundo e mente — Nós tivemos a nossa primeira relação ontem. Não sei se o meu habib disse, mas nós somos recém-casados... Então nem se Allá quisesse, eu poderia estar grávida.

— Ahhhhhh – solta o médico. Ele se vira para Flávio que faz cara de inocente.

— Sempre disseram que Allá faz milagres. Achei que ele já tinha atendido as minhas preces – defende-se Flávio do olhar irritado do médico.

— Também descarto labirintite. Você teve insolação, pois não deve estar acostumada com o clima daqui, muito menos nessa época de calor. Somado a isso, temos a diferença de altitude. Ficará bem logo – garante o médico levantando da cama. Destaca uma receita e entrega para Flávio — Essa noite preciso que descanse e beba muito líquido. Qualquer febre ou sintoma diferente, peçam para me acionar.

— Obrigada, doutor – agradece Beatriz.

— Muito obrigado, doutor – diz Flávio levantando da cama e acompanhando o médico até a porta do quarto — Shukran Guedann9! – fecha a porta olha para Beatriz que o encara irritada. Ele pergunta — O que foi?

— O que raios você falou para o médico agora? – pergunta, emburrada.

— Nada de mais – responde se jogando na cama do lado dela. Ela o fuzila com os olhos, então ele confessa —Tudo bem, eu disse para ele que iria trocá-la por um camelo e perguntei se tinha alguém para me indicar.

— Mentiroso! – acusa Beatriz tentando não sorrir e empurrando Flávio com o ombro e então fica séria, com a dúvida de aquilo ser possível ou não. — Isso é possível?

— Sim – responde sério, olhando para ela — Se vivêssemos aqui em 1910, eu facilmente conseguiria uns dois camelos por você.

— Quer dizer que hoje não é mais assim? – pergunta Beatriz, aliviada.

— Felizmente o Egito mudou bastante, mas não sei quanto – responde lorde Wilkinson sentando na cama com a expressão fechada — Que merda foi essa de você andar pelo mercado, ainda mais sozinha?

— Desculpe-me , mas eu fiquei impressionada com eles rezando que nem me dei conta que tinha me afastado de você – responde Beatriz com um ar inocente — Não fiz por mal.

— Eles rezam cinco vezes ao dia… Se for se perder a cada vez, prefiro que fique no hotel. Você teve sorte que consegui te encontrar…Se tivesse acontecido algo com você… Eu… – Fecha os olhos e os abre novamente — Existem pessoas ruins aqui, assim como no Brasil. Quando eu digo para você tomar cuidado, não se afastar, entre outras coisas, digo para o seu bem. Espero que nunca mais faça isso.

— Desculpa, prometo escutar você – promete ela, arrependida— Como conseguiu me encontrar?

— Eu conheço muito bem o mercado. Além disso, um rapaz de uma das lojas, com a ajuda de algumas pessoas, a recolheu e saiu perguntando se alguém a conhecia – ele deita novamente e suspira — É muito difícil ser seu marido.

— Acho que é por isso que tem um se separando de mim – responde ela, pensativa, encostando no ombro dele — Você também pode fazer isso quando quiser.

— Não, qualquer coisa eu dou um jeito de pegar uma segunda esposa – diz com um sorriso no canto da boca, enquanto acaricia os cabelos de Beatriz — Sabe, para extravasar quando você me deixar irritado.

— Como quiser – concorda Beatriz que logo, em seguida, pergunta — O que deu da estátua?

— Meu cliente não está nada contente, mas o Ramsés conseguiu falar com o amigo dele, Zaid. Amanhã vou à loja dele verificar se ele a tem ou se sabe quem tem.

— Quer que eu vá com você? – pergunta olhando para ele.

— De jeito nenhum – recusa Flávio — Ficará descansando aqui no hotel aproveitando as maravilhas que ele tem a oferecer.

— Mas… – tenta dizer Bia sendo interrompida pelos dedos de Flávio em seus lábios.

— Não, sem discussão – encerra Flávio.

Ele a olha, aproximando seu rosto lentamente da face de Beatriz, enquanto o acaricia. Dessa vez, Beatriz decide não se afastar, inebriada pelo hálito de menta de Flávio. Fecha seus olhos, já consegue sentir os lábios dele.

— O Jantar da Senhora Wilkinson – avisa o mordomo entrando com o carrinho, abruptamente, interrompendo os dois. Quando ele percebe que entrou no momento errado, abaixa a cabeça e diz — Peço mil desculpas, mas o senhor Wilkinson pediu para eu trazer a comida diretamente para o quarto.

— Tudo bem, Ur-Atum – diz Beatriz vermelha, se afastando do Flávio. Ela levanta devagar da cama e vai até o carrinho — Coloque na mesa, por favor – o mordomo coloca e sai rapidamente. Então se vira para o Flávio dizendo — Eu vou tomar banho agora, comer e descansar. Será que você poderia…

— Claro – responde Flávio entendo o recado. Pula da cama e vai em direção a porta — Qualquer coisa, estarei no meu quarto.

— Tudo bem – sussurra Bia enquanto fecha a porta.

Ela se joga na cama e abraça o travesseiro. Fica pensando no que aconteceu, tocando os lábios. Preciso lutar pelo que eu quero, mas o que eu quero?

***

A piscina do hotel é atraente para aquele belo dia de sol, porém Beatriz está sem ânimo algum . Isso devido ao fato de Flávio ter saído sem se despedir dela. Como não queria ficar no quarto, mas não quer entrar na piscina, decide encontrar algo para ler em seu tablet. Depois de procurar por vários e-books, acaba encontrando um que a chama atenção: De olhos Vendados. A sinopse do livro conta a história de Lara, uma mulher de 28 anos, divorciada que começava uma nova fase em sua vida e estava focada em seu trabalho e arte.

A história foi um tapa na cara de Beatriz, que naquele momento está com as faces vermelhas. Lara é mais jovem que Beatriz e tinha conseguido tocar a vida, ao contrário dela que nem sabe o que quer.

Apesar de a sinopse dizer que Lara estava insegura e confusa, Beatriz percebe que aquilo não a impediu de arriscar e decidir o que queria. Lara não parou no tempo, mas ela sim. Depois de ler alguns capítulos, obcecadamente, Beatriz chega à seguinte conclusão: está desperdiçando sua vida e a de Hugo. Ele não a amava e mesmo que ela o amasse, não poderia impedir de seguir a vida dele. Ela decide subir para o quarto: tem uma decisão a tomar.

***

Beatriz nem bem pega em seu celular e ele toca, a surpreendendo. No visor aparece o nome de Mariane.

— Oi Mari, já ia te ligar. Como estão as coisas? – pergunta Beatriz deitando na cama.

— Nada boas. O Hugo decidiu dar uma entrevista para aquele programa, “Gente como a gente”. A chamada do programa diz que ele vai revelar segredos do casamento de vocês. E, mais: Vai contar que estão separados há mais de um ano e você não quer dar o divórcio. Além de já ter conhecimento da noiva dele... E do filho que estão esperando.

Beatriz fica paralisada por alguns momentos, as últimas palavras de Mari foram cruéis, ainda mais quando ela disse que Hugo declarou estar noivo e será pai.

— Beatriz, você está aí? Temos uma decisão a tomar. Teria como você voltar antes da viagem para definirmos uma nova estratégia? Estava pensando em marcar uma entrevista com eles também e você contar sua versão, o que acha? Bia?

— Contou isso para minha mãe? – pergunta Beatriz, preocupada, indo para a sacada.

— Não, mas acho que ela já deve ter assistido ou escutado algo a respeito. Por quê?

— Sob nenhuma hipótese dê o meu número para ela – ordena Beatriz — Vamos fazer o seguinte: Entre em contato com o meu advogado e peça para que ele prepare a papelada do divórcio. Antes disso, vá até a minha casa, pegue um dos papéis de divórcio que o Hugo me enviou e leve com você. Peça para ele analisar as condições da separação. Depois, encaminhem uma cópia para Hugo e outra para mim.

— Tem certeza disso? Vai separar mesmo dele?

— Já está na hora de eu seguir minha vida e ele a dele. Ele não quer mais e está bem claro. Faça o que eu pedi. Falamo-nos depois.

— O que ia falar comigo?

— Era exatamente isso. Tenho de desligar. Tchau – finaliza Beatriz desligando o telefone sem esperar Mari se despedir.

Quer sentir que aquilo não a afeta, mas é mentira. Senta na sacada e deixa as lágrimas rolarem. O vento as espalha pelo seu rosto, enquanto ela mexe em sua aliança. Um ciclo de sua vida que lutou tanto para não ter fim, se fechou. Olha para o Nilo que corre lentamente, alheio a sua dor. Ela precisa seguir em frente, como o rio, como Lara, como ela mesma.

— Bee? Você está aí? – pergunta Flávio, longe.

— Estou na sacada – grita Beatriz limpando o rosto, pois não quer que ele a veja chorando.

Não demorou muito para ele aparecer na sacada, vestindo uma camisa de manga comprida bege e uma bermuda, seus cabelos são desgrenhados pelo vento.

— Está tudo bem? – pergunta sentando na cadeira ao lado, olhando para o Nilo.

— Mais ou menos – responde Bia, sem dar detalhes. — Como foi seu dia?

— Interessante. Fui até Zaid e ele disse que infelizmente não tinha a estátua que eu queria – responde Flávio.

— Então não deu certo, de novo? – pergunta Beatriz olhando para ele.

— Não, deu muito melhor – corrige Flávio a encarando sorrindo — Ele tem a estátua de Osíris, uma estátua raríssima. Estamos acertando os detalhes, pois ele tem muitas ofertas. Tenho de esperar a resposta dele até sexta.

— Fico muito feliz por você – diz Beatriz tentando sorrir.

— Não parece – comenta Flávio franzindo a testa — O que foi?

— Eu pedi o divórcio hoje – responde Beatriz mexendo na aliança, cabisbaixa — Estarei divorciada antes de voltar para casa.

— Gostaria de dizer que sinto muito, mas mentiria –Flávio, sincero. — O que está sentindo?

— Eu não sei. É um misto de tristeza e alívio. Não sei explicar – Esboça um sorriso — Não quero falar de mim, hoje é seu dia.

— Já sei, vamos jantar no restaurante. Estou lhe convidando.

— Eu acabei de me separar e você já quer um encontro? – pergunta Beatriz, perplexa.

— Na verdade, será um não encontro – corrige o lorde.

— Como seria isso? – pergunta Beatriz, desconfiada.

— Apenas se arrume, por ora – pede Flávio se levantando — Revelo mais a respeito, depois. Encontro com você no elevador às 20 horas.

— Eu posso me atrasar? Já que não é um encontro… – argumenta Beatriz.

— Pode, farei reserva paras às 21 horas. Só não se atrase muito, no não encontro, os homens podem deixar as mulheres para trás e irem comer sozinhos.

— Você não faria isso, faria? – pergunta Beatriz se levantando.

Flávio chega bem perto dela, toca em seus cabelos e chega bem seu rosto perto de seu ouvido:

— Pague para ver – sussurra no ouvido de Beatriz. Então se afasta,cantarolando.

***

A cama de Beatriz está repleta com vários de seus vestidos, ela sabe que tem pouco tempo, mas não consegue decidir por nenhum deles. O que será que devo vestir em um não encontro? pergunta a si mesma olhando para todos eles. Então vê seu tablet na cabeceira da cama. O que Lara faria? pensa enquanto abre a página do livro novamente. Vai ao capítulo que parou e continua lendo um pouco mais rápido, fazendo com que encontre a resposta que deseja:

“(...) Somos adultos e vacinados. Que mal há em termos um pouco de diversão (...)”.

Ela dá um meio sorriso para o tablet como se ele fosse a Lara em pessoa. Sabe exatamente o que vestir, agora. Revira a cama até encontrar um vestido branco de cetim curto que tem um generoso decote até o início de sua barriga e mangas compridas, sua saia com dobras laterais iam até dois palmos a cima dos joelhos. Comprou para um momento romântico com Hugo, que nunca aconteceu. Pega seu par de sapatos de salto preto e sola vermelha, característica dos sapatos Louboutin, e calça. Vai até o banheiro e prende os cabelos em um coque solto.

Escolhe um par de brincos de argola em ouro branco e uma pulseira simples, depois foi a vez do anel que combinaria com tudo aquilo. Pega um anel de safira e o coloca no dedo, percebendo novamente que a aliança ainda está em sua mão. Sem pensar muito, ela tira e coloca na caixa de joias, guardando no cofre do quarto. Passa um rímel que deixe seus olhos em destaque, blush e batons de leve. Olha para o espelho e sorri: está pronta para o não encontro de Flávio. Olha para o relógio no criado-mudo e nota que está atrasada por dez minutos, então pega sua bolsa branca da Chanel e sai apressada do quarto.

Assim que fecha a porta da suíte, encontra Flávio de costas para a porta, apertando o botão de descer do elevador. Ele realmente cumpre o que fala, pensa Beatriz analisando o belo terno preto que Flávio veste.Sorri ao mesmo tempo que para ao lado dele, o ignorando, o que faz o antiquário sorrir de canto e olhá-la de lado.

— Você vem sempre aqui? – pergunta Flávio, fingindo que não a conhece.

— Nem sempre. Estou a passeio na cidade – responde Beatriz entrando na brincadeira — Com um amigo.

— Como pode seu amigo deixar uma gata, como você, sozinha? – pergunta Flávio mordendo os lábios, indignado.

— Pois é, ele não sabe o que está perdendo – responde Beatriz sorrindo de forma enigmática sem encará-lo.

Finalmente o elevador chega e Beatriz olha de relance para Flávio. Pela expressão dele, ela está sexy, conforme o esperado. Ele dá um passo para o lado, a deixando entrar primeiro. “Que cavalheiro” pensa Beatriz. Quando ela se vira não consegue deixar de notar que Flávio ajeitou algo em sua calça, a fazendo corar.

— Você não sabe o quanto é difícil manter o controle quando estou ao seu lado – justifica Flávio parando ao lado dela. Aquele cheiro pós-barba que vinha dele, a deixa louca.

Você nem imagina o quanto te entendo, pensa Beatriz sorrindo por dentro.

***

— Você não me disse ainda como funciona um não encontro – come Beatriz sorrindo, enquanto come a azeitona de seu terceiro Martíni, sensualmente.

Eles estão sentados próximos a uma das janelas que tem, como cortinas, as águas do Rio Nilo. A mesa é de madeira maciça envernizada bem como as cadeiras que possuem um belo estofado vinho. Já estão quase terminando o jantar e Flávio não havia explicado ainda, como um não encontro funciona.

— É bem simples: tudo o que não ocorre em um encontro – responde Flávio com um sorriso malicioso.

— Eu nunca estive em um encontro antes – confessa Beatriz limpando os lábios no guardanapo.

— Como assim? – pergunta Flávio, incrédulo — Impossível uma mulher como você não ter ido a um único encontro, na vida.

— Eu e Hugo nunca tivemos um encontro – explica Bia com a voz triste — Nos conhecemos jovens… Você conhece a história. Ele nunca gostou de sair para “encontros”, pois não tinha condições de pagar por eles. E durante os anos que se seguiram…. Eu não quero falar sobre isso. – dá um sorriso sem graça — Acho que isso não é assunto para um não encontro.

— Tudo bem – Flávio bebendo um pouco de seu vinho — Bom, o não encontro funciona da seguinte forma: Sem máscaras, vamos falar sobre assuntos que jamais falaríamos se estivéssemos em um encontro.

— Menos esse – reforça Beatriz se referindo ao assunto anterior.

— Menos esse – confirma Flávio sorrindo — Eu vou começar, por favor, não fique brava.

— Tentarei não ficar – afirma Bee prestando atenção.

— Sabe… Eu não preciso dizer a ninguém que é minha esposa. Eles não estão nem aí sobre o que somos um para o outro, não ligam para isso.

— Por que fez isso? Por que falou para todo mundo que era meu marido? – pergunta Beatriz, indignada.

— Porque eu quis – responde Flávio tranquilo, sem se importar com a indignação de Beatriz. Então ele dá os ombros e continua — Eu queria saber como era ser seu marido.

— E então, o que achou? – pergunta Beatriz tomando o restante da sua bebida — Trocar-me-ia por dois camelos?

— Por três – zomba Flávio — Brincadeira, eu venho gostando muito. Sua vez.

— Eu não faço sexo com alguém tem 385 dias – solta Beatriz que coloca a mão na boca mostrando que não é bem aquilo que gostaria de ter dito. Lembra-se do que a Sônia sempre diz para ela: Quando o álcool entra, a verdade sai. — Desculpe-me, não era bem isso o que eu ia dizer…

— Ahahahahahaha – Gargalha Flávio. Ele se encosta relaxado na cadeira enquanto roda sua taça entre os dedos — Adoro essa sua imprevisibilidade. Seguindo o tema proposto: Fiquei de pau duro quando a vi toda gostosa nesse vestido branco.

— Eu sei – responde Beatriz colocando seu cabelo para trás da orelha — Conte-me uma novidade.

— Ainda estou. Se você soubesse o quanto eu desejo te jogar nessa mesa, arrancar o seu vestido, tocar seu corpo com os lábios e fazer amor até compensar esses 385 dias, já estaríamos pedindo a conta – revela Flávio, malicioso. Ele nota que Beatriz fica vermelha e está mordendo seus lábios. — Se continuar me provocando assim, terei que fazer isso aqui e agora.

— Eu duvido – provoca Beatriz mordendo os lábios e aproximando seu rosto do Flávio. Para no meio do caminho quando o vê quase salivando de desejo. Sorri, encostando em sua cadeira— Estou brincando. Acho melhor irmos para o quarto…. O Martíni subiu um pouco à minha cabeça e não sei do que sou capaz no presente momento.

— Quer descobrir? – pergunta Flávio pedindo a conta para o garçom sem tirar os olhos de Beatriz — A noite é uma criança.

— Isso é um convite? – questiona Beatriz, provocante. Tem certeza que aquela sua coragem vem da bebida.

O garçom chega e passa conta para Flávio que assina. Assim que vira, para responder a pergunta de Beatriz, percebe que ela já está indo para o elevador e vai atrás dela. Porém, Bee aperta os passos e entra no elevador, dando tchau para ele, enquanto a porta se fecha. Beatriz não se divertia assim há muito tempo, mas não tem tanta certeza se transar com Flávio é o certo naquele momento.

Desce do elevador, pega a chave da porta da suíte a abrindo. Nem bem abre a porta sua mão é puxada, forçando a fechá-la novamente.

— Como chegou tão rápido? – pergunta Beatriz, surpresa.

— Elevador de serviço – responde Flávio — Muito útil para o caso da sua parceira fugir de um encontro.

— Achei que fosse um não encontro – lembra Beatriz girando o corpo em direção a Flávio.

— E é, tanto que me esqueci de lhe informar uma coisa: Existe uma regra no primeiro não encontro – diz Flávio encostando Beatriz na porta do quarto — Deve-se transar ao final dele.

— Humm, é mesmo? Que conveniente para você – provoca Beatriz. Ela toca nos braços de Flávio e pergunta, com um olhar inocente — E se eu me recusar?

— Regras são regras e devemos segui-las – explica Flávio, pressionando o corpo contra o dela.

Antes que Beatriz consiga dizer algo, ele rasga seu vestido.

Notas finais
9 Muito obrigado.