A Chance
35 Capítulo 34
A festa de inauguração da Decor & Salto Alto está repleta de amigos, familiares e repórteres. Assim que Sônia e Beatriz chegam ao evento todos as cercaram, fotografando as donas da loja de decoração e serviços. Enquanto Sônia cumprimenta os convidados, Beatriz atende ao pedido dos jornalistas:
— Depois de muito tempo finalmente a Decor & Salto Alto está aberta, como você se sente?
— Sinto-me completa, acho que é um sonho realizado e começo de uma carreira que dará certo – responde Beatriz sorrindo.
— Que ano, Beatriz! Todos nós acompanhamos sua trajetória tanto profissional quanto pessoal e a reviravolta que você deu. Como conseguiu passar por tudo isso? – pergunta o rapaz estendendo o microfone na direção de Beatriz.
— Com muito apoio, da família, da minha psicóloga, da Sônia... De muita gente... Vou deixar um pouco dos agradecimentos para o discurso. Acho que todos nós passamos por momentos difíceis e sempre damos um jeito de superar mesmo que tenhamos de sacrificar algumas coisas.
— Você está falando do seu divórcio? – questiona o repórter.
—Foi muito mais que isso – responde Beatriz, evasiva — Se me der licença, tenho pessoas a quem cumprimentar, aproveite a festa.
Ela caminha em direção ao centro do local, cumprimentando as pessoas em seu caminho. Ao seu lado, Sônia para com duas taças de champanhe, oferecendo uma a Bia que agradece com um sorriso.
— Boa noite a todos – fala Sônia sorridente chamando atenção dos convidados — É com muita alegria que nós damos abertura ao nosso sonho finalmente concretizado... A nossa primeira loja Decor & Salto Alto que é o início da parceria entre duas amigas, praticamente irmãs em busca de oferecer o melhor em decoração a todos os lares do Rio de Janeiro , em breve do Brasil e se Deus quiser, estaremos no mundo inteiro. Muito obrigada e Bem vindos. Com a palavra, Beatriz Gouvêa.
— Boa noite a todos – Beatriz interrompendo as palmas — Eu só tenho a agradecer por vocês estarem aqui prestigiando a nossa inauguração. Eu agradeço a Sônia que me deu esse apoio e hoje é minha sócia, a minha mãe que investiu no negócio. A minha querida psicóloga, Sandra, que veio me acompanhando nesse processo, acho que sem ela me orientando na parte emocional não teríamos conseguido abrir no prazo – todos começam a bater palmas, enquanto Beatriz respira fundo — E tem mais uma pessoa... Que infelizmente não está aqui hoje, mas a quem eu devo tudo, ela me fez enxergar quem realmente sou e o que queria para mim. Essa pessoa foi muito importante, sem ela nada disso teria acontecido... Eu não estaria aqui... Então eu agradeço de todo o meu coração a ele... Por me fazer uma pessoa melhor mesmo ausente. Obrigada a todos e divirtam-se.
Ela bebe um gole do champanhe, tentando conter as lágrimas. Sônia a abraça, solidária a sua dor. Ela segura na mão da amiga e sorri.
— Tem notícias... Dele? – pergunta Beatriz, nervosa.
— Você sabe que não. A tia não quer me contar e aparentemente proibiu a todos de falar qualquer coisa sobre o Flávio, até para minha mãe. Além dele não me atender.
— Quando sua mãe vai chegar? – pergunta Beatriz terminando com o champanhe.
— Ela não vem – responde Sônia tomando o champanhe — Ela não quer olhar na minha cara, pois acredita fielmente que foi você quem me desencaminhou... Já que eu quero o mundo... Ela simplesmente disse que não falaria mais comigo.
— Eu sinto muito – Beatriz segurando na mão da amiga em solidariedade.
— E a sua? É um milagre ela não está infernizando você aqui – comenta Sônia olhando ao redor.
— Ela foi para Manaus, eu te contei que a empresa do meu pai vai abrir novas franquias na região Norte – recorda Beatriz — Ela fez questão de acompanhar o processo burocrático...
— Ou não quis ver a desonra que a filha trouxe para dentro do lar ao se recusar aceitar ficar no grupo – sugere Sônia, zombando da amiga.
— Muito engraçada, você – comenta Beatriz fazendo careta.
— Boa noite.
Beatriz se vira encarando uma bela mulher de cabelo pretos de corte Chanel e olhos azuis. Ela veste um belo terno preto e saia da mesma cor. Tem aparência mais jovem do que as duas amigas , além dos traços europeus harmonizando com a pele branca.
— Boa noite – respondem as duas ao mesmo tempo, desconhecendo quem era a jovem.
— Meu nome é Jaylen – apresenta-se a moça de forte sotaque britânico estendendo a mão para Sônia que a cumprimenta e depois para Beatriz — Sou diretora de interiores do grupo Candy & Candy e ficamos sabendo da sua inauguração. Parabéns.
— Obrigada – agradece Beatriz sem entender como uma representante do grupo Candy & Candy ficou sabendo da inauguração.
— Muito obrigada – agradece Sônia arqueando a sobrancelha — Então... ?
— Estou aqui para conhece melhor o trabalho de vocês e como pretendem atuar no mercado de design de interiores. Eu sei que parece precipitado falar de negócios em plena inauguração, mas recebemos ótimas referências a respeito do empreendimento e tanto Christian Candy quanto Nick Candy, desejam fazer negócios com vocês.
— Que tipo de negócios? – pergunta Sônia, curiosa.
— Uma parceria com nosso grupo que oferecerá exclusividade para atuar com nossos clientes aqui no Rio de Janeiro e até mesmo em outros lugares do Brasil.
— Proposta interessante – comenta Beatriz, empolgada.
— Com certeza, eles não são de fazer esse tipo de proposta a ninguém – alega Jaylen.
— Então onde nós assinamos? – pergunta Sônia com um sorriso de ponta a ponta.
— Antes, nós teremos de acompanhar o trabalho de vocês por um tempo, para conferir os resultados, verificar como é o andamento do mercado brasileiro na área, o retorno financeiro e como vocês trabalharão para que a loja tenha sucesso.
— Quanto tempo? – pergunta Beatriz.
—Geralmente eles demoram de três a oito meses para fechar um acordo, mas se vocês têm realmente potencial, como já foi informado, mês que vem começamos um primeiro contrato que será renovado a cada seis meses.
— E se não conseguirmos cumprir dentro desse prazo? – pergunta Beatriz, olhando para Jaylen.
— Então não fechamos o acordo e vocês serão independentes.
— Mas teremos uma nova chance? – questiona Sônia — De provar que temos capacidade de nos unir ao grupo.
— Não, o grupo não é tão flexível a esse ponto. Por isso só terão uma chance.
— O que acha? – pergunta Sônia à Beatriz — Devemos arriscar?
— Jaylen – chama Beatriz, confiante — Nós aceitamos.
— Tem certeza? – pergunta Jaylen — Sabe que é um acordo sem volta.
— Absoluta. Eu confio plenamente na nossa empresa e sei que a nossa parceria dará muitos frutos.
— Ótimo – exclama Jaylen sorrindo — Vejo que vocês possuem a audácia de que nós precisamos. Espero que realmente consigam provar esse valor e fazer essa parceria gerir muito sucesso.
— Com certeza – afirma Beatriz.
— Parabéns mais uma vez pelo evento e até breve – finaliza Jaylen se afastando.
— Divirta-se – comenta Sônia. Ela arregala os olhos para Beatriz sem acreditar na conversa que tiveram até alguns minutos.
— Candy & Candy! – grita as duas ao mesmo tempo sorrindo.
— Quem diria que conseguiríamos algo assim – comenta Beatriz tomando um gole de champanhe.
— Quem diria que você aceitaria prontamente. Quem te viu quem te vê.
— Espero que isso tenha sido um elogio – sugere Beatriz.
— Pode ter certeza que foi – afirma Sônia. Ela olha para a multidão— Amiga eu vou ali conversar com os repórteres e já volto.
— Repórteres? – questiona Beatriz se virando para enxergar o alvo de Sônia. Ela logo percebe que o interesse da amiga era um belo negro, olhos cor de âmbar e era fotógrafo de uma das revistas ali presentes. Ele encara as duas e sorri. Beatriz cutuca a amiga — Vai lá fazer a entrevista.
— Pode ter certeza que darei o meu melhor – Sônia piscando maliciosamente e andando em direção ao deus de ébano.
Beatriz vai até o garçom e pega mais uma taça. Fica contemplando a festa, a alegria das pessoas e como a loja está bonita. Ela olha para seu anel e sorri tristemente. “Queria que você estivesse aqui”...
— Bia...
— Hugo – responde Beatriz sorrindo — Achei que não viria...
— Por que não? – pergunta Hugo, confuso — A gente combinou isso tem muito tempo.
— Sim... – Beatriz mordendo o lábio — E o momento chegou.
— Pois é! – exclama Hugo, nervoso.
— Bom... Acho que daqui uns vinte minutos nós poderemos ir – avisa Beatriz se lembrando da promessa.
— Então... – começa Hugo coçando a cabeça — Eu não poderei ir ... Sinto muito.
— Tudo bem... – responde Beatriz — Marcamos outro dia, então.
— Bia... Eu vim aqui dizer que estou saindo da empresa – confessa Hugo sem jeito — Eu não vou mais te representar. Desculpa.
— Por quê? – pergunta Beatriz, preocupada — Foi alguma coisa que a minha mãe fez? Ela te maltratou? Eu falo com ela, não precisa sair se for isso...
— O problema não é esse... – responde Hugo, cabisbaixo.
— Então qual é o problema? – pergunta Beatriz, nervosa.
— O problema é você... Nós... Eu não posso ficar perto de você – confessa Hugo, nervoso — Eu achei que conseguiria fingir que está tudo bem... Fingir que nada aconteceu, mas... Eu não consigo com você por perto. Eu decidi ir embora da cidade e recomeçar. Não há mais nada que me prenda aqui... Além de você.
— Aonde está querendo chegar, Hugo? – pergunta Beatriz, preocupada.
— Eu só não vou embora... Se você pedir para eu ficar – revela Hugo — Se você pedir, eu fico.
— Não posso fazer isso... Eu tenho uma grande estima por você, mas não... – nega Beatriz.
— Ahahahahahaha – gargalha Hugo fazendo Beatriz franzir a testa — eu estava brincando com você. Quer dizer, pelo menos a parte em que se você pedisse, eu ficaria.
— O quê? – questiona Beatriz, confusa — Como assim?
— Eu recebi uma proposta de emprego de uma empresa para trabalhar em Belo Horizonte... E eu aceitei. Eu não tenho nada que me prenda aqui e quero recomeçar. Acho que é uma oportunidade incrível e quem sabe encontre o que procuro lá.
— Isso é ótimo – Beatriz sorrindo e abraçando o Hugo — Fico muito feliz por você.
— Que bom – afirma Hugo se afastando do abraço — Mas não se preocupe, eu e a sua mãe encontramos alguém para tomar conta dos seus negócios. O nome dele é Bruno, se quiser marco uma entrevista amanhã...
— Não precisa – afirma Beatriz — Eu confio em vocês... Ainda mais que foi algo em que você e a minha mãe concordaram... O que é um milagre.
— Pois é , mas devo admitir que sua mãe não é uma pessoa tão má assim. Ela só defende o que é do marido.
— Você está bem? –Beatriz medindo a temperatura da testa de Hugo — A minha mãe soltou algum feitiço em você?
— Não... Ela só me fez ver que eu posso ser mais e querer mais. Buscar algo para mim...
— Bom, nós deveríamos comemorar essa sua nova oportunidade – comenta Beatriz sorrindo.
— Não posso, eu embarco daqui uma hora – recusa Hugo olhando para o relógio — Eu só vim mesmo falar com você antes de partir.
— Obrigada por vir – agradece Beatriz, emocionada — Obrigada por tudo... Sentirei a sua falta. Muita falta. Mas sei que é o melhor para você e com certeza fará sucesso em Belo Horizonte.
— Obrigado – responde Hugo, emocionado.
—Antes de ir... Eu posso te fazer uma pergunta que martela em minha cabeça há algum tempo? – pergunta Beatriz, nervosa.
— Claro, o que quiser – responde Hugo.
— Por que contou da traição do Jorge para Sônia? E quem era a mulher que ele estava se envolvendo?
— Só tem uma resposta para isso. Ele e a Lúcia eram amantes, não sei há quanto tempo, mas eram. Eu só sinto muito pela Sônia. – responde Hugo, sério
— Apesar do nosso casamento não ter dado certo, saiba que eu desejo que tenha uma vida maravilhosa com alguém que te mereça e eu sempre estarei torcendo por isso. Eu sempre me lembrarei de você com carinho.
— Bia... – chama Hugo — Você sempre será meu primeiro amor...
— Eu queria poder te dizer o mesmo – admite Beatriz — Mas em algum momento da minha vida você foi o meu amor, alguém com quem eu quis passar o resto da minha vida.
— Eu tenho que ir... – Hugo segurando na mão de Beatriz — Eu sempre mandarei notícias.
— Eu vou adorar recebê-las – despede-se Beatriz, emocionada — Até breve.
— Até breve. – Hugo se afastando na multidão.
****
Hugo anda apressado até o guichê, não acredita que conseguiu pegar dois acidentes a caminho do aeroporto. A moça faz o check-in dele apressada, mostrando a chamada de embarque imediato o fazendo correr novamente. Hugo entra no avião e senta em seu lugar, conseguindo finalmente respirar fundo e relaxar.
— Hugo?
— Doutora Manuela – Hugo reconhecendo à psicóloga. Ele a abraça — Que coincidência.
— Só Manuela, por favor – pede a psicóloga sorrindo para Hugo — Nossa, que coincidência mesmo nos encontrar aqui.
— Pois, é – concorda Hugo feliz — Por que a senhora está indo para BH?
— Você – corrige Manuela sorrindo. Ela ajeita os cabelos e continua — Eu moro em BH. Eu só vim mesmo para estudar o seu caso que me fascinou... Mesmo sabendo que no final era uma farsa.
— Não foi farsa completa – garante Hugo — Eu realmente não me lembrava... Até saber sobre a minha mãe.
— Eu suspeitava que alguma memória forte do passado o faria voltar – admite Manuela — Eu não o condeno, sei que continuou fingindo porque ama Beatriz.
— Sim – afirma Hugo respirando fundo — Mas eu sei hoje que não importa o que eu faça, ela nunca irá me amar completamente. Agora estou tentando seguir em frente.
— Por isso está indo para Minas?
— Sim... Recebi uma proposta e resolvi arriscar.
— Que ótimo, fico feliz. Já conhece BH?
— Sendo sincero... Não tenho ideia nem de como chegar ao hotel onde ficarei – revela Hugo — Estou completamente perdido.
— Bom, eu posso te ajudar.Conheço a cidade como a palma da minha mão.
— Nem sei como agradecer – comenta Hugo encantado.
— Por que não me convida para jantar? – sugere Manuela com um sorriso nos lábios — Assim você me conta em detalhes como soube que sua memória tinha voltado.
— Com certeza – concorda Hugo — Assim que pousarmos faço questão de conversar melhor com... Você.
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Um mês depois...
Londres
— Atchim! Atchim! Atchim!! – espirra Sônia deitada na cama do hotel. Ela pega o último lenço da segunda caixa para limpar o nariz. Continua com a voz nasalada — Eu não acredito que eu adoeci justamente no dia da reunião com Christian e Nick Candy! E “agoba”?
— Bom... Eu não sei – responde Beatriz sentada ao lado da amiga — E se nós remarcarmos? Talvez a Jaylen consiga outro dia, quando contarmos o seu caso.
— Você não conhece os britânicos, amiga. Remarcar não existe. Ou você vai à reunião, ou você vai à reunião.
— E como vamos fazer?Você nem consegue levantar da cama.
— Simples, você “ibá”. – sugere Sônia — Sozinha. É “bais” fácil um pássaro na ”bão” do que dois voando.
— Eu não posso ir sem você – recusa Beatriz — O que vou falar? Como vou responder a tudo sozinha?
— Amiga, relaxa. Eu ficarei bem... Prometo. Não deixe essa incrível oportunidade da Decor & Salto Alto passar. Pense no sucesso que faremos... Esse sucesso está em suas mãos.
— Okay... – concorda Beatriz, séria — Se é pela empresa, eu vou a essa reunião. Qualquer coisa você me liga.
— Pode deixar – Sônia que olha para o relógio — Agora vá, pois eles detestam atrasos.
— Deseje-me sorte – pede Beatriz sorrindo e se levantando.
— Você não precisa de sorte, eu sei que é capaz de convencê-los – garante Sônia.
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Beatriz desliga o Data Show encarando Christian e Nick Candy. Os dois são irmãos, Nick é o mais velho com quarenta e um anos, loiro dos olhos verdes, seus cabelos espetados chamaram atenção de Bia no começo. Enquanto Christian tem quarenta anos, cabelos e olhos castanhos.
Só o fato de lembrar que eles são seus ídolos deixa Beatriz mais nervosa do que já está, teme que eles não gostem de sua empresa, mesmo Jaylen garantindo que eles estavam interessados. A fisionomia indiferente em toda apresentação não ajuda em nada Beatriz decifrar se tinha conseguido conquistar ou não os donos da Candy & Candy.
— Muito obrigada pela atenção de vocês – agradece Beatriz, em inglês, finalizando a apresentação. Ela recolhe seu material, já convencida que não tinha agradado. Ajeita o blazer preto que está por cima de seu vestido vinho, escolhido justamente para aquela ocasião. Levanta a cabeça os encarando — Agradeço pela oportunidade e me desculpem pela perda de tempo que tiveram e o imprevisto com a minha sócia.
—Tudo bem – responde Nick, sério — Espero que na próxima reunião, daqui a seis meses, ela possa comparecer.
— Isso significa...? – Beatriz, nervosa, tinha medo de ter escutado errado.
— Que a sua empresa é exatamente como nos disseram – responde Christian — E queremos fazer parceria com vocês.
— Muito obrigada – agradece Beatriz em choque. Ela estende a mão trêmula para os irmãos e continua — Muito obrigada mesmo pela oportunidade. Com certeza a minha sócia estará na reunião.
— Tudo bem – responde Nick com um leve sorriso — Mas não é a nós que deve agradecer.
— Então a quem seria? – pergunta Beatriz sem entender.
— Ao lorde Wilkinson – revela Christian rapidamente — Ele foi bem persistente ao falar da empresa de vocês. Ele é um amigo muito querido e como antiquário, sempre nos inspirou confiança. Foi graças a ele que hoje nós encontramos uma empresa a altura.
— Obrigada por me contar – agradece Beatriz, chocada com a revelação. “Por que ele fez isso?” — Como ele está?.
— Não falamos com ele há meses. – responde Nick. — Mas deve estar bem.
— Tudo bem – responde Beatriz fingindo não se importar.
—Beatriz, muito obrigado. Temos uma reunião agora, mas em breve nos falaremos novamente –Christian.
— Obrigada– Beatriz sorrindo e cumprimentando mais uma vez — Até breve.
— Até – responde Nick, indicando a porta.
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Beatriz espera o elevador, não consegue acreditar que tinha conseguido a parceria com a empresa. Ela decide procurar seu celular para contar a Sônia o grande feito quando a porta o elevado se abre: dentro dele, Janet com uma bela barriga de grávida, deixando Beatriz em choque.
— Bee – cumprimenta Janet a reconhecendo. Ela solta um belo sorriso — Que surpresa maravilhosa! Entre, por favor!
— Eu estou descendo – argumenta Beatriz, se afastando do elevador.
— Eu também! – afirma Janet fazendo gesto para que Bia entre — Vamos, me acompanhe.
Beatriz respira fundo, não acredita que irá dividir o elevador com a Janet, ainda mais ela estando grávida do Flávio. “Ou talvez não esteja”...
— Parabéns! – fala Beatriz apontando para a barriga de Janet — Quantos meses?
— Obrigada – agradece Janet com o sorriso maior ainda — Nove meses.
— Nossa, está para nascer – comenta Beatriz fingindo empolgação, enquanto calcula mentalmente desde quando ela está grávida. “Ela já estava grávida quando nos conhecemos! “
— Eu sei o que está pensando. Sim, eu já estava grávida quando nos conhecemos aquele dia no Bibendum – revela Janet adivinhando os pensamentos de Beatriz — Não queríamos que as nossas famílias ficassem sabendo da nossa indiscrição.
— Por isso ele pediu você em casamento? – pergunta Beatriz, curiosa.
— Não somente por isso, mas porque ele me ama também. Amor antigo... Eu quis te contar aquele dia a nossa história, mas você saiu praticamente correndo. O Flávio nem conseguiu te alcançar.
— Pois é – responde Beatriz sem graça — Como ele está? Com a notícia?
— Radiante... quando contei para ele... nossa. Apesar dele estar sempre viajando, sempre trás algo para compensar a ausência. Ele quis muito acompanhar a gravidez, mas com os negócios, foi bem difícil... espero que quando nascer, ele esteja presente.
Beatriz tenta conter as lágrimas, sabe que nunca mais terá qualquer chance com o Flávio, não com aquela vida maravilhosa. Ele tem uma família agora e Beatriz já não faz mais parte da vida dele... Menos ainda com um filho a caminho.
— Espero que dê tudo certo em seu parto – sussurra Bia. Ela sorri, forçando a falar com mais firmeza —Já está bem perto, né?
— Para qualquer momento – Janet passando a mão na barriga.
— Então você deveria estar descansando. O que faz aqui na Candy & Candy? – pergunta Beatriz.
— Eu vim confirmar a decoração da cobertura do One Hyde Park. Nada contra o gosto do Flávio, mas falta um toque familiar, sabe.
— Sem dúvida, ainda mais com uma criança vindo – Beatriz conformada com a situação.
— Pois é – responde Janet. Ela arregala os olhos para Beatriz — Minha bolsa estourou!
— Como? –Beatriz olhando para o chão molhado — E agora?
— Você precisa me levar para o hospital – informa Janet tranquilamente. A porta do elevador abre, enquanto ela procura algo na bolsa. Ela entrega as chaves para Beatriz — Tome, pegue meu carro, é um Bentley vermelho. Eu vou fazer umas ligações... avisar.
Do trajeto Candy & Candy até o hospital, Beatriz não consegue parar de pensar que verá o Flávio. Finalmente o veria novamente desde o restaurante, o que lhe dá um frio na barriga. “Como será que ele está? O que ele fará quando me ver? O que eu faço? Será que ele vai falar algo... Por que o destino está fazendo isso comigo?”
****
Toda vez que a porta do quarto onde Janet está abre, o coração de Beatriz quase salta pela boca. Porém em nenhuma das vezes é o Flávio. A jovem loira já está em trabalho de parto há quase três horas, quando o obstetra a examina. Ele olha mais uma vez se Janet tem dilatação e então diz:
— Está na hora, vamos começar o parto.
— Mas o meu marido não chegou uhuhuhuu – Janet, desesperada, enquanto faz a respiração curta — Meus familiares... uhuhuhuuh... esse bebê não pode nascer agora uhuhuhuhuhuuh.
— Será arriscado para o bebê – alerta o médico — Ainda mais com a preferência do parto normal.
— Você fica comigo? – pede Janet segurando no braço de Beatriz — Por favor...
— Claro... – responde Beatriz instantaneamente. Naquele momento sente compaixão por Janet que enfrentará aquele momento sem as pessoas que a amam com ela. Beatriz limpa o canto dos olhos — Eu não perderia por nada.
— E quem é ela? – pergunta o médico olhando para Beatriz.
— Ela é a madrinha do meu filho – responde Janet, autoritária, fazendo Bia arregalar os olhos.
— Só permitimos parentes na hora do parto – informa o médico.
— Ela é como uma irmã para mim – argumenta Janet, piscando para Beatriz.
— Como está sozinha, deixarei que ela fique – alega médico — A gestante precisa de todo aparato emocional possível para esse momento. As enfermeiras virão arrumá-la para o parto. – finaliza saindo do quarto.
— Por que mentiu que eu era a madrinha do seu filho?–pergunta Beatriz, encarando Janet sem entender. —Nós mal nos conhecemos.
— Eu sei tudo sobre você... O Flávio me contou a história de vocês, a sua história e o que fez no restaurante – responde Janet — E eu realmente quero que seja a madrinha do meu filho.
— Mas... – tenta dizer Beatriz em choque. A esposa do homem que ela ama pediu para que fosse madrinha do filho deles.
— Não responde agora – fala Janet segurando forte no braço de Bia — Depois do parto, a gente conversa melhor.
****
Beatriz segura fortemente à mão de Janet, não sabe de onde a loira tira tanta força naquele momento. Já não sabe há quanto tempo estão ali, mas por algum motivo o bebê ainda não saiu.
— Janet, mais um pouco de força – pede o médico — Agora.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah – geme Janet fazendo força. Ela se joga na cama sem forças e olha para Bia — Eu não aguento mais... eu não aguento...
— Aguenta sim – encoraja Beatriz passando um pano na testa de Janet — Você não veio até aqui para desistir, não é? Você é forte e sei que não será isso que a fará desistir. Mostre ao seu filho que faz tudo por ele desde agora. E se cansar, segure em mim, que estou aqui com você e ficarei até o final. Não desista.
— Obrigada – agradece Janet — Eu sempre soube que é uma boa pessoa.
— Então vamos tirar o meu afilhado de dentro de você – incentiva Beatriz.
— Mais uma vez, Janet – pede o médico.
—Aaaaaaaaaaaa... aaaaaaaa. AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH — grita Janet com toda força, desabando na cama, ofegante.
A sala fica silenciosa, o médico está compenetrado, preocupando Beatriz que não sabe o que está acontecendo. Depois de alguns minutos um choro tímido se espalha pelo lugar. Nos braços do médico, surge um lindo bebê. Assim que Beatriz o viu todos os seus pensamentos se dissipam diante da inocência daquela nova vida. Sente que o tempo parou... Sabe que está onde deveria estar naquele momento.
— Uma menina – revela o médico, emocionado.
— Ela é linda – comenta Beatriz, emocionada com as mãos na boca. Ela nunca tinha presenciado nada assim. O bebê chora com mais força — Está tudo bem com ela?
— Sim – responde o médico entregando o bebê para uma das enfermeiras — Ela só precisa ficar perto da mãe... daqui a pouco o desejo dela se realizará.
— Janet – chama Beatriz tocando na loira — Você conseguiu... sua filha é linda.
— Obrigada – sussurra Janet — Obrigada por estar aqui. Por me apoiar...
— De nada – responde Beatriz sorrindo — Eu faria isso novamente só para ver aquela carinha.
****
— Aqui está sua filha – avisa a enfermeira entregando “ o pacotinho” nos braços de Janet que já está no quarto.
— Oi, Ashley... oi minha filha – Janet olhando a filha com amor. Ashley para de chorar no momento que escuta a voz da mãe — Oi minha princesa – olha para Beatriz— Aproxime-se, venha conhecer sua afilhada.
— Não sei... – solta Beatriz — E se o Flávio não gostar da ideia?
— Ele não tem nada a ver com isso, eu decidi que será você e pronto. Ainda mais depois de hoje. Venha!
— Oi, Ashley – fala Beatriz segurando delicadamente na mão da menina. Ashley tinha os olhos azuis e os cabelos negros — Oi, lindinha. Aqui é sua madrinha, não sou uma fada, mas farei de tudo para que tenha toda a felicidade do mundo.
— Seu marido chegou – avisa a enfermeira.
— Tudo bem – comenta Janet sorrindo — Finalmente.
Beatriz fecha os olhos e respira fundo, naquele momento seu corpo gela e sua cabeça fervilha. Ajeita a postura e se vira devagar para a porta. Aquele momento tinha deixado de ser dos dois e ela sabe que teria de vê-lo com frequência já que é a madrinha da Ashley. “Isso é muito maior que nós dois... Eles merecem serem felizes e eu farei de tudo para que assim seja. Mesmo amando o Flávio sei que aquela é a vida que ele merece e não terá comigo... Não deixarei de amá-lo, mas tentarei esquecê-lo... Com todas as minhas forças... Pela Janet... Pela Ashley... Pelo Flávio e principalmente por mim.”
A porta se abre lentamente aos olhos de Beatriz, prende sua respiração por alguns instantes. Seus olhos se abrem e as lágrimas começam a cair:
— Oi, meu amor.
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