A Caçadora E O Vampiro
9 E assim meu mundo desabou...
Notas iniciais
Nesse capítulo um segredo será desvendado, mas vocês provavelmente já sabem a verdade...
Espero que gostem!!!
Não sabia se três horas de viagem iriam me fazer bem, mas precisava ficar sozinha, minha mente estava abarrotada de informações, medos e mistérios sem solução. Precisava me organizar, passar um tempo longe desse novo mundo que se abrira em frente aos meus olhos, longe de todos os seres místicos que habitavam aquela cidade no meio do nada.
Mike não tinha condições de ir para a faculdade no dia seguinte, seus ferimentos exigiam que ele descansasse. E poderia aproveitar esse tempo para criar uma desculpa boa o bastante para explicar à Alice o por que de estar naquele estado, não sabia como explicar tudo o que acontecera. Também não me sentia preparada para encarar mais um dia de aula, precisava analisar todos os acontecimentos dessa semana que havia passado. Minha amiga era uma bruxa, o namorado de uma outra amiga minha era um lobisomem, esse lobisomem tentou fazer um jantar com o corpo do meu irmão e, se isso ainda não fosse o bastante, tinha todos os mistério que Mark apresentara – para os quais ainda não tinha obtido uma resposta. E, mesmo com tudo isso, eu me sentia bem o bastante para continuar morando nessa cidade. Por que minha vida tem que ser tão estranha?, me perguntava.
Tinha acordado cedo naquele dia, não conseguira dormir, as coisas nas quais não queria pensar ficavam assombrando minha mente, invadindo meus sonhos. Sentia meu corpo cansado e dolorido por causa da noite mal dormida. Tomei uma caneca cheia de café extra forte para tentar me manter acordada, estava receosa, sabia que se voltasse a dormir os pesadelos voltariam. Já era muito ruim viver um pesadelo enquanto estava acordada, ter que enfrentar os pesadelos enquanto dormia só piorava tudo.
Queria ficar sozinha, fugir desse mundo que virara minha realidade recentemente. Dean estava certo quando falou que eu não daria conta de tudo isso sozinha, odiava ter que admitir que ele estava certo, mas não podia enganar a mim mesma. Saber que Alice era uma bruxa foi um impacto muito grande na minha vida, era difícil lidar com isso, mas ninguém percebia que isso me incomodava, sempre fui uma grande atriz, o único problema é que não conseguia mentir para mim mesma. E o que aconteceu com Mike foi o estopim para toda essa confusão que sentia.
Sabia que Dean era capaz de coisas terríveis, tinha presenciado uma de suas vinganças uma vez, nunca pensei que chegaria a hora na qual isso aconteceria comigo. Nunca pensei que D fosse ser capaz de me atingir de um modo tão grotesco e tão baixo, tentar matar meu irmão para que não desistisse da missão era um golpe muito baixo, até mesmo para ele.
Lutava para que esses pensamentos saíssem de minha mente para que pudesse pensar em um lugar isolado para ir. Não conhecia a região bem o suficiente para escolher um lugar para o qual fugir. Apoiei meus cotovelos no balcão frio, repousando minha cabeça nas mãos. Vasculhei minha cabeça por um lugar, mesmo que fosse na cidade, onde poderia ficar sozinha. A lembrança do dia que fiquei deitada com Mark na campina encheu minha mente, mas aquele não era um bom lugar para ir, traria lembranças de mais. Era um lugar feliz, não queria arruinar ele com minhas inseguranças e incertezas. Tinha que ser um lugar novo para mim. Foi então que me veio a cabeça o dia no qual Alice me contou sobre suas férias, sobre uma praia pouco movimentada na qual passara o mês de Agosto. Era esse tipo de lugar que queria. Escrevi um bilhete para Mike avisando que iria sair, para que não me esperasse para o almoço e saí.
Entrei no carro, arrumei o GPS, dei partida e deixei a cidade para trás antes do nascer do sol.
Fiquei maravilhada com a rápida mudança na paisagem. As florestas escuras logo foram substituídas por plantações e lagos de águas escuras e esverdeadas. Era um alívio poder sair daquela cidade toda cercada por florestas assustadoras e sombrias.
Logo o dia começou a clarear, o sol começou a aparecer no horizonte, iluminando a estrada a minha frente. Era muito bonito ver os primeiros raios solares tocando as plantações, fazendo-as emitir um brilho levemente esverdeado. Me sentia aliviada de estar longe de todos os problemas, longe de tudo que estava me assombrando. Ali, vendo aquela paisagem formidável, era difícil acreditar que aquela cidade podia ser tão tenebrosa, cheia de monstros e mistérios.
A viagem foi longa e silenciosa. Gostava do fato de estar dirigindo, ouvindo minha banda de rock favorita – Slipknot – em um volume muito alto, isso me ajudava a não pensar, não queria ter que pensar em nada antes de chegar à praia.
Era um lugar lindo, tinha que admitir, Alice não exagerara na descrição como imaginara. Estacionei o carro perto do calçadão e caminhei até lá. O vento frio fazia meu corpo estremecer, mas não me importava, tudo que queria era colocar os pés na areia e esquecer tudo que estava me perseguindo.
Sentir a areia úmida tocando meus pés descalços era uma sensação maravilhosa, desde pequena gostava disso, meu pai sempre me levava à praia nas férias de verão. Pensar nisso fez meu coração apertar. Por mais que tentasse parecer forte, ainda me sentia muito mal por ter perdido a pessoa que mais amava no mundo. Mike sempre me falava como eu o surpreendera após a morte de meu pai, eu não chorava, era forte, mas tudo isso era só uma fachada. Por dentro eu estava destruída, estava me sentindo em um estado deplorável. Por mais que não gostasse de admitir e não aparentasse, eu era uma garota sensível que precisava de um ombro amigo, de um abraço, de uma palavra confortadora.
Me sentei perto do mar, ouvindo as ondas batendo na areia e nas rochas ali perto. Era um som tranquilizador, algo normal para quebrar o fluxo de anomalias que estavam aparecendo na minha vida. Sentada ali, me sentia bem, como se nada pudesse me atingir, como se Dean não existisse, assim como todos os lobisomens, bruxas e vampiros que conhecera como caçadora. Era apenas um lugar normal, vazio e calmo, e isso tudo fazia com que me sentisse melhor.
A praia era como Alice descrevera: calma, desabitada e linda. Toda cercada por altas montanhas rochosas e esverdeadas, parecia o lugar ideal para ficar sozinha. A minha frente o oceano se estendia, azul, calmo e imenso. Naquela hora me senti sozinha, queria ter alguém com quem conversar, alguém que me abraçaria e diria que tudo ficaria bem. Suspirei, era tudo tão complicado...
“Vamos começar a pensar” murmurei, mesmo que ninguém estivesse por perto, não me sentia bem o bastante para falar sobre tudo o que estava acontecendo em voz alta, ali tudo parecia apenas mais uma história de ficção – terror talvez.
Primeiro tinha que pensar sobre Alice. Minha amiga, uma das poucas amigas que tive durante minha vida, a amiga que era uma bruxa. Durante todo o tempo que passei caçando, nunca conhecera uma bruxa, nem mesmo Mike, que estava nesse ramo a mais tempo que eu, conhecera uma. Sabia que isso fazia parte dos planos de D, ele nunca faria eu me aproximar dela se ela não fizesse parte do mundo sobrenatural. Mas com isso eu até poderia lidar, ela não era má, não sabia muito sobre ser uma feiticeira e duvidava plenamente que ela se tornaria má quando descobrisse mais sobre o assunto. É, posso lidar com isso, suspirei, Próximo tópico: lobisomens.
Meu irmão havia sido ferido por um lobisomem – que também era o namorado mais recente da Sophie. Não podia deixar que minha amiga se envolvesse com um dos espiões de D, mas se tentasse a afastar dele, ela se afastaria de mim e continuaria com ele, seria um caso perdido. Tinha que protegê-la de longe. Mas o fato de D ter um espião me atormentava, provavelmente Daniel não era o único. E o fato dele ter atacado meu irmão me deixava cega de raiva. Queria muito poder me vingar dele de alguma forma, mas isso só aumentaria o desejo de vingança de Deane isso poderia resultar em uma morte, não poderia suportar perder ninguém que amava, não de novo.
E quanto a Mark... bem, não sabia o que fazer. Não tinha como resolver seus mistérios. Se ele não andasse durante o dia poderia jurar que ele era um vampiro, ele tinha todas as características de um – reservado, sem amigos, alguém que tenta se afastar de tudo e de todos – mas ele não estava mais tão solitário, não se atormentava com várias pessoas ao seu redor e conseguia andar no sol sem se queimar. Teria que conseguir ficar com ele a sós para conseguir mais respostas e tentar entendê-lo.
Mas e quanto a minha felicidade?, me perguntei lembrando das palavras de Mike. Queria ser feliz, mesmo que para isso tivesse que morar em uma cidade tenebrosa, pequena e toda cercada por uma floresta densa e cheia de criaturas monstruosas. Mas para isso teria que enfrentar D, algo que não poderia fazer, ele acharia um jeito de me atingir e machucar todos a minha volta. Não queria que ninguém se machucasse por minha causa, principalmente se isso implicar a morte de alguém. Não podia pedir para ninguém que fizesse um sacrifício tão grande por mim, era algo que não podia fazer, por mais que quisesse ser feliz.
Era tão estranho me sentir bem naquele lugar, me sentir feliz, mas era como me sentia, mesmo ainda não estando completa. Continuar a missão estava fora de cogitação. Provavelmente a missão incluiria eu matando um dos meus amigos místicos e isso seria ainda pior do que perdê-los pelas mãos de D. Tinha que achar um jeito de fazer tudo dar certo, mas não conseguia ver uma saída, nenhum sinal de esperança, nada. Teria que voltar a esse tópico mais pra frente.
Sentada ali na areia era mais fácil pensar nessas coisas. Ficar longe de tudo isso ajudara a clarear minha mente e a pensar melhor, chegar em uma conclusão sobre tudo – bem, quase tudo. Estava hipnotizada pela paisagem a minha volta, imersa em meus pensamentos obscuros.
Não sei quanto tempo fiquei sentada ali, mas logo meu corpo começou a protestar por causa do frio e da fome. Precisava voltar para casa, voltar para minha realidade. Me levantei e caminhei pelo calçadão em busca de um restaurante onde pudesse almoçar antes de cair na estrada novamente.
***
“Por que você não foi na faculdade hoje?” perguntou Alice, tomando um longo gole de café logo depois.
“Precisava de um tempo sozinha” não consegui olhar em seus olhos ao falar, se ela os visse poderia ver a confusão que ainda vagava dentro de mim e isso traria perguntas com as quais não estava pronta para lidar.
Estávamos sentadas no lado de fora da lanchonete da cidade. Tinha ligado para Alice no caminho de volta, precisava pegar as matérias que perdera por causa dessa viagem. Tinha resolvido muitos pontos confusos que estavam me martirizando, mas ainda existia algo dentro de mim que me atormentava, só não conseguia identificar o que.
“Você perdeu muitas coisas hoje” disse, me entregando uma pasta cheia de folhas “O Mike também estava precisando pensar um pouco? Ele não foi na faculdade hoje e não atendeu o telefone”
“Eu não sei. Ele me falou que ia ficar em casa. Vou falar com ele mais tarde, pedir pra ele te ligar”
“O que você tem? Parece tão triste” ela me estudava atentamente, me assustei ao perceber isso.
“Não sei, acho que estou meio frustrada por causa do Mark” respondi sem pensar, me arrependendo logo que as palavras saíram de minha boca.
“Ele é bem misterioso né? E você gosta dele” afirmou. Balancei a cabeça concordando, não tinha por que esconder isso dela, ela acabaria descobrindo mais cedo ou mais tarde, na verdade parecia que de alguma forma ela já sabia “Sabe de uma coisa, você devia ir conversar com ele. Se ele não tomou a iniciativa ainda, você deveria tomar.”
“Você acha mesmo?” perguntei sem tirar os olhos da vitamina de morango que estava tomando.
“Millie, você ama ele, posso ver isso sempre que você fala sobre ele. E ele também deve te amar porque se não fosse por você ele não estaria conversando com a gente, ainda estaria sendo aquele cara estranho e lindo sem amigos. Vai atrás da sua felicidade, amiga, você merece.”
Suas palavras me lembraram de Mike, ele me falava isso o tempo todo, que eu merecia ser feliz. E no fundo sabia que ele estava certo. Os dois estavam. Eu merecia ser feliz. Naquele momento sentia que nada mais importava, a missão já passava longe de meus pensamentos, tudo que queria era ser feliz, nada a mais. Depois de tudo que passei na vida, era o mínimo que poderia ganhar em troca.
Joguei uma nota de vinte dólares na mesa para pagar pelas bebidas e comecei a ir para o carro. Estava me sentindo confiante e determinada, tinha que aproveitar enquanto me sentia assim. Não dei três passos e Alice me chamou.
“Onde você vai?” ela parecia confusa com minha atitude.
“Vou falar com o Mark. Você tá certa, eu mereço ser feliz. Se ele ainda não tomou a iniciativa, eu vou tomar” ela sorriu ao ouvir minhas palavras “Tenho que ir antes que perca a coragem” sorri, tentando explicar o por que de estar agindo daquele jeito estranho.
“Você ao menos sabe onde ele mora?” perguntou divertida. Algo na minha expressão a fez rir.
“Onde ele mora?” perguntei sem jeito, tinha me esquecido completamente de que não sabia onde ele morava. Pra ser sincera não sabia muitas coisas sobre ele, mas isso não vem ao caso.
“Na rua 27”
“Mas não tem casas nessa rua, só mato” falei, me lembrando de um dia que passei por lá, logo que me mudara.
“É a única casa da rua” bebeu um gole de café “Fica quase no fim da rua aliás”
“Como você sabe tantas coisas sobre ele?” me sentia desconfiada e inquieta, precisava perguntar isso.
“Fiz minha lição de casa” ela deu de ombros, fitando o café a sua frente. Podia jurar que estava corando, envergonhada.
“Você já gostou dele” afirmei, estava muito claro isso. Ela gostara dele antes, mas não foi correspondida, tendo que desistir. Vê-lo conversando comigo, se tornando uma pessoa normal por minha causa devia ser difícil para ela.
“Quem nunca gostou dele?” comentou, ainda olhando para a caneca de café que segurava.
“A gente se vê amanhã” falei, indo até o carro.
Saber que eu não era a única que gostava dele era estranho, sabia que ele era lindo e que deixava as pessoas atordoadas com sua presença, mas nunca percebera que as outras garotas da faculdade estavam a fim dele ou já estiveram a fim dele antes – se bem que era algo que deveria ter suspeitado desde o inicio. Isso era algo difícil com o qual lidar, teria concorrência e isso não era algo bom para minha autoestima.
Aos poucos minha confiança foi esvaindo, mas tinha que continuar, estava determinada, falaria com ele, explicaria tudo. O problema de tudo isso eram os e se que passavam pela minha mente enquanto dirigia. E se ele não gosta de mim desse jeito? E se ele só quiser ser meu amigo? Eram muitas perguntas como essa que me faziam me acovardar. Não queria ser rejeitada, mas se eu não tomasse a iniciativa nunca saberia o que ele realmente sentia por mim – seria muito pior ficar com essa dúvida me atormentando do que ter que lidar com um fora, pelo menos o fora era algo concreto, diferentemente da dúvida.
A rua 27 era toda cercada pela floresta, sem casas ou lojas. Era apenas mais uma rua cheia de curvas que subia uma das montanhas que cercavam a cidade. Da última vez que entrara naquela rua estava perdida e, ao perceber que não havia nada lá a não ser mato, dera meia volta e tentara ir por outra rua. Talvez fosse por isso que não vira a casa de Mark, que ficava no topo da colina. De lá podia ver toda a cidade, que parecia ainda menor vista de cima.
A casa era grande para alguém morar sozinho, com dois andares, uma varanda que tomava toda a extensão da casa no piso superior e telhado de telhas escuras onde uma pequena janela podia ser avistada – que provavelmente era onde o sótão ficava. No estilo vitoriano com paredes azuis, janelas grandes pintadas de branco e altos pilares redondos que seguravam o telhado da varanda de baixo, a casa parecia ter saído de um filme, era linda, a casa dos sonhos de toda garota. Subi os três degraus que levavam a varanda da frente e bati na porta estranhando o fato da casa não ter campainha, mas fiquei parada lá esperando. Passado algum tempo, bati novamente e continuei sem respostas. Tentei espiar por uma janela ali perto, mas tudo que pude ver foi um corredor cheio de móveis de madeira do século passado. Resolvi então dar a volta na casa, ver se Mark estava no jardim dos fundos.
O jardim era bem cuidado, cheio de flores brancas e pinheiros altos e verdes, uma cerca baixa feita de madeira pintada de branco cercava a casa, não deixando a floresta invadir o terreno. Estava impressionada com a arrumação do lugar – para um cara que morava sozinho a casa estava muito bem arrumada e conservada.
O jardim dos fundos era grande, cheio de flores coloridas e árvores altas. Várias folhas avermelhadas estavam espalhadas pela grama verde e macia. Em um canto ficavam várias árvores frutíferas, do outro ficava a horta, cheia de legumes e vegetais de folhas grandes e verdes. Um caminho de cascalho cercado por flores brancas levavam até um deque de madeira onde ficavam uma mesa e quatro cadeiras rústicas. No fim do jardim ficava um balanço de madeira branca antigo. O vento o fazia balançar, fazendo as correntes que o seguravam ranger audivelmente.
Apoiado no balanço, olhando para a floresta, de costas para mim, estava Mark, observando o por do sol. Usava uma jaqueta de couro preta e jeans pretos apertados que realçavam seu corpo musculoso. O vento bagunçava seus cabelos, deixando-os bagunçados. Fiquei um tempo parada ali, o observando hipnotizada por sua beleza. Já não me sentia corajosa, não queria ir falar com ele, explicar o que sentia, mas já estava lá, não podia voltar a trás. Caminhei lentamente, sentindo as folhas estalarem sob meus pés. Ele parecia não ter notado minha presença.
“Mark” chamei, ainda longe dele.
Ele se virou para me olhar. Senti meus joelhos bambearem, minha cabeça rodava – mas dessa vez não era por causa de sua beleza – sentia que iria desmaiar a qualquer momento.
Em suas mãos estava uma bolsa de sangue de hospital, seus lábios estavam vermelhos de sangue, o qual escorria lentamente pelo queixo pingando em sua camiseta branca formando uma grande mancha vermelha escura nela. Seus olhos me olhavam alarmados e temerosos. Senti meu estômago se revirar dentro de mim, meus olhos estavam cheios de água, prestes a transbordar. Me sentia doente, com nojo do que via.
“Millie” murmurou, sem saber o que falar. Eu o tinha surpreendido no pior momento.
Dei meia volta e corri em direção ao carro, sentindo minhas lágrimas molharem meu rosto indo repousar em minha camiseta preta. Tentei enxugar os olhos, mas as lágrimas insistiam em voltar. Não conseguia acreditar no que acabara de presenciar.
Uma vez dentro do carro, comecei a dirigir sem rumo, tudo que queria era sair dali, ir para longe dele. Não sei como consegui dirigir, as lágrimas faziam com que a paisagem ficasse totalmente desfocada. Quando estava longe o bastante estacionei o carro no acostamento e chorei. Sentia todo o meu corpo tremer conforme soluçava. A dor em meu peito ficava cada vez pior de suportar, era como se uma faca me rasgasse ao meio lentamente. A imagem de Mark sujo de sangue não saía da minha mente. Fechei os olhos, encostando a cabeça no volante. Ver Mark naquele estado foi uma das piores cenas que já presenciara, era algo com o qual não sabia como lidar, era demais para mim.
Odiava chorar, mas me sentia desolada, meu mundo estava escuro e em pedaços, não podia evitar que as lágrimas escorressem por minhas bochechas. Desde que chegara naquela cidade e o conhecera minha vida se tornou boa e interessante, ele era um ótimo passatempo para mim, com todos seus mistérios e esquisitices. E agora sabia o motivo dele ser do jeito que era.
Meu coração estava em uma batalha muito confusa: de um lado o amor que sentia por quem ele era, do outro o ódio e o nojo que sentia pelo que ele era. Estava confusa demais para pensar claramente, mas de uma coisa tinha certeza e isso me deixava ainda mais enjoada.
Eu, uma caçadora, estava apaixonada por um vampiro, a criatura que mais abominava no mundo.
Notas finais
Já vou adiantar que o próximo capítulo vai ser um pouco diferente, vai ser um capítulo especial... e grande, mas não vamos entrar em detalhes ainda.
Beijinhos e até o próximo capítulo...
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